Efeito Borboleta
16 Quando Mundos Paralelos se Colidem

"O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam, o tempo é eterno."
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Apartamento de Ada Wong
Leon não estava acostumado a beber, tinha sido sua primeira vez e agora já estava sentindo os males de acabar abusando do álcool ao despertar num lugar estranho e sentindo a sua cabeça latejar, terrivelmente. O lugar estranho em questão era a sala da Professora Wong que não teve outra escolha, senão trazê-lo para o seu apartamento e deixa-lo dormir em seu sofá. Obviamente, que tomar essa decisão foi difícil porque sua irmã ficou reclamando o tempo todo e jogando na cara dela que Ada quebrou a sua própria regra do "Sem trazer caras para casa."
Ada só o trouxe ali porque seria impossível ele dirigir. Outra saída era ter chamado um táxi para levá-lo, porém isso a deixou com medo... Porque a morte de William Birkin ainda estava muito fresca em sua mente e fazia poucos dias daquela tragédia. Apesar disso, ela prometeu a si mesma que seria a última vez que quebraria a sua regra, especialmente, por aquele homem.
— E aí bonitão, dormiu bem? — Leon se senta de forma abrupta no sofá ao ouvir a voz dela e, logo, se sente um pouco tonto. Seus azuis se erguem para encontrar ela em pé a pouco metros dele, vestida num roupão vermelho e com uma toalha enrolada na cabeça. O policial fica boquiaberto sem conseguir reagir direito e, apenas pisca os olhos várias vezes tentando saber se aquilo era real. — Você deve estar com uma baita resseca. Sugiro que tome uma xícara de café e se alimente um pouco que irá se sentir melhor. Se quiser também pode tomar um banho. Deixei toalhas limpas para caso...
— Ah, que bom que acordou! — Nesse instante, Fong Ling invade a sala segurando o celular do detetive. — Tem uma tal de Claire Redfield que não para de te ligar. Acabei atendendo. E ela parece bem histérica e mau educada. — Ela entrega o celular a ele e troca um olhar sarcástico com a irmã mais velha.
No fim, ele acaba apenas tomando um café rápido, só para não parecer um mal agradecido. E de fato eles tomam um café da manhã em silêncio, ou quase isso, já que a irmã mais nova de Ada continuava a tagarelar e ignorar o desconforto do par que, vez ou outra, trocavam olhares tímidos.
Pelo breve momento em que esteve na presença das irmãs, ele percebeu como elas pareciam serem pessoas comuns e tinham uma relação normal entre irmãos, com suas picuinhas e provocações. Elas eram como Chris e Claire Redfield. E de repente Leon sentiu certa inveja daquela relação familiar e isso o deixou melancólico. Precisava ir embora, logo.
— Eu tenho que ir. Sinto muito pelo incomodo. — Aqueles azuis que agora pareciam frágeis, causaram um reboliço no coração de Ada. Elas se levantam e o seguem até a porta.
— Tá tudo bem. Poderia ser eu no teu lugar e acho que você teria feito o mesmo. Teria cuidado de mim. — Ela diz mordendo o lábio nervosa ao se despedir dele.
— Obrigado! — Leon murmura sinceramente pronto para sair.
— Espera! — Mas Fong Ling ainda decide para-lo, tomando uma decisão que pegou a sua irmã desprevenida. — Fiquei sabendo que você é policial. Então, eu achei que seria bom ter o seu número. — Ela continua a tagarelar ignorando os olhares irritados de Ada. — Vai que a gente precisa da sua ajuda. — Ela conclui fazendo um olhar de inocente enquanto lhe entrega o seu celular. Leon hesita, mas acaba digitando o seu número no celular dela e o salvando. Depois troca um último olhar com a professora e, por fim, vai embora.
— Por que você fez isso? — Assim que o policial sai, Ada continua a discutir com a irmã se sentindo frustrada.
— Nossa, como você é ciumenta! — Fong Ling continua a provocá-la. Ada bufa, porém desiste de continuar com a discussão. Apesar de ser sábado, ela ainda teria um final de semana agitado, preparando suas aulas para a próxima semana.
Quatro Dias Depois...
— Central de atendimento da RPD, no que posso ajudar?
— Por favor, eu... eu preciso de ajuda. — A voz feminina está ofegante. — Tem alguém tentando... me matar... — Assim que ouve aquela voz feminina desesperada, o policial imediatamente a reconhece.
— Professora Wong, me diz onde você está?
— Ele tá aqui atrás de mim. Ele vai... Ele vai... Por favor, nãoooo! — O grito desesperado e angustiado dela é interrompido, abruptamente, por um barulho que parecia ser de tiros.
— Professora Wong! Professora Wong! — Todavia não há mais resposta, há somente um silêncio amedrontador.
— Merda! Me diz que você conseguiu rastrear a ligação. — Ele exige olhando aflito para a tela do computador do outro policial.
— A ligação veio da Universidade de Raccoon City... — Assim que houve a resposta, Leon não hesita em sair correndo dali. Ele entra em seu carro e passa a dirigir, desenfreadamente, pelas ruas da cidade, com um único objetivo: Chegar até Ada.
Todavia, ao se aproximar da região onde ficava a Universidade de Raccoon City, logo, foi se deparando com uma neblina que se formou ao final da tarde. Consequentemente, ele tenta diminuir a velocidade e dirigir com cautela, mesmo assim a neblina acaba atrapalhando a sua visão e o impedindo de ver quando um furgão atravessa a rua e se choca, violentamente, contra o seu carro que capota.
De uma forma inexplicável e sinistra, quando as pessoas se aproximam do Toyota para averiguar o estado do seu motorista, eles acabam se deparando com um carro totalmente vazio. De repente, Leon havia desaparecido sem deixar qualquer rastro. Eventualmente, o seu desaparecimento sinistro, acabaria causando um novo pânico na cidade.
Universidade de Raccoon City
— Vamos lá. O que aconteceria se universos paralelos se colidissem? — Questiona a professora Annie Kennedy.
— Eu acho que com certeza haveria várias duplicatas coexistindo no mesmo espaço-tempo. — Respondeu uma versão jovem de Rebecca Chambers, ganhando alguns assobios animados de seus colegas de sala que sempre gostavam de provoca-la.
— Nossa, seria incrível ter várias duplicatas de si mesmo. Você poderia dar várias tarefas diferentes pra cada uma delas cumprirem no seu lugar. — Argumentava outro aluno parecendo realmente fascinado pela ideia. — Você poderia ter um pra limpar o seu dormitório e fazer a comida, outro pra fazer os trabalhos da faculdade, ou ir pra aula no seu lugar. Ainda sobraria tempo para sair e se divertir. — Ele pisca para uma estudante sentada ao seu lado que faz uma expressão de desgosto, enquanto outros alunos riem.
— É óbvio que ter várias duplicatas vagando por aí ao mesmo tempo, não daria certo. — Dessa vez é Ada quem decide se pronunciar, conseguindo interromper toda aquela algazarra.
— O que acha que aconteceria? — Annie lhe pergunta, sabendo que sua aluna favorita sempre foi criativa em suas respostas.
— Bom, algumas teorias científicas, dizem que em cada universo paralelo existe uma versão nossa... E que elas nunca devem se encontrar. — Só que dessa vez, Ada decidiu apenas ser objetiva e óbvia. — Se essas versões se encontrassem, ou elas se autodestruiriam, ou uma delas teria que morrer. Ou ainda... uma delas teria que saltar para outra dimensão. — Por fim, o debate logo termina, quando o sinal toca.
Ada que estava se sentindo meio insegura, só espera o resto da turma ir embora para tentar falar em particular com a sua professora.
— Então, Ada já preparou as malas? — Annie dizia mais entusiasmada que a sua própria aluna. — Tá animada para se mudar para a Califórnia? — Isso deixou Ada tensa.
— Professora, eu queria te agradecer pela bolsa de estudos, mas eu ainda ... — Ela não estava animada em ter que se mudar e largar tudo, ainda mais quando já estava tão envolvida com um projeto da Corporação Umbrella.
— Que tal a gente deixar pra conversar sobre isso durante a carona até a estação de metrô? — Annie a interrompe. — Assim podemos conversar melhor sobre a sua bolsa de estudos para Berkeley.
Enquanto isso...
Leon havia despertado com a luz do sol batendo em seu rosto. A luz é tão forte que ele precisa proteger um pouco os olhos com uma das mãos. Kennedy se senta e tenta reconhecer o lugar em que está. Para o seu choque, o policial se encontra sentado no meio da rua e bem em frente ao portão de entrada da Universidade de Raccoon City. Ele se levanta com dificuldade e sente uma náusea forte que o força a fechar os olhos e respirar fundo tentando controlar aquela sensação de mal-estar.
— Você está bem? — E quando ele reabre os olhos acaba se deparando com Ada Wong parada a um metro na frente dele.
— Professora Wong. — Ele fica um pouco surpreso ao vê-la parecendo um pouco... diferente. Quer dizer, ela estava agora com os cabelos compridos, estava usando uma calça jeans preta e uma mini blusa que deixava exposto sua barriga e uma pequena tatuagem quase ao lado do umbigo. Uma tatuagem que achou bem familiar. E a mulher, talvez, parecesse até mais jovem, se é que isso era possível.
— Pelo que me lembro, não tem nenhum professor com esse sobrenome aqui. — A jovem faz uma cara de confusa. — E a única pessoa nessa universidade que tem esse sobrenome, sou eu.
— É. Você é Ada Wong. — Ele afirma fazendo a jovem ri achando que, talvez, o cara tivesse brincando.
— Sim, sou Ada Wong. Mas, como é que você me conhece? — Ela cruza os braços e lhe dá um olhar irônico.
— A gente se conhece já faz semanas. E... — Ele para achando aquele papo todo estranho. — Por que tá agindo como se não me conhecesse? Aliás, foi você que ligou pedindo ajuda.
— Eu não te conheço e nunca te liguei pedindo ajuda! — A versão universitária de Ada dá uma passo para trás quando ele começa a se aproximar muito dela. E, de repente ela estava ficando com medo.
— Você pediu sim. Você disse que havia alguém atrás de você. Que estava... Estava tentando te matar.
— Ou você é um completo maluco... Ou isso é algum tipo de trote? — Os dois se encaram, demoradamente, com expressões que se misturavam entre frustração e perplexidade. Até que, eventualmente, outra coisa conseguiu chamar a atenção de Leon. Era uma faixa grande que estava exposta bem na entrada da Universidade:
"UNIVERSIDADE DE RACCOON CITY. Festival de verão de 2007."
— 2007? Tem alguma coisa errada aí? — Leon indaga se sentindo atônito.
— Cara, eu realmente não te liguei. E não sei quem é você. — Ada reafirma cada vez mais apreensiva em estar na presença daquele estranho. — Agora, é melhor você ir embora, antes que...
— Como assim você não me conhece? — Ele segura, abruptamente, um de seus braços a impedindo de fugir. — Eu sou o policial Kennedy e a gente já se esbarrou várias vezes. Aliás, eu...
— Eu já disse que... eu... eu nunca te vi antes... — Sua voz está trêmula. É quando Leon percebe que a garota está assustada. A jovem arregala seus olhos pequenos e, de repente fica paralisada quando flashes estranhos sobre aquele cara começam aparecer em sua mente, só para confundir os seus pensamentos.
— Ei, solta ela! — De repente, Leon se afasta de Ada para dar de cara com uma pessoa que ele nunca imaginava encontrar ali de novo.
— Mãe! — Annie está parada a poucos metros dele com os olhos arregalados e em choque. — Mãe... — Ele tenta dar um passo na direção dela, mas de repente se sente tonto e fraco e, no segundo seguinte, seu corpo cai no chão inconsciente.
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