Efeito Borboleta

7 Capítulo 6


Félix olhava suas mensagens enquanto caminhava em direção a sua casa, a primeira da lista já lhe deixou extremamente irritado, era do Juscelino dizendo que a peça que precisa trocar em sua van só chegaria no dia seguinte à tarde. Como se já não bastasse não ter podido ir vender seus HotDogs em plena quinta-feira ele ainda não poderia ir amanhã, o melhor dia de trabalho, mais era mesmo o apocalipse. Pelo menos ele conseguiu usar este dia que já estava mesmo perdido para ir falar com o Doutor Lucas para conseguir o tal encontro entre papi e Paloma.

A próxima mensagem era de seu filho Jonathan, mas quando Félix virou-se para abrir o portão de sua casa (antiga casa da Márcia), deu um pulo de susto ao ver o filho sentado num dos degraus da escada. _Jonathan!!! Pelas contas do rosário, você quer matar seu pai de susto, sentado aí nesta escuridão?

— Claro que não pai. Depois não está tão escuro assim... Jonathan disse levantando-se para ir de encontro ao pai e dar lhe um abraço e um beijo no rosto. _ E eu mandei uma mensagem dizendo que eu vinha te visitar, mas você nem leu minhas mensagens. O que adianta eu te dar o celular se você não lê nem responde as minhas mensagens pai? Ele falou enquanto seguia o pai escada acima.

— Ahh mais eu devo ter queimado os pergaminhos sagrados, pra você vir me cobrar um presente que me deu Jonathan.

— Eu não tô cobrando nada pai.

— Eu sei, eu sei meu filho. Félix falou em tom mais sério e cansado já na sala de casa. _ Eu não consegui olhar as mensagens antes, eu estava lá no fórum pra resolver um assunto do seu avô. Fui de ônibus porque aquele mecânico de meia tigela está com minha van. Félix falou com seu tom de voz alto e estridente a última parte antes de desmoronar no sofá. Jonathan apenas riu e sentou ao seu lado. _Ahh você ri né criatura, você faz ideia do que é pegar um ônibus nesta cidade em plena hora do rush fica tão lotado que se você levantar um pé tem que vir o resto do caminho que nem o saci-pererê porque não acha lugar pra ele novamente.

— Tá bom pai. Jonathan falou ainda sorridente, havia alguns anos que o humor do pai deixou de ser irritante e cruel, muito pelo contrário, o pai passou a fazer piada de si mesmo e por incrível que pareça fazendo de suas dificuldades algo alegre. Às vezes Jonathan não o reconhecia, pelo menos não o pai que o criara durante quase 18 anos. E você tem visto meu vô?

— Eu fui vê-lo domingo. Félix voltou a falar sério.

— E como ele está?

— Ah, tá bem né meu filho. Do jeito que dá pra estar naquele lugar. Pelo menos está completamente recuperado da pneumonia. Achei ele até bem corado desta vez.

— Eu vou lá no próximo domingo pra vê-lo.

— Vai mesmo meu filho. Seu avô não dá o braço a torcer mais ele gosta muito quando alguém vai lá pra vê-lo. Ahh ele a-do-rou o gravador que você deu viu? Aquilo vai ser ótimo pra distrair o papi nas horas livres durante um bom tempo. Félix falou com um sorriso sincero no rosto.

— Imagina pai, a ideia foi toda sua.

— É mais você financiou né. Então é seu presente.

— Ok. Mas eu vim aqui por outro motivo.

— Outro motivo?

— Ahã. Eu vim pra te levar pra jantar.

— Me levar pra jantar Jonathan?! Félix ficou emocionado, mas não podia aceitar que o filho gastasse o pouco dinheiro que ganhava no estágio pra leva-lo pra jantar. _ N-Não precisa Jonathan. Olha, se você quiser eu posso fazer um omelete pra gente. Félix levantou e foi até a cozinha abrir a geladeira pra ver se tinha ovo. _ Eu sei fazer uma omelete que é de comer rezando. Félix tirou os ovos e colocou-os sobre a mesa e juntou as mãos num sinal de prece ao finalizar a frase.

— Não pai, eu vim aqui pra te levar pra jantar comigo e não pra te pedir pra cozinhar.

— Porque, não acredita que eu sei fazer omelete? Pois saiba que eu faço uma excelente omelete viu? Tá certo que hot-dog, omelete e miojo são as únicas coisa que eu sei fazer direito, mas pode acred...

— Pai. Jonathan interrompeu o pai. _ Eu tenho uma novidade.

— Novidade? Ai fala logo meu filho, adoro novidade.

— Eu fui contratado. Félix olhou para o filho confuso, mas antes de dizer alguma coisa o rapaz esclareceu. _Na empresa que eu faço estágio, meu estágio finaliza agora porque vou formar e, como tinha uma vaga aberta... Ele abriu um largo sorriso.

Félix também abriu um enorme sorriso e não conteve sua alegria. _ Ai filho que orgulho!!! Parabéns!!! Ele voltou a sala e deu um grande abraço no filho . _ Parabéns!!! O moreno não cabia em si de tanta emoção.

— Então pai. Eu consegui na faculdade uma declaração de conclusão de curso já que eu passei em todas as matérias com a terceira nota e já tenho meu registro provisório no CAU. Jonathan mostrou o seu documento orgulhoso. Félix pegou o documento das mãos do filho e não conteve a emoção. _ Você está falando com o mais novo Arquiteto de São Paulo. Jonathan abriu os braços e deu uma volta em torno de si.

Félix colocou uma mão no peito enquanto a outra ainda segurava o documento do filho e com os olhos cheios de lágrima ele abraçou o filho e falou. _ Estou muito orgulhoso de você meu filho. Ele riu embora as lágrima descessem pelo seu rosto.

— Quê isso senhor Félix! Se alguém ver você chorando assim, vai achar que você amoleceu. Jonathan brincou. _ Deixem que fale meu filho. Félix afastou do abraço e olhou nos olhos do filho. _ E pensar que eu quase te impedi de seguir este sonho não foi? Félix lembrou do quanto era intolerante com o filho.

— Isso é passado pai. O importante é que você me apoiou e agora eu sou um arquiteto. Jonathan não se cansava de repetir. _ E como comemoração eu quero usar meu primeiro salário para levar meu pai pra jantar num restaurante especial. Ele disse com amor.

— Você me surpreende meu filho. Félix disse ainda muito emocionado. Ele ficou olhando para o filho por alguns minutos. Jonathan ainda era bem magro e não era muito alto. Ele puxou a família da mãe. Mas seu corpo estava um pouco mais definido, assim como seu rosto que tomava uma forma mais adulta e ele parecia cada vez mais com Félix, de uma maneira mais exótica, já que Félix jamais usara os cabelos tão descoordenados como o filho, tão pouco usava aquelas roupas de skatista revoltado.

— Então? Jonathan quebrou o silêncio.

— Ahh tá bom, eu vou. Mas você vai precisar me esperar tomar um banho e por uma roupa mais decente né meu filho. _Imagina pai você tá ótimo.

— Hahaha agora você resolveu gozar da minha cara né Jonathan. Desde quando calça Jeans da 25 de março e camisa xadrex é roupa que preste. Se bem que se for olhar pras roupas que você veste né meu filho, qualquer coisa é ótimo. Félix, podia ter mudado em muitas coisas mas sua sinceridade ácida não era uma delas.

— Eu gosto do jeito que me visto pai. Jonathan replicou.

— Tá bom, tá bom. Mas, me diz onde nós vamos jantar? Não me fala que é numa churrascaria, churrascaria é o ó! Félix falou rindo.

— Você escolhe.

— Eu? Sério filho?!

— É sério. Qualquer lugar que você quiser pai.

Félix parou e pensou, estranhamente, apesar de ter uma dieta restrita pela falta de dinheiro, Félix não queria ir em nenhum daqueles restaurante de luxo que costumava frequentar, na verdade, desde que Jonathan falara poucos minutos atrás que veio levá-lo pra jantar só um lugar não saía da sua cabeça.

— Você gosta de comida Japonesa?

Notas finais
Qual será o restaurante de comida Japonesa que o Félix vai hein? Alguém tem dúvida que é o restaurante de um certo carneirinho? Mas a pergunta que fica no ar é... porque o Félix lembrou do restaurante do Niko? Recados: — Então, sobre as mudanças de Félix. Eu concordo que grande parte delas foi por causa do Niko. Mas a gente não pode esquecer que a Márcia, com amor, porém com firmeza, também soube fazer o Felix amadurecer. Neste UA os anos vivendo uma vida simples também ajudaram o Félix a mudar. Ainda quero saber o que vocês acham pessoal... sei que a estoria tá um pouco depressiva, com tudo sendo muito mais difícil pra nossos lindinhos... mas vamos combinar, a vida não é fácil não é gente. E drama é muito bom não é não? Bjs