Efeito Borboleta
24 A Próxima Vítima

"O paradoxo da vida é este: Aprender o valor da vida ao tempo que, lentamente, a perdemos."
(Raquel Xavier)
***
R.P.D
Delegacia de Polícia de Raccoon City
Depois do terrível ocorrido, o apartamento de Ada Wong foi isolado para que só a equipe dos STARS pudessem fazer as suas investigações. O lugar se encontrava todo revirado, mas ao menos o gato morto já havia sido retirado dali.
Depois de coletarem todas as provas incluindo as fotos tiradas da parede da sala; onde estava escrito o que parecia ser um código deixado pelo Assassino; a equipe retorna para a RPD. Ainda precisavam checar as câmeras das ruas e colher alguns outros depoimentos. Além de terem que descobrir se o cara que atacou Wong realmente estava morto.
- Então, o nosso Serial Killer decidiu se jogar na frente de um trem? — Questiona um Burton muito perplexo.
- Ainda estamos coletando mais informações a fim de comprovar a morte. — Explica Marvin Branagh. — Porém, as únicas provas que temos são as câmeras de segurança próximo ao cruzamento da linha férrea que comprovam que houve sim um corpo correndo na direção do trem.
- E antes do suspeito se jogar na frente do trem... Ele não disse mais nada? — Burton continuou indagando e olhando para Leon que parou pensando sobre aquela questão. As lembranças daquela cena bizarra, ainda estavam bastante vívidas na sua cabeça.
"Ela precisa morrer pelo futuro?" Seu maior dilema era descobrir o que o Stalker queria dizer com aquelas coisas bizarras. Tudo o que podia pensar era que mesmo com a morte dele, algo lhe dizia que esse pesadelo estava longe de acabar e que com certeza a vida de Ada ainda estava em perigo.
- Leon! — O capitão retorna a lhe chamar. — No que estava pensando? — Ele continua a questionar em tom preocupado. — Por acaso, se lembrou de mais alguma coisa?
- Ah... Ele pode ter dito algo sobre... um gato dentro da caixa. Talvez, isso pode ter algum significado importante.
- Isso é bem coisa de psicopata. — Satirizou Jill.
- Achei alguma coisa aqui! — Sheva Alomar diz digitando em seu computador. — Aqui diz algo sobre o Gato de Schroedinger, também conhecido como Paradoxo é um experimento mental proposto pelo físico austríaco Erwin Schroedinger.
O experimento consiste em trancar um gato dentro de uma caixa, junto com um frasco contendo um gás venenoso, um elemento radioativo emissor de partículas alfa e um dispositivo composto de um martelo e um detector de radiação. Se o detector registrar a presença de pelo menos uma partícula alfa, o martelo é acionado e quebra o frasco, liberando o gás venenoso... Entretanto, para definir o destino do gato é necessário ter um observador que decida abrir, ou não a caixa.
- Enquanto a caixa permanecer fechada o gato estaria vivo e morto ao mesmo tempo. — Sheva continuava a tentar explicar. Leon fica pensando sobre aquilo e algo lhe faz lembrar sobre seu último pesadelo e do desenho que fez depois que acordou.
Ele se lembra que, estranhamente, havia desenhado um gato, mesmo o bichano não aparecendo em seu sonho. Entretanto, no sonho havia Ada e uma garotinha de traços orientais que se parecia um pouco com ela e havia uma caixa enorme que Leon não teve coragem de abrir por medo do que encontraria lá dentro.
- Essa coisa do Gato dentro da caixa poderia ser alguma pista? — Indaga Jill deixando os outros tensos. — Ele seria louco pra testar essa teoria na prática... com uma pessoa?
- Claro que sim. Como você disse... ele é um louco. É por isso que vamos continuar mantendo um olhar atento sobre os outros cientistas da Umbrella e... especialmente em Ada Wong. — O capitão dos STARS afirma encarando Leon com uma expressão nada simpática.
Logo, Redfield veio se juntar a eles trazendo mais algumas informações importantes.
- Conseguimos descobrir algo novo com o depoimento de Ada Wong. — Ele se senta ao lado de Jill.
- Tipo o quê? — Leon se sentiu ansioso demais. Na verdade ele estava ansioso para sair dali e ver como ela estava.
- Nós mostremos a foto retirada da parede da sala dela, cheia daqueles números e letras escritas pelo Serial Killer... E ela reagiu de um modo meio suspeito.
- Como assim? — Leon indagou nervoso.
- Perguntei a ela se havia algo na imagem que lhe pareceu familiar, Wong hesitou pra me responder um simples NÃO. Então, tentei pressiona-la mais. — Chris tem um flashback do interrogatório de Ada:
- Por que ele deixaria isso escrito na sua parede?
- Não faço a mínima ideia.
- Talvez, ele quisesse lhe deixar uma mensagem pra você... Ou se não era pra você, era para sua irmã.
- Fong não tem nada a ver com isso.
- Então, essa mensagem foi deixada pra você? Pensa um pouco Wong... Quem poderia querer lhe enviar isso? O que ele quer? E o que esses números e letras significam?
- Já disse que não sei! Eu não sei! — Ela solta um grito enfático massageando a sua têmpora.
- Eu acho que no fundo você sabe, mas não quer dizer. Talvez, você esteja com medo. Tudo bem, eu posso entender o sentimento. No entanto, se você quer realmente a nossa ajuda, vai ter que nos ajudar também.
- O que eu sei é que... Ele não parece ser uma pessoa comum. — Sua voz sai quase num sussurro.
- O que você quer dizer com isso?
- Ele conhecia o código. Mas, como isso era possível? — Dessa vez, Ada murmura para si mesma, esquecendo totalmente da presença do detetive Redfield.
- Código? Que código? O que mais Wong disse? — Burton continuou pressionando.
- Ela não disse mais nada, apenas se calou. — Continuou Redfield ganhando um olhar nada amigável de Leon. — Não quis pressiona-la mais. Ela estava muito cansada e ainda assustada pelo ataque.
- Bom, mesmo sem querer ela pode ter nos dado uma pequena pista. — Interferiu Jill. — Se é um código, então, vamos ter que tentar decifra-lo com, ou sem a ajuda dela. Ainda podemos tentar extrair essa informação de outros cientistas.
- Jill tem razão. Talvez, um deles possa abrir a boca. Porém, há algo que me deixa encucado... — Retrucou Burton. — Por que a Ada Wong parece estar tentando omitir informações importantes da policia? Será que é por medo? Ou será que ela está tentando proteger alguém?
É óbvio que aquela revelação causou um turbilhão de emoções diferentes em Leon e a dúvida e o medo era um deles. E agora que Barry Burton deixou no ar todas aquelas indagações, o detetive se sentiu muito confuso em relação a Professora. Logo agora que estava começando a confiar nela.
- Eu acho que já está muito tarde. É hora de irmos para casa descansar. — Barry diz olhando a hora em seu relógio de pulso. — Por hoje vocês estão dispensados. — Assim que o seu pessoal vai se dispersando, ele decide chamar Leon. — Você está bem?
- Sim. Só estou muito cansado, capitão. — Os dois seguem para as escadas.
- Sabe, estava pensando em te convidar para almoçarmos no domingo. Sally ficará tão feliz se você aparecer. Faz tanto tempo que não nos reunimos para um almoço em família. O que acha?
- Ah, acho que seria bom. — Ele murmura, automaticamente, sem nenhum resquício de ânimo.
- Nossa, você não parece nenhum pouco feliz com isso. — E de fato Leon parecia uma verdadeira bagunça, suas roupas ainda estavam molhadas da chuva e ele se sentia tão cansado.
- Desculpe, capitão. É claro que... — Assim que descem as escadas para o primeiro andar, Kennedy se distrai avistando Fong Ling conversando com Alomar. Se Fong ainda estava por ali, isso significava que sua irmã mais velha também deveria estar.
- Você precisa parar com isso. — Entretanto, Burton não era um tolo que não via o que estava acontecendo com Kennedy.
- Parar com o que capitão? — Leon fica confuso com o comentário de seu capitão.
- De continuar se envolvendo com ela... Ada Wong. — Barry diz em tom severo pegando Leon desprevenido. — Você sabe que como um investigador do caso, não pode e não deve se envolver, emocionalmente, com nenhuma testemunha, ou vítima. Isso complica as coisas e é antiético, pois a sua ligação emocional com a vítima pode nublar o seu julgamento e fazer você cometer erros. Além disso, você está por um fio de ser suspenso da equipe.
- Não tenho nenhum envolvimento emocional com ela. Não somos nem... amigos. — Ele já não sabia se estava tentando convencer a si mesmo, ou o capitão.
- Então, o que você tem ido fazer no Jack's Bar sozinho? Você nem bebe! — O homem mais velho diz sem paciência.
- Eu já disse antes e vou repetir... — Mas, Leon também estava sem paciência para todo aquele interrogatório. — Não tenho que ficar me justificando por impedir que mais um assassinato acontecesse.
- Ótimo. — Barry enfatiza. — Eu quero acreditar nisso. Porque Ela pode se tornar uma distração fácil. — Havia preocupação lhe corroendo por dentro, mas que acabava sendo ofuscada por sua rigidez. — E não quero que você se prejudique por causa dessa... Distração. — Enfim, Burton vai embora deixando Leon inseguro ao de repente confrontar os olhos hostis de Ada. Ela estava a poucos metros deles e, possivelmente, deve ter ouvido toda aquela conversa.
Ela estava cansada de estar ali e só queria poder ir logo para casa. O depoimento tinha durado pela noite adentro e lhe sugou toda a sua energia. Para complicar mais a sua situação, ela e a irmã não podiam retornar para casa agora, pois o local havia sido isolado para investigação criminal. Portanto, as duas teriam que ser levadas para outro lugar mais seguro, possivelmente, para algum hotel onde teriam que ser vigiadas pela polícia.
E tudo só desanda ainda mais, quando por acaso acabou ouvindo a conversa desagradável entre o capitão Burton e o detetive Kennedy. Tudo o que ela queria naquele momento era desaparecer, ir para bem longe daquele lugar e de Leon. Infelizmente, querer não é poder.
Nesse instante, o telefone dela toca, fazendo-a quase pensar que estava sendo salva pela ligação de Rebecca. Entretanto, assim que atende, o telefone fica mudo.
- Alô. Becca, você tá me ouvindo? Alô! — Ela fica repetindo até parar e olhar na tela do celular. Há uma foto de Rebecca com sua gata branca, que ela chamava, carinhosamente, de Branca de Neve.
- Qual é o problema? — Leon decide se aproximar percebendo o semblante tenso dela.
Ao tentar ligar novamente para amiga, Ada recebe uma nova mensagem muito estranha: "TIC-TÁC, TIC-TÁC, O GATINHO ESTÁ PRESO DENTRO DA CAIXA." A mensagem é bem sugestiva e vem seguida por uma figura de gatinho, de uma caixa e de uma carinha triste. "TIC-TÁC, TIC-TÁC. SEU TEMPO ESGOTOU."
No minuto seguinte, os dois já estão dentro do Toyota com o Leon dirigindo desenfreadamente em direção a casa de Chambers. Assim que chegam ao local, já encontram uma viatura e algumas pessoas se reunindo por ali parecendo assustados. O detetive se vira sussurrando para que Ada fique onde está, pois lá dentro poderia não ser seguro. Só que ela não consegue ficar esperando e decide segui-lo.
- Professora, é melhor você não vir aqui, agora. — A voz de Leon vinha da sala onde se encontrava um outro policial averiguando o que parecia ser uma enorme caixa. E, mesmo apavorada, ela não consegue obedecê-lo.
- O que tem aí? — Sua voz é um grito de suplica. — Fala?! — O desespero já havia tomado conta dela quando tenta se aproximar da caixa e abri-la, porém Leon decide impedi-la entrando na sua frente. Ela tenta lutar, inutilmente, contra ele se debatendo em seus braços e usando toda a força que tem. — Quem tá lá? Você viu?! Me fala!
- Para, por favor, Ada! — Leon grita, praticamente, lhe sacudindo a fim de fazê-la parar de se debater. Seus olhos se fitam compartilhando da mesma aflição e agonia. — Eu sinto muito! — É tudo o que consegue dizer, antes que ela desabe a chorar em seus braços.
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