Efeito Dominó
21 Charleston
“Sente na cama e espere.”
Ele não devia estar ali. Já havia sido ousado o bastante transar com ela, e repetir o ato no quarto deles, na cama deles — era uma afronta. Foi ela quem o chamou aqui. Respondeu sua voz interna e ele se calou. Respirou fundo, fitando o luxo do cômodo mergulhado na penumbra. Apenas as luzes da sanca estavam acesas, e o silêncio imperava na mansão; ele mordeu o lábio inferior e fechou os olhos por alguns segundos.
“Você não está dormindo, está?”
Ele sorriu, e abriu os olhos. Apoiada no batente da porta, ela parecia a verdadeira imagem da libido. O corpo delineado por uma lingerie preta rendada, um sutiã de tiras apertando o volume dos seus seios e os fazendo parecer ainda mais fartos; uma calcinha de renda contrastando com sua pele dourada, uma cinta-liga atada à sua cintura, segurando as meias até a metade de suas coxas. Os lábios dele entreabriram, chocados com a magnitude daquela visão. “Vê algo que gosta?” Provocou ela, os cabelos jogados para um dos lados e um sorriso malicioso nos lábios.
“Tudo.” Respondeu ele e ela estremeceu ao ouvir o tom rouco e preciso da voz dele, carregada. “Gosto muito de tudo que estou vendo.”
Mas ele não se moveu. Regina perguntou-se o que ele estava esperando para agarrá-la, mas não se deu por vencida. Caminhou até ele lentamente, seus olhos vidrados nas irises da cor do oceano. O azul de seus olhos sempre parecia mais escuro e denso quando carregado de tesão. Posicionou-se entre as pernas dele e se debruçou, capturando seus lábios; Robin rapidamente deslizou uma das mãos para sua nuca e enfiou a língua por entre seus lábios, aprofundando o beijo, sentindo o calor da língua dela deslizando sobre a sua. Segundos de um lascivo beijo depois, ele a virou, deitando-a sobre a cama e por baixo de seu corpo. Seus joelhos estavam posicionados na lateral do quadril dela e ele entrelaçou seus dedos nos dedos dela, imobilizando os mesmos sobre os lençóis enquanto continuava seu ataque sutil e delicado contra os lábios carnudos. Calor emanava das entranhas dela, subindo por suas pernas e se concentrando na parte baixa de seu ventre.
Soltou as mãos dela e passou a beijar seu pescoço enquanto acariciava o corpo feminino, deslizando pelo abdômen liso até chegar nas pernas cobertas pelo fino tecido da meia. Seus dedos faziam pressão na pele dela, enviando estímulos que ecoavam do cérebro dela direto para o centro de prazer. “Vire-se e fique de joelhos na cama.” Pediu ele e som de sua voz reverberou pela espinha dela, incapacitando-a de calar seu suspiro. Ele se afastou, apenas para dar a ela o espaço necessário. Uma vez que ela estava de costas, ele subiu na cama; posicionou seu corpo logo atrás do dela e circulou seu pescoço, puxando para a trás e mantendo a mão ali imperativamente. Podia sentir sua excitação pela maneira turva que a respiração soava. Deixou a outra mão deslizar até a calcinha de renda, acariciando-a por cima do tecido e ganhando um gemido baixo e rouco como recompensa.
As mãos dela alcançaram-no, deslizando desajeitadas por sua lombar e nádegas; soltou seu pescoço e desceu as duas mãos até a cintura fina, apertando-a ali enquanto beijava suas costas, criando um rastro na linha da espinha cervical. Regina deixou a cabeça tombar para trás, mergulhada nas sensações que agora comandavam seu corpo. Os olhos estavam fechados e ela mordeu o lábio inferior sufocando a aflição ao sentir que as mãos dele haviam abandonado seu corpo, mas logo em seguida sentiu-o manuseando sua calcinha de renda e o som do tecido sendo rasgado a deixou alerta. “Robin.” Gemeu ela; a voz fraca e submissa deslizando para os ouvidos como uma prece suave. Ele emaranhou seus dedos no cabelo dela e puxou, inclinando sua cabeça e lambendo lentamente seu pescoço, a língua deslizando sobre a pele macia preguiçosamente; um ohhhhh foi ouvido quando ele voltou a acariciar seu clitóris, agora sem nenhum tecido o separando do líquido lubrificante. Posicionou o polegar na entrada do seu sexo e exerceu uma quase inexistente pressão ali, fazendo-a estremecer. “Mais.” Pediu ela e ele sorriu.
Robin trouxe os dedos aos lábios e os lambeu, recordando-se do gosto dela com prazer. Umedecendo os mesmos com a mistura de sua saliva, ele empurrou as coxas dela fazendo com que Regina se abrisse um pouco mais. Puxou seu rosto para o lado com a mão livre, encaixando sua boca na dela e beijando-a com tesão, deslizando a língua para dentro do calor viciante daqueles lábios enquanto deslizava dois dedos para dentro dela. Ela gemeu em sua boca, mas não quebrou a conexão de lábios; Robin a manteve entretida, até que soltou seus lábios e voltou a atacar seu pescoço, mordendo a carne dela enquanto empurrava os dedos ainda mais fundo. Ela grunhiu e ele manteve os dedos parados, apenas aproveitando o calor das paredes internas dela. Afastou o cabelo dela e alcançou sua orelha; mordeu o lóbulo dela antes de voltar a sussurrar. “Ride it” Orientou ele, sua voz sombria e rouca. “Like a good girl.”
Regina mordeu os lábios tentando abafar a descarga sexual que aquele homem lhe causava; tinha certeza de que ele iria fazê-la gozar só com sua voz se quisesse. Impulsionou o corpo contra os dedos dele exatamente como ele havia pedido; subiu e desceu, aproveitando a sensação de tê-lo dentro, aproveitando o preenchimento. Robin adicionou um terceiro dedo, e ela gemeu guturalmente antes de voltar a cavalgar em seus dedos, subindo e descendo, impulsionando o corpo para cima e baixo, deliciada pelos dedos que deslizavam para dentro e fora de seu corpo com facilidade. “Continue” Pediu ele, puxando o corpo dela contra o dele enquanto sua boca deslizava pela clavícula dela; a mão dele fechou-se sobre o seio dela, apertando com firmeza e fazendo choramingar. Robin passou a empurrar os dedos ao encontro dela, adicionando velocidade; curvou os dedos e escutou-a gemer ainda mais alto, assegurando-o de que ele havia encontrado um ponto bastante sensível. Oh freaking jesus foi a única expressão que ela conseguiu pronunciar; e ele percebeu que ela estava próxima do clímax. Seus dedos encontraram maior resistência para entrar e sair e ela passou a gemer ainda mais um medley de expressões right t t there don't yes yes yessss
Robin retirou os dedos dela e a virou, jogando-a na cama. Ela o fitou, os olhos faiscando com a mais completa frustração e o semblante de sofrimento pré orgasmo. “Não se toque.” Ordenou ele e pela seriedade de sua expressão ela forçou-se a escutar. Sua boceta ardia, formigamentos tomando conta dos seus grandes lábios e ela podia jurar que seu clitóris estava a um sopro de explodir. Ela estava enlouquecidamente perto de obter alívio e ele arrancara isso de suas mãos. Ou das mãos dele.
Robin afastou, descendo seu corpo e sentando-se um pouco abaixo de suas pernas. A fitou com um sorriso perverso e debruçou-se para beijar a parte interna de sua coxa, fazendo-a tremer. Sua língua encontrou o limite entre a borda da meia rendada e sua pele, causando cócegas e um leve calafrio no abdômen dela. Com cuidado, desatou o plugue que mantinha a meia ligada à cinta-liga e retirou a peça, as pontas dos dedos correndo através da sua perna com uma delicadeza quase absurda. Imitou o mesmo movimento na outra perna, retirando a meia sem pressa alguma. Regina o observava em silêncio, tentando ignorar o calor ascendente entre as suas pernas e sua vontade quase incontrolável de buscar alívio. O orgasmo gritava contra seu clitóris, implorando pela mais sutil fricção. Acompanhou-o com os olhos quando Robin desceu da cama e contornou seu tornozelo com a meia, enlaçando-o.
“O que está fazendo?” Perguntou ela, agora apoiada em seus antebraços e com um olhar inquisidor sobre ele.
“Amarrando você.” Respondeu ele, sorrindo. Ele puxou a outra ponta da meia e amarrou no estrado da cama, imobilizando-a. “Você não confia em mim?”
“Eu deveria?”
Ele sorriu, encarando-a enquanto contornava o outro tornozelo com a meia. “Provavelmente não.”
Ela suprimiu um gemido quando ele puxou o nó, amarrando seu outro tornozelo ao estrado e imobilizando suas pernas por completo. Odiaria ter que admitir, mas aquilo a estava excitando ainda mais e aquela posição tornava impossível criar qualquer fricção inofensiva a seu favor; estava aberta e escancarada para o bel prazer dele. Robin olhou em volta, procurando algo; seus olhos vasculharam o quarto. Fitou uma gravata caída ao lado do criado mudo e agradeceu mentalmente à funcionária que despercebeu o item. Caminhou até o mesmo e o pegou, voltando para a cama logo em seguida. Sentado sobre a ponta da cama, ao lado da cabeça dela, ele observou o corpo feminino elegantemente esculpido e sentiu os lábios umedeceram em precipitação. Debruçou-se e a beijou, sentindo-a abraçar sua língua sem hesitação. A maneira com que ela o aceitava, a maneira com que sua língua produzia ondas de calor e as enviava diretamente para seu ventre, era algo que nem mesmo ele conseguia explicar. Ergueu os pulsos dela acima da cabeça e Regina consentiu, observando curiosamente seus movimentos. Atou seus pulsos e os amarrou à cabeceira, dando um nó adequado.
Ao se afastar, ele pode contemplar a obra de arte que tinha à sua frente. Regina estava entregue, vulnerável aos seus mais famintos desejos e ele precisou de toda a força necessária no âmago de sua alma para não se deitar sobre ela e fodê-la até ficar rouca. Ele tinha planos, e ele iria segui-los. “Você vai demorar muito?” Perguntou ela, impaciente. Qualquer possibilidade de alívio próprio havia sido anulada agora que ela estava completamente imobilizada; ela dependia dele para obter o que almejava.
“Você precisa ser mais paciente.” Sussurrou ele, beijando-a logo abaixo do umbigo.
“Robin…” Gemeu ela, uma súplica suave e quase inaudível.
“Preciso de outro lenço.”
“Na gaveta do criado mudo.” Respondeu ela e ele pegou o tecido em poucos segundos, caminhando até ela e por fim vendando seus olhos. “Robin!” Ralhou ela. A espera era demasiadamente torturante, principalmente se adicionada ao silêncio dele sobre o que estava prestes a acontecer.
“Você precisa confiar nas minhas habilidades de lhe proporcionar prazer.” Respondeu ele e por algum motivo ela podia jurar que ele estava sorrindo. “Agora eu preciso que me diga onde você guarda seus acessórios sexuais.”
A pergunta fez que seu rosto ganhasse um brilho rosado que se concentrou nas suas bochechas. Como é que ele poderia saber disso? Poderia ser um blefe. Deveria com certeza ser um blefe. “Não precisa ficar envergonhada e não ouse mentir. Eu sei que aquela senhora ruiva que usa saias floridas é dona de um sex shop no centro da cidade e nas duas últimas vezes em que ela esteve aqui ela saiu com menos sacolas do que entrou. Então, onde você guarda?”
Touché.
“Dentro do meu closet, na terceira caixa de corda.” Respondeu ela, agradecendo aos céus por estar com os olhos vendados. Não conseguiria encará-lo nos olhos novamente tão cedo e sequer entendia o porquê disso. Ela não deveria ter vergonha de sua sexualidade quando estava literalmente aberta para ele. Tinha ciência da loucura que estava cometendo e por pior que a imagem geral lhe parecesse — ela estava transando com um empregado na cama de seu marido — não estava dando a mínima. Sequer se lembrava da última vez que se sentira tão sexy, tão viva, tão poderosa e não estava pronta para deixar essa sensação escapar por entre seus dedos. Precisava de mais.
Ouviu passos e antes que pudesse dizer algo sentiu o peso do corpo dele sobre o seu, dedos hábeis puxando seu sutiã para fora do caminho e libertando os mamilos endurecidos. Mordeu o lábio inferior ao sentir os lábios dele capturando uma das suas auréolas, a língua quente circulando o mamilo e umedecendo-o com resquícios de saliva. Um som familiar de vibração misturou-se aos seus gemidos e segundos depois ela sentiu uma leve vibração sobre a sua virilha, mas longe de seu clitóris. “Jesus Christ” Gemeu ela, embora sua voz estivesse tão frágil quanto o som de uma mera brisa matutina. Robin mudou para o outro mamilo, transferindo a suavidade de suas lambidas e sucção enquanto circulava o mamilo já umedecido com os dedos, infligindo a ela um punhado aceitável de dor. Uma dor que ela achava deliciosa. Seu corpo parecia queimar mais do que brasas acesas novamente e ela só conseguia focar nas maravilhas que aquele homem podia fazer com a língua e no formigamento inquietante do que parecia ser um dildo contra a sua virilha.
“Você é uma delícia, Regina.” Confessou Robin quando seus lábios libertaram o mamilo intumescido e ele tornou a beijar seu abdômen, descendo por seu corpo, lambuzando sua pele com beijos molhados e mordidas provocativas. Substituiu o objeto vibrante por seus lábios, beijando a pele sensível ao redor de seu clitóris. Hmmm god
Ele sorriu, apreciando cada uma das reações produzidas por ela e levou o dildo aos seios, elevando a velocidade do mesmo e pressionando-o contra um dos mamilos enquanto deixava sua língua deslizar sentido sul, abrindo caminho entre os grandes lábios, passando pela entrada de sua vagina e chegando ao períneo, e depois refazendo o caminho, lenta e preguiçosamente, tocando-a com a mais devotada delicadeza. Ela estava encharcada, demasiadamente pronta para ser tomada por ele. Robin olhou-a por cima do corpo, analisando a maneira com que seu corpo parecia tensionar, o tórax acelerado que subia e descia em um curto período de tempo. Ela estava forçando o nó dos pulsos, puxando seu corpo, tentando desesperadamente obter alívio para o orgasmo adiado. Seus lábios a abandonaram e ele ouviu seu grunhido de reprovação; Robin trouxe o dildo aos seus lábios, chupando-o, preparando-o com a própria saliva e deslizando-o para dentro dela com um movimento firme e gradual. “Oh my…. yessss”. Encorajou ela, e ele sorriu, ligando a vibração mínima enquanto começava os movimentos de entrada e saída.
Ela já havia usado aquele dildo milhares de vezes. Mas absolutamente nenhuma das vezes havia lhe proporcionado aquilo; nenhuma das vezes havia lhe feito sentir tanto, nenhuma das vezes fizeram suas pernas estremecerem de prazer, nenhuma das vezes lhe causaram uma sensação tão deliciosa de preenchimento. Se ela achava que conhecia tudo sobre prazer, ela estava bastante enganada. Os movimentos dele continuaram, entrando e saindo de seu corpo sob uma velocidade mediana; embora suas paredes internas já estivessem enlouquecendo com a pressão. “Robin, por favor.” Pediu ela, e ele elevou a velocidade da vibração, debruçando-se e deslizando sua língua sobre o vale entre seus grandes lábios, lambendo-a delicadamente antes de capturar a área ao redor de seu clitóris com a boca. As costas dela arquearam-se e ela não conseguiu impedir o grito involuntário. Ondas de prazer subiam por seu corpo e eram enviadas para todas as suas extremidades como resposta ao turbilhão de estímulos que ele estava lhe proporcionando. Ele entreabriu os lábios, brincando com a língua ali enquanto aumentava aos poucos a velocidade do aparelho e infligia mais força e mais velocidade. what the hell Sussurrou ela, sentindo-se no limite de sua resistência física, os pulsos doloridos de tanto que ela os puxava; a parte baixa de seu ventre solidificando um orgasmo ainda mais intenso do que o que ela havia sido impedida de ter. Seus gemidos ecoavam na cabeça dele como uma melodia, e Robin estaria mentindo se negasse o quanto a voz dela gemendo palavras desconexas, xingamentos e principalmente, seu nome o deixava enlouquecidamente excitado. O volume em seu short parecia triplicado e movimentar-se era trabalhoso, mas ele queria dar aquilo a ela. Queria que Regina atingisse níveis inexplicáveis de prazer, que ela desvinculasse sua experiência sexual das míseras migalhas dadas por seu marido. Ela precisava experimentar e se era este o papel que ela lhe havia designado, ele o executaria como tudo em sua vida — com excelência e precisão.
A musculatura das pernas dela estava completamente rígida, músculos estendidos, e ele entendeu que ela estava prestes a explodir. Manteve a velocidade das investidas e deslizou a língua ao redor do clitóris, fechando os lábios ao redor dele e sugando-o delicadamente. “Robin!!!!!!” Gritou ela, mordendo o lábio inferior com força enquanto seu corpo pairou no ar por alguns segundos, rígido, caindo em seguida sobre o lençol; espasmos violentos sacudindo seu corpo, a respiração acelerada, o suor criando um brilho sobre a pele dourada. Robin afastou o dildo e colocou-o sobre a cama, desligando-o. Apoiou-se na cama e subiu até ela, segurando seu rosto e aproximando seus lábios; Regina impulsionou o rosto para cima e o beijou, a língua adentrando a boca dele sedenta e necessitada, traduzindo de maneira passional o quanto estava satisfeita com o orgasmo que acabara de ganhar.
“Eu mal posso esperar para estar dentro de você.” Sussurrou ele, e o sorriso nos lábios dela apenas enfatizou essa necessidade. “Mas vou deixar você se recuperar. Não se preocupe.”
Robin aliviou o nó de seus pulsos, mas não o desfez. Manteve-a na mesma posição, imobilizada, as extremidades atadas, porém sem tanta firmeza. Sentiu-a relaxar, embora em seu corpo ainda houvesse resquícios de seu orgasmo, a respiração ainda soava bastante agitada. Caminhou até a poltrona do outro lado da cama e sentou-se ali, virando-a para a cama e observando a mulher sobre a cama em silêncio. A sensação de poder de tê-la ao seu dispor era inebriante; ele afastou um pouco o short e a cueca, e empunhou seu pênis, acariciando-o lentamente. Os movimentos variavam de pressão, seguindo um ritmo lento para baixo e para cima enquanto seus olhos registravam cada centímetro do corpo em repouso.
Mergulhado na escuridão, ele fechou os olhos e deixou seu corpo inerte aos movimentos suaves de sua mão sobre a ereção massiva. Lembranças do Calabouço vieram à sua mente e ele foi incapaz de interrompê-las; o som dos chicotes de cerdas de couro estalando contra pele; o cheiro adocicado das velas comestíveis; a sensação familiar da palma da sua mão batendo contra uma nádega macia; um gemido escapou de seus lábios quando as lembranças foram se intensificando, e lembranças sombrias vieram à sua mente. Tentou lutar contra as nuances sombrias de sua mente, mas um par de olhos assustados surgiram repentinamente, forçando-o a abrir os olhos. Os olhos de Cruella. A descarga negativa o desestabilizou mais do que um banho de água fria; esfregou as têmporas e levantou-se, ajeitando seu short e caminhando até Regina. Desatou os nós, e percebeu pela maneira que seu semblante se franziu que ela estava confusa. Estava desatando os nós de seus pés quando ela afastou o lenço dos olhos e o encarou, percebendo imediatamente a mudança no clima. “Robin, o que houve?”
“Eu preciso ir. Terminamos isso depois. ”
Ela sentou-se na cama, e ele recolheu as meias, dobrando-as. Puxou o lenço do pescoço dela com cuidado, dobrando-o também e entregou nas mãos dela, colocando o dildo por cima destes. “Robin, eu fiz alguma coisa? ” Perguntou ela, e ele sentiu-se culpado pelo medo evidente no tom de voz dela.
Ele sorriu, encarando os olhos cor de chocolate e caminhou até ela, segurando seu rosto com as duas mãos e encaixou sua boca na dela. Ela o aceitou com avidez, seus lábios se completando e ela permitiu deslizar a ponta dos dedos pelo braço dele, numa carícia suave. “Você foi fabulosa. Maravilhosa. Eu realmente tenho que ir agora. Não se preocupe, nós vamos terminar depois. ”
Dito isso, ele deixou o quarto às pressas. Regina observou-o em silêncio, ainda confusa com a mudança repentina de planos. Deitou-se na cama, fitando o teto. As palavras dele ecoaram em sua mente. Você foi fabulosa. Maravilhosa. Sorriu.
***
Ruby puxou o cabelo para cima da cabeça, circulando o rabo de cavalo com um elástico. Fitou a tabela à sua frente, mordendo o lábio. Sentiu o cheiro de café, e virou-se, sendo apreciada com o corpo de seu namorado coberto por apenas uma cueca samba-canção. Apesar da tentação, ela voltou sua atenção para o notebook, abrindo uma janela com a agenda de Regina. Precisava reagendar a reunião dela com o prefeito da Califórnia e de repente havia surgido um encontro com Mellie Grant, o que a fez se perguntar desde quando Regina Mills tinha interesse na carreira política.
“Não me diga que está trabalhando logo cedo. ” Resmungou Graham, debruçando-se sobre ela e beijando seu pescoço. Ela sorriu, acariciando seus cabelos e ele colocou a caneca de café à sua frente, puxando a cadeira ao seu lado e sentando-se.
“Café é exatamente o que eu precisava neste momento. ” Brincou ela, levando a caneca aos lábios e tomando um generoso gole do líquido escuro. O sabor estava formidável. “Você faz um café maravilhoso, sabia? ”
“Tecnicamente, eu não faço nada. A cafeteira só precisa estar abastecida. ”
Ela colocou a caneca na mesa e fitou o loiro. “Você é muito sem graça. ”
Graham observou a atenção dela se transferir rapidamente dele para o notebook. Respirou fundo, lembrando-se de não pressionar embora fosse uma batalha bastante difícil de se ingressar. Aquele trabalho ocupava um espaço na vida que tinha basicamente o mesmo peso que ele, e essa era uma constatação incômoda. “É sério, você poderia desligar isso um pouquinho?”
Os olhos verdes dela afastaram-se rapidamente encontraram-se com os seus. “Humbert, qual é o problema?”
“Nós precisamos conversar, só isso.” Respondeu ele, fitando-a com um semblante sério. “Você só fica com a cara enfiada nesse notebook e no celular, resolvendo a vida daquelas mulheres. Elas têm que aprender a se virar sozinhas. Você tem uma vida aqui.”
Ela fechou o notebook lentamente, encarando-o. Pegou a caneca e levou aos lábios, saboreando um pouco mais do líquido quente e convidativo. “O que você quer conversar?”
“Não assim, Ruby.”
Ela sorriu. “Amor, eu estou tentando. Você está todo nervoso e irritado, e eu estou tentando entender o que quer que eu faça. Há algo que queira me dizer?”
“Eu quero viajar para ver meus pais e gostaria que fosse comigo.”
“Quando você pretende ir?”
“Semana que vem.”
“Graham!” Exclamou ela, os olhos ganhando proporção enquanto ele a encarava impassível, como se tivesse dito que o tempo estava ensolarado. “Você não pode esperar que eu vá para o sul da França na semana que vem. Meu Deus! O que você está pensando?”
Ele riu, sarcasmo estampado em seus lábios finos. “Claro que não. Mas se eu fosse um dos membros do clã Mills… você iria, não é?”
Foi a vez de ela rir. “Humbert. Olha para o que você está dizendo… Você está com ciúmes do meu trabalho? Eu não sou a melhor amiga de Regina Mills ou Zelena ou Cora. Eu trabalho para elas. Eu sou paga para facilitar a vida delas, e muito bem paga, se você olhar ao redor. Eu não posso simplesmente abandonar tudo agora e ir para a França. Nós não temos dinheiro para isso, eu não reservei nada e”
“Eu tenho dinheiro. Posso pagar as porcarias das passagens.” Resmungou ele, arrependendo-se no minuto seguinte.
“Eu achei que você estivesse há duas semanas sem trabalho. Onde você conseguiu dinheiro?”
“Por aí.”
Ela abriu a tela do notebook novamente. “Por aí é uma resposta bastante vaga. Eu sou errada de realizar meu trabalho aqui na sua frente, mas você tem feito coisas por aí que eu não faço ideia e tudo bem.”
Graham socou a mesa, fazendo com que café caísse por perto do notebook. “Você sempre vira as coisas contra mim. Quer saber, foda-se. Eu vou ir com ou sem você.” Ele se levantou, retirando-se da mesa bastante irritado e caminhando na direção do quarto. Ruby fitou o café espalhado sobre a mesa, pensativa. Não fazia ideia do que estava acontecendo com ele ultimamente. Parecia distante, distraído, irritado. Por mais que ela adorasse a ideia de viajar com ele — eles sempre se divertiam, e o relacionamento se fortalecia — ela não podia simplesmente pedir férias com uma semana de antecedência. Regina era uma chefe bastante compreensiva, mas isso seria ir muito além dos limites. Ela simplesmente não podia fazer nada em um período tão curto e sentia muito que ele não entendesse isso.
Voltou seus olhos para a agenda e fitou um espaço em branco. Respirou fundo, e passou a descrever a reunião com o prefeito ali.
***
Cora não entendera o convite repentino de Arthur, mas não lhe restou muitas opções. Cedeu as chaves do carro ao manobrista e encaminhou-se para a entrada do Charleston. Apesar de suas dúvidas mesquinhas sobre é como que ele poderia pagar por uma refeição em um dos restaurantes mais sofisticados de Baltimore, ela decidiu que ia envolver na experiência sem reservas. Só havia ido ao estabelecimento localizado no Harbor East uma única vez, mas do que se lembrava da culinária bem trabalhada e detalhista de Cindy Wolf, nada deixava a desejar. Era a sensação de saborear uma obra prima, repleta de cores nuances e sabores.
O mestre a indicou para o corredor da Palm Room. As paredes desta sala em si eram constituídas de divisórias de madeira fina e um papel de parede florido, cujas cores alternavam-se entre um marrom terra e laranja pôr do sol, com o recheio das pétalas em tom creme. O carpete seguia a mesma paleta de cores, embora o desenho na estampa fossem botões de rosas. As cadeiras num tom laranja escurecido eram o toque final, as mesas cobertas por suas toalhas de cetim tão brancas quanto a neve. O teto era branco, exceto pelos painéis acima dos lustres que formavam uma espécie de perspectiva centralizado para o centro com o fundo ferrugem. Mas nada disso lhe chamou a atenção ao passar pela porta de acesso. À sua frente, estava Arthur; e seu semblante não poderia parecer pior. Ele parecia aterrorizado e pálido. Seus olhos treinados fitaram os vultos logo atrás dele, na mesa. Zelena a encarava de volta com um sorriso quase vitorioso. Usava um vestido branco e um decote generoso, brincos verdes com esmeraldas gigantescas e o cabelo preso em um coque chique; acompanhada por um homem elegante de cabelos grisalhos penteados para trás, e um terno pomposo da Armani. O cheiro de sua colônia era bastante marcante, apesar do cheiro cítrico familiar do restaurante.
“O que está acontecendo aqui?” Perguntou Cora, parada em frente à mesa. Arthur colocou a mão sobre o seu ombro, e a voz de sua filha entrou em cena.
“Sente-se. Os pratos chegarão em breve.”
Apesar de seu instinto primitivo lhe dizer para abandonar aquele lugar imediatamente, Cora puxou uma cadeira e sentou-se. Fitou Arthur, mas este desviou os olhos. Zelena, no entanto, a observava com uma curiosidade inata. “Bem, o que vocês vão querer beber? Eu pedi um vinho, o Grand Brut Rosé do Paul Bara, espero que vocês gostem. A garrafa não é exatamente cara mas”
“O que significa isso, Zelena? Arthur, porque você me convidou para isso?”
“Eu mandei a mensagem pelo celular dele, não o culpe. Ele também não queria estar aqui.” Respondeu a ruiva.
“Então qual o propósito disso?”
“Meu Deus. Você não sabe mesmo curtir uma boa refeição, não é?” Respondeu ela, bufando. “Tudo bem. Se quer pular para os negócios primeiro, é você quem decide. Esse é George Miller, meu advogado. Ele redigiu esse contrato.” Zelena passou uma pasta para ela por cima dos pratos. “Para você transferir suas ações da Apple’s Queen para o meu nome. Pode ler se quiser, mas não vai fazer nenhuma diferença.”
Um riso irônico raspou a garganta de Cora, e ela fitou sua filha mais velha com incredulidade. “Você enlouqueceu, querida. Eu não vou te transferir nada. Se você pensa que”
Oh Arthur, sim. Oh jesus, sim, assim. Cora fitou boquiaberta o aparelho celular da outra ao ouvir a própria voz. Zelena exibia o celular no ar, exibindo o quarto de sua mãe, a cama, os lençóis tão familiares e a parte posterior do corpo másculo de Arthur sobre o seu e Use os dedos, querido seguidos de gemidos intermináveis e “Desligue essa merda!” Gritou Cora. “Como você teve coragem de grampear a minha casa?”
“Não é grande coisa.”
“Você está me chantageando com isso. É ‘grande coisa’. O que sua irmã acha disso?”
“Você quer que eu diga a Regina o quanto você pode ser flexível na sua idade?”
Ela podia sentir seu rosto queimar; inúmeras reações tomavam conta de seu sistema nervoso. Virou-se para Arthur, mas ele fitava o prato vazio, imóvel. Ele sabia disso? Era seu plano o tempo todo? Era tudo uma mentira? “Fale alguma coisa.” Pediu ela, mas ele simplesmente jogou o pequeno guardanapo sobre a mesa e se levantou. “Eu sinto muito, Cora. Eu tentei impedi-la.” Em seguida, ele se retirou, limitando aquela pequena reunião a um grupo ainda mais familiar.
Os olhos de Cora se encheram de lágrimas, mas ela se recusou a derrubar sequer uma delas na frente da ruiva. “Me passe a caneta.”
George entregou-lhe a caneta. Ela rabiscou sua assinatura nas linhas onde seu nome era citado e riscou furiosamente uma rubrica no resto. Jogou a caneta com força sobre a mesa, e esta quicou até cair no colo da ruiva, mas ela não se importou. Levantou-se, entregando o papel ao advogado e em seguida prendeu a echarpe ainda mais firme contra seu pescoço. “Você jamais seria capaz de conseguir essa empresa por meios legais. Por mais que tente, você é um fracasso comparada à sua irmã, e sempre vai ser.”
Zelena observou sua mãe se afastar, e fitou o documento assinado. Apesar de ser a prova de sua vitória, ela precisava admitir que o gosto era mais amargo do que ela imaginava.
***
Ao entrar no saguão da Apple’s Queen, ela sentiu que havia alguma coisa errada. Já estava acostumada com a sensação de intimidação que seus funcionários pareciam atrair de si, mas aqueles olhares não estavam intimidados. Era quase como se eles estivessem demonstrando compaixão. Caminhou apressada pelo corredor, ajustando ainda mais o trench-coat azul turquesa ao redor do corpo, o cabelo esvoaçando pelo ar.
Passou pela mesa de Ruby, mas a mesma não levantou a cabeça. Havia algo errado. Definitivamente.
E foi só ao atravessar as portas para sua sala que ela descobriu o que era. Sua mesa havia desaparecido, assim como a mesa de sua mãe. A decoração da sala havia sido refeita, as paredes cobertas por um papel verde escuro esmeralda, a iluminação relocada para lâmpadas em sanca ao redor do espaço, uma prateleira de design medieval portava algumas esculturas elegantes e algumas coleções de livros.
“Espero que tenha gostado da minha nova sala.”
Virou-se rapidamente e fitou Zelena saindo do banheiro, o corpo bem desenhado por um vestido branco. Os cabelos presos a deixavam ainda mais sofisticada, e Regina afastou os elogios. Não era hora para isso. “O que diabos deu na sua cabeça? Eu quero minha mesa de volta ao lugar até o final da tarde. Eu não vou pedir duas vezes. E esse papel de parede horrível também. Fora.”
Zelena caminhou até sua mesa e sentou-se, o sorriso nunca deixando seus lábios bem pintados por um batom vermelho bordô. “Veja bem, irmãzinha. As coisas vão mudar por aqui e para o seu bem, você vai precisar de adaptar... digamos”. Ela estalou os dedos no ar. “Rápido assim.” Abriu a gaveta e colocou uma pequena pasta do outro lado da mesa, na direção da morena. “Eu não recebo ordens suas. Eu não lhe dou satisfações. Eu decido as coisas por aqui agora. E quanto a sua sala, sinta-se à vontade para escolher qualquer outra, porque bem… Esta daqui agora é minha.”
Sua irmã só poderia ter fumado ervas demais e perdido o bom senso. Caminhou até a mesa e pegou a pasta, folheando-a com um sorriso irônico no rosto. Mas seu sorriso logo desfaleceu, dando espaço à uma expressão de total incredulidade. “O que…” Balbuciou, fitando o documento assinado, a firma reconhecida, os termos bem escritos sob respaldo legal. “Por que ela faria isso?”
“Bem, irmãzinha, isso não me importa. O que importa é que eu sou a acionista majoritária da Apple’s Queen agora. Acostume-se com o sabor da derrota e me dê licença. Eu preciso trabalhar.”
Regina manteve os olhos nela, sem conseguir pensar. Aquilo estava realmente acontecendo. Zelena havia tomado a empresa de suas mãos da noite para o dia. Sentiu vontade de vomitar, e o verde do papel de parede apenas aumentava sua vontade. “Você precisa de mais alguma coisa?” Questionou Zelena, regozijando-se do choque de sua irmã com um sorriso gigantesco.
“Tente não afundar essa empresa como afundou o seu primeiro carro.” Respondeu Regina, encarando-a com um sorriso, antes de sair da sala. Sabia que aquilo atingiria sua irmã, e isso trouxe uma pequena satisfação para o olho do furacão; mas o alívio foi apenas temporário. Sentia-se derrotada.
No caminho para a garagem, ligou para Robin e perguntou se ele podia encontrá-la no loft. Ele estava livre.
Era tudo que ela precisava naquele momento.
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