Efeito Borboleta

19 Ação e Reação



"Para toda ação existe uma reação."

(Isaac Newton)

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Universidade de Raccoon City


— Vocês já ouviram falar do Efeito Borboleta, não é?

— Sim. — A voz de seus alunos ecoaram em uníssono pela sala.

— O termo Efeito Borboleta, surgiu por causa do meteorologista chamado Edward Lorenz. Ele afirmava em suas pesquisas que uma pequena mudança que ocorre do outro lado da Terra, poderia mudar todo o sistema climático. — Hoje para a sua aula, Ada decidiu usar um projetor de hologramas que recriava uma simulação de várias borboletas coloridas voando ao seu lado. — É óbvio que o voo da Borboleta é apenas uma metáfora que pode se aplicar tanto a qualquer área da ciência, quanto no nosso dia-a-dia. Mas, por que o termo foi chamado de Efeito Borboleta? Alguém saberia me dizer?

— Por causa de um romance de ficção cientifica chamado o Som do Trovão. — Respondeu uma de suas alunas.

— Isso. O livro foi publicado em 1952... — Continuava Ada enquanto as imagens do holograma mudavam para um livro, cuja a capa tinha o desenho de uma borboleta. — Por causa de uma borboleta da Era Mesozoica, os resultados de uma eleição presidencial no futuro mudaram. — Conforme a professora vai narrando a história, no holograma as páginas do livro também vão mudando. — Então, um ditador como Hitler acabou sendo eleito. — Novamente, as imagens mudaram mostrando o Hitler ao lado de sua bandeira símbolo do nazismo. — Agora que vocês já conheceram essa história... — Ela para olhando para os seus alunos que estavam tão compenetrados, as projeções refletiam em seus rostos. — Vocês acham que se o passado mudar... o futuro realmente... mudará também? — Entretanto, logo, o sinal irrompe pela sala avisando que a aula acabou.

Quando as luzes da sala se acendem e Ada começa a se despedir dos seus alunos, inesperadamente, seus olhos vislumbram a presença de nada mais e nada menos do que o policial Kennedy que havia resolvido assistir a sua aula.

— O que você faz aqui? — Ela diz em tom azedo, voltando para a sua mesa onde estava todo o seu material que usou durante sua última aula.

— Eu pensei que, talvez, você tivesse sentido saudades. — Leon lhe responde com sarcasmo, enquanto eles saem pelo corredor.

— Vá sonhando! — Ela exclama com uma carranca se desenhando em seu rosto delicado. Leon lhe ajuda a levar os materiais até a biblioteca e é lá que ele acaba reconhecendo uma capa de um livro que está numa das prateleiras do lugar.

— Esse é o seu livro, não é? — Ele pega o tal livro que Ada, logo, reconheceu.

— Sim. Mas, não acho que você vá gostar dele. — Ela tenta puxar o livro das mãos de Leon, até chega a ficar saltitando na frente dele, mas não dá certo já que ele é mais alto e consegue se desviar sem esforço das investidas dela. É óbvio que essa quase luta estranha entre o par, de certa forma acaba diminuindo a distância entre eles e fazendo com que seus corpos acabem se roçando. De repente, Azuis e Castanhos se encontram presos um no outro, compartilhando do mesmo sentimento confuso e intenso que lhes rouba o fôlego e faz seus corações baterem acelerados. E mais uma vez, ambos se veem ultrapassando certos limites.

— O que você vai querer com esse livro? — Ada decide quebrar aquele momento confuso entre eles e se afastar. — Você nem deve gostar de ficção cientifica. — Ela para cruzando os braços na frente do peito e tentando lutar, internamente, para aquietar o seu coração.

— Na verdade eu... não gosto muito. Sou mais de dramas policiais.

— É, faz sentido. Combina com você.

— Na verdade eu já li um pouco de tudo. Dramas policiais são os que menos gosto. — Ele se viu desembuchando algo tão pessoal.

— Agora você conseguiu me surpreender, senhor Kennedy. — Ela dá um sorrisinho enquanto ele permanece a olhando sério. Às vezes, era tão difícil decifra-lo, ainda mais quando Leon mantinha essa expressão tão séria e nunca esboçava um único sorriso. — Afinal, o que você veio fazer na minha aula? — Ela decidiu ser direta e fria como ele. Além disso, Ada também queria se livrar logo dessa conversa, porque eles estavam sozinhos naquela biblioteca. E aquele lugar não era um bom lugar para conversarem.

— Bem, eu já li o seu livro e achei muito interessante. — O homem diz lhe devolvendo o livro e a deixando surpresa. — E foi um ótimo passatempo para mim que foi forçado a ficar recluso em casa. — Enquanto ele tagarelava, Ada pegou o livro e o colocou de volta no lugar. Depois ambos saírem da biblioteca e voltaram a caminhar lado a lado no corredor. — Achei muito interessante. Especialmente, a parte sobre a existência de universos paralelos e da viagem no tempo. — Isso faz Ada parar e se virar para encará-lo meio aturdida. — É por isso que preciso da sua ajuda.

— Eu acho que é uma péssima ideia você estar aqui. Seu capitão com certeza não vai gostar. — Ela solta um suspiro frustrado e se vira para seguir o seu caminho. — E você procurou a pessoa errada pra te ajudar. — Nessa hora Leon começa a segui-la com determinação.

— Podemos discutir sobre isso... enquanto tomamos um café.

— Eu não tenho tempo e... — Ela tentou recusar o convite, mas Leon foi persistente e conseguiu vencê-la pelo cansaço. — Meu Deus! Como você é um cara tão chato e persistente.

— E você se comporta ainda como se fosse uma garota mimada. Então, acho que estamos quites. — Ele dá de ombros assumindo a sua postura petulante.

Aqueles dois pareciam como gato e rato. Eventualmente, essa animosidade entre eles não poderia durar para sempre.


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Eles acabaram decidindo fazer uma parada numa cafeteria que ficava por perto da Universidade e decidiram pedir por dois copos de capuccino. Lá fora estava começando anoitecer e ficar frio. Ainda era início de outono, mas já dava para sentir as mudanças da estação.

— Ser cientista, sempre foi o seu sonho? — Ele começou a se sentir muito intrigado por tudo que era relacionado àquela mulher.

— Sim. Sempre quis desbravar esse mundo e desvendar os seus mistérios. E queria criar coisas e fazer uma grande descoberta que iria mudar o futuro. — Ada parecia tão animada e meio sonhadora falando aquilo. — Eu queria criar uma máquina do tempo. — De repente decidiu parar e mudar o foco para ele de novo. — Mas, e enquanto a você... Ser policial sempre foi o seu sonho?

— Não. — Leon respondeu olhando para o seu copo de café e pensando um pouco sobre aquilo. — Na verdade eu queria ser Arquiteto. — Ao contrário de Ada, as circunstâncias da vida o fizeram adiar seus planos.

— Então, nem sempre quis ser policial? Que mudança radical! — Ela se viu dizendo distraída, sem perceber aonde aquela conversa estava os levando.

— Eu só me tornei policial para pegar o assassino da minha mãe. — Ele ergue os olhos para fitar os pequenos castanhos de Ada que agora se sentia atordoada. — E tenho procurado por ele por 14 longos anos. — Sua voz estava cheia de escárnio. — Eu quase cheguei tão perto de pegá-lo.

— Espera, espera! — Ada o faz parar tentando entender aquela história. — Como assim perto de pegá-lo? Você já...

— Já fiquei cara a cara com ele. — Leon agora parecia meio louco, arregalando seus azuis e falando com raiva. — Eu tive a chance de tê-lo em minhas mãos, mas... Mas, eu falhei. — Então, o homem obcecado por vingança para assim que um outro alguém decide se aproximar deles.

— Olá, professora Wong! — Diz Wesker cumprimentando Ada. — Ah, olha só quem está com você hoje! — Ele ironiza, assim que dá de cara com o policial Kennedy ali também.

A sua escolha de entrar ali, naquele estabelecimento e se aproximar da mesa deles e ainda tentar conversar com Ada, logo, se transforma em uma grande confusão, quando num piscar de olhos, Wesker se vê sendo atacado fisicamente por Leon. O policial pula de sua cadeira e parte direto para cima do cientista que, em seguida, é surpreendido pelo primeiro soco. Os dois homens acabam se atracando ali mesmo e as coisas saem do controle. Até que Ada começa a gritar, desesperadamente, no intuito de fazer o detetive parar.

Nesse instante, outros homens que estavam por ali surgem e conseguem separar a briga, arrastando Leon para longe do cientista

— Para, por favor, Leon! — Ada gritava assustada, precisando se colocar na frente de Leon, a fim de impedi-lo de atacar outra vez Wesker. — Por que você atacou ele daquele jeito? Você é louco?

— Ele... Ele estava lá... na noite da morte dela! — Leon esbravejava. Todo o corpo dele agora estava tremendo de fúria. — Então, eu preciso fazê-lo pagar por isso! — Ele olha por sobre os ombros de Ada na direção de onde está Wesker lhe encarando com uma expressão, igualmente, raivosa. — Então, saia da minha frente! — Dois homens ainda continuam o segurando.

— Não! — Ada era teimosa quando queria e, dessa vez, a sua raiva estava começando a se tornar mais forte do que seu medo. — Você vai ter que passar por cima de mim, se quiser chegar até ele.

— Eu não quero te machucar. — Ele estava ofegante, se sentindo cansado e com raiva dela. Raiva por ela estar tentando proteger Wesker. — Por favor, saia do meu caminho! Será que não entende... Foi ele! Ele quem... quem...

— Você não sabe, Kennedy! Não pode afirmar algo sem provas. — Ada estava nervosa com aquela situação, tentando apaziguar e fazer Leon recuar com aquelas acusações. Acusações muito sérias.

No fim, a polícia logo surge no estabelecimento para tomar conta da situação.

— Ótimo, vamos resolver isso na delegacia. — Leon sentencia determinado e trocando um olhar raivoso com Wesker.

{Continua...}


Notas finais
Imagina quando Leon descobrir a conexão profunda que tem com o Wesker. Só sei que vai dar mais treta nessa história.