Efeito Dominó
30 The Beauty & The Beast
Nem Regina nem Robin ousariam dizer que estavam tão errados a respeito de si mesmos. Jamais lhe passaria pela cabeça que o que colocaria em risco a confidencialidade da relação que um dia existira, seria justamente o fim da mesma. Por mais que tentasse bloquear sua reação natural, por mais que houvesse mergulhado sua mente em trabalho, em atividades na academia, em reuniões amigáveis no contexto político de Maryland, Baltimore ao lado de sua nova aliada Mellie Grant, não fora suficiente.
Ela ainda se sentia despedaçada por tê-lo perdido. Por ter deixado que aquele relacionamento escapasse por entre seus dedos tão facilmente. Sabia que era errado. Não deveria sentir-se assim simplesmente porque o segurança de seu marido não queria mais transar com ela. Mas quem ela queria enganar? Não era apenas isso. Se fosse, ela não se sentiria tão miserável. Ela não sentiria suas entranhas se contorcendo como se fossem dobradas quando pensava em Robin deitando-se sobre o corpo delicado da babá. Quando imaginava que eles deviam sair aos finais de semana como um casal feliz e seu filho, andando com as mãos entrelaçadas e sorrindo apaixonadamente enquanto Roland corria feliz com algum brinquedo recém-adquirido. Amargura se fazia presente quando ela se dava conta de que se resumira a uma mulher invejosa e mesquinha, que desejava secretamente o fim do relacionamento alheio estando presa ao próprio relacionamento.
O que havia acontecido com ela? Sacodiu a cabeça enquanto corria incansavelmente na esteira. Ela deveria estar feliz; ela tinha Frank de volta e ele estava tão absolutamente caído aos pés dela novamente que lhe pareceu cansativo manter aquilo. A fantasia em sua mente, aquela que ela alimentara durante os anos de rejeição dele, de como seria quando ela conseguisse finalmente reconquistá-lo e mostrar a ele o tipo de mulher sensacional e fascinante que ela podia ser – porque a realidade não fazia jus à aquela fantasia?
Robin parecia bem e isso a matava secretamente. Talvez se ela parasse de ser egoísta e mimada ela perceberia que ele estava melhor com a babá. Talvez ela fosse uma boa pessoa, apesar de acha-la insossa, sonsa e não, ela não achava que a babá fosse uma pessoa melhor do que ela. Mas a babá é solteira, querida. Sibilou a voz em sua mente, fazendo-a morder o lábio inferior e adicionar mais velocidade e inclinação à sua corrida. Como é que ela poderia exigir algo dele se ela mesma era impossível?
A porta de vidro correu para o lado e ela o avistou, entrando na academia com os fones de ouvido brancos plugados. Possivelmente em um som alto, já que ele não a ouviu na esteira. Regina diminuiu sua velocidade e observou-a ajeitar os pesos na barra, adicionando mais pesos que ela pensaria ser capaz de erguer com todo seu corpo. Robin puxou a camisa regata com um dos braços, e permaneceu com a bermuda verde, o elástico da cueca branca sobressaindo em seu quadril. Ela mordeu os lábios analisando a musculatura dele, a maneira com que o corpo dele poderia se assemelhar a uma montanha de músculos a cada movimento. Foi quando ela fitou o espelho e percebeu que os olhos azuis estavam fixos nela. Ele finalmente percebera sua presença.
Surpreendentemente, ele preferiu fingir que não a tinha visto. Ela não sabia se sentia-se aliviada ou ofendida pelo fato da presença dela não o incomodar; talvez não fizesse diferença para ele. Os olhos dele se desprenderam dos olhos dela rapidamente, e ele encaixou o ipod no elástico da cueca, antes de esfregar uma mão na outra. De costas para ela, ele abaixou-se e pegou a barra, erguendo-a com força. Regina mordeu o lábio. Ele mal olhara para ela, e ela estava usando um top vermelho que cruzava seus peitos e deixava pouco a imaginar e muito a ver. O short saia que usava era curto e evidenciava suas curvas e como ele ousava nem olhar para ela?
Ela franziu as sobrancelhas e aproximou-se dele, certa de que ele estava vagamente ciente de sua movimentação. Caminhou até estar atrás dele e não conseguiu resistir; seus dedos pareciam ter agido sem o seu consentimento, traçando o contorno dos músculos de seu dorso, como se desenhasse uma linha imaginaria que percorria o espaço entre eles. “Regina.” Sussurrou ele, uma espécie de alerta que chamava sua atenção. Não era uma reprimenda, ela podia dizer, mas também não era a súplica de um amante.
“Por favor, me deixe apenas sentir. Você não está fazendo nada, eu estou.”
Ele respirou fundo e ela pensou que ele sairia dali no mesmo instante. No entanto, ela observou-o subir e descer com a barra sobre os seus ombros, ignorando seu toque, ou ao menos fingindo ignorar. Podia ver os pelos eriçados nos braços dele, denunciando os arrepios que ela estava causando nele e ela sentiu-se melhor ao perceber que não era a única sentindo alguma coisa ali.
Robin fechou os olhos, perguntando-se porque não ela não poderia simplesmente deixa-lo em paz. Não era como se ele fosse indiferente ao seu toque, ao calor que a ponta dos dedos dela reproduzia contra a sua pele, mas ele não podia sentir aquilo. Ele tinha uma namorada agora e ele prometera ser fiel, prometera ser o melhor que podia para a mulher que o esperava em casa. Ceder à Regina não era a melhor maneira de fazer isso. Aquilo só tornava as coisas mais e mais difíceis. Haviam se passado três semanas, longas e extenuantes semanas e ele não havia feito nada com Megan a não ser alguns beijos mais quentes e ele não podia sequer dizer a verdade a ela. Não podia dizer que sua inabilidade de levar aquilo adiante era porque toda vez que ele fechava os olhos, ou sentia o toque dela em seu corpo, seu cérebro o traía e o levava de volta a ela.
O levava de volta aos beijos de Regina. À voz dela, ao toque dela, a maneira que a pele dela contrastava com a sua e gerava uma onda de eletricidade e calor que reverberava por todo seu sistema nervoso, límbico e respiratório. Ele era um viciado em Regina Mills. Não podia negar que Margot Bishop havia sido uma diversão sensacional – a britânica sabia exatamente o que fazer e o que queria em troca – mas Megan era sua melhor amiga e ele não queria ser um canalha a tal ponto. Não queria arrancar as roupas dela e fazê-la revirar os olhos enquanto ele estava indubitavelmente preso aos encantos de outra mulher.
De certo modo, tinha funcionado até aquele momento. Ela era bastante paciente ou ela sabia o que estava acontecendo e preferia esperar – ele não sabia. Mas não havia pressão para isso e ele era grato por isso. Regina deslizou as mãos para seu abdômen, abraçando-o e o calor do corpo dela, quente e despido contra o seu fez com que ele quase soltasse a barra. Regina beijou suas costas, um beijo exatamente sobre a sua espinha, entre as suas escápulas, e ele grunhiu. “Regina, pare.”
Ela observou-o se afastar e jogar a barra no chão. Quando ele se virou, os olhos azuis pareciam ainda mais escuros, exatamente como pareciam quando ele estava com os lábios em outra parte de seu corpo. A cor que denunciava o tesão dele, o quanto ele estava se segurando para não arrancar suas roupas ali mesmo. Por que ele estava demorando tanto a fazê-lo?
“Robin...” Começou ela e ele ergueu a palma da mão, interrompendo-a. Caminhou até ela com o olhar sério e o rosto impassível e Regina sentiu-se ligeiramente intimidada. Ele parou a meros centímetros dela, os olhos azuis centrados nos seus. Ela podia sentir a respiração dele batendo contra os seus lábios; ele estava incrivelmente perto, e ela mergulhou na sensação tão familiar – da qual ela sentiu muita falta, mais do que gostaria de admitir.
“Eu não sei o que você está pensando, Regina, mas meu relacionamento não é como o seu. Eu não vou traí-la. Por favor, não torne isso mais difícil do que é.”
Regina engoliu em seco, e ele balançou a cabeça, negativamente, demonstrando seu aterrorizante desapontamento antes de sair, deixando-a para trás. Lágrimas preenchendo a base dos olhos cor de chocolate, enquanto ela lutava para aliviar o nó que se formara em sua garganta. Ele havia escolhido Megan, e ela não podia dizer nada pois quando ela escolhera Frank, mas a diferença é que ela nunca havia sido resoluta sobre a sua decisão. Ela sempre achou que teria ambos, e Robin mostrara a ela que não. Ele acabara de ensinar a ela o que é colher os frutos de sua própria decisão.
***
Stuart colocou as xícaras na lava louças e olhou em volta. A cozinha planejada por Regina era definitivamente linda, e mesmo ele tendo falado a ela várias e várias que não podia aceitar – bem, ele sabia que ela não aceitava um não. Eles saíram para trabalhar e quando voltaram uma nova cozinha industrial e desenhada estava no lugar da antiga, e não havia nada que pudessem fazer a respeito. Ruby parecia mais feliz depois de terem saído daquela casa e ele sequer tinha palavras para descrever o alívio de não morar mais no mesmo lugar que uma vez fora o lar de amor de sua namorada com o respectivo ex-namorado.
Mas algo estava acontecendo com ela. O novo emprego sempre lhe trazia sorrisos aos olhos, e ela estava mais do que feliz com a casa – ele podia jurar. Eles passavam horas e horas em lojas de departamento, e ela nunca parecia tão repleta de si do que quando estava passando vasos ornamentais e tapetes de tafetá austríaco pelo caixa. Coisas que ele não entendia, mas qualquer coisa que fizesse aquele sorriso genuíno e esplêndido se espalhar nos lábios dela valia a pena e ele estava disposto a lutar por isso.
Caminhou de volta até o sofá da sala, e ela ajeitou-se para que ele sentasse ao seu lado. Assim que Stuart acomodou-se ali, ela deitou a cabeça no seu peito, aninhando-se carinhosamente contra o corpo dele. Ela estava usando um moletom grande e quente e shorts, e ele estranhou o fato de que ela estava com frio em um dia que estava tão quente. “Ruby, você está se sentindo bem?”
“Sim, baby.”
“Ruby, está um sol de rachar lá fora. Você está usando moletom e meias.” Ela ergueu a cabeça e olhou nos olhos azuis. “Eu deveria me preocupar?”
“O apartamento é um pouco frio.” Resmungou ela, e ele revirou os olhos, percebendo que ela daria qualquer argumento existente, fosse plausível ou não, para fugir da conversa que terminaria com ele querendo leva-la ao hospital. Como ainda não parecia tão sério, ele deixou passar.
“O que estamos assistindo?”
“Jogos vorazes.”
Ele riu. “De novo?”
“Você tem algum problema com isso, Senhor Grant?”
“Nenhum, Senhorita Lucas. Se é Jogos Vorazes que a senhorita deseja assistir, então Jogos Vorazes será. Mil vezes.”
“Acho que nem eu seria capaz de assistir esse filme mil vezes.” Brincou ela, abraçando a cintura dele. Ele circulou a cintura dela com o braço, apertando-a contra si.
“Honestamente, se você colocar na ponta do lápis quantas vezes você...”
“Se você ousar terminar essa sentença, você vai dormir na casinha do cachorro Stuart!”
Ele gargalhou, afastando involuntariamente. “Nós nem temos cachorro, Ruby!”
“Vou comprar um só para você ir dormir com ele.”
Ele rapidamente a rodopiou, deitando-a contra o sofá e pressionando seu corpo contra o dela, atenta a como os olhos dela o fitaram com volúpia. Ela sorriu e ele debruçou-se, beijando a boca dela com carinho, tocando seu rosto, antes de inclinar-se para o lado e beijar demoradamente seu pescoço, ouvindo-a suspirar. “Eu acho...” Sussurrou ele, antes de trilhar o caminho até a orelha dela, mordiscando o lóbulo e beijando-o. “Que você ia sentir bastante falta das minhas habilidades se eu dormir com o cachorro.”
“Você é tão convencido.” Murmurou ela.
“Os vizinhos concordariam comigo. Se um dia você quiser sanar essa dúvida.”
Ela fechou os olhos, rindo. Ela não poderia ser tão vocal assim. “Eu duvido que isso seja verdade. Eu não sou tão barulhenta assim.”
Ele sorriu como soubesse algo óbvio, que somente ela não sabia. “Meu amor, você não faz ideia de como você é audível quando está fora de si.”
Ela deslizou a perna por cima da dela, deslizando a sola contra o tecido macio da calça de algodão. “Neste caso, eu gostaria de ter uma breve demonstração.” Ela ergueu o corpo, beijando a boca dele, a língua provocando e roçando sobre a dele. “Aqui, e agora.”
“O prazer será todo meu.” Sibilou ele, afastando-se o suficiente para começar a puxar o moletom para fora de sua cintura.
***
Madame Mae os observava de longe. Pela primeira vez em mais tempo do que gostaria, ela via Zelena feliz, e diferentemente de todas as outras vezes, sem ser à custa de ninguém. Eles estavam sentados no chão da extensa varanda, conversando animadamente. Gostava dele. David Nolan havia entrado para a vida de sua menina sorrateiramente, um rosto em uma pasta cheia de informações, mas não era aquilo que ele definitivamente queria. O destino havia encontrado uma maneira não tão comum de uni-los, mas bem, o que o destino tinha de comum?
Zelena não era nenhuma santa, Mae sabia disso. A ruiva fazia movimentações para lá de suspeitas no que dizia respeito às transações empresariais, dormia com o marido da irmã eventualmente, e parecia ter um prazer secreto em ver sua mãe tendo problemas. Mas sobre a última parte, não podia dizer nada. Madame Mae não gostava nem um pouco de Cora Mills e ressentia-se grandemente por todo o mal que aquela mulher infligira à Zelena.
No entanto, a ideia da maternidade havia mudado a perspectiva da ruiva. Ou a idade, ou mesmo o fato de que todas aquelas extensivas maldades, ou a energia que a mesma precisava gastar para estar sempre à frente de todos finalmente havia cobrado seu preço, e ela cansou-se. E David, com sua elegância e educação, seu cuidado altruísta e gentil com a mulher que ele aparentemente se preocupava havia derrubado paredes ao redor da mesma. Eles pareciam felizes.
Mae aproximou-se, entregando a eles a bandeja com as frutas e as torradas tostadas, além da pasta de amendoim e os potes de geleias que Zelena adorava. A jarra de chá balançava devagar, sob o controle dela. “Deixe-me ajudar você.” Ofereceu ele, e ela sorriu, encarando os olhos azuis de sua patroa e notando o quanto ela parecia feliz e tranquila naquele momento. David colocou tudo sobre a toalha xadrez branca e vermelha abaixo deles. “Obrigada Madame Mae.” Disse ele, sorrindo e olhando em seus olhos com as irises igualmente azuis e por alguns segundos ela perguntou-se quão azuis seriam os olhos de um filho daquele casal. Não que ela não fosse descobrir muito em breve.
Zelena ainda não havia engravidado, mas quem diria que isso iria demorar? Podia ouvi-los nas noites em que ele passava no apartamento, podia ouvi-los quando eles achavam que estavam sendo bastantes discretos, no chuveiro, na garagem ou na cozinha, no meio da noite. Riu, afastando-se dos pombinhos. Ouviu a risada dela, mas não se virou – não queria passar a ideia de que estava vigiando-os, embora soubesse muito mais do que ela mesma gostaria de saber.
Voltou para dentro da casa, e após verificar se tudo estava no lugar, retirou-se para o seu quarto, seu recanto de paz e espírito. Poderia descansar algum tempo antes de decidir o que fazer para o jantar.
***
“Ela já sabe?” Perguntou ele, encarando-a com adoração. Era uma das coisas que fizera com que Zelena se apaixonasse tão rapidamente por ele. Conhecia olhares vindo de homens, suas motivações e devidas cores, e nenhum deles era como o dele. Ela sentia toda a sua alma sendo vasculhada pelos olhos azuis do loiro e embora isso devesse assustá-la, era algo que fazia seu coração derreter.
“Eu ainda não achei a oportunidade de contar a ela.” Respondeu, afastando as coisas para o lado e engatinhando para a frente, deitando sua cabeça no colo dele. David sorriu, passando a acariciar os cabelos ruivos com carinho. “Você acha que ela vai ficar surpresa?”
“Considerando quantas vezes ela já nos pegou no flagra, eu não acho.”
Ela riu, e ele a acompanhou. Ele podia sentir que ela estava estudando suas feições, observando sua maneira de rir, ou mesmo as linhas de expressões que o movimento marcava em seu rosto. “O que foi, Zelena?”
“Você acha que estamos indo rápido demais?”
Ele franziu as sobrancelhas, ligeiramente preocupado. “Qual é seu medo?”
“Eu não sei, David. Eu.... Eu não estou acostumada a ter isso. É assustador.”
Ele afagou seus cabelos com carinho. “Eu não estou indo a lugar algum, Zê. Eu sei que diversas decepções deixaram você na defensiva, mas fui eu quem propus este relacionamento. Eu quem beijei você no nosso primeiro encontro, eu que tomei a iniciativa em nos levar para a segunda base...”
“E a terceira, e a quarta...” Brincou ela.
“Parece até que você não gostou, não é ruiva?” Brincou ele, e voltou a encará-la daquela maneira que derrubava suas mais intrínsecas inseguranças. “O meu ponto aqui é: eu amo você, Zelena. Eu estou aqui porque você quer um filho, e porque eu desconfio que você goste um pouco de mim. Eu não vou desaparecer, eu não vou abandonar você e muito menos, deixar de sentir o que sinto. Quaisquer que sejam as suas dúvidas, vou insistir até todas desaparecerem. Tudo bem?”
Os olhos dela se encheram de lágrimas e ela segurou o lábio inferior entredentes, gesto que não passou despercebido por ele. “Meu amor?”
“Me desculpe, eu só... não me sinto merecedora de todo esse amor. Eu não estou acostumada, David.”
“Um dia você vai se acostumar.” Disse ele, a voz calma e serena. Afagando os cabelos dela, ele se debruçou e beijou seus lábios com ternura. “Eu sei tudo o que você já fez, e você sabe tudo sobre mim. Seu passado não define você, meu amor. Você pode refazer as escolhas e deixar que elas modifiquem sua vida. Juntos, eu, você e o brotinho, vamos construir algo que vai mudar tudo. Nós vamos ser mais felizes do que achamos possível.”
“Não chame meu filho de brotinho outra vez.” Resmungou ela, pousando a mão sobre a barriga imperceptível.
“Aliás, acho que não há uma hora melhor para você dizer a ela. Vamos contar para a Mae agora.”
“O que?”
“Vamos contar sobre o nosso bebê para a Madame Mae. Levante-se.”
“Você é impulsivo demais, sabia?” Resmungou ela, tentando levantar-se. “Não sei como aturo você.”
“Sem um impulso, não seriamos o casal mais sexy de Baltimore. Seja agradecida, ruivinha.”
Ele sorriu, ignorando-a revirar os olhos com seu comentário e jurou que nunca antes havia se sentido tão feliz em toda a sua vida.
***
“Algo está errado com Regina.” Resmungou Frank, caminhando de um lado para outro. Donovan o observava, sério.
“Nada na vigilância, senhor. Nenhuma mudança nos caminhos, nunca fora de visão quando em ambiente externo.”
“Mas algo está errado. Eu posso sentir.”
Algo estava muito errado. Ele conhecia sua esposa. Sabia dos humores dela. Sabia de suas vontades, conhecia seus desejos, seus fantasmas, seus medos. Por mais que ela ainda permitisse que ele a tocasse, por mais que se entregasse, por mais que explodisse perante seu toque, algo em sua mente parecia desligado. Ela repentinamente pareceu demasiadamente triste, abalada com algo. Sua vigilância em Stuart Grant demonstrara ser nada mais do que inútil. Ele fora sincero, aliás de um estúpido sentimento de amizade, sua esposa não nutria nada mais pelo garoto. Pelo contrário, presenteá-lo com a cozinha designada por um dos decoradores famosos dos hotéis de Frank havia sido o ponto alto dela há semanas. Ela estava animada pelo casamento, e ele podia farejar isso nela, a felicidade pelo outro. Podia ver na maneira cuidadosa com que ela abraçava o rapaz e beijava sua namorada que não, não era ali que morava seu perigo.
Mas morava em algum lugar e ele estava veemente comprometido a descobrir o que era. “O senhor perguntou à Lockhood?”
“Lockhood pediu uma diminuição da carga horária. Ao que parece, ele finalmente está namorando a babá e quer passar um tempo com o filho.” Frank riu, como que deliciado por algo que veio à sua mente e Donovan não teve que imaginar nada pois ele rapidamente compartilhou o pensamento. “Lockhood brincando de casinha com a babá é como assistir A Bela & A Fera ao vivo.” Donovan assistiu ao chefe rindo sarcasticamente, mas permaneceu em silêncio. “Me pergunto em quanto tempo a Fera virá à tona e fará essa garota pegar um avião para nunca mais voltar.”
“O senhor acha que ele seria capaz de machucá-la?”
“Ele matou a própria esposa e mãe de seu filho, garoto. Acha que ele não mataria uma mera babá?” Frank caminhou até o mapa pendurado em seu escritório, ficando de costas para o segurança. “Você se surpreenderia com as pessoas, Donovan. Nunca se sabe que tipo de psicopata está sentado ao seu lado. Comendo na mesma mesa que você, rindo com você, indo às mesmas festas que você.” Ou contratando você. Pensou, mas evitou vocalizar isso. Precisava calar as vozes em sua cabeça, e não dar força a elas.
“Mas ele parece feliz com ela.”
“A felicidade é uma fachada, garoto. Não se iluda. Homens como Lockhood não amam.”
Frank fechou os olhos, memórias vindo à tona como fantasmas tentando assombrar sua cabeça, flashes obscuros de um passado que ele fizera de tudo para enterrar, mas que eventualmente rastejavam até sua superfície. Homens como Lockhood eram homens como ele. Homens incapazes de amar verdadeiramente. Homens arruinados pelo amor obsessivo que sentiam por suas musas. Era isso o que o fazia manter Lockhood como seu braço direito, e as vezes até esquerdo. Ele sentia-se finalmente compreendido. Como ter um espelho. Era como se ele gostasse de ter a fera ao seu lado, para simplesmente lembrá-lo de que ele precisava da bela. Ela era a cura de suas maldições.
E sabendo que havia algo de errado com sua bela, algo precisava ser feito. Ele não podia perdê-la, ou iria se perder também.
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