Efeito Dominó
31 Advesperascit
Regina não esperava visitas. Muito menos aquela. Sentada em seu escritório com seu vestido justo preto, os cabelos presos em um rabo de cavalo elegante e saltos altos também pretos, ela era a imagem da sobriedade. Exceto que sobriedade era o que lhe faltava.
“Como assim, grávida?”
“Sua irmã está grávida. Ela não lhe contou?”
Cora ergueu as sobrancelhas, como que questionando a surpresa da mesma. Não que não fosse plausível, considerando que ela mesma havia descoberto por ter esbarrado com a mesma carregando o que parecia uma compra milionária de utensílios para recém-nascidos. Ignorou a parte em que decepção, mágoa e ressentimento se fizeram presentes; isso não interessava à sua filha mais nova.
“Eu não sei se você notou, mas eu e Zelena não somos as melhores amigas do mundo.”
“Oh, não me diga.” Rebateu Cora com uma surpresa fingida, antes de revirar os olhos como quem estava infinitamente entediada.
“De quem?”
Este era seu único medo. Até onde Regina sabia, Zelena e Frank continuavam transando. Mas ele usava proteção, certo? Ele não seria capaz de fazer isso com ela. Era demais, até mesmo para ele e ela estava falando do homem que havia lhe batido até deixar uma cicatriz em seu rosto como lembrança. Mas isso.... Isso era muito pior do que uma punição física. Ele sabia que ela não podia dar filhos a ele e sempre dissera que essa era a maior benção de sua vida, independente do quanto aquele comentário a machucava. Não era possível que...
“Regina, você parece bastante pálida. Está tudo bem?”
“Minha pressão deve ter caído. Eu não tomei um café da manhã apropriado.” Mentiu, respirando fundo. “Você disse que o filho é de quem mesmo?”
Cora bufou, rindo sarcasticamente. “Estamos falando da sua irmã aqui. Até onde eu sei, poderia ser de qualquer um. Conhecendo bem a figura, fico surpresa de que ela não tenha tentado roubar o seu marido. Era de se esperar.”
Regina engoliu sua saliva, ponderando sobre o quanto sua mãe estava certa – mas não fazia ideia disso.
“Você não pensou em perguntar, mãe?”
“Sua irmã me odeia. Me detesta. Me prefere jogada em baixo de um ônibus.” Respondeu ela, calmamente. “Se eu perguntasse, ela mandaria eu me foder e iria embora sem olhar para trás. Ou mandaria o segurança dela me dar um soco na cara.”
Regina franziu o cenho. “Ela está andando com seguranças agora? Zelena nunca foi disso antes.”
“Bem, talvez o pai dessa criança queira se certificar de que ela não vai fazer nenhuma besteira.”
Aquele comentário atingiu algo dentro de Regina que fez com que seu corpo todo se arrepiasse. Quem mais colocava seguranças atrás das pessoas de maneira paranoica achando que qualquer um tentaria machucá-los? A ideia de que sua irmã estava grávida de seu marido fez com o café da manhã que ela mentira sobre ter tomado revirasse em seu estômago, uma náusea incomoda crescendo tão rápida quanto forte. “Você deveria ir até a enfermaria. Não parece muito bem.” Recomendou Cora.
“Eu estou bem.” Mentiu ela, respirando fundo, sentindo o arrepio em sua nuca.
“Como eu ia dizendo...”
“Mãe há algum motivo real para você ter vindo até aqui sem ser fofocar sobre a vida privada da minha irmã? Eu tenho coisas reais a fazer e você está tomando um tempo que eu decididamente não tenho.”
O que era mentira. Ela tinha tempo suficiente, afinal, Zelena havia declinado a maior parte de seus projetos. Mas aquela conversa estava a matando, lenta e torturantemente. Sua mente já estava sobrecarregada pelas implicações daquela conversa, sobre o fato de que Frank poderia facilmente ser o pai daquela criança, e se ele a estava protegendo, ele já sabia daquilo e em nenhum momento pensara em contar a ela? O que ele faria? Traria a criança para casa fingindo ser seu sobrinho?
“Sua irmã está mexendo com pessoas perigosas, Regina. É sobre isso que eu quero falar.”
“Ao que me parece, ela sabe muito bem com quem está mexendo. E parece bastante segura para mim.” Sibilou a morena, ganhando um olhar desconfiado de sua mãe.
“Céus... O que aconteceu entre vocês duas?”
“Nada que você não saiba.”
Cora sorriu, fitando atenciosamente os olhos castanhos da filha. “Não, não, querida. Eu sei de tudo. Inclusive me lembro muito bem de que era você quem a defendia. Você quem se colocava no fogo por ela e estranhamente, agora você parece mais disposta a empurrá-la na fogueira, mesmo sabendo que ela espera uma criança.” Cora mordeu o lábio inferior e riu como se aquilo a divertisse. “Me conte, o que ela fez? Quando ela mostrou a você quem ela realmente é?”
“Isso não é da sua maldita conta, mãe.” A voz da morena soou tão glacial e rude quanto ela mesma sentia-se. Foi o recado necessário para que a mulher à sua frente entendesse que a conversa tinha acabado. O que quer que tivesse acontecido, era bastante claro que ela teria que descobrir por esforço próprio.
“Certo, Regina.” Ela levantou-se, calçando suas luvas. “Vou deixar você trabalhar, apesar de saber muito bem o quanto sua agenda tem permanecido vazia.” Um sorriso cruzou os lábios dela. “Sim, meu amor. Mamãe ainda sabe de tudo.”
“Parece que nem tudo, ou não se daria ao trabalho de vir até aqui me sondar.”
“É uma questão de tempo, Regina. Eu vou descobrir o que quer que seja isso que você está escondendo.”
Regina ergueu os ombros, assumindo uma posição defensiva. “Boa sorte com isso, Cora.”
Cora sorriu, estabelecendo contato visual antes de afastar-se. “Eu não preciso de sorte. Sorte é para amadores. Eu faço as coisas acontecerem.”
***
“Robin?”
Ele ergueu a cabeça e percebeu que Megan o encarava com dúvida. Ela estava usando apenas um vestido florido que contornava seu corpo delicado, justo, mas não apertado. O tecido era leve e ajustava-se bem. Os cabelos ruivos estavam leves, ondas sem entonação que a deixavam linda. “Sim, Meggie.”
“Podemos conversar na cozinha?”
Ele olhou por cima do ombro, observando Roland dormindo tranquilamente no sofá. Virou-se para ela e balançou a cabeça, aceitando. Desligou a televisão e levantou-se, seguindo a namorada até a cozinha. Ela foi até a geladeira, trazendo suas cervejas e entregou uma a ele. Sentaram-se à mesa, um de cada lado, ficando na frente um do outro. “Algo errado?” Questionou ele. Geralmente Megan era bastante direta quanto aos assuntos, o que fazia qualquer insinuação de uma real conversa parecer ligeiramente mais séria do que deveria.
“É exatamente o que quero saber.”
“Meggie, sem rodeios. Por favor.”
“Quem é torta de maçã?”
Ele tinha certeza de que deveria estar parecendo mais pálido que o normal. Não podia ser uma coincidência, mas ainda assim, ele se odiou pelo deslize. Deveria ter apagado aquele contato. Deveria ter tomado mais cuidado. Ela parecia ressentida de fazer tal pergunta, ele a conhecia bem. Aquela dúvida com certeza a estava consumindo há muito tempo, e finalmente ela criara coragem de perguntar. “O que?” Questionou ele, torcendo para ter ouvido errado. Para tudo aquilo ser apenas um leve susto.
“Eu quero que você me diga quem é torta de maçã e porque essa pessoa tem ligado para você de madrugada.”
Ele engoliu em seco, encarando os olhos dela. Ela estava com medo da resposta, e era tão perceptível que o machucava. Ele estava machucando-a e ele tinha jurado não fazer isso. Respirando fundo, ele bebeu um gole da sua cerveja. Estava absurdamente gelada, graças a Deus.
“Megan, eu preciso que você escute tudo. Por favor, prometa que não vai sair andando no meio da explicação.”
“Oh meu deus...” Sussurrou ela, e ele pode ver os olhos brilhando com as lágrimas que ameaçavam cair. “Robin, você tem outra pessoa? Você está me traindo? Quer dizer, só fazem...”
“Três semanas.”
“Então você tem?” Questionou ela, incapaz de impedir algumas lágrimas de percorrerem seu caminho face abaixo.
“Não!” Ele arqueou as sobrancelhas, tentando colocar a mão sobre a dela, mas a ruiva a puxou bruscamente, impedindo-o. “Megan, eu juro a você. Eu não a traí. Se trata de algo que aconteceu antes de eu decidir tentar esse relacionamento com você.”
Ela respirou fundo. Encarou-o por algum tempo, como que decidindo se acreditava nele ou não e aparentemente, ela acreditava. “Continue.”
“Você precisa me prometer que nada disso sairá daquilo. Para ninguém. Entendido? Isso poderia colocar todos nós em risco.”
“Robin, porque tanto drama se...” Foi quando o pensamento a atingiu. Era claro. Robin não era um homem que demonstrava medo de outros. Preocupação. Ele carregava sua própria reputação, as pessoas não ousariam se meter com ele a menos que... “É ela, não é?” Megan suspirou. “Regina Mills. Ela é a torta de maçã. Apple’s Queen. Faz muito sentido.”
Ele balançou a cabeça, confirmando. Ela sequer conseguia pensar em chorar – o choque era muito grande para que ela pudesse reagir sobre ele adequadamente. “Robin, você está envolvido com ela? Isso é....”
“Estava, Meg. Estava. A partir do momento que eu estou com você, estou com você. Eu não sou um canalha.”
“Mas ela não desistiu.”
“Regina não sabe receber um não, só isso.”
Megan respirou fundo, sentindo como se houvesse um bloco de concreto temperado sobre seu tórax. O ar machucando ao entrar e sair. Regina Mills era uma mulher perfeita. Carreira perfeita, aparência perfeita, rosto perfeito. A mulher esbanjava sensualidade e elegância por onde passava e não havia sequer a mais distante chance de competir com ela. Era um jogo desleal. “Robin, ela é.... Linda. Perfeita. Eu entendo que tendo uma mulher como aquela, eu...”
“Megan.” A voz dele soou mais séria e firme do que ela estava acostumada. Ela observou-o inspirar e expirar alguns segundos com os olhos fechados. Quando voltou a abri-los, ele estava mais seguro e firme em sua postura. “Não se trata disso. Não me interessa. Regina é uma mulher casada e eu não deveria ter me envolvido com ela, mas ela e o marido estão muito bem. É isso que importa. Eu decidi ficar com você. Se isso é algo que muda a sua concepção de mim, eu odeio que isso tenha que acontecer, mas deixo você em paz. Mas não se diminua. Eu gosto de você exatamente como você é, e não em comparação com outro alguém.”
“Você transou com ela, não foi?”
Ele virou a cabeça para o lado, respirando fundo. Aquela conversa era mais difícil do que ele achou que seria. “Sim.”
“É por isso que não consegue transar comigo?”
“Megan.” Suplicou ele.
“Robin, eu não estou julgando você. Eu só preciso entender. Eu estava começando a achar que eu não era atraente o suficiente para você...”
“Me desculpe.” Pediu ele, olhando em seus olhos verdes. “Realmente, me desculpe. Eu não quis em envolver em algo íntimo com você até que eu conseguisse tirá-la do meu organismo. Você não merece fazer amor com uma sombra, Meggie.”
“Eu só quero você, Robin. Você acha que pode fazer isso? Ser meu?”
Ele balançou a cabeça, afirmativamente. “Eu definitivamente gostaria de tentar. Eu juro.”
Megan bebeu outro gole de sua cerveja. “Você nunca precisou me jurar nada, Robin. Eu continuo acreditando em você. Eu só.... Eu preciso pensar sobre isso. Eu garanto a você que não direi nada a ninguém, eu sei que aquele homem é perigoso.” Ela suspirou. “Eu só preciso de um tempo sozinha.”
“Meggie...” Pediu ele, a voz suave e preocupada.
“Eu volto amanhã, Lockhood. Você vai sobreviver.”
Robin permaneceu na cozinha, observando-a sair com a cabeça baixa. Sentiu-se horrorosamente culpado por tê-la machucado dessa maneira e jurou a si mesmo não deixar que isso acontecesse novamente. Ele faria de tudo para se livrar de seus sentimentos por Regina Mills e não descansaria até obter sucesso.
***
Zelena entrou em casa feliz, observando os rapazes colocarem as compras no hall de entrada. Mais tarde, após uma refeição deliciosa de Madame Mae e um descanso de algumas horas, ela iria encontrar a destinação de cada utensílio. O quarto pintado em um tom verde bebê estava pronto e o cheiro de tinta estava aos poucos desaparecendo, como David havia lhe alertado. O pensamento a fez sorrir, e ela perguntou-se que horas ele chegaria em casa.
Mae apareceu na ponta da escada e rapidamente Zelena identificou algo em seu semblante. Assemelhava-se bastante com preocupação. “Você tem visitas, menina Zelena. Na varanda.”
A ruiva estranhou, não esperava por ninguém. Retirou a echarpe verde de seu pescoço e caminhou até a área externa. Pela silhueta e pelo cabelo, assim como pelo salto alto, ela reconheceu sua irmã. Regina não lhe fazia visitas, então rapidamente ela concluiu que qualquer que fosse a pauta daquela reunião, não seria amigável.
Regina ouviu os saltos batendo contra o porcelanato atrás de si. “Você sabe, até eu ver a vista que você tem dessa varanda, eu não tinha entendido o que você viu neste apartamento chinfrim. Mas essa vida... eu preciso dizer, faz todo o sentido. Você sempre gostou de estar por cima de tudo e de todos.”
Zelena passou por ela, caminhando até o parapeito e encostando a base das costas ali, virando-se de frente para a irmã e bloqueando a vista.
“Cuidado com o parapeito, Zel. Não queremos que caia daí e machuque o bebê.” Sibilou ela, e Zelena percebeu que não havia resquícios de sobriedade na morena. Ela já havia bebido mais do que deveria.
“Eu só vou cair daqui se alguém me jogar. É isso que veio fazer aqui?” Desafiou a ruiva, encarando sua irmã.
“Oh não.” Sua irmã ergueu um dedo no ar. “Você não vai falar comigo como se estivesse nervosinha comigo. Você não tem direito nenhum depois de ter engravidado dessa maldita criança.”
Zelena arregalou os olhos, e uma súbita onda de raiva cruzou seu tórax. Não. Ela não ia aturar aquilo. Claro que lhe machucava entender o fato de que seu filho jamais teria o carinho ou amor de sua única tia, mas ela não ia aceitar ofensas. Aquela criança ia ser amada e protegida, independente de quem. “Saia da minha casa agora, Regina.”
“Como você ousou fazer isso comigo, Zelena? Depois de tudo que fiz por você?” Sibilou Regina, os olhos cheios de lágrima, a voz carregada de mágoa.
Zelena não entendia qual era o problema dela. Ela não poderia, ao menos uma única vez na vida, ficar feliz pela irmã? Ela não poderia apoiar a decisão dela, não poderia dizer palavras bondosas sobre a maternidade ou mesmo perguntar sobre David? Por que as coisas tinham que ser sempre tão animalescas e viscerais entre elas? De repente, sentiu-se muito cansada. O brotinho, qualquer que fosse seu sexo, não precisava disso. Não precisava de familiares instáveis que não o amavam como a mamãe o amava.
“Saia da minha casa. Você é surda? Saia. Agora.”
“Isso é tudo por vingança?” Regina parecia estar delirando, perdida entre suas lágrimas e o álcool em seu sangue. “Eu não quero mais aquela empresa maldita, fique com ela. Eu não quero aquela mansão, eu não quero nada. Você conseguiu tirar tudo de mim, Zelena e por que? Me diga por que?”
Zelena caminhou até ela, segurando o rosto da morena com rispidez, forçando-a a encarar os olhos azuis e carregados de revolta. “Aprenda uma coisa, irmãzinha. O mundo não gira ao seu redor. No mundo real, você não é a rainha do baile de formatura. Você não me importa, Regina. Tudo que estou fazendo é exclusivamente pela minha felicidade e eu estou cagando para a sua. Eu não quero saber se você é infeliz ou feliz mas acredite, eu não tenho feito nada, absolutamente nada por nenhum dos dois. Eu prefiro esquecer que você existe do que ficar planejando sua infelicidade. Se você está infeliz é culpa sua e você não vai estragar a minha felicidade.” Soltou o rosto da mesma sem nenhuma gentileza. “Saia da minha maldita casa e não volte mais. Eu vou alertar a portaria não deixar você subir. Você não é mais bem-vinda aqui.”
Regina ergueu os olhos, furiosamente. “Você acha que tem o rei na barriga, não é?”
“Um rei ou uma rainha, ainda não foi definido.” Rebateu Zelena. “Mas de qualquer forma, vai ser um que vai superar você em todos os sentidos.”
Regina levantou-se rapidamente, erguendo a palma da mão e Zelena não se afastou. Mas a palma nunca encontrou seu destino. Regina sentiu quando alguém segurou com força em seu pulso levantado. Abaixando o olhar, percebeu o rosto transtornado de Madame Mae.
“É hora de ir embora, Senhora Delfino.”
Zelena permaneceu perplexa. Mae jamais havia chamado Regina de Senhora Delfino antes, e ela também nunca vira a pequena senhora naquele estado. Regina estava igualmente chocada, pois rapidamente afastou-se, sem sequer dar uma última olhada na irmã. Cambaleante, ela caminhou até o elevador. “Não se faz este tipo de coisa, Senhora Delfino. Não se bate em uma mulher, muito menos grávida.”
“Você não sabe quem ela é, Mae.” Balbuciou a morena, cambaleando para dentro do elevador. Mas antes que as portas se fechassem, a pequena senhora as segurou abertas, encarando Regina nos olhos.
“Eu sei sim. Sei exatamente quem ela é, mas eu não sei mais quem você é, Regina.”
Regina engoliu em seco quando as portas se fecharam. Decepção partiu seu coração ao meio. O que ela estava fazendo? A culpa não era de Zelena. Por mais que a responsabilidade fosse parcialmente dela, Regina finalmente percebeu o quanto estava sendo injusta. O quanto ela havia rodopiado em busca de culpados quando ela sabia exatamente a quem culpar. Sentindo-se miserável, ela discou o número do telefone descartável de Robin.
“Esse número não existe. Favor consultar o catálogo telefônico ou chamar o serviço de informações.”
A surpresa fez com que ela paralisasse no hall de entrada do prédio. Ele havia desativado a linha. Robin estava literalmente queimando todas as pontes entre eles, terminando definitivamente com ela e aquele era o pior momento para descobrir isso. Lágrimas vieram aos seus olhos e ela não pode contê-las. Percebeu que deveria estar chorando desesperadamente quando Stuart veio ao seu encontro, ajudando-a caminhar até o carro. Agradeceu-o mentalmente por ser tão sensível e não ter perguntado nada; ela não estava em condições de responder nada coerente a ele.
O carro começou a andar e ela precisou combater a fúria dentro de si. Seu corpo estremecia, de raiva, de ódio, de dor. Da mais pura e doce decepção. Seu mundo estava desmoronando. Furiosa, ela pegou o celular e discou um número, sentindo que seu segurança a assistia com a mais profunda curiosidade. Ela ouviu apenas um toque antes da voz feminina e de sotaque britânico a receber com um alô?
“Aqui é Regina, Regina Delfino.”
“Oh, querida. Há quanto tempo!” Flertou a loira do outro lado da linha. “A que devo o prazer de sua ligação?”
“Pare com o teatro, Margot. Eu estou pronta.” Regina respirou fundo, olhando pela janela do carro, a visão nublada pela escuridão contrastando com as luzes que passavam rapidamente. “Estou pronta para dar a você o que você queria.”
Margot sorriu do outro lado da linha, James beijando exatamente o centro entre suas pernas e ela perguntou-se se era sortuda o suficiente para um dia ter Regina Mills no lugar dele. Concentre-se.
“E o que seria isso, querida?”
Regina encarou Stuart, olhando em seus olhos azuis como quem poderia mata-lo e se ele não soubesse que era inocente de qualquer acusação, ousaria dizer que era aquilo mesmo que ela iria fazer. “Eu estou pronta para destruir o meu marido.”
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