Efeito Borboleta
40 Minha Culpa
Notas iniciais
"Tenha acalma. Não tem nenhum problema que não tenha solução. E, se não tiver solução, o tempo traz, torna ele desimportante. Porque tudo vai passar mesmo."
(Dra Ana Beatriz Barbosa)
***
Residência Kennedy
Leon se sentia tão furioso com tudo que estava acontecendo consigo. Se pudesse queria estraçalhar alguma coisa. Se pudesse queria estraçalhar a cara daquele maldito assassino que, mais uma vez, estava tentando tirar alguém importante de sua vida. Ele já havia perdido a mãe e agora estava prestes a perder Ada.
"A partir de agora, ou você se afasta de vez de Ada Wong, ou estará fora da equipe dos STARS." Pela primeira vez na vida, Kennedy sentiu raiva de seu capitão, o homem que era como um pai para ele. Não era justo que se sentisse tão pressionado a fazer essa escolha. Uma escolha difícil. Leon sabia que não poderia desistir da equipe, pois essa era a chance que tinha de pegar o cara e já tinha percorrido um longo caminho para sair do caso agora. Ao mesmo tempo não queria deixar Ada ir embora, agora que já havia se acostuma em tê-la por perto. Agora que já havia a tocado, a beijado e experimentado, pela primeira vez, essa sensação estranha e louca de se apaixonar.
- Tóc, tóc, posso entrar? — Ele abre a porta para encontrá-la segurando uma bandeja com duas tigelas de sopa acompanhadas de dois pães. — Peguei uma receita simples com minha mãe enquanto falava com ela no telefone.
- Dessa vez, você não quis pedir para a Sheva comprar o nosso jantar? — Ele brinca lhe ajudando a colocar a bandeja sobre a sua cama. — Você não precisava se preocupar. Eu ainda posso...
- Te incomoda jantarmos aqui? Me desculpa, se estou invadindo o seu espaço. — Ela de repente fica envergonhada e pensa em sair.
- Não. É, claro não. Você sempre é bem-vinda. — Ele se coloca em sua frente e a impede de sair. — Você sempre será bem-vinda nessa casa. — Seus azuis são sinceros. Ele entrelaça sua mão na dela e a guia para se sentar em sua cama. A bandeja é deixada entre eles. Por alguns minutos, eles se concentram em apenas degustar a sopa, deixando um silêncio tenso e estranho dominar o quarto até terminar o breve jantar.
- Humm, obrigado pelo jantar. Parece que sua mãe te ensinou muito bem. — Ele murmura se sentindo satisfeito. — Estava muito bom mesmo.
- Você não está dizendo isso só pra ser gentil? — Ela o provoca o fazendo rir. Em poucos minutos que estava ali, conseguiu fazê-lo sorrir.
- Você já deve me conhecer o suficiente para saber que não sou bom em mentir. — Eles trocam um olhar demorado que faz o coração dela palpitar.
- Então, foi comestível? — Ela decide brincar para romper o silêncio e aliviar o clima. — Eu queria te agradecer de alguma forma... por me proteger e até me abrigar aqui na sua antiga casa. — Essa informação o deixou surpreso. — Sei que deve ter sido muito difícil me trazer aqui... no lugar em que você estava tão acostumado a dividir apenas com a sua mãe. E que ainda deve lhe trazer lembranças traumáticas daquela noite.
- Como você sabe disso? — Seus azuis a encaram cheio curiosidade.
- Descobri isso... ao viajar no tempo.
- Você por acaso viajou para o passado?
- Não. Fui para o futuro.
- Para o futuro? Uau! — Ele estava numa mistura de chocado e entusiasmado. — O que você viu lá?
- Bem... — Ela hesitou nervosa. — Eu não gostei. Era meio depressivo e muito diferente daqui. — Parando para pensar, DEPRESSIVO era o sentimento que mais combinava com 2050.
- Eu estava lá? — Leon estava realmente curioso em saber como era a relação deles no futuro. — Me diz, você conseguiu cumprir a sua promessa? Você veio me ver? — Aqueles olhos azuis curiosos, pareciam também tão cheios de expectativas que a faz sentir seu coração pesar e a garganta arranhar.
- Eu... eu vim te ver, mas... você não estava. — Afirma num sussurro cheio de melancolia, depois fecha os olhos e, por um instante, tem um flashback do túmulo dele. Isso a faz reabrir os olhos assustada ao se deparar com aqueles azuis curiosos lhe olhando de volta. — Bem, o jantar foi bom. Mas, está na hora de deixar você descansar. — Ada se levanta e pega a bandeja, pronta para sair.
- Acho que você se esqueceu que eu sou um detetive. Eu sei que você está mentido. — Sua afirmação prepotente deixa Ada desconcertada, ainda mais quando ele lhe dá aquele olhar intenso.
- Eu tenho que ir. Boa noite! — Ainda assim, ela o ignora e arranja uma força sabe se lá de onde para fugir do quarto.
***/ /***
Uma hora depois, Ada já está em sua cama se debatendo para dormir. A luz permaneceu acessa, mesmo assim não seria o suficiente para fazê-la sentir-se segura e livre dos pesadelos. Contudo, o medo do escuro não era a única coisa que lhe perturbava a mente, havia outros pensamentos. Pensamentos como ter que, outra vez, abandonar tudo e ir embora de Raccoon City. Só que agora partir parecia ser ainda mais difícil e doloroso do que foi há 14 anos.
"Antes você não tinha um Leon Scott Kennedy na sua vida." Sua consciência tem a voz de Fong Ling.
Frustrada, com raiva e cansada de se debater de um lado para o outro, ela joga as cobertas para longe e se senta. Nesse momento, há uma batida na porta. Pensa em ignorar, porém as batidas persistem, até que ela resolve se levantar e ir atendê-lo.
- Não consigo dormir. E acho que você também não. — Kennedy praticamente invade o seu quarto, com aqueles olhos azuis impetuosos, os cabelos bagunçados, a barba por fazer e um corpo todo inquieto. — Não consigo parar de pensar que você vai embora em breve. Eu te perdi por duas semanas e foram os dias mais terríveis da minha vida, desde a morte da minha mãe. — Sua sinceridade a deixa tonta e com as pernas meio bambas. — Você mal voltou e já vai ter que ir embora de novo. E eu... eu não quero... — Ele está tão nervoso, com o coração ameaçando sair pela boca e as palavras lhe faltando, ainda assim seus pés decidem se mover e quebrar a distância entre seus corpos. — Eu não quero perder tempo brigando.
De repente suas mãos grandes estão segurando o rosto dela carinhosamente, enquanto seus olhos azuis a hipnotizam. Até que já não consegue mais se controlar e, logo, sua boca se choca contra a dela. Ele a beija com tanta urgência, demonstrando todo o seu desespero e paixão. Seus lábios deslizaram sobre os dela, possessivos e conseguindo lhe roubar o fôlego e toda a sua razão.
"Como conseguiria fugir dele agora?" Parecia que quanto mais tentava afastá-lo, mais o destino irônico dava um jeito de uni-los outra vez. No entanto, eles precisavam se afastar, ao menos para recuperar o fôlego.
Para ele foi tão doloroso tomar essa decisão, interromper aquele momento e enfrentar aquelas íris de cor âmbar desconcertadas. Tão desconcertadas quanto a sua mente e seu coração.
- Ada! — Ele está ainda tentando recuperar o fôlego, suas mãos permanecem segurando o rosto dela, impedindo-a de se afastar, ou desviar o olhar.
- Leon, você não... não deveria estar aqui. — Sua voz não passa de um sussurro.
- Discordo. Esse é o único lugar que eu quero estar. — Seu polegar acaricia uma de suas bochechas enquanto seu olhar continua firme, convicto no que quer. — Eu quero estar com você e aproveitar esses últimos momentos ao seu lado.
- Não, você só quer complicar ainda mais a minha vida. — Ela resmunga tentando parecer brava, mas no fundo, era apenas fachada. No fundo, Ada o queria tanto quanto ele a queria.
- Deixa eu ficar. Deixa eu cuidar de você. — Leon era irritantemente persistente. No final Ada sabia que estava perdendo aquela batalha, ainda mais quando aquela voz rouca dele lhe sussurra ao pé do ouvido e aqueles braços fortes a abraçam tão calorosamente.
Não demorou mais que um segundo para que suas bocas se encontrassem, novamente. Suas pequenas mãos sobem para os ombros largos, até se enroscar nos cabelos loiros dele enquanto o homem lhe devora seus lábios.
De repente, ela sente seus pés já não tocarem mais o chão quando ele a ergue, segurando suas nádegas enquanto a faz entrelaçar suas pernas na cintura dele. Sem dificuldade, Leon a leva para a cama e só se afasta para se livrar da camisa, depois da calça de moletom, decidindo manter apenas a sua Boxer que já começa a mostrar os sinais claros de sua excitação, tudo isso sob o olhar sinuoso de Ada que passa a língua pelos lábios só para provocá-lo.
- Você é lindo! — Ela se declara, apaixonadamente, apreciando todo aquele corpo masculino seminu, cheio de músculos e algumas pequenas cicatrizes. Mas, ela também hesita ao ver o curativo no braço direito, a fazendo lembrar que ele não está 100%. — Eu tenho medo de... machucar você. — Ada murmura quando Leon retorna a se deitar ao seu lado.
- Você só vai me machucar se... me rejeitar agora. — A voz do detetive estava rouca de desejo quando eles retornam a se beijar enquanto a blusa de pijama dela vai deslizando pelos ombros femininos e expondo a pele macia que se arrepia com o choque do ar frio. Os lábios dele logo vão deslizando sobre sua pele nua e fria e se agarram à curva de seu pescoço, sua barba pôr fazer estava lhe provocando cócegas, ao mesmo tempo em que as palmas das mãos dele vão tateando seus seios e lhe roubando um gemido profundo. Leon continua distribuindo beijos pelo abdômen feminino, passando pela umbigo e parando, por um instante, sobre a pequena tatuagem com o símbolo do infinito e o cós de sua calça que logo é arrancado dela com uma habilidade impressionante, assim como a sua calcinha que a cientista não achava nada sexy (embora aqueles olhos azuis impetuosos lhe dissessem o contrário).
Entretanto, quando estava prestes a se entregar por completo ao homem que tanto amava, imediatamente, sua mente é invadida por vários Déjà vu:
Ela se vê sozinha novamente num corredor escuro, correndo desesperada pela sua vida. O senhor do tempo continua impetuosamente a perseguindo, até que consegue alcançá-la. Ada cai no chão e já não tem força para se levantar. Cansada de fugir, fecha os olhos e espera o seu Algoz apertar o gatilho e acabar de vez com aquele pesadelo. Em seguida, ouve o barulho ensurdecer do tiro.
Por um instante não sente nada, nem dor, nem medo, ainda assim há um forte cheiro de sangue. Quando reabre os olhos é que se dá conta que há um corpo caído na sua frente.
"Ah meu Deus, não! Leon, por favor, abra os olhos! Leon, não me deixa! Leon, Leon, Leon..." Ela está sentada no chão, segurando o corpo morto e todo sujo de sangue do detetive em seus braços enquanto chora copiosamente.
- Nãooooo! — Ela solta um grito terrível assustando Leon.
- Ada o que aconteceu?! — Leon se senta na cama começa a sacudir, suavemente, os ombros dela na tentativa de fazê-la se acalmar. — Ei, eu te machuquei? -Entretanto, a mulher continua se debatendo e falando coisas desconexas.
- A culpa é minha. Eu nunca... Nunca deveria ter voltado. É minha culpa! É minha culpa!
Ada estava atormentada com o pensamento de que Leon vai morreu por culpa dela...
- Ada, olha pra mim! Por favor, se acalma! — Leon segura o rosto dela em suas mãos, enquanto tenta fazê-la parar e apenas ouvi-lo. É, então, que ela se dá conta que ele está ali vivo e inteiro, que aquilo não tinha sido real. Ainda assim, isso a deixa apavorada e faz quebrar todo aquele clima entre eles.
"Você precisa entender, que há certas coisas que estão predestinadas acontecer. Você vai tentar impedi-las, mas só irá criar um efeito borboleta, que sempre resultará no mesmo final trágico." Aquela voz tenebrosa ficava ecoando em seu ouvido e atormentando a sua mente, fazendo-a se lembrar o porquê precisava se afastar dele.
- Leon, eu... Me perdoa, mas.... eu não posso fazer isso... — Ada o empurra e, de repente, puxa o edredom sobre o seu corpo se sentindo assustada, envergonhada e, dolorosamente, angustiada. — Por favor, saia! Saia! — Leon fica desnorteado querendo acalmá-la, porém ao tentar tocá-la, novamente, ela se encolhe para longe de suas mãos e retorna a gritar com ele. — Vá embora daqui! Saia!
Fale com o autor