Efeito Borboleta

21 Atração Perigosa





"Em certos momentos, os homens são donos dos seus próprios destinos."

(William Shakespeare)

***


R.P.D

Delegacia de Polícia de Raccoon City

2021


A RPD continuava um verdadeiro caos após o assassinato de Albert Wesker. A única certeza que tinham era que havia um Assassino a solta e que não temia nem mesmo a polícia ao conseguir invadir a Delegacia. E, pior... ainda conseguiu matar o cientista bem debaixo do nariz dos S.T.A.R.S.

— Isso quer dizer que o Assassino parece não ter medo de nada. E mais uma vez conseguiu fugir sem deixar rastros. — Leon se sentia tão frustrado e impotente diante daquela situação.

— Infelizmente, nenhum dos guardas conseguiu vê-lo. O Blackout os atrapalhou. — Continuou a explicar Marvin.

— E enquanto o detento que estava com Wesker?

— Ele apenas ficou repetindo que o Assassino era como uma sombra no escuro e estava vestido todo de preto como se fosse a própria morte. — Marvin tinha conseguido pegar esse único depoimento.

— Isso é uma grande porcaria. — Continuou a reclamar Irons, infeliz com aquela situação e preocupado com a reputação da RPD. — Temos que pegar esse cara antes que ele consiga fazer mais vítimas. — O homem mais velho parou olhando para a sua equipe que estava ali naquele momento. — Quero todo mundo trabalhando pra pegar esse cara... A nossa principal prioridade é pegar esse maldito Assassino!

Irons troca um olhar silencioso com o Burton, antes de se retirar da cena do crime, deixando o resto dos STARS para cuidar da situação.



"TRÊS JÁ FORAM, MAS AINDA FALTAM MAIS TRÊS." O Assassino ainda deixou essa mensagem sinistra na parede da cela em que Wesker foi morto.

— Por que o Assassino deixou essa mensagem? E esse símbolo que ele deixou em baixo da escrita, o que será que significa? — Indagou Valentine.

— Acho que já vi esse símbolo em algum lugar, só não lembro onde. — Marvin parou ao seu lado também observando as marcas na parede.

— É o símbolo do infinito. — Leon também já havia visto aquele símbolo antes e um sentimento ruim e angustiante se apossou dele.



***/ /***



Não demorou muito para que toda essa história se espalhasse pela cidade inteira e chegasse aos ouvidos da Professora Wong. E assim que ficou sabendo da morte horrenda de Albert Wesker, Ada não pensou duas vezes em se dirigir até RPD. Ela estava furiosa e, ao mesmo tempo, tão chocada com aquela notícia.

Ao chegar na RPD acabou se cruzando com Claire Redfield, que estava ali apenas para coletar mais informações sobre o novo caso de assassinato para publicar numa matéria do Raccoon Press. As duas, óbvio, já trocaram olhares hostis e algumas farpas.

— Cadê aquele maldito detetive... O seu namoradinho?

— O quê? Ah, você tá falando do Leon?

— Cadê ele?

— Ah, espera! Eu acho que não o guardei na minha bolsa.

— Vocês duas podem parar com isso! — Chris teve que intervir se colocando na frente de Ada, antes que a mulher raivosa resolvesse pular no pescoço de sua irmã. — Ei madame, aonde você pensa que vai? — Só que ao invés disso, Ada decidiu mudar o seu foco e saiu, desenfreadamente, em direção ao policial Kennedy que havia acabado de surgir por ali.

— Professora Wong, o que você... — Antes que ele se quer conseguisse concluir a sua frase, Ada lhe dá um soco na cara o deixando meio tonto e chocado. Realmente, todo mundo que estava ali foi pego de surpresa pelo ato.

— Leon, você está bem? — Claire imediatamente correu para o lado de Leon para averiguar o seu estado. Entretanto, ele não lhe respondeu, apenas ficou lá meio aturdido, sentindo seu rosto ficar quente e vermelho enquanto ainda fitava perplexo a outra mulher.

— Puta merda! — Ada continuou proferindo alguns palavrões e fazendo uma expressão de dor. Como o soco não foi tão bem sucedido, quem acabou de fato mais se ferindo foi ela, pois a sua mão estava doendo horrores.

— Madame, a senhora sabe que pode ser presa por atacar um policial? — Criticou Chris.

— Vá em frente, me prenda! Me joga na mesma cela fria onde vocês deixaram Wesker morrer. — Ela esbraveja esticando as mãos para frente como se esperasse que o Redfield lhe algemasse. Naquele momento, Ada parecia não temer nada.

— Cala a boca! Para de falar tanta asneira e desacata-los. — Claire interviu novamente. — Ela deveria ser presa. Assim ela aprende a ter um mínimo de respeito.

— Claire tem razão. — Diz Leon, surpreendentemente, decidindo algemar a mulher. Aquelas pequenas íris de cor castanho mel piscaram estarrecidas, enquanto seus pulsos sentiam o peso e a frieza das algemas. — Eu vou assumir daqui, agora! — Leon continuou tentando arrasta-la para outro lugar com menos tumulto, longe dos olhares curiosos, ou críticos de seus colegas e da própria Claire.

— Aonde você está me levando? — Ada estava tentando se manter no controle de si, mas no fundo estava prestes a surtar ali mesmo, enquanto era forçada a seguir para o corredor sozinha com aquele policial maluco. E ele acabou a levando para uma das salas que era usada para interrogatório, depois os trancou ali para que ambos pudessem ter alguns minutos para conversarem somente os dois.

Ada foi parar no outro canto da sala, colocando uma grande distância entre eles e deixando um silêncio pesado se fazer presente. Por dentro ela estava proferindo vários palavrões e grunhindo como um animal furioso, enquanto aquelas algemas pareciam pesar sobre os seus pulsos, fazendo-a se sentir até um pouco humilhada perante àquela situação.

— Eu sei que você está com muita raiva...

— Não é raiva! É ódio! Ódio, especialmente, por você. — Seu olhos castanhos o confrontam com uma intensidade que começa a deixá-lo um pouco inseguro perto dela. Todavia, não era hora e nem lugar para deixar explícito suas inseguranças.

— Você tem todo o direito de me odiar nesse momento. Mas, também tem a obrigação de tentar ouvir o meu lado.

— E qual é o seu lado? — Por um instante, ele não consegue respondê-la e só fica lá parado na frente dela, com o pensamento a mil. — Não há nada que você possa realmente dizer pra amenizar as coisas... Ele está morto graças a você e ao seu pessoal.

— Não fui eu, ou o meu pessoal que apertou o gatilho, porra! — Ele se sente tão frustrado e irritado com ela e, talvez, também estivesse irritado consigo mesmo.

— Mas, vocês eram os responsáveis por protegê-lo. Afinal, depois da morte do Birkin, ele virou uma testemunha... Então, como que de uma hora para outra, Wesker se tornou um Suspeito?

Não conseguindo obter nenhuma resposta, Ada desvia os olhos para as suas mãos e começa a tentar massagear uma delas, porém as algemas a incomodam e a faz se sentir também humilhada. Como consequência, seus olhos começaram a arder com uma vontade de chorar de tanta raiva. Seus castanhos voltam a se confrontar com os azuis de Leon quando este decide fazer mais uma tentativa de aproximação, dando mais alguns passos perto dela.

— O que você vai fazer comigo? — Há nervosismo em sua voz quando se vê ficando encurralada entre a parede e o corpo grande dele.

— No momento, eu só quero tirar essas algemas de você. — Ele diz num tom mais brando, nunca desviando seus olhos dos olhos dela enquanto retira a chave do bolso e, em seguida, abre as algemas.

— Isso é desconfortável e pesado também. — Ela resmunga massageando uma das mãos com uma expressão aborrecida.

— Eu... sinto muito! — Leon tentou se desculpar. — Mas se te serve de consolo, a RPD acabará sofrendo algum tipo de processo. E eu vou assumir toda a responsabilidade pela morte do... Wesker. — Ele decide se afastar e lhe dar as costas.

Por um momento, Ada acreditou que estava livre dele e que poderia ir embora. Entretanto, as próximas palavras dele acabam a paralisando.

— Você quer saber como Wesker se tornou um suspeito? — Ele fecha as mãos em punhos enquanto a sua mente vai se enchendo de flashbacks. Isso parece lhe encher de coragem para desabafar sobre tudo que estava lhe atormentando tanto nas últimas semanas. — Quando eu fiquei desaparecido aqui por uma semana inteira... na verdade é porque... Inexplicavelmente, fui teletransportado de volta para 14 de junho de 2007.

— O quê? Eu não estou conseguindo entender nada... — Ela tenta dizer, mas é interrompida quando, abruptamente, Leon retorna a encurrala-la contra a parede.

— Eu viajei no tempo, senhora Wong. — Ele murmura segurando firme os ombros dela e a forçando a encara-lo, sem espaço para se afastar, ou fugir dele. — Eu viajei de volta para o passado... bem no dia da morte da minha mãe. — A lembrança o machuca e o deixa ainda mais angustiado. — E ao retornar para aquele fatídico dia... eu descobri algumas coisas estranhas, como por exemplo... eu vi Wesker parado na frente da minha casa, minutos antes do assassinato da minha mãe.

— Isso... isso é loucura! — Ada estava com medo, confusa e começando acreditar que aquele homem estava ficando louco. — Eu quero ir embora, agora!

— Eu posso provar isso! — Ele disse sem pestanejar, decidido a não deixar nenhuma brecha para dúvidas. Seus azuis impetuosos continuavam a fitando, ao mesmo tempo, que suas mãos grandes iam deslizando suavemente pelos braços dela até chegar na cintura feminina... — Senhora, Wong, eu conheci a sua versão mais jovem.


Nesse instante, a mente dela, novamente, tem flashbacks dos dois na frente da Universidade brigando, porque Leon tentava convencer a Ada de 2007 que eles já se conheciam. A Ada de 2021 só agora entendeu que aqueles flashes eram memórias que ela havia esquecido. Ainda assim, constatar isso era, assustadoramente, surreal.

"Se aquelas memórias forem reais, isso significava que em 2007 ela havia conhecido o detetive Kennedy vindo direto do futuro?" Ada tentou ser racional e acreditar que aquilo era impossível. No entanto, Leon estava determinado a provar que tudo era bem real.

— E por causa da sua versão mais jovem, eu sei que você tem uma tatuagem bem aqui... — Uma das mãos masculinas conseguem tocar a sua barriga por debaixo da blusa xadrez vermelha que ela usava, lhe causando um arrepio. Ele tocou a sua pele conseguindo deixar exposta a sua tatuagem.

O passado e o presente começam a se confundir e Ada já não sabia se estava atordoada por constatar que aqueles flashbacks que teve com Leon eram de fato reais, ou se estava ficando tão inquieta por sentir aquele homem ultrapassando todos os limites. Porém, ela não era a única presa naquele dilema...

De repente, Leon decide parar de lutar contra um desejo que estava lhe correndo por dentro e criando raízes profundas em seu coração. Ele decide, enfim, chocar a sua boca sobre a boca dela num beijo inesperado e, ao mesmo tempo, desesperado e faminto. Um beijo para calar todos os seus medos, incertezas e, sobretudo, um beijo para calar os seus próprios demônios.


Para Ada o beijo aconteceu num momento tão estranho e confuso, mesmo assim, o último resquício de razão já havia ido para o espaço, quando aquele policial deslizou uma de suas mãos atrevidas por dentro de sua camisa xadrez fazendo toda a sua pele se arrepiar enquanto aprofundavam o beijo. Um beijo exigente e faminto, que lhe roubava o fôlego e faz seu coração bater, desenfreadamente. E, acima de tudo, a faz se sentir presa nos braços dele sem saber como se libertar daquele sentimento avassalador.


Aquele beijo estava predestinado a acontecer, pois os seus destinos já haviam sido entrelaçados há muito tempo. E agora era tarde demais para voltar atrás, ou impedir o que aconteceria depois.

Eventualmente, aquele momento precisava ser interrompido, sobretudo, porque aquela não era a melhor hora e nem o melhor lugar para haver uma troca tão íntima e acalorada entre um casal. Então, o beijo é rompido com ambos buscando um pouco de ar.

Ele toca a sua testa na dela e decide permanecer com os olhos fechados com medo de quebrar aquele momento que, agora descreveria como mágico. Seu coração está batendo acelerado enquanto a sua mente parece mais leve, só conseguindo pensar nela e no beijo que trocaram. Então, quando decide abrir os olhos, Leon se depara com aquelas pequenas íris de cor âmbar brilhando com um tipo de brilho diferente. O rosto dela está corado e aqueles lábios estão ainda inchados pelo beijo.

— Não. — Ada estava tentando ser firme, colocando suas mãos sobre o peito dele numa tentativa de impedi-lo de se aproximar de novo. — É melhor... ir com calma. — Mas, sabia que com aqueles azuis tão perto dela, essa tarefa se tornaria difícil. Nervosa, ela passa a língua sobre os lábios e é óbvio que o ato só aguça a vontade de Leon beija-la outra vez.

— Leon! — O beijo só não acontece porque alguém resolve bater na porta e interromper os seus planos. — O chefe está atrás de você. Então, é melhor você abrir logo essa porta e deixar ela ir, antes que... — Chris não precisa terminar, pois logo a porta é aberta, revelando um Leon com uma postura muito diferente do policial tenso e furioso de horas atrás.

— Acho que agora estou pronto para enfrentar o chefe Irons. — Ele diz antes de trocar um último olhar com Ada. No fundo, ele não queria deixá-la para trás, porém não tinha escolha.

— Eu te recomendo a esperar um pouco aqui, antes de sair e ir embora. — Redfield diz, assim que Leon se retira da sala, deixando-o sozinho com Ada. — Aliás, antes de sair, é melhor você arrumar os botões da sua camisa, se não quiser levantar suspeitas do que aconteceu aqui entre vocês dois. — Ele lhe dá um sorriso malicioso. Ela havia tentado fechar a camisa às pressas e nem notou que havia abotoado errado. Isso a deixa ainda mais constrangida.




Notas finais
O Leon no final se mostrou muito safadinho, hein. Se aproveitou pra agarrar Ada e beijou com vontade 😉😘 E ai ficou bom essa cena de beijo?