Efeito Borboleta
27 A Origem do Medo

"A ciência é como uma faca afiada, pois se você brincar com ela como uma criança faria, pode acabar se cortando."
(Alice – dorama coreano)
***
R.P.D
Delegacia de Polícia de Raccoon City
— Leon, consegui mais alguns arquivos sobre o assassinato do Doutor Park. — Chris decide aproveitar que estava só ele e Leon na sala dos STARS para compartilhar alguns arquivos que havia conseguido com a irmã.
Nesses arquivos há várias informações sobre o assassinato de 1989 que culminou nas mortes do Professor e cientista Park Seong-chan e de uma mulher chamada Monica Birkin.
— Aqui diz que a esposa dele morreu ao dar à luz a única filha do casal.
— E sobre Monica Birkin? Será que ela tinha alguma conexão com os Birkin? — Leon indaga averiguando os papéis que Chris havia lhe trazido.
— Também não há nada. A não ser uma entrevista que o capitão Burton deu para o jornal da época, dizendo que Monica seria uma jovem recém chegada na cidade que acabou sendo assassinada também. Por isso não tem mais informações sobre ela.
— Bom, ainda podemos checar mais informações com a própria Annette Birkin. E também podemos descobrir mais sobre o doutor Park através de Spencer. — Eles estavam tão compenetrados que não perceberam a chegada de Jill.
— Que material é esse que vocês estão investigando? — Questiona Jill os pegando de surpresa. — Vocês sabem que qualquer investigação que envolva o caso do Serial Killer, deve ser reportado também ao FBI. — Chris e Leon trocam olhares tensos, afinal, eles decidirem fazer aquela investigação em particular. — E nesse caso...
— Sim, sim. Já sabemos que temos que repassar tudo a você, senhora Valentona.
— Não ouse me provocar, Redfield! — Jill já estava irritada de novo com seu ex-noivo. — Já falei pra não me chamar assim! — Os dois se encaram como cães raivosos. — Agora eu quero saber sobre esse caso que vocês estão investigando.
Enquanto seus parceiros continuavam discutindo, Leon se viu distraído por uma das páginas de jornal que estava no meio dos arquivos do caso trazido por Redfield. Na página havia fotos do capitão Burton abraçando uma garotinha que parecia estar chorando. Na matéria dizia que a criança tinha apenas 4 anos quando foi encontrada na cena do crime e depois levada ao hospital sofrendo de Estresse Pós-Traumático.
— Essa é a filha do doutor Park? — Indaga Leon, chamando a atenção de Jill que desiste de brigar com Chris a fim de bisbilhotar os arquivos que estão nas mãos dele.
— Sim. — Responde Chris que havia conseguido novas informações com a ajuda da irmã. — Ela é a única testemunha viva daquele fatídico dia que culminou no assassinato do pai dela.
— A garota tem um nome? — Leon indaga perturbado com aquelas informações.
— A identidade dela foi mantido em sigilo. A última informação que se tem é que a garotinha foi adotada. Ou seja, encontra-la hoje em dia pode ser bem difícil.
— Ou não. — Discordou Jill olhando para a mesa do capitão dos STARS. Em contrapartida, Leon para novamente e se distrai olhando para a garotinha da foto.
O mais perturbador de tudo isso é que Leon já havia visto aquela garotinha várias vezes em seus sonhos. Sonhos que se tornavam pesadelos horríveis. Todavia, como era possível sonhar, constantemente, com alguém que nunca havia conhecido antes?
"Pai! Pai! Pai!" De repente ele houve uma voz de criança gritando desesperada. "Pai! Pai! Pai!" E a voz dela parece ecoar por todo o lugar. Leon se levanta, abruptamente, e age como se tivesse procurando algo que os outros não fazem ideia do quê.
— Leon o que foi? — Jill também se levanta e tenta chamar a atenção dele que parece meio perdido com um olhar enevoado. — Leon! — Ela precisa segurar um dos braços dele para conseguir chamar a sua atenção.
— Vocês ouviram isso? — Ele olha para Jill desesperado por uma resposta.
— Isso o quê?
— A voz de uma criança chamando pelo pai. — Jill desvia seus olhos para a direção de Chris que compartilha de olhares confusos também.
— Eu não ouvi nada aqui, Leon. — Leon se afasta dela e sai para o corredor procurando pela origem daquela voz.
"Pai! Pai! Pai!" Mas, logo precisa parar porque o som daquela voz infantil é substituída, bruscamente, por um zunido forte em sua cabeça que o deixa tonto e confunde a sua mente. Jill continua tentando falar com ele, no entanto, a voz dela parece tão distante. A única coisa capaz de tira-lo daquele torpor assustador, é o barulho de seu celular tocando...
Universidade de Raccoon City
A situação em que se encontrava estava a forçando a ter que repassar as suas aulas para que outro professor assumisse o seu lugar, enquanto Ada teria que se afastar até que a Polícia conseguisse pegar o tal Assassino.
Ainda havia uma outra questão: "Onde ela ficaria depois que saísse do apartamento de Leon?" Em algum momento, cansou de pensar sobre isso e acabou cochilando debruçada sobre alguns papéis em frente ao seu computador, até que acabou despertando assustada, constatando que ainda estava na sua sala. Ela pega o celular e averigua a hora, já estava ficando tarde e isso a deixou com um pouco de medo de permanecer ali.
A Professora pega a sua bolsa, termina de guardar mais algumas coisas e depois sai da sala. Porém, assim que tranca a porta já se depara com um corredor muito mal iluminado e, completamente, silencioso que a coloca em alerta. Desesperada, resolve ligar para Leon quando um arrepio horrível lhe percorre a espinha, fazendo-a sentir que há alguém bem atrás dela. Ela não ousa se virar para ver quem é, por puro instinto sai correndo pelo corredor, derrubando o celular no chão.
A mulher corre desesperadamente sem saber aonde ir, sentindo como se o corredor lhe parecesse tão enorme. Seu coração está a mil, dominado pelo medo e pela adrenalina enquanto ouve aqueles passos pesados de Seu Perseguidor vindo atrás dela. E, para o seu azar, as portas que encontra por ali estão trancadas, a forçando a continuar correndo até acabar tropeçando em alguma coisa que a faz cair no chão.
Havia dois corpos no chão que ela pensa que estão mortos. Seu grito de socorro ecoa por todo o lugar, apenas para lhe lembrar que está completamente sozinha. De repente o seu pior pesadelo estava se tornando real.
— Não! Por favor, não! — Logo, ele sai das sombras, com o seu sobretudo preto e encapuzado e sem rosto. E ele vem, impiedosamente, para cima dela pronto para pegá-la, ainda assim, ela cria coragem para se levantar e continuar fugindo até encontrar a única porta aberta que a leva até o laboratório.
Mesmo com as mãos trêmulas Ada consegue trancar a porta, por um instante, achando que estava segura. Só que o seu perseguidor está determinado a caça-la custe o que custar.
O medo pode fazer alguns reagirem, ou fugirem, ou paralisarem e agora era exatamente isso que Ada estava sentindo: Um medo paralisante que estava fazendo suas pernas travarem. — Ela se encontra escondida atrás de uma prateleira, mas sabe que não há mais nenhuma segurança ali, pois o seu Perseguidor acabou de arrombar a porta.
Se sentindo encurralada, ela fecha os olhos e, de repente, alguns flashes estranhos e assustadores passam, rapidamente, pela sua mente. Flashes de uma menina sozinha no meio de um corredor escuro, do barulho do trovão se misturando ao som de uma arma sendo disparada e, por fim, um corpo de um homem caído no chão todo sujo de sangue. A garotinha está paralisada olhando para aquele corpo morto.
Em contrapartida, quando Ada reabre os olhos ela se vê encurralada, diante de seu assassino e a um passo da morte. Entretanto...
— Deixa ela em paz! — Então, uma voz familiar surge para lhe dar esperança e salva-la.
— Wesker! — Ela exclama com a voz trêmula e fraca, sentindo um frio percorrer as suas entranhas enquanto testemunha Wesker ali vivo e lutando, corajosamente, contra o seu Algoz.
— Eu achei que nesse mundo eu já havia me livrado de você. — O Assassino parecia bastante descontente vindo para cima de Wesker com muita força e brutalidade. Em contrapartida, o cientista tentava contra golpear como podia usando uma adaga para atingir o outro. Ele era grande e forte, mas o seu inimigo era muito mais rápido e imparável.
Ada ainda estava paralisada escondida num canto da sala quando o corpo de Wesker quase cai aos seus pés. E, então, aqueles olhos azuis dele a encaram cansados e suplicando para que ela fuja dali, antes que seja tarde demais.
Quando a Professora desaparece de sua linha de visão, o homem respira um pouco aliviado, porém o alívio não dura muito, pois Ada reaparece segurando um extintor de incêndio que tenta usar contra o seu Algoz, fazendo-o grunhir e sair de cima de Wesker.
Contudo, isso só serviu para que o Assassino furioso voltasse a sua atenção de novo para a Ada que tenta fugir uma última vez. Infelizmente, seu esforço é inútil pois ele consegue alcança-la e agarra-la pelo pescoço.
— Foi você que começou com tudo isso... É justo que esta história só possa terminar com a sua própria morte. — O Algoz diz já se sentindo vitorioso. Ledo engano, pois num piscar de olhos alguém o ataca conseguindo liberta-la de seu aperto de aço.
Ada cai no chão tonta, com os olhos turvos e lutando para recuperar o ar, ao mesmo tempo em que consegue vislumbrar, dessa vez, o detetive Kennedy lutando, furiosamente, contra o assassino.
Os dois ainda se confrontam brutalmente cheio de fúria, ódio e um desejo insano de vingança. Contudo, o Assassino ao perceber que está sendo encurralado por Leon e sem tempo para cumprir o seu objetivo, não vê outra escolha senão recuar, urgentemente, a única saída que encontra é fugir.
Assim que consegue escapar da fúria de Leon, o Serial Killer decide usar o que parecia ser um pequeno dispositivo que possuía um efeito semelhante a granada de luz, conseguindo desorientar o detetive e, assim, conseguir fugir.
— Desgraçado! — Leon urrava ainda se sentindo tonto e com a visão um pouco debilitada. Nesse momento, tudo que pode fazer é avisar Chris e o resto de sua equipe que o bandido estava de volta. Agora a sua maior prioridade era a professora Wong. Portanto, ele retorna para encontrá-la deitada no chão parecendo inconsciente.
— Professora Wong! — Leon murmura preocupado passando a mão pelo rosto dela. Isso a faz reabrir os olhos e se mexer. Seus olhos castanhos mel estão apavorados enquanto ela se agarra a ele. — Tá tudo bem agora. Eu tô aqui. Eu prometo que não vou deixa-lo tocar em você. — Ele a pega em seus braços sem dificuldade, sentindo o corpo dela tremer. Ada enrosca suas mãos no pescoço dele e lhe dá um olhar de agradecimento, se sentindo segura nos braços dele.
Wesker também está ali escondido, vendo aquela cena entre o par. Enquanto os observa, senti seu coração doer e uma tristeza se apossar de si. Vê-los juntos ali também lhe causa lembranças terríveis e o faz sentir repúdio, pois mais uma vez Ada está nos braços daquele outro homem.
É difícil não se sentir traído, não lembrar de como ela o manipulou e mentiu durante seus cinco anos de casamento. Cinco Anos, a mesma idade que Alice a sua pequena filha tinha.
"Sua filha?! Não. Você está completamente errado. Alice não era a sua filha biológica." Então, a voz de Ada volta a lhe assombrar. Isso o faz lembrar o porquê deveria deixa-la morrer:
"É por isso que eu preciso voltar ao passado. Eu quero voltar para o dia antes do nosso casamento... Ou, talvez, voltar muito antes disso. Antes de termos nos conhecido."
O pior era que ela tinha razão. Talvez, tudo poderia ter sido diferente desde o princípio. Desde o momento em que conheceu as duas amigas: Ada e Monica, as duas mulheres que mais conseguiram bagunçar a sua mente e ferir o seu coração, porém no fundo, sabe que a culpa é dele também. Ele perdeu as duas... Não, mais do que isso, perdeu a chance de escolher Monica e o filho. O filho que rejeitou.
Agora era tarde demais para se lamentar...
Se sentindo rancoroso, Wesker decide engolir o seu orgulho ferido e se concentrar em seu objetivo:
— O que você está esperando? Atira neles! — Uma voz assobia em seu ouvido direito. — Essa é a sua chance de pôr um fim nisso! — A voz vinha de seu comunicador e parecia bastante sardônica.
Ele está segurando uma pistola moderna numa das mãos e mirando na direção do par. Se apertar o gatilho agora, tudo estará acabado. Mas...
— Droga! Não dá mais... O pessoal da polícia está vindo. — Ele responde num sussurro abaixando a arma e deixando que Leon leve Ada embora em segurança. Seu coração está ameaçando sair pela boca e seu corpo está suando sem parar.
— Você falhou de novo em concluir o nosso objetivo. Por que você impediu o Assassino de matar a Ada? — Continuou murmurando a voz do outro lado do comunicador. — Você sabe que enquanto ela continuar viva, ele vai continuar nos caçando.
— Eu sei disso! — Wesker vociferava. — Eu ainda vou arranjar um jeito de acabar com tudo isso.
— Então, boa sorte em sua missão, Wesker! Mas, lembre-se: O Tempo não está a nosso favor. — A comunicação em seguida termina.
Fale com o autor