Efeito Borboleta

20 Perdendo o Controle



"Eu não sou louco, minha realidade é apenas diferente da sua."

(Alice no País das Maravilhas)

***


R.P.D

Delegacia de Polícia de Raccoon City

2021

Uma hora depois, os três acabam indo parar na RPD, com Leon e Ada sendo colocados sentados lado a lado na sala dos STARS sob a supervisão da agente Valentine, enquanto Wesker foi levado para ser interrogado por Barry Burton.

— Você tá agindo como um louco descontrolado! — Ada murmura dando-lhe um olhar atravessado.

— Eu não sou um louco! — Leon esbraveja irritado por ela não acreditar nele. — E para de tentar proteger aquele homem!

— Aquele homem é... um amigo. Para de tentar transformar ele num bandido!

— Não sou eu que estou o transformando num bandido. São as evidências.

— Que evidências? — Os dois se fuzilam com os olhos.

— Vamos parar com essa discussão! — Jill decide se manifestar e interrompê-los. Ela tinha nas mãos um papel que entrega para Leon. — Você tem razão, esse retrato falado é bastante parecido com... Albert Wesker. — Enquanto ela vai falando, Leon decide mostrar o papel com o retrato de um homem para Ada.

— Esse é o retrato falado do suposto assassino da minha mãe.

— O quê? Mas, isso não faz sentido. Você prendeu esse homem com base em um retrato feito há 14 anos? — Ada olha para o papel ainda descrente daquilo. — Você já esbarrou com ele antes... Por que só agora isso veio à tona?

— Desde que o conheci sempre o achei familiar. Havia alguma coisa que me fazia desconfiar dele. E agora... Agora eu descobri o porquê. — Ele lhe responde com um olhar determinado.

— O estranho é que... se você estiver certo e for ele mesmo... — Valentine continua trocando um olhar tenso com o policial Kennedy. — Ele parece que não envelheceu nada. No registro de identidade e os dados dele diz que ele nasceu em 1990. Ou seja, ele tem 31 anos.

— Ou seja, não é ele. — Ada realmente não acreditava naquelas acusações. — Se fosse Wesker no minimo tinha que aparentar ser mais velho.

"Ou pode haver outra explicação." Leon reflete sobre isso sabendo que a explicação era muito complexa para os outros entenderem. A única que seria capaz de entender, talvez, fosse a Professora. Entretanto, mesmo ela que; agora estava lhe dando olhares irritados; certamente, não iria acreditar nele.

Nesse instante, Redfield e Burton aparecem trazendo Wesker algemado. O homem estava abatido e se sentindo indignado por toda aquela situação.

— Até que consiga comprovar o seu álibi, decidimos deixá-lo passar essa noite na cadeia. — Burton responde sem paciência.

— E sob qual acusação? — Ada diz tentando interceder pelo cientista que lhe dá um olhar cansado. — Vocês podem estar cometendo uma injustiça.

— Ele ficará detido, porque há provas de que ele atacou um policial e ainda estamos averiguando a acusação de sequestro, que é um crime muito grave.

— Nada disso é verdade... E eu vou provar isto. — Wesker murmura para Ada com os olhos azuis suplicantes.

— Olha, eu sinto muito. — Ela lhe dá um olhar gentil. — Com certeza isso é só um mal entendido. Eu tentarei te ajudar, senhor Wesker. — Ada tenta se aproximar dele, mas é impedida por Leon que segura o seu braço. — Me solta! — Ela puxa o seu braço com raiva e consegue se desvencilhar dele.

— A senhorita é melhor não se envolver nisso, ou algo ainda vai acabar respingando em você. — Sentenciou um Burton rabugento enquanto fazia um gesto para que Redfield levasse Wesker para longe da mulher e o trancafiasse numa das celas.

— Os exames comprovaram que as lesões corporais em Leon, foram causadas por Wesker. — Valentine voltou a se pronunciar. — Isso é tudo que o manterá por enquanto preso aqui. — A sua afirmação deixou Ada, totalmente perplexa.

— E enquanto ao assassinato da minha mãe? — Leon questiona amargurado.

— Ainda vamos ter que averiguar. Se ele realmente estiver envolvido na morte dela... o caso pode ter uma grande reviravolta. Mas, é melhor você não ficar muito otimista. — Jill tenta ser realista, pois a situação pode ser bem mais complicada para ser resolvida.

— Eu vou falar com ele. Posso fazê-lo confessar. — Leon já estava se preparando para seguir atrás do prisioneiro.

Quando o detetive colocava uma coisa na cabeça era difícil fazê-lo parar. Ele poderia se tornar muito obcecado e isso era muito perigoso.

— Ah, você vai tortura-lo? — Ada o provoca conseguindo roubar-lhe a atenção. — Com certeza qualquer um sob tortura, confessaria qualquer coisa que vocês quisessem. — Os dois se fitam com olhares furiosos.

— Já chega vocês dois! — Burton esbraveja. — Daqui a pouco eu enfio vocês dois numa cela também e jogo a chave fora. — Ele diz encarando mal humorado ambos que são forçados a se calarem. — Valentine, você está se preparando para ir embora?

— Sim, senhor. Mas, se precisar que eu fique...

— Eu só preciso que alguém leve esses dois para casa.


***/ /***

A viagem no carro de Jill foi silenciosa, Leon se sentou no banco da frente enquanto Ada se sentou no banco detrás e nenhum dos dois ousou trocar palavras e nem olhares. Valentine também dirigiu em silêncio, somente observando aqueles dois e, sobretudo, contemplando o jeito como o cara ao seu lado estava se comportando, ultimamente. Aqueles azuis dele tinham um brilho diferente, especialmente, quando parecia se tratar da mulher de descendência oriental.

Assim que estacionam na frente do Jack's Bar, Ada salta do carro batendo a porta e indo embora sem se despedir de ninguém. Ela achou que estaria livre deles e, sobretudo, daquele Maldito Policial. No entanto, Leon logo surgiu atrás dela segurando um de seus braços, assim, impedindo-a de subir as escadas e seguir para o seu apartamento.

— O quê você quer? — Ela se vira para confrontar aqueles olhos azuis e, imediatamente, tem um flashback assustador sobre os dois:

"Você disse que havia alguém atrás de você... Que estava tentando te matar."

"Cara, eu realmente não te liguei. Eu nem sei quem é você." Ada já estava prestes a entrar em pânico.

"Como assim você não me conhece?" Ele segura um de seus braços a impedindo de fugir. "Eu sou o policial Kennedy e a gente já se esbarrou várias vezes. Aliás, eu..."

"Eu já disse que nunca te vi antes!" Sua voz está trêmula enquanto em sua mente, flashes do passado e do futuro vão se misturando.

"Ei, solta ela!" É nesse momento que ela ouve a voz da Professora Kennedy vindo em seu socorro.

"Mãe!" Todavia, a coisa mais chocante e absurda sobre aquele momento, foi ouvir aquele cara com seus olhos azuis suplicantes e tristes, chamando Annie Kennedy de... "Mãe!"

Assim que aqueles flashbacks terminam e o cenário muda outra vez, Ada se vê forçada a ter que encarar o seu novo Presente.

— Ah, meu Deus! Nós já... nos conhecemos antes? — Ada está assustada, então, decide fugir para longe dele correndo para se trancar em seu apartamento e deixando-o confuso e preocupado.

— Vamos embora, Leon! — Jill praticamente tem que gritar para fazer Leon retornar para o carro. — O que está acontecendo entre vocês?

— Eu não sei. — Ele diz se sentando ao seu lado.

— Eu nunca te vi tão envolvido por alguém como por Ada Wong. Nem mesmo pela Claire que você conhece há tanto tempo e que sei que foi com quem você perdeu a sua virgindade.

— O quê você está insinuando?

— Que a Claire era a única garota que sempre esteve na sua vida. E, talvez, só ficou tanto tempo ao seu lado, porque vocês decidiram ser apenas amigos.

— Sim, somos bons amigos. E não vejo problema nisso.

— Eu sei. É bom ter um bom amigo que, principalmente, vai te aturar nos bons e maus momentos. E que vai aguentar o seu imenso mal humor. Mas...

— Mas o quê?

— Ada Wong não é como a Claire. Ela com certeza não vai te aturar por muito tempo agindo assim. Na verdade agindo assim só vai afastá-la.

— Quem disse que eu quero ser amigo dela?

— Hmmm... Então, o caso é ainda mais complicado. — Jill se atreveu a tirar os olhos da estrada para cutucar Leon ao seu lado. — Você está gostando dela?

— Não confunda as coisas! — Ele reclama emburrado.

— Você está sim se sentindo atraído por ela. Esses seus olhos azuis não me enganam. Eu nunca vi nenhuma mulher lhe deixar tão louco como ela. E você tá agindo diferente desde que a conheceu.

— Você está confundindo as coisas. — Ele retorna a se repetir. — Ela é uma mulher arrogante e irritante. A única coisa que me interessa nela é a ligação que ela teve com a minha mãe. É só por causa da minha mãe que fui atrás da professora Wong.

— É uma pena, porque é bom ter uma pessoa especial na sua vida. Alguém que faça o seu coração bater mais acelerado só por estar na presença dela.

— Era assim que você se sentia quando estava com Chris? — Leon perguntou sem ousar olhar para ela.

— Sim, Leon. — Jill lhe respondeu com um tom mais amuado. — Apesar das coisas não terem dado certo entre a gente... Eu sei que houve amor e que fomos felizes. E esse amor criou uma semente... A Jenna. — Ela tentou focar a sua atenção apenas na direção do carro.

— Se o amor acaba... Por que eu iria querer me apaixonar? — Ele resolveu questionar uma última vez, assim, que o carro para bem em frente do prédio onde morava.

— Nada é para sempre, Leon. Nem mesmo nós vivemos para sempre. — Jill também contemplou aquelas palavras, antes de olhar para o cara ao seu lado. — Isso não quer dizer que você deve ter medo do amor. — Ela lhe deu um sorriso gentil. — Até mesmo o coração mais frio e duro como o seu... pode ser amolecido com um pouco de amor.

Depois de todo aquele diálogo muito íntimo e sensível entre eles, a agente do FBI revolveu, praticamente, enxotar Leon para fora do seu carro.

— Agora cai fora! E vamos fingir que nunca tivemos essa conversa. — Ela põe uma expressão séria no rosto.

— Certo. Vou guardar como um segredo nosso. — Ele diz antes de sair do carro.

Assim que Jill vai embora, Leon toma uma decisão. Há um assunto que precisava ser resolvido.




R.P.D

Delegacia de Polícia de Raccoon City

E lá estava Leon de novo quebrando alguns protocolos e, principalmente, desobedecendo às ordens de seu capitão. Logicamente, que para conseguir burlar às leis, ele precisou persuadir alguém que pudesse facilitar a sua entrada lá.

— Se você for pego pelo capitão, ou pelo chefe Irons, lembre-se que você vai se ferrar sozinho. Eu não tenho nada a ver com isso. — Esse alguém só podia ser seu parceiro Chris Redfield que, mesmo à contragosto, resolveu ajudá-lo.

— Não se preocupe. Eu vou assumir toda a responsabilidade.

Wesker estava deitado no chão de uma das celas, com suas roupas toda amassada, o cabelo loiro bagunçado e seu rosto marcado por uma expressão abatida.

— O que você quer agora? — Assim que nota a presença do detetive, ele se senta e encara Leon por entre as grades de sua cela.

— Quero saber o que você estava fazendo na noite de 14 de junho de 2007.

— Sei lá.— Ele rebate nervoso. — Isso faz tanto tempo. — Depois solta um suspiro profundo. — O que eu sei é que nessa época eu era apenas um adolescente que ainda sonhava em conhecer os Estados Unidos. — Apesar da situação em que se encontrava, seus azuis permaneciam firmes diante dos azuis gélidos do policial.

— Não minta para mim! — Leon retruca, secamente.

— Ah, é sério isso?! — Agora Wesker se levantou e decidiu parar numa distância segura das grades da cela que era o único obstáculo que separava ambos os homens. — Você tá abusando da sua autoridade, detetive Kennedy. Tem um Assassino a solta lá fora. É atrás dele que você deveria ir. — Esbraveja indgnado.

"Você não sabe não é? Ainda não entende como isso funciona? Ele tá caçando a gente. E só vai parar quando todos nós estivermos mortos." Leon se lembrou da sua viagem no tempo para 2007 onde ele confrontou Wesker, minutos antes do assassinato da sua mãe.

— Você estava lá. Eu te vi parado no portão da minha antiga casa. Eu te persegui, nós até lutamos e no meio da luta você até me cortou com uma faca. — Nessa hora Leon conseguiu por entre as grades agarra-lo de supetão.

— Ei, me solta! — Ele tenta lutar contra o aperto feroz do policial raivoso. — Alguém me ajuda!

— Você sabe quem era o assassino da minha mãe? — Seu aperto continuava firme sobre o outro homem, não deixando brecha para Wesker conseguir escapar. — Fala logo! Quem é o assassino?

— Eu... realmente... não sei quem... quem matou a sua mãe. Essa é a única verdade... Mesmo que você... não... não acredite em mim. — Por um instante, os dois pares de azuis se confronto em silêncio.

— Kennedy, é hora de você ir embora, ou todos nós estaremos ferrados. — Chris reaparece fazendo Leon, enfim, finalizar aquele interrogatório. Wesker se sentiu um pouco aliviado quando os dois membros dos S.T.A.R.S vão embora. Porém, na situação em que ainda se encontrava, no fundo sabia que aquele alívio era apenas momentâneo.


***/ /***


Já era início da madrugada, quando Wesker conseguiu cochilar. Mas, assim que fechou os olhos e conseguiu pegar no sono, um barulho estrondoso o despertou.

— É apenas um trovão. — Lhe respondeu o outro detendo. — Você por acaso não tem medo de tempestade, não é doutor? — Havia zombaria em seu tom de voz. — Talvez, na escuridão da noite, haja um monstro vindo para te pegar! — O bandido soltou uma gargalhada medonha.

— Cala a boca! — Wesker claro não gostou das provocações. E de fato lá fora havia começado a cair uma chuva intensa com trovões, relâmpagos e, por fim, um raio. Um raio tão forte que parece ter caído em cima do prédio da RPD, causando um tremor.

Assim que o raio caiu, imediatamente, há uma queda de luz, fazendo todos os computadores, câmeras e os sistemas de segurança serem desligados, abruptamente. O lugar estava um breu, porém ainda podia-se ouvir as vozes dos guardas por ali se conversando entre si, ou o som estático do rádio deles.

Mesmo no escuro, Wesker decide se levantar se apoiando na parede. De repente um silêncio perturbador causa um calafrio que lhe percorre todo o seu corpo e faz seu coração acelerar. Ele começou a pressentir que algo ruim ia acontecer.

— Ei, tem alguém aí? Me tira daqui! — Ele começou a gritar e a entrar em pânico.

De repente as luzes começam a piscar. Por um instante, Wesker tenta se acalmar achando que a energia já estava sendo restaurada. Entretanto, as luzes voltam a piscar várias vezes, é nesse instante que consegue perceber que do lado de fora da cela há alguém parado há poucos metros dele. A única coisa que conseguia ver, realmente, era um par de botas pretas.

— Você me prometeu que iria pegá-la. Mas, você falhou. — Ele podia ouvir uma voz grossa e estranha por trás da escuridão.

— Mas do que... do que você está falando? — Sua voz saiu trêmula enquanto tentava recuar o mais longe possível da pessoa misteriosa que estava falando com ele.

— Agora que você falhou, não vejo motivo para mantê-lo ainda vivo. Chegou a sua hora, doutor Wesker!

Não houve tempo para súplicas, pois um tiro certeiro atinge Wesker e, no segundo seguinte, seu corpo cai sem vida no chão. Os poucos detentos ali começaram a gritar desesperados. Logo, o caos se instalou na RPD.





Notas finais
Nossa, nesse capítulo o Leon estava com sangue nos olhos. E coitado do Wesker foi de arrasta pra cima. E agora o assassino voltou. Quem será a sua próxima vítima?