Efeito Dominó

32 Turning tables.


Regina conhecia muitos hotéis em Baltimore, grande parte deles porque haviam sido construídos por seus parceiros, por construtoras aliadas, ou mesmo por diferentes grupos de investidores com os quais ela já havia trabalhado anteriormente. Mas até aquele momento, ela nunca havia conseguido tempo para prestigiar o famoso The Ivy Hotel. Sabia o que diziam sobre ele, sobre sua luxuosidade quase sufocante, acoplado a um restaurante que colecionava recomendações de jornalistas famosos e críticos exigentes e o spa que era o recanto preferido das celebridades.

Stuart abriu a porta do carro, e ela saiu, os olhos vidrados na elegante edificação à sua frente. A fachada era majestosa, e localizada no canto da quadra, portava um aspecto vitoriano, com suas torres decoradas por janelas redondas; vidraças gigantescas traziam luz e versatilidade às paredes de tijolo vermelho, que se estendiam em diversos sentidos. O jardim era rústico, nada muito perfeito, nem exatamente muito gramado. Tinha um ar antigo, escadarias e rampas de acesso adornadas por plantas, por um verde neutro e firme.

Ele estendeu o braço, e Regina se apoiou ali, segurando no tecido de terno azul marinho com suas luvas brancas. Perguntou-se o porquê exatamente de estar usando luvas, mas não lembrava, tampouco estava com humor para devaneios. Ajeitou o vestido branco ao redor de seu corpo, analisando se as tiras abertas estavam bem posicionadas nas laterais de sua cintura, e ajeitou o chapéu branco elegantemente sobre seus cabelos castanhos. O segurança a acompanhou até a recepção, onde ela anunciou a um atendente que parecia embasbacado que estava ali para ver Margot Bishop.

“Só um minuto, senhora, vou apenas confirmar sua entrada.” Pediu ele, discando alguns números e trocando sussurros com alguém do outro lado da linha. Regina olhou em volta, batendo um dos pés nervosamente contra o chão. Odiava essa situação de impotência ao ter que esperar por outras pessoas, mas bem, ela não estava mais no controle e precisava, urgentemente, aprender a lidar com isso.

Seus olhos rapidamente viajaram para as paredes coloridas em um tom cinza escuro, que destacavam sem esforço o teto de madeira e gesso, pintadas inteiramente de branco. Esculturas de animais em madeira escura combinavam com os móveis, e faziam companhia aos constantes vasos de plantas. Eles gostavam mesmo de pregar a biodiversidade e a ecologia por aqui, pensou.

“Liberado, Senhora Delfino.”

Stuart caminhou com ela até o elevador, observando-a em silêncio. Regina estava ainda mais silenciosa do que nunca. Ele queria perguntar, a dúvida o estava corroendo, mas ele jurou a si mesmo (e havia prometido a Ruby) que ia ficar fora das encrencas da família Delfino. Apoiaria Regina em qualquer que fosse sua nova jornada mas preferia não saber de nada. Preferia não se envolver, não perguntar, não responder.

Ela nunca dissera o que aconteceu entre ela e Zelena, ou porquê voltou chorando, porquê desmoronou no meio do saguão daquele edifício. Robin estava tão calado quanto ela, e distante e Stuart sabia que era porque um dos dois havia colocado um ponto final naquela situação, e possivelmente, havia sido Robin. Ela acionou o andar, e eles permaneceram em silêncio durante os segundos que permaneceram ali. No terceiro andar a porta se abriu e Stuart franziu as sobrancelhas, colocando-se na frente de Regina imediatamente.

Haviam muitos seguranças.

Não um ou dois, mas vários, alguns na frente das portas dos quartos, dois à espera deles na frente do elevador. “O que está acontecendo aqui?”

“Pelo amor de Deus, Marco!” A voz de Margot fez-se presente e logo ela apareceu ao lado dos seguranças, batendo no ombro dele com um sorriso antes de encarar para os convidados com certa curiosidade. Usando um vestido vermelho justo às suas curvas, e os cabelos loiros perfeitamente ondulados, ela caminhou delicadamente até deles, o som do salto alto tocando o solo. “Eu disse que havia convidados chegando.”

Stuart permitiu que Regina passasse por ele, ainda desconfiado. “Mas ele está armado.” Emendou o segurança, chamando a atenção de Margot para Stuart.

“Baby boy, você precisa entregar a arma.”

“Regina!” Chamou Stuart, e a morena apenas olhou para Margot.

“Isso é algum jogo, Bishop?”

Margot respirou fundo, olhando nos olhos amendoados e com um brilho marrom. “Regina, se você realmente quer dar esse passo, precisa confiar em mim. Se eu quisesse matar você, já teria feito, não acha? Basta olhar para o tanto de seguranças nesse corredor.”

Regina olhou em volta por segundos, então respirou fundo. Voltou-se para Stuart, que estava preso entre os dois seguranças da porta. “Stuart, faça como lhe foi dito. Estamos seguros aqui.”

Ele não se sentia assim, mas confiava em Regina. Suspirando, retirou a arma do coldre em seu abdômen e entregou aos homens; em seguida, após ser revistado por um deles, ele os seguiu para o bar. Bem, aquela reunião não seria tão ruim quanto ele pensava.

***

Tudo o que ela pensava sobre o mundo havia tomado uma guinada diferente após ela passar pelo batente da porta para dentro da suíte onde era aguardada. Dois rostos se viraram para ela, um deles ao menos moldado pela familiaridade. Ela não estava tão perdida assim.

“Mellie?” Perguntou ela, caminhando passos incertos e então a senadora veio em sua direção com os braços abertos e um sorriso de hospitalidade no rosto. Usava um vestido tubo azul marinho e um lenço vermelho no pescoço. Regina registrou o perfume de notas orientais e pensou que aquele era um aroma apaixonante.

“Regina! Já estava com saudades, garota.”

“Vamos aos negócios, garotas?” Comentou Margot, limpando a garganta. Regina fitou a mulher que a encarava em silêncio, achando-a estranhamente familiar. Os cabelos lisos e escuros caiam pelos ombros até a altura dos seios, ondas abertas e largas. Estava sentada elegantemente com um vestido branco, os saltos agulha estendido no ar por conta das cruzadas, as unhas pintadas com uma cor neutra batendo na xícara de chá que ela elegantemente bebia.

Cada uma delas sentou-se em uma das poltronas elegantes que formavam um círculo no meio da suíte. Como na recepção, o quarto tinha um número considerável de móveis antigos, de design provinciano e na cor branca, acompanhados de plantas verdes que tornavam tudo bastante natural.

“Regina, seja bem-vinda à Aliança de Copas.” Começou Margot que já tinha um copo de uísque em mãos e a morena ficou espantada com quão rápido ela havia conseguido se servir. “Você conhece Mellie, e eu acredito que embora não tão informalmente, você também deva conhecer nossa querida Victoria Grayson.”

Grayson. Era difícil dizer que não. A Rainha dos Hamptons, a mulher que desafiara marido, nora, polícia, bandidos e dizem, até mesmo a morte. Nem mesmo a queda de um avião fora capaz de parar aquela mulher e bem, ela havia se tornado uma lenda. “Sim.” Respondeu, ainda sem entender o que realmente estava acontecendo ali.

“A Aliança serve de comum acordo para que unidas possamos alcançar objetivos em comum. Éramos quatro, mas uma de nós teve que se retirar.”

“Ela se retirou ou foi retirada?” Porque era simplesmente óbvio.

“Ela ameaçou entregar o nosso trabalho de anos e anos por conta de sua ambição sem controle. Tivemos que intervir.” Comentou Mellie.

Regina perguntou-se o que elas entendiam por intervir. Será que essa mulher estava viva? De qualquer forma, nada daquilo a interessava. Exasperada, Regina descruzou e cruzou as pernas. “Ainda não entendi minha função aqui.”

“Temos tentado por anos abater os bens patrimoniais do seu marido, e ele também, mas sem sucesso. Frank Delfino não é um homem de vulnerabilidades, exceto por sua sexualidade danificada. Depois de muitas tentativas frustradas, decidimos que somente uma pessoa que já está dentro do círculo de confiança dele poderia ser a chave. Então chegamos a você.”

Ela não poderia reclamar de estar sendo ludibriada. Aquela era a sentença mais direta e objetiva que ela ouvira desde que chegara. “Se três mulheres como vocês não conseguiram nada, o que lhes garante que eu conseguirei?”

“Você é a esposa. Até onde eu sei, você continua exercendo todos os seus papéis.” Insinuou Victoria com um sorriso, um que fez a bile de Regina subir até suas amígdalas.

“Eu não acho que isso seja da sua conta.” Sibilou Regina.

“Victoria.” Ralhou Mellie, tentando apaziguar aquele leve estranhamento entre as duas.

“Como eu ia dizendo...” Continuou Margot, encarando Victoria com irritação. “Você tem maiores chances. Seu casamento não era nenhum mar de rosas e a indiscrição dele com as diversas amantes era apenas mais alguns flocos à uma bola de neve que já vinha se formando, Regina. Cedo ou tarde, você iria se chocar contra algo. Por isso que abordei você. Jamais forçaríamos você a fazer nada, mas sabíamos que em algum momento, você desejaria este payback.”

Regina respirou fundo. Por um segundo, sentiu-se muito, muito mal. Pessoas das quais ela nem fazia ideia que a conheciam já sabiam das deformidades de seu casamento, do fracasso daquela relação. E ela demorara anos para entender isso. “Certo. O que querem que eu faça?”

“O que você sabe sobre as finanças dele?” A voz de Mellie chamou sua atenção, e Regina endireitou-se na poltrona, encarando a senadora.

“Não muito.”

“Você sabe sobre as aquisições dele em prédios comerciais com o seu nome?”

“Que?”

Aquilo era novo.

“Ele comprou alguns prédios hoteleiros de grandes franquias, mas todos eles têm sido registrados em seu nome.”

“Eu... Eu nunca soube de nada disso.” Respondeu Regina, sentindo seu estômago arder. Mellie e Margot trocaram um olhar rápido, mas era fácil perceber que elas haviam pensado a mesma coisa.

“Há alguma possibilidade do seu marido estar planejando um golpe contra você?”

Regina riu, abraçando a ironia daquela situação. “Está comprovado que eu não sei muito sobre ele. Eu não colocaria minha mão no fogo por nada que remeta ao meu marido, então sim, pode ser que ele esteja planejando colocar meu nome na linha de fogo caso a situação complique para ele.”

“Talvez seja isso. Um plano de emergência. Ele sabe que a Kensington está atrás dele. Inclusive também pode ser uma armadilha para você, Margot. Ele pode achar que você não roubaria os hotéis sabendo que não são dele, e sim da esposa.” Comentou Victoria, pensativa.

“Com todo o respeito, Regina, eu os roubaria mesmo assim.” Sorriu Margot e Regina não pode evitar a não ser responder ao mesmo sorrindo.

“Posso perguntar por que estão fazendo isso? O que ele fez a vocês?” Questionou Regina, olhando para cada uma delas lentamente, forçando-as na direção da resposta. Houve um breve silêncio e diversas trocas de olhares, até que finalmente Mellie ajeitou-se na poltrona e se pôs a falar.

“Eu jamais tive nenhum problema com ele, diretamente falando. Mas o dinheiro dele serve como patrocínio para negócios duvidosos e seu marido já matou mais pessoas do que somos capazes de contar, e ele simplesmente saiu ileso de todas elas. Eu nem gostaria de entrar no assunto do seu casamento porque embora não seja da minha alçada, me enfurece bastante. Você estava aprisionada no mundo dele. O interesse nele como alvo não partiu de mim, mas quando chegou ao nosso conselho, eu não me opus.”

Regina sentiu a garganta secar. De repente, pensou que havia sido uma pergunta inteligente. Ela possivelmente não estava pronta para ouvir o restante. “Eu sinto muito que você tenha que escutar isso, mas eu já tive uma história com o seu marido.” Rebateu Victoria. “Vou lhe poupar dos detalhes, mas no final, ele me deixou para morrer nas mãos de traficantes e fugiu com o meu dinheiro. Ele não vai mudar, mesmo que você tentasse com todas as ferramentas do mundo. E quando ele tiver tudo que precisa de você, ele não pensará duas vezes antes de lhe descartar.”

Lágrimas começaram a formar-se na base de seus olhos, mas Regina as segurou. Ela não podia chorar na frente dessas mulheres. Não podia permitir-se ser tão vulnerável perante aquelas forças da natureza que estavam ali, na sua frente, transmitindo sua impetuosidade e classe de maneira tão firme.

“Eu na verdade acho seu marido um porco e gostaria de roubar todo o dinheiro dele. E quem sabe, a esposa.” Sorriu Margot, encarando Regina como se fosse despi-la ali mesmo e Regina sentiu-se mais leve, cedendo à gostosa risada que encheu seus pulmões. A britânica era uma lufada de ar fresco sempre que ela mais precisava e Regina era grata por isto.

“Eu disse que ela não estava pronta.” Rebateu Victoria e Regina virou-se para olhar para ela com desprezo. Quem essa mulher achava que era para falar dela desta maneira?

“Eu estou presente, e eu estou muito mais do que pronta. Não fale por mim novamente. Você pode ter sobrevivido a queda de um avião, mas de uma bala no centro da cabeça, eu não tenho tanta certeza.” Rebateu, o maxilar rangendo com a raiva daquele momento.

“Espero que isso tire suas dúvidas, Vic.” Brincou Margot, e Mellie nada pode fazer a não ser acompanhar com um riso oportuno e delicado. Victoria encarou Regina por algum tempo de maneira glacial e assustadora, mas não para a morena. Aos poucos o clima voltou a se dissipar e tornou-se mais dinâmico. “Tendo em vista que agora estamos todas no mesmo patamar, podemos discutir os aspectos técnicos da nossa próxima missão?”

Todas concordaram e a partir dali a reunião fluiu agradavelmente.

***

Sentados sobre uma toalha vermelha e branca, Robin e Megan observavam o pequeno Roland, correndo feliz e assustando algumas gaivotas que tentavam comer as migalhas deixadas por outras famílias.

“As notas dele tem melhorado bastante, segundo as professoras. Ele está até mais disposto na sala de aula.”

Robin fitou-a enquanto levava uma das torradas repleta de pasta de amendoim aos lábios, comendo-a como se fosse um prazer proibido. “Você sabe que tem grande crédito nisso, não sabe? Ele se sente melhor com você por perto, Meg.”

“Você está sempre se diminuindo quando o assunto em questão é Roland. Você é um bom pai, Robbie. Mesmo não acreditando nisso.”

Ela estava certa. Ele não se considerava um bom pai, não importava o quanto se esforçasse. Era como se ele já tivesse furado este barco, e nenhum remendo fosse bom o suficiente para impedir a agua de entrar. O que aconteceria quando o pequeno descobrisse a verdade? Será que um dia ele perdoaria Robin por tudo o que acontecera?

“É complicado. Eu fiz uma merda enorme, Meg. É difícil não me culpar todos os dias.”

“As pessoas erram, Robin. Você errou, certo, mas a vida segue em frente. Você não é só a soma dos erros que cometeu.”

Ele assentiu, pensativo.

“Papa, papa, papa!” Gritou Roland, correndo pelo gramado com seu avião de estampa camuflada.

“Ele parece muito feliz.” Comentou Robin, sentindo-se emotivo. Sabia que suas escolhas haviam custado muito ao garoto e de certa forma, haviam trazido sobre ele uma nuvem negativa de infelicidade, de tristeza e um pouco de solidão e não se perdoara por isso. Mas na companhia dela, Roland parecia muito mais feliz e livre, e ele não tinha palavras para agradecer por aquilo.

“Ele está. Nós estamos.” Comentou ela, e quando Robin virou-se para encara-la, percebeu que ela ainda estava olhando para seu filho.

Ele não a merecia também. Megan havia sido a melhor amiga que ele poderia ter pedido, e ela jamais o abandonara. Mesmo sem saber o que realmente havia acontecido em seu passado, mesmo com ele a afastando no início, ela sempre continuara. Ela cuidara dele e de seu filho, mesmo quando ele fora incapaz de pedir ajuda, ou quando estava cego por seus rompantes de raiva, de arrependimento, e dor. E nunca, nunca mesmo, ela havia cobrado nada em troca. Ele sabia dos sentimentos dela, e havia sido dolorosamente sincero sobre a falta de reciprocidade naquele nível, ele a adorava, mas eles eram amigos; mas Megan simplesmente aceitou e continuou a vida.

Ela virou-se e os olhos verdes alinharam-se com os azuis. “O que foi?” Perguntou, sorrindo timidamente. Pela leve cor que se espalhou pela linha de suas bochechas, ele entendeu que ela estava acanhada.

“Só estou admirando.”

“Você me deixa nervosa me olhando desse jeito, Robin.”

Ele riu, balançando a cabeça. Voltou a encarar Roland, que estava jogando migalhas de pão no lago, junto a uma velha senhora. Tudo parecia estar no lugar. Apoiou a mão na base das costas dela e começou a acaricia-la, subindo e descendo, um carinho de conforto. Megan sorriu, aproveitando para encostar no corpo dele, encaixando a cabeça no espaço quente entre os ombros e o pescoço e eles se deitaram na toalha, delicadamente. Com ela deitada sobre o seu peito, ele passou as carícias para o seu braço, ambos com os olhos fechados, aproveitando a tranquilidade daquele momento.

“Acho que vou pedir demissão do meu emprego.” Comentou ele, e ela abriu os olhos instantaneamente, erguendo a cabeça para encará-lo. Robin, no entanto, continuou com os olhos fechados, a respiração suave e lenta.

“Robin...”

“Se eu quero que esse namoro dê certo, se eu quero ser um pai melhor e mais presente, não posso continuar perto daquele casal, Meggie.”

“E o que você vai fazer?”

“Nós vamos pensar em algo.” Ele abriu os olhos, e ergueu levemente o tronco, olhando para ela. “Estamos juntos nessa, certo?”

Ela sorriu, balançando a cabeça e concordando. Robin debruçou-se e deslizou a mão para a nuca dela, os olhos fixos em seus lábios. Podia dizer pela maneira que a respiração dela acelerou o quanto ela almejava ser beijada e não se negou; colou seus lábios e emaranhou os dedos no cabelo ruivo, segurando-a com firmeza enquanto a beijava de maneira passional. As unhas dela brincavam com os músculos de seus braços, carícias firmes e delicadas que ele descobriu gostar muito. Ela contorceu-se por baixo dele e ele suavizou sua pegada, afinal, eles estavam no meio do parque.

Aos poucos, deixou-a ir afastando apenas para poder voltar a olhar nos olhos ruivos que agora brilhavam, repletos de sentimentos. “Eu amo você.” Sussurrou ela, sorrindo e Robin engoliu em seco. Esses momentos eram todos iguais – porque ele sabia que a amava, mas não era como ela almejava ser amada por ele. E não dizer nada parecia absurdamente cruel. “Eu também te amo.” Sussurrou ele, odiando-se por sentir que estava proferindo uma mentira.

Ela mordeu o lábio inferior e no instante seguinte, ele sentiu seus cabelos sendo puxados e a boca dela contra a sua, roubando-lhe outro beijo firme e animado. Ele suspirou, entregando-se ao momento, os dedos apertando com força a cintura dela.

“Ewwww.” A voz de Roland fez com que eles se afastassem repentinamente. “Eca, parem de fazer essas coisas.”

Robin riu, puxando o garoto para cima dele e o abraçando. “Um dia você vai ter uma namorada e eu vou te falar isso, garoto.” Roland sorriu e Robin começou a lhe fazer cócegas, arrancando gargalhadas do pequeno. A risada juvenil e adorável era música para os ouvidos de seu pai, e ele continuou com a pequena tortura por algum tempo, até que o soltou, fazendo contato visual com Roland. Quando o menino entendeu, os dois se voltaram para Megan, atacando-a e fazendo-a se desmanchar em risadas.

***

Mais tarde naquele dia, Regina entrou silenciosamente no escritório de Frank. Certificou-se de que ele não voltaria tão cedo. Deu meia volta na mesa de carvalho escurecido, sentando-se na grande e confortável poltrona. Puxou o teclado, abrindo a página de inicialização.

Seus estudos sobre logaritmos e programação – algo que sua mãe abolira desde a primeira aula – finalmente lhe seriam úteis. Ela jamais pensara em utilizar seu conhecimento para fazer algo ilegal, mas bem, este tempo chega a todos. Inseriu o pen drive no compartimento e abriu o comando, passando a lançar os códigos que havia pesquisado mais cedo. As palavras das mulheres com o qual havia se encontrado ainda ecoavam na sua cabeça, como pequenos sussurros que a atormentavam. Eu e seu marido tivemos história.

Uma janela apareceu, indicando que algum protocolo havia dado erro e Regina o corrigiu, mudando a cadeia de números binários. Ele está planejando usar você como bode expiatório. Ela respirou fundo, tentando diluir a bola de neve que se formava em seus pensamentos. Quem era Frank Delfino? Porque ela já não tinha mais nenhuma certeza. A cada dia que passava, estava mais convencida de que se casara com um estranho.

Um som familiar a despertou de seus devaneios e as três palavras que surgiram após isso fizeram um sorriso gigantesco e satisfeito brotar nos lábios dela.

Bem-vindo, Frank.

O jogo finalmente havia virado.