Efeito Borboleta
11 Coincidência
Notas iniciais

"As coincidências às vezes são soluções que a vida encontra pra mudar o rumo da história."
(Miguel Falabella)
***
Raccoon City
2021
Leon tinha vindo para o enterro com Burton representando a RPD, mas não ficou muito, porque não tinha a menor intimidade com ninguém ali. Então, resolveu aproveitar que estava no cemitério para visitar o túmulo da mãe e trazer flores novas.
- Engraçado mãe que o senhor Birkin morreu em um dia 14, como você. Uma coincidência bizarra.
Outra coincidência, era que esse ano se completou 14 anos da morte dela e, ainda assim, não havia um dia que não sentisse a falta dela em sua vida.
- Eu ainda estou buscando respostas pelo que aconteceu com você. Ainda não achei o culpado, mas vou continuar procurando. Mãe, gostaria tanto que você pudesse me dar um sinal. Uma pista qualquer que pudesse me ajudar.
"Uma mãe amável, uma mulher inteligente, destemida e que estará para sempre em nossos corações." Ele para e toca nas letras cravadas no túmulo dela, antes de se despedir.
E foi, exatamente, quando estava caminhando na direção da saída do cemitério que acabou ouvindo a discussão entre Annette e Ada Wong:
- Do que você tem medo? Já se passaram 14 anos e você ainda parece estar fugindo de alguma coisa.
- Do que você está falando?
- Você foi embora da cidade, logo depois do assassinato daquela mulher, a tal Annie Kennedy... Se isso chegasse aos ouvidos da polícia... você poderia ter sido considerada suspeita, não acha?
Aquilo ficou lhe atormentando o dia inteiro. Até que ele resolveu fazer uma investigação pessoal.
R.P.D
Delegacia de Polícia de Raccoon City
- Aqui diz que Ela se formou no colégio aos 15 anos. Logo depois, entrou para o Curso de Física da Universidade de Raccoon City. Durante esse período ela fazia estágio nos laboratórios da Umbrella Corp e fazia parte de um Projeto liderado pelo doutor Spencer.
- Aí diz que projeto é esse? — Kennedy estava na sala dos STARS com Sheva Alomar e Chris Redfield, bisbilhotando arquivos pessoais de Ada Wong.
-Não. Parece que era confidencial. O fato é que em 15 de junho de 2007, ela é transferida para a Universidade de Berkeley na Califórnia, onde terminou seu doutorado aos 23 anos. — Explicava Chris enquanto mostrava os arquivos que havia conseguido sobre a Professora de Física. — Ah, ela também escreveu uns três livros... E um deles é uma ficção científica que fez muito sucesso e até lhe rendeu alguns prêmios.
- Ah, eu já vi esse livro. Se chama Quando Dois Mundos Paralelos se Colidem. — Interrompeu Sheva. — Aliás, é por causa desse livro que ela começou a ficar famosa.
- Tá. E sobre a família dela? — Leon continuou pressionando enquanto vai folheando os papéis com a ficha que havia conseguido sobre Ada Wong.
Eventualmente, Leon descobriu que entre as décadas de 80 e início de 90, a família Wong tiveram um restaurante chinês que ficava onde hoje é o atual Jack's Bar. Porém, atualmente, os pais e a irmã caçula de Ada moravam no Canadá.
- Por que o nosso companheiro aqui, está investigando a Professora Wong? — Chris com seu jeito expansível, para ao lado de Leon, jogando um de seus braços musculosos sobre os ombros dele num ato de camaradagem, mas que sempre irritava o loiro. — Ou ela cometeu um crime, ou você tá interessado nela? Tu ficou apaixonadinho pelos olhos puxados dela?
E, antes que Redfield percebesse, seu corpo foi erguido de forma abrupta e jogado, violentamente, contra o chão. Como consequência, ele grunhi de dor ao sentir suas costas doerem com o impacto forte. Kennedy havia acabado de aplicar um movimento de contra-ataque que costumava usar no judô.
- E aí Redfield, ainda tá vivo depois desse golpe? — Debochou Sheva Alomar se levantando e parando ao lado do corpo de Chris. Obviamente, que o irmão da Claire não levaria desaforo para casa.
- Filho da puta! — Grita a beleza afro-americana, depois de levar uma rasteira de Chris. Ela cai ao lado do corpo grandalhão dele.
- E ai pantera negra, essa posição é confortável pra você? — Ele a provoca, rapidamente, prendendo o corpo dela sob o dele, dessa forma, ela acaba presa entre o chão e o corpo grande e pesado de Chris. Isso não se mantém por muito tempo, pois novamente, ela lhe golpeia entre as pernas conseguindo tirá-lo de cima dela. Consequentemente, ele cai se contorcendo ao seu lado e grunhindo vários palavrões.
- Ah, que lindo! Eu deixo vocês por alguns minutos e as crianças já estão se matando? — Ironiza Jill chegando bem na hora da confusão. Ela decide ignorar as picuinhas do grupo para se concentrar no que importava.
- Eu acabei de vir do hospital. Fui falar com Albert Wesker e o Taxista. — Eles estavam investigando o acidente que ocorreu há dois dias e que resultou na morte de William Birkin. — É possível que não tenha sido um acidente.
- Como assim?
- Pelo relato de ambos, o acidente só ocorreu, porque o taxista tentou desviar de alguém que surgiu de repente na frente do carro. O sujeito estava encapuzado, ninguém viu o rosto dele, mas se lembram de ver uma arma sendo apontada na direção deles.
- Isso significa que... o Birkin foi assassinado? — Questionou um Leon de cenho fechado, por um momento se sentindo perturbado. — Ele morreu no dia 14, exatamente, como minha mãe. — Kennedy acabou expondo aquela informação em voz alta e chamando a atenção de Jill.
- Isso pode ser só uma coincidência desagradável, Leon. — Murmura Jill se aproximando dele.
- Mas e se... não for só uma coincidência? E se tudo tiver se repetindo?
Apartamento de Ada Wong
Ada estava tendo um sono agitado. Seu corpo suava enquanto ela se remexia na cama e murmurava palavras desconexas. Era um pesadelo horrível, na qual se via fugindo de alguém que estava vestido todo de preto:
Os passos dele eram pesados e amedrontadores ecoando por aquele corredor escuro e tudo o que podia fazer era continuar correndo sem nem saber para onde ir. Até que ela cai e é obrigada a encarar o seu Perseguidor sem rosto, que para a um metro dela e de repente aponta uma arma em sua direção.
"Foi você que começou com tudo isso. É justo que toda essa história só possa terminar com a sua própria morte." Aquela voz sombria lhe causou um arrepio horripilante. Tudo o que Ada podia fazer naquele momento, era fechar os olhos e esperar... Seu perseguidor, então, aperta o gatilho e, em seguida, um barulho ensurdecedor do Tiro ecoa por todo o lugar.
- Nãooo! — Ada acorda gritando desesperada, sentindo seu coração ameaçar sair pela boca de tão amedrontada que ela está.
- Ei maninha, tá tudo bem. Foi só um pesadelo. — De repente Ada se depara com a sua irmã caçula sentando ao seu lado na cama.
- Fong Ling... O que você tá fazendo aqui? — Depois de se recompor, Ada decide confrontar a irmã que havia chegado na cidade sem avisá-la.
- Papai e mamãe me mandaram para cuidar de você. Você voltou pra esta cidade esquisita. Ouvi dizer que é mal assombrada. — Isso fez Ada rir descrente com aquela conversa fiada.
- Cuidado, porque você pode acabar se cruzando por aí com um fantasma. — Afirma Ada se levantando e indo para o banheiro.
- Ai nem brinca! — Isso fez Fong se arrepiar todo e fazer uma careta de pavor. — Talvez, seja por isso que você tá tendo pesadelos de novo.
- Foi só um pesadelo bobo. Não quero que fale nada para os nossos pais. — Ada disse saindo do banheiro e indo procurar alguma roupa decente para se trocar. Ela decidiu optar por um terninho básico, composto por um conjunto de camisa social branca, uma saia combinando com um blazer de cor azul marinho.
- Mas, eles já estão constantemente preocupados, desde que você voltou para este lugar. Eu ainda não entendo o porquê você trocou a Califórnia, por este fim de mundo.
- Isso não é da sua conta! — Assim que termina de se vestir, Ada pega um par de sapatos de cor vermelha e segue para a cozinha.
- Não seja ingrata! Eu vim só por sua causa. — Fong Ling faz beicinho e um olhar magoada.
- Tá. Se você vai ficar, já vou te avisando que terá que me ajudar com as despesas. E não quero bagunça. E sem trazer caras pra cá. Entendeu? — Fong apenas revirou os olhos para as ordens de sua irmã. — Minha casa, portanto minhas regras!
Corporação Umbrella
Ada ficou sabendo que Wesker já havia retornado para as suas atividades no Laboratório da Umbrella. Ele não pode comparecer no velório e nem no enterro de Birkin, porque ainda havia ficado em observação no hospital. Mas, agora que estava de volta, ela resolveu que seria bom lhe fazer uma visita rápida.
Entretanto, assim que chegou no Laboratório, deu logo de cara com Leon andando de um lado para o outro na sala de espera. Ela nunca imaginou encontra-lo ali. Até pensou em dar meia volta e sair, mas já era tarde demais.
- Olá, senhora Wong. — Ele arqueou uma das sobrancelhas e a encarou, descaradamente. — Que bom encontrá-la por aqui. — Por azar a sala estava vazia, não havia nem sinal da secretária.
- Olá, detetive Kennedy. — Ela se virou e teve que encara-lo sabendo que não teria como ignora-lo. — O que você veio fazer aqui?
- Talvez, eu vim porque estou investigando um possível crime. — Ele tinha um tom seco e direto e um olhar tão forte que a fez recuar desconfiada e com um pouco de medo. — Há certas coisas estranhas e suspeitas acontecendo nessa cidade no último mês que, talvez, a polícia venha a precisar de uma ajuda especial... Tipo uma ajuda de um cientista, quem sabe.
Ada se afastou dele e resolveu se sentar numa das cadeiras. Leon continuou em pé e em silêncio, por um momento apenas observando toda a expressão corporal dela. A mulher de ascendência coreana-chinesa, parecia estar se escondendo atrás de um rosto inexpressivo, que deveria tornar difícil decifra-la. Mesmo assim, o policial conseguiu perceber outros detalhes pequenos dela que demonstravam o seu nervosismo e ansiedade, como o modo como respirava, ou o modo como suas pequenas mãos apertavam a alça de sua bolsa, ou ainda o modo como mordia os seus lábios que estavam pintados de batom vermelho.
Olhar para os lábios dela não foi uma boa ideia, porque aquele pequeno ato pareceu afeta-lo e Leon sentiu suas bochechas ficarem quentes e seu coração dar uma leve agitada. Ele decide desviar seus azuis, novamente, mas acaba se deparando com os pequenos castanhos mel lhe olhando de volta. De repente, sentiu que sua boca ficou seca e que estava suando. Foi uma sensação estranha que nunca tinha sentido antes. E isso o perturbava.
Nesse momento, eles são interrompidos com a chegada de Ozwell Spencer.
- Senhora Wong, não esperava vê-la por aqui... — O Diretor da Umbrella Corp para olhando entre o policial e a professora. — Então, você já conhecia o filho da Annie Kennedy?
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