Efeito Borboleta

47 Agente do Caos



“É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante.”

(Friedrich Nietzsche)

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Raccoon City

2007


— Leon, como você está? — Sua mãe se aproxima lhe dando um sorriso. Era o primeiro sorriso que ela lhe deu desde que chegou nessa dimensão.

— Eu estou bem, mãe. Principalmente, por você estar aqui. — Ele também lhe dá um sorriso genuíno que faz o coração de sua mãe se aquecer, afinal, o seu filho raramente sorria.

— Bem, eu tenho uma hora ainda antes de retornar para a Universidade... — Annie tomou uma decisão importante. — Então, vim convidá-lo para almoçar comigo.

— É. Leon não perca tempo. No seu lugar, eu iria aproveitar cada minuto ao lado dela. — Ada decide incentivá-lo a não desperdiçar o seu tempo e aproveitar cada momento que pudesse ao lado de sua mãe.


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Annie resolveu trazê-lo para o GRILL 13 o restaurante mais popular de Raccoon City. Era um lugar que gostava de frequentar bastante e onde fazia o seu prato preferido.

— Isso não está gostoso? — Ela estava sorridente e isso deixou ele feliz, momentaneamente.

— Sim. Me fez lembrar do meu passado. — Havia uma melancolia tão grande em sua voz enquanto mastigava um pedaço da costela de porco. No fundo, o gosto já não era tão bom quando as lembranças o tornava amargo.

— Esse lugar ainda existe no seu mundo?

— Não... Quer dizer, sim... mas o dono mudou e eu nunca mais fui lá... — Seus azuis são tristes quando enfrenta a sua mãe. — Porque já não fazia mais sentido vir aqui... sem você.

— Você é tão obstinado quanto ele e, ao mesmo tempo, é tão diferente... — Annie o avalia atentamente, sentindo uma nova emoção.

— Claro, eu sou uma versão do seu filho vindo do futuro.

— Não. Eu não estava me referindo ao meu filho.

— Então, do meu tio?

— Você não só se parece com ele... É como se eu tivesse olhando para o meu irmão caçula. — Ela sentiu os olhos querendo lacrimejar. — Mas, eu também não estava falando do meu irmão.

— Então, sobre quem? — Ele sentiu uma curiosidade tão grande agora.

— Seu pai. — E, de repente, Leon sentiu um sentimento forte de saber quem era seu pai.

— Ele era alguém como você? Um cientista?

— Sim. Ele era um... cara bom e muito inteligente.

— Se ele era um cara bom... por que ele te deixou?

— É complicado. Nós não éramos um casal. E... — Ela sente um nó na garganta. — Talvez, um dia Ada possa te contar a verdade.

— Ada?! Por que a Ada e não você? — Um sentimento ruim começou a crescer em seu peito.

— É que, talvez, você vai se decepcionar comigo. — Ela se levanta e pega a sua bolsa pronta para sair.

— Mãe. — Ele se coloca na frente dela. — Eu nunca vou me decepcionar com você. — Ele, timidamente, a abraça e dessa vez ela retribuiu deixando que o abraço dure mais tempo.

— Eu preciso ir para a minha aula. — Ela toca em seu rosto carinhosamente. — E, por favor... não faça nenhuma maluquice!

Ela retorna para a universidade e, logo, percebe que a versão de 22 anos de Ada havia faltado a aula. Preocupada resolve ligar para a jovem que, rapidamente, atende a ligação e lhe informa toda feliz, que já está com as malas prontas para sair de Raccoon City e ir morar na Califórnia.


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Enquanto Leon saiu com a sua mãe, Ada decidiu seguir o seu próprio rumo, prometendo que depois os encontraria mais tarde. Ela queria aproveitar para fazer a sua própria investigação e explorar mais profundamente essa realidade distorcida e descobrir se o imprevisível continuaria a acontecer. E se isso poderia interferir no destino de Annie/Monica e no seu PRÓPRIO DESTINO.

Mas, por onde ela deveria começar?

A professora de Física e cientista resolveu jogar com a sorte pegando o metrô e indo parar no Colégio onde o adolescente Leon estudava e onde Lisa Trevor se matou.

No meio da movimentação de entrada e saída de alunos, Ada reconheceu cabelos ruivos presos num rabo de cavalo e resolveu segui-la pelos corredores do lugar que, também estava se preparando para o baile de formatura que aconteceria mais a noite.

O colégio tinha passado por um trauma muito grande com o suicídio de Trevor. Os estudantes até resolveram criar um memorial em homenagem a ela que estava no pátio. Uma jovem Claire havia vindo ali para deixar flores frescas e acabou se deparando com outro estudante ali. Alguém que ela não confiava e tinha um certo medo.

— Você foi a última pessoa a estar com ela. — Mesmo com medo, Claire se enche de coragem para confrontá-lo. — Por acaso, ela te disse alguma coisa antes de... — Sua voz meio que treme.

— Ah, sim! — Leon se vira, subitamente, para ela e lhe dá um olhar tenebroso. — Ela me pediu para salvá-la. — Depois ele começa a caminhar, ameaçadoramente, na direção de Claire que tenta recuar, sentindo um arrepio gélido descer pela espinha e fazendo seu coração bater mais rápido. — Você também não vai me pedir para te salvar?

— Fica longe de mim, seu maluco! — De repente Claire vocifera, antes de fugir dele e sem querer esbarrar em Ada que estava ali em silêncio os observando. Assim que a garota desaparece do pátio, a cientista se vê cara a cara com olhos azuis mordazes que, imediatamente, lhe causam um medo desenfreado.

Ele era igual a Leon, mas ao mesmo tempo tão, assustadoramente, diferente. O garoto lhe olha dos pés a cabeça e depois lhe dá um sorriso que a faz entrar no modo de alerta. Dominada pelo medo e insegurança de estar naquele mundo distorcido, Ada decide sair daquele lugar, deixando para trás aqueles olhos azuis frios.


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De alguma forma inexplicável, Leon se vê de volta no terraço da escola e Lisa também está lá na sua frente, completamente, amedrontada, recuando cada vez mais para perto da beirada parecendo um passarinho acuado, enquanto ele dá dois passos em sua direção, o tempo todo esboçando um sorriso sádico. No minuto seguinte, as mãos ríspidas dele a empurram para fora do telhado.

— Ah meu Deus, o que foi isso?! — Com o barulho do corpo da jovem se chocando sobre o capô de um carro, misturados ao barulho estrondoso de um trovão, Leon desperta daquele pesadelo, completamente transtornado.

— Leon, o que foi? — Ada indaga receosa ao vê-lo tão perturbado.

Eles estavam dentro do carro de Annie que estava estacionado na frente da residência Kennedy. Leon havia combinado com Ada de passarem essa noite vigiando o local, no intuito de pegar o Assassino e salvar a sua mãe.

— Eu tive um pesadelo... — ele murmura nervoso. — Sonhei que havia... matado a Lisa. — Seus azuis encaram Ada que compartilha o mesmo olhar assustado.

— Ei, foi só um pesadelo. — Ada tenta acalmá-lo, passando as mãos suavemente pelo seu rosto. Esse ato carinhoso faz Leon lhe dar um olhar penetrante. — O que foi?

— Eu tenho pensado muito sobre o futuro... E sobre nós dois... — Leon desabafou entrelaçando a sua mão na dela. — Eu acho que quando voltarmos ao nosso mundo... — Ele parecia um pouco nervoso. — Eu gostaria te tentar...

— Tentar o quê? — Ada indaga confusa enquanto está sentada no banco do motorista encarando aqueles olhos azuis sinceros. De repente, a resposta vem quando Leon resolve se aproximar dela e beijá-la. Um beijo que rapidamente é retribuído.

— Eu quero ficar com você, Ada — ele retorna a dizer quando seus lábios se afastam por um minuto, antes que ela lhe responda com outro beijo, dessa vez ainda mais apaixonado.

— Eu também quero muito... Muito, Leon... mas... — Seu coração estava batendo tão freneticamente no peito. — Mas, eu também tenho medo... — Agora seus castanhos pareciam aflitos.

— Medo? Por quê? Eu nunca te machucaria...

— Eu sei... É que... no futuro... — Ela se lembrou do que está predestinado a acontecer entre eles e fica hesitante. — Nós não... — Até que resolve que o melhor seria ser honesta. — Nós não podemos ficar juntos.

— E por que não? — Ele é tão cabeça-dura, porém resolve que não quer brigar mais. — Olha, tudo bem. Não pense nisso agora. — Leon a puxa para mais perto e lhe dá um beijo terno em sua testa, enquanto a deixa descansar a cabeça em seu ombro.

De repente, ele houve uma voz chamando o seu nome. Logo, seus azuis inquietos, ironicamente, acabam avistando uma silhueta suspeita, parada na frente do carro.

— Ah, seu filho da puta! — Ele sai do carro embaixo de muita chuva, deixando Ada nervosa sem poder impedi-lo.

A perseguição sem sentido o leva a um beco que acabava nos fundos de sua casa e, surpreendentemente, Leon consegue encurralá-lo. Uma briga se segue entre os dois homens e no meio daquela confusão, o detetive consegue puxar o capuz e encarar o rosto dele.

— Wesker?! — Leon exclama se sentindo frustrado ao encarar o rosto cansado e irritado de Albert que consegue empurrá-lo e se livrar do aperto feroz do detetive.

— Que porra é essa?! O que você acha que está fazendo? — Wesker diz ofegante, depois que aquele cara (que ele achava ser o irmão caçula de Monica) sai de cima dele.

— Por que você fugiu? O que você está fazendo aqui? — Leon continua confuso olhando para aquele homem.

— Eu estou procurando pelo meu filho. — Por um minuto, há apenas Azuis obstinados contra Azuis impetuosos.

— Não! Deixa ela em paz! É a mim que você quer! — Todavia, bem naquele momento, gritos agoniantes resolvem romper pela noite tempestuosa.

— Mãe! Monica! — Ambos exclamam em uníssono, antes de correrem para a porta dos fundos que está trancada. Passam-se alguns segundos angustiantes, até que conseguem arrombá-la e entrarem dentro da casa, consequentemente, encontrando Monica caído no chão da sala.

— Não, não, não! De novo não! — Leon cai ao lado do corpo dela e a puxa em seus braços.

— Ah, meu filho... — Ela sorri por um breve instante, apenas parecendo cansada. Ainda assustado, Leon procura por algum ferimento nela, só que dessa vez não encontra nada. — Eu estou bem, Leon... só me escuta! — Suas mãos seguram o rosto dele enquanto sua voz tenta acalmá-lo. Porém, repentinamente, se distrai quando percebe que há mais uma pessoa ali com eles. — W... Wes?

— Sim, sou eu. Me desculpa por ter demorado tanto em te achar. — Wesker queria tanto dar mais um passo para perto dela e abraçá-la, mas a situação seria estranha com Leon ali os observando com seu olhar perplexo. Em contrapartida, Monica se sente emociona ao rever aquele homem bem na sua frente, depois de todos esses anos e ainda vê-lo ali junto com o filho deles. O momento era para ser de felicidade, no entanto, as circunstâncias eram complicadas. Afinal, eles estavam correndo contra o tempo.

— Leon, ele... ele vai matá-la. O objetivo dele todo esse tempo... é matar a Ada. — Assim que sua mãe tenta avisá-lo, Leon se levanta pronto para sair a procura do Assassino quando a sua versão jovem; ainda vestido com o uniforme da escola e todo sujo de sangue; resolveu cruzar o seu caminho e impedi-lo.

— Tarde demais. Você não pode mais salvá-la. — Naquele mundo distorcido, tenebrosamente, Leon se vê diante da sua versão maligna.

— O quê? O que você quer dizer com isso? Onde ela está?! — Leon esbraveja vindo para cima do garoto que nem reage, apenas mantém a mesma postura apática e um sorriso insano nos lábios. — Onde ela está? — Suas mãos estão sobre os ombros do adolescente o sacudindo, furiosamente. Naquele momento, Kennedy estava cego de ódio.

— Nesse exatamente momento, ela já deve estar morta — a sua contraparte lhe responde da forma mais sádica, fazendo seu coração aflito falhar uma batida.

Notas finais
Eita que treta. Esse negócio de viagem no tempo e universos paralelos era óbvio que existiria algum mundo que seria distorcido. Tipo Leon tendo que enfrentar uma versão do Mal dele. O que vocês acharam desse universo distorcido? Agora só faltam 3 capítulos para o final da história. Bjus!