Efeito Borboleta
4 Um Passado Muito Distante
Notas iniciais

Trailer
https://youtube.com/shorts/3m_mDx-F4yU?si=s-MXvdqyKwqEABKU
"A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente."
(Albert Einstein)
Raccoon City
1989
Uma tempestade caía sobre Raccoon City quando o trânsito de repente parou, havia um corpo no meio da rua impedindo o trajeto dos carros por uma das principais avenidas da cidade. O corpo era de Monica Birkin que, subitamente, desperta assustada com o barulho das buzinas e de um estrondoso trovão. Ela tenta se levantar, mas se sente tonta e com uma dor aguda na cabeça como se tivesse levado uma pancada, os faróis dos carros quase cegam os seus olhos a deixando ainda mais desorientada. Algumas poucas pessoas tentam se aproximar e ajuda-la, entre elas há um homem de origem oriental que queria levá-la para o hospital. Entretanto, a cientista se nega a ir dizendo que não estava machucada, só um pouco cansada, desorientada e com muito frio, pois suas roupas estavam encharcadas.
O homem de origem oriental, então, decide que ao menos iria levá-la para a sua casa que ficava do outro lado da rua. De lá a jovem poderia ligar para alguém vir buscá-la e ainda poderia se livrar das roupas molhadas. Durante uma hora, Birkin faz várias ligações para Ada, Wesker, Rebecca e até mesmo para a Umbrella Corporation na esperança que um deles lhe atendesse, mas nenhum número dava certo ou dava sempre inexistente, o que não fazia sentido. Além disso, aquele telefone também não ajudava, parecia mais um objeto saído direto de um museu.
Inconscientemente, ela se viu perguntando para si como era possível que o homem; que parecia ser tão inteligente; não tinha nenhum smartphone? Era como se aquele sul-coreano tivesse parado no tempo. E se parasse para observar mais atentamente, perceberia que tudo na casa parecia tão antiquado, desde os móveis até as roupas que havia pegado emprestado. Porém, essa nem deveria ser a sua principal preocupação e sim o fato de não conseguir se lembrar de como conseguiu chegar ali.
— Bem, eu me chamo Park Seong-chan. — O homem lhe traz um pouco de chá para aquece-la do frio. Os dois se sentam na sala perto da lareira para conversarem um pouco. Ele se sentiu um pouco desconfortável ao vê-la vestindo as roupas de sua falecida esposa, mas tentou não ser egoísta e nem ciumento, afinal, isso não era o que importava. — E você, qual é o seu nome?
— Eu me chamo Monica Birkin. — Ela responde após sorver um gole de chá que lhe aquece por dentro. Por sorte ela já se sentia mais segura, pois por algum motivo, o homem que aparentava ter uns 30 e poucos anos lhe soava gentil e um pouco familiar.
— Birkin?! Que curioso. Eu conheço um Birkin... William Birkin. — Aquilo a deixou surpresa. — Você por acaso tem um parentesco com ele?
— Sim. — Ela hesitou. — Ele era o meu... marido.
— O quê? Acho que não estamos falando do mesmo Birkin. O Birkin que conheço é um jovem e promissor cientista, que tem um futuro brilhante trabalhando para a Umbrella ou até para a NASA. A propósito, ele é o meu melhor aluno. Mas, ele nunca disse que já era casado.
Monica ficou por um instante perplexa, achando estranho toda aquela história. Até que abruptamente, algo lhe chama a atenção, fazendo-a se levantar e ir até a estante da sala onde havia um porta-retrato antigo de Park Seong-chan ao lado de uma mulher grávida que era muito parecida com Ada Wong.
— Eu conheço essa mulher. — Por um instante, ela chega a pegar o porta-retrato, mas em seguida, Park decide puxar a fotografia de suas mãos como se tivesse ficado ofendido pelo seu ato. — Me desculpe, senhor! Eu só...
— Tudo bem. É que... essa é a última foto que tenho dela... Da minha esposa Hye Jin. — Havia amargura em sua voz.
— O que aconteceu com ela?
— Hye Jin morreu no parto, enquanto dava a luz a nossa pequena Ada. — Aquilo fez Monica paralisar confusa.
— Ada? — Monica começou a achar tudo aquilo muito confuso e sem sentido algum.
— Ada tem apenas 4 anos é muito parecida com a mãe. Ela está dormindo lá em cima, sem imaginar que estamos aqui falando dela. — Nesse momento, há um barulho estrondoso de uma janela se quebrando, ao mesmo tempo em que um trovão retumbava no céu, se misturando a um grito estridente de uma criança assustada. — É Ada. Ela deve ter acordado com o barulho da tempestade. Fique aqui. Eu já volto. — O homem desaparece no andar de cima.
Naquele momento, Monica Birkin sente um arrepio percorrer o seu corpo como se pressentisse que algo ruim estivesse prestes a acontecer. Ela decide ir atrás do senhor Park só que, subitamente, às luzes se apagam e mesmo no escuro, tenta se mover indo na direção da escada e subindo, cuidadosamente, para o segundo andar. Lá em cima as luzes começam a piscar novamente e é nesse momento que a cientista da Umbrella acaba se deparando com outras fotos daquela família penduradas na parede, entre elas havia uma foto de Seong-chan segurando uma menina no colo. E a menina era, surpreendentemente, idêntica a pequena Alice.
— Tem alguma coisa estranha acontecendo aqui. — Assim que murmurou tais palavras, ela ouviu gritos de desespero de Seong-chan vindas de um dos quartos e o barulho de um tiro a deixando em completo medo e angústia.
"O que ela deveria fazer naquele momento? Fugir?!"
Monica até tenta fugir, mas acaba acidentalmente esbarrando na menina que se parecia tanto com Alice Wesker. A garota está em estado de choque, paralisada, com os olhos lacrimejados e assustados olhando para o corpo de seu pai caído inconsciente no chão sobre uma poça de sangue. Atrás da menina há um espelho e pelo reflexo dele, ela consegue vislumbrar a silhueta do assassino encapuzado apontando a arma na direção delas.
— Merda! — Por puro instinto, ela simplesmente se joga sobre o corpo da garotinha, ao mesmo tempo em que o assassino aperta o gatilho e um raio cai sobre a casa.
Hospital Geral de Raccoon City
7 Meses Depois...
A próxima vez que Monica acorda se vê deitada numa mesa de cirurgia, seu corpo está suando e tendo contrações fortes. Há uma enfermeira dizendo que tudo vai ficar bem, enquanto ela continua a fazer mais força, uma força quase descomunal para empurrar o bebê que está em sua barriga. Até que alguns minutos depois, vem a sensação de alivio, seguida por uma exaustão, misturada com uma emoção tão genuína e nova ao ouvir, enfim, o choro de um recém-nascido.
— Parabéns, mamãe. É um menino. — Diz o médico de forma gentil após a cirurgia bem sucedida. Leva alguns minutos terríveis, até que outra enfermeira surge ao seu lado trazendo seu filho agora para que ela possa conhecê-lo. Ele está enrolado em um cobertor ainda choramingando com fome e, é então, que acontece algo mágico: o momento em que Birkin pode olhar nos pequenos olhos azuis do menino. Seu bebê era a maior felicidade que já recebeu em sua vida. E ela sabia que tinha sido amor à primeira vista.
Mais tarde quando já está no quarto de hospital com o bebê em seus braços, a jovem mulher começa a pensar em que nome dar a ele. Bem, Wesker não estava ali para reivindicar qualquer direito sobre a criança e ela também sabia que não poderia usar o sobrenome Birkin que pertencia ao seu falecido marido. Portanto, o menino de cabelos loiros e olhos tão azuis como o céu em um dia ensolarado, não poderia receber um nome melhor do que Leon Scott Kennedy, em homenagem ao seu irmão caçula.
— É um nome bonito. — Diz a enfermeira que havia acompanhado o parto e a ajudado nos primeiros momentos com o bebê.
— Obrigada. Leon era o nome do meu irmão.
— Era? O que aconteceu com ele?
— Ele se... se... — Ela ia dizer que Ele se suicidou, mas achou que essa informação era algo muito pessoal e chocante para se compartilhar num momento que era pra ser de felicidade. — Ele morreu... há alguns meses.
— Minha nossa! Que coisa horrível. Sinto muito! — A enfermeira lhe respondeu com um tom genuíno de pesar e fica em silêncio por um instante, como se tivesse calculando suas próximas palavras. — Isso é um pouco estranho. Que dizer, alguns meses atrás, Barry tentou achar o paradeiro da sua família, mas não achou nada sobre você. — Monica já se sentia perturbada pela presença da outra mulher e pelos questionamentos estranhos que ela lhe fazia.
"E quem era Barry?!"
Foi nesse, instante, que seus olhos pousaram sobre o nome que estava no crachá daquela mulher "Sally Burton" o mesmo nome da esposa falecida de Barry Burton. Entretanto, aquilo não era a única coisa estranha que estava acontecendo ao seu redor, pois logo o próprio capitão da RPD decidiu aparecer pra fazer uma breve visita a esposa e bater um papo rápido com a cientista.
Birkin já se sentia confusa por ter despertado naquele hospital, sem nem conseguir se lembrar de como chegou ali. E pior, nem se lembrava de como chegou ao nono mês de gravidez. E, como se isso não fosse o suficiente, ela se depara com uma mulher que deveria estar morta e com um Barry Burton que não era nada parecido com o homem que ela conheceu. Era como se tivesse se deparado com uma versão mais jovem do casal Burton, só que isso também não fazia sentido.
— Você me deu um baita susto. Mas graças a Deus, deu tempo de trazê-la para o hospital em segurança. — Burton tinha vindo ali para vê-la e conhecer o seu filho. Pelo o que o casal lhe contou fora Barry quem lhe trouxe para o hospital após tê-la encontrado desmaiada próximo a Delegacia de Polícia.
— Ah, muito obrigada por salvar a minha vida. — Ela se viu forçada a agradecer, mesmo não conseguindo se lembrar do que realmente aconteceu.
— De nada senhora Kennedy. Esse é o meu trabalho: Te manter viva e segura.
— Senhora Kennedy?! — Monica se sentiu tão estranha sendo chamada assim, exatamente, porque esse era o jeito como se referiam a sua mãe a Senhora Kennedy. Porém, logo, sua mente lhe trouxe memórias cruciais de 7 meses atrás, quando o Doutor SeongChan Park acabou sendo assassinado na frente da filha de 4 anos e Birkin acabou presenciando todo o ocorrido. Além disso, foi graças a cientista que a menina conseguiu sobreviver.
— Então, a garotinha está bem? — Ela se viu perguntando hesitante, enquanto segurava mais apertado o seu filho no colo. De repente um medo se apossou dela, um medo da crueldade que já existia no mundo, onde uma criança poderia se deparar com um cenário tão violento e se tornar uma testemunha ou a própria vítima, o que a fez pensar de novo em Alice Wesker.
— Quando a menina chegou aqui, ela estava em estado de choque. No dia seguinte, a família apareceu e decidiu leva-la embora dos Estados Unidos, achando que a menina estaria mais segura longe daqui.
— E a família fez a coisa certa. — Enfatizou Barry. — Ainda não conseguimos pegar o assassino. E é por isso que a senhora, não deveria estar circulando por aí sozinha. Afinal, para todos os defeitos, Monica Birkin morreu naquela noite ao salvar a menina. — A cada informação que o policial jogava em sua cara, mais chocada a cientista ficava. — Agora você precisa se lembrar que seu nome é Annie Kennedy, uma mãe solteira e que leva uma vida simples e honesta.
Então, era isso? Ela foi forçada a enterrar o nome e a vida que antes pertencia a Monica Birkin, para poder sobreviver nessa nova realidade, nesse novo mundo, onde tudo era muito diferente. Onde pessoas como Sally e William Birkin deveriam estar mortas e pessoas como Ada, Wesker e Spencer não existiam. Ou pelo menos ainda não existiam.
***/ /***
Um dia depois que Leon nasceu e ela voltou para a sua... nova casa, Annie decide ligar a Televisão antiga da sala e começar a se atualizar com aquele mundo estranho e distorcido. O aparelho era tão antigo que os canais ainda eram analógicos e a transmissão não era muito boa:
"Hoje é um dia histórico. Um dia que marcará a vida de muitas pessoas. 9 de novembro de 1989, marca o dia da queda do Muro de Berlim. O Muro que por muitos anos dividiu a Alemanha em duas partes: Ocidental e Oriental."
Ainda assim, a notícia sobre a queda do Muro de Berlim estava em todos os programas de TV, em todos os telejornais. Ela havia aprendido no colegial que a data de 9 e 10 de novembro de 1989, realmente, foi um marco para a história mundial. Mas, a queda do Muro de Berlim havia acontecido numa época em que seus pais ainda nem haviam nascido.
"Um cidadão da Alemanha Oriental, afirmou que primeiro deixaram algumas pessoas passarem, depois abriram o portão. E agora pode passar todo mundo, sem documento, sem controle, sem nada. Esse é o início de uma nova era. O início de uma Alemanha reunificada."
Depois de passar alguns minutos mudando de canal se sentindo entediada, Monica desliga a televisão e vai até o quarto onde seu bebê continua dormindo serenamente. Há uma mesinha ao lado da cama e sobre ela uma máquina de escrever, isso a fez rir imaginando se saberia lidar com aquela máquina. Também haviam outros objetos que nunca havia conhecido, ou eram muito antigos. Em seguida, parou na frente de uma penteadeira bordô onde havia um espelho. E no reflexo do espelho ela se viu transformada em outra mulher, seus cabelos loiros e compridos tinham sido cortados um pouco abaixo dos ombros e a cor loira havia sido mudada radicalmente para um tom castanho. Também pelo reflexo do espelho, a cientista ao retirar a blusa que estava usando consegue ver que do lado esquerdo de suas costas, havia uma cicatriz causada pela bala saída da arma do tal assassino que poderia tê-la a matado.
— Meu Deus! Então, tudo foi real?!
Houve um momento em que Monica chegou a cogitar, que tudo fosse um sonho e que quando acordasse estaria novamente em 2050, trabalhando no laboratório da Umbrella Corp. No entanto, os dias foram passando e, quanto mais tempo foi se adaptando aquela realidade, mais foi percebendo que a única explicação que fazia sentido era de que... O Buraco de Minhoca havia funcionado e ela conseguiu viajar no tempo.
Todavia, se a viagem no tempo funcionou... Então, onde estavam os outros cientistas? Onde estava Ada, Rebecca, Spencer e Wesker? Será que estavam perdidos por aí? Ou será que estavam... mortos? Ou será que eles ainda estavam lá no futuro procurando por ela, ou esperando o seu retorno? E o mais importante de tudo, será que viajar ao passado alterou todo o seu futuro?
Talvez, a melhor resposta para todas essas questões é de que a sua viagem ao passado, construiu um universo paralelo onde o seu presente era 1989. E agora Monica... Que dizer, Annie Kennedy teria que aprender a viver nessa nova realidade. Pelo menos ela não estaria sozinha.
— Acho que agora somos só você e eu contra o mundo, meu pequeno Leon. E eu prometo que não deixarei que nada te machuque.
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