Efeito Borboleta

9 Capítulo 8


Notas iniciais
Olá pessoal, sei que faz um tempo desde a última postagem, mas confesso que eu tive uma dúvida enorme ao escrever este capítulo. Na verdade, eu tinha o capitulo quase todo escrito com um início e fim totalmente diferente, mas não gostei do resultado, então fiquei presa ali... até que finalmente, saiu. Ainda não está bom como eu gostaria, mas acho que está na hora de seguir em frente, rsrs. Não me odeiem, please...

A chuva batia forte na janela lateral da ambulância, e o colorido das luzes de Natal que tanto lhe alegrava, agora tinha um borrado triste e assustador. Niko levou as mãos no rosto para limpar as lágrimas que brotavam de seus olhos deixando ainda mais turva aquela imagem. O vermelho nos seus olhos deixava nítido o seu desespero. Ele não estava acreditando no que estava acontecendo... Ele baixou os olhos para, mais uma vez, fitar a maca a sua frente. Os aparelhos e faixas não foram capaz de esconder o sangue... e era tanto sangue... as lágrimas novamente descerem incontroláveis pelo seu rosto. Niko levantou a cabeça e olhou para o teto da ambulância tentando se controlar, ele precisava se controlar, ele não sabia como, mas precisava se controlar.

Ele tentou pensar em algo reconfortante, algo que lhe trouxesse alguma esperança, mas a única coisa que ele conseguia pensar era sobre os acontecimentos daquela noite, a pior noite de sua vida, ainda pior do que perder a guarda do Fabrício. Aquele pensamento fez Niko se apavorar ainda mais com a possibilidade de... “Não, você precisa se acalmar Niko.” Ele pensou consigo mesmo e voltou a fitar as gotas de chuva na janela, que por alguma razão pareciam acalmá-lo, mas não pôde evitar de repassar em sua cabeça tudo o que havia acontecido até chegar ali...

Aquele era para ter sido um dia bom, um jantar com os amigos e seu filho, e, talvez, finalmente depois de tantos anos conhecer alguém, alguém que pudesse se apaixonar por ele, porque Niko estava disposto a deixar que esse alguém se apaixonasse por ele, mesmo que ele soubesse não ser mais capaz de amar, ele pensou que talvez poderia ainda gostar de alguém, alguém para ter ao seu lado, formar a família que ele sempre sonhou, mesmo que ele tivesse apenas um carinho por esse alguém... já seria melhor do que estar sozinho... ele nunca gostou de ficar sozinho. Mas não demorou muito para que a possibilidade de formar aquela família que Niko tanto sonhava se esvair completamente, não que Niko esperasse um milagre de qualquer maneira, mas o que aconteceu depois simplesmente o dilacerou e única coisa que o impedia de desabar, era a sua fé.

Horas antes...

Niko olhava para o homem sentado ao seu lado, que, aos prantos relatava como o recente fim de seu relacionamento ainda o afetava. Sem saber o que dizer Niko se mexeu no sofá para poder chegar mais perto e fazer a única coisa que ele achou que podia para confortá-lo, oferecer seu ombro pra ele chorar.

Por cima do ombro de Daniel, esse era seu nome, Niko viu Silvia e o Guto se desculparem com o olhar. Niko balançou a cabeça em um sinal de que estava tudo bem, afinal seus amigos tinham preparado aquele encontro às escuras com a melhor das intenções. Tudo bem que a coisa toda, talvez não tivesse saído tão errado se eles tivessem avisado o homem que soluçava em seus braços sobre o ‘encontro às escuras com Niko’. Enfim, Niko não estava chateado com os amigos, apenas preferia ter sido avisado de que o pobre coitado estava sofrendo com uma separação recente, e, principalmente que ele não sabia nada sobre o ‘encontro’.

E como se não bastasse Niko se sentir um tolo tendo aceitado fazer parte de tudo aquilo, Jayminho acabou por entregar Niko à Silvia contando seus encontros com Fábricio nas tardes de terça e quinta feira. Obviamente, tal revelação caiu como uma bomba em cima de todos, com Silvia recriminando-o e Niko tentando se explicar mas por fim perdendo totalmente a razão, o que claramente, não poderia ter havido resultado pior. Ele acabou gritando com o filho por tê-lo delatado, depois gritou com a Silvia por recriminá-lo, foi rude com Guto que tentou defender a esposa e pra fechar com chave de ouro gritou com o seu ‘não encontro’ Daniel, que só tentava acalmar a todos.

— Niko, o Daniel só está tentando ajudar. Silvia falava tentando controlar-se para não piorar a situação.

— Eu não pedi a ajuda de ninguém. Niko respondeu ainda nervoso em pé ali, no meio da sala.

— Niko, eu sei o que você está sentindo mas... Silvia andava de um lado para o outro passando a mão pela cabeça enquanto via seu marido tentar levar os filhos de volta para o quarto.

— Não, você não sabe. Niko falou ainda nervoso enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto. _ Ninguém aqui sabe o que eu tô sentindo. Nenhum de vocês sabe o que é perder um filho que ainda está vivo. O que é não poder abraçá-lo pela manhã, ler estórias pra ele dormir, confortá-lo quando ele está doente, oh meu Deus nem ao menos saber quando ele está doente. Ninguém sabe o que é ver o seu filho crescendo sem saber que você existe. Niko falava todas aquelas palavras apontando o dedo para todos enquanto lágrimas desciam por seu rosto, e, quando terminou de falar ele pôs as duas mãos no rosto e se curvou até sentar-se no sofá e todos puderam ouvir seus soluços.

— Niko... Silvia foi até o amigo, sentou-se a seu lado e pôs o braço em seu ombro tentando confortá-lo. _ Oh meu amigo... Silvia pôs sua mão esquerda no rosto do homem loiro fazendo o virar e apoiar a cabeça dele em seu ombro.

— Você tem razão Niko. Daniel, o novo amigo de Niko foi quem falou desta vez. _ Nenhum de nós sabe o que você está sentindo, mas você tem consciência que você pode ser preso? O advogado tentou trazê-lo para a razão.

— Meu pai vai ser preso? A voz preocupada de Jayminho fez Niko perceber o quão mal ele havia reagido, e pior, na frente do filho. Então ele tirou o rosto do ombro da amiga, e com calma levou as duas mãos ao rosto para enxugar as lágrimas antes de levantar a cabeça e falar com o filho.

— N-não... imagina meu filho. O homem loiro levantou e foi em direção a criança. _ Eles estão exagerando, não é gente. Niko abriu um de seus lindos sorrisos e olhou para os amigos que acenavam positivamente para não assustar o garoto.

— Vocês pensam que eu sou criança? Jayminho falou reativamente afastando-se do pai. _mas eu não sou mais criança. Eu ouvi muito bem o que ele disse, ele disse que meu pai pode ser preso. Por causa dele, tudo por causa daquele moleque estúpido... eu odeio ele!!! Gritou o menino que levava no rosto uma mistura de preocupação, medo e ressentimento.

— Não fala isso do seu irmão Jayminho!!! Apesar de ainda tentando acalmar o filho, Niko teve que ser firme, mas aquilo só enraiveceu ainda mais o garoto que gritou a plenos pulmões.

—Ele não é meu irmão!!! Eu queria que ele tivesse morrido!!!

O tapa que Niko deu em seu filho surpreendeu a todos, até ele mesmo, mas antes que ele tivesse tempo de se arrepender, ou se desculpar, Jayminho saiu correndo pela porta a fora. Niko ficou alguns segundos sem reação, mas logo se recompôs e correu atrás do filho que já havia descido alguns lances de escadas. Niko o seguiu escada a baixo pois teve medo de perder tempo esperando o elevador, mas o menino era muito mais novo e muito mais rápido e quando Niko chegou ao hall de entrada viu que ele já atravessava a rua para alcançar a pequena praça que havia ali em frente. Niko correu atrás dele, gritando pelo seu nome, enquanto desviava dos carros, implorando que ele parasse em vão, e quando finalmente chegou na praça viu o filho do outro lado olhar pra trás enquanto corria e atravessava a avenida.

Tudo aconteceu muito rápido. Ainda assim, Niko, que estava ao longe, viu tudo como se estivesse em câmara lenta, bem ali, na sua frente. Ele viu o carro se aproximar, viu o filho olhar para trás e não parar ao atravessar e, com horror gritou o seu nome enquanto viu o carro frear e o filho ser jogado de volta para perto da calçada batendo a cabeça no asfalto.

—JAYMINHOOOOO. Niko gritou desesperado correndo até seu filho, que sangrava no chão e, quando o homem saiu do carro, foi por instinto que Niko levantou-se e avançou sobre ele. — Você atropelou meu filho!!! Niko gritou e, sem olhar para o homem em questão, deu-lhe um soco derrubando-o no chão, e ele continuaria se não tivesse sido segurado por trás, por alguém, que devia ser o passageiro que vinha com o homem.

— Ei, calma! Meu pai não teve culpa. O rapaz dizia segurando Niko pela cintura.

—Me solta. Niko se debatia, ainda sem olhar para o homem que já se levantava do chão, mas parou ao ouvi-lo chamar pelo nome.

—Niko?

Notas finais
Ai gente... a situação está cada vez mais difícil para o Niko não acham? E aí, alguém já sabe quem atropelou o Jayminho? Ah, mais uma coisa. Fiz uma pequena alteração no prólogo atendendo ao pedido da Letícia, inclui uma pequena parte que explica porque Jonathan não entrou na sala enquanto Pillar falava com Niko ao telefone 4 anos atrás. Não é nada chocante, na verdade é algo bem comum, mas achei que era uma explicação convincente. Espero que gostem rsrs.