Efêmero
13 Capítulo XII: Solidão
Notas iniciais
Capítulo XII: Solidão
Escrito por: Wenky (Andréia)
.
.
Quando Hermione voltou sozinha pela manhã até o Chalé das Conchas, ela se pegou pensando sobre sua trajetória até ali. Sentia uma enorme necessidade de ficar sozinha, era como se seus ombros começassem a realmente pesar em função de todos os acontecimentos daqueles últimos anos. Parte de si, aquela que vinha reprimindo toda frustração enquanto ela dizia a si mesma que as coisas melhorariam e que tudo que precisava fazer era seguir em frente, estava prestes a explodir. Estava exausta.
Já havia se passado algum tempo desde que ela e Harry retornaram definitivamente à Inglaterra e se instalaram na aconchegante e solitária casa do irmão mais velho de Rony, que fora construída próxima à costa e era provavelmente a única construção ali até o momento. O lugar havia sido escolhido sem dúvidas em função de seu isolamento, mas também porque aquele era um dos poucos lugares em que nenhum Comensal havia os surpreendido com sua presença até então, o que lhes garantia uma maior sensação de segurança.
Ao retornar, Hermione havia concordado com Harry e alguns dos membros remanescentes da Ordem e da antiga Armada Dumbledore, que atualmente contava com toda família Weasley e Neville Longbottom, de que já era hora deles começarem a colocar os planos para destituir Voldemort do poder em ação, dentre eles, destruir a Horcrux que ainda tinham em poder. E, uma vez que toda a comunidade bruxa tivesse esquecido de Harry de vez, ele deveria reaparecer mais forte, como um símbolo da revolução, mas para isso era necessário antes que eles, como membros da oposição, se fortalecessem.
No entanto, diante dos acontecimentos recentes, começou a sentir que havia sido demasiado inocente em suas concepções. O tempo havia passado e eles não haviam feito progresso praticamente nenhum ao passo que Voldemort continuava a se fortalecer cada vez. E, como se não bastasse, agora que Yaxley estava morto, havia uma ameaça constante de que eles acabariam sendo descobertos.
Diante das circunstâncias, Hermione temia pelo amigo e desejou que ele tivesse continuado escondido, fora do país, porém, em segurança. O pensamento a fez se sentir extremamente mesquinha, ela conhecia o tormento que lhes custara passar tanto tempo fugindo, especialmente para Harry, afinal, Hermione ainda mantinha contato com os amigos fazendo visitas esporádicas à Inglaterra. Dentre os dois, era melhor arriscá-la do que a Harry, ele era o símbolo que inspiraria as massas em breve. Quanto a ela, não seria nada mais do que uma sangue-ruim que sabia demais.
Quando seus pensamentos a levaram de volta para Draco Malfoy, ela encontrou um misto de raiva e decepção juntamente com a gratidão pelo rapaz que salvara sua vida na noite anterior. Hermione sabia que ele não a devia nada e que provavelmente fizera mais do que ela jamais poderia pedi-lo. Deixar a Ordem era uma escolha completamente dele. Ainda assim, foi acometida por uma amargura ao concluir que ele estava a deixando também.
Como se não bastasse, ela sabia que mais cedo ou mais tarde precisaria falar com Harry sobre o assunto e todos seus temores foram confirmados acerca da reação dele não ser das mais positivas quando, em tom de acusação, ele disparou raivoso:
— Eu falei que não deveríamos ter confiado nele. Agora Malfoy sabe demais — bufou — Não vai demorar muito até que ele entregue a gente e consiga uma posição privilegiada. E eu não duvido que ele tenha planejado desde o começo — completou, irritado.
Hermione se pôs em silêncio enquanto escutava Harry falar. Deu um suspiro pesaroso antes de contemplar o amigo com uma resposta curta e direta, deixando-o sobressaltado.
— Não vai.
— O quê? — Harry disse.
— Ele não vai entregar a gente — a garota retorquiu simplesmente.
— Hermione, você consegue ouvir a si mesma? — Continuou, num tom visivelmente alterado — Você está realmente tentando defender ele depois de tudo? Estamos falando sobre Malfoy! Ele é um traidor e um covarde, sempre foi. Você não está mesmo tentando insinuar que confia nele, ou está?
A garota engoliu em seco, ergueu a cabeça e encarou o amigo com um olhar de convicção cujo ele já estava bastante acostumado e que Hermione costumava usar com frequência sempre que tinha razão em qualquer situação que fosse. Mas dessa vez, pensou Harry, ela não poderia estar mais enganada.
— Eu confio nele — disse em alto e bom tom ao passo que Harry escutava com uma expressão de incredulidade.
— Você não pode estar falando sério...
— Estou — respondeu com firmeza — Harry, eu sei que ele deixou a gente. E eu acho que a culpa é minha — explicou claramente ressentida — Mas ele prometeu qu-
— Ele prometeu? — Harry a interrompeu, assumindo um tom de sarcasmo — Desde quando Malfoy te faz uma promessa e você acredita nele? Hermione, você quer saber o que eu acho? Depois daquela noite, no Largo Grimmauld eu me peguei pensando que havia algo entre vocês dois que você estava escondendo de mim. Eu me senti extremamente estúpido por pensar que a minha melhor amiga estava de alguma forma mentindo para mim — ao escutar aquelas palavras, Hermione sentiu uma pontada de remorso atingi-la mas repetiu o mantra que sempre dizia a si mesma, de que fazia aquilo pelo bem do amigo — Mas agora, eu não teria tanta certeza assim — acrescentou com frieza.
— Do que você está falando? — Questionou-o, na tentativa de se certificar que havia entendido bem a insinuação que Harry havia acabado de fazer. Ele, por sua vez, a presentou com um sorriso irônico antes de falar novamente.
— Você entendeu — disse simplesmente — Eu acho que existe alguma coisa entre você e o Malfoy que você não está tão disposta a me contar.
— Não tem absolutamente nada entre Draco e eu! — Hermione disparou, furiosa — Você quer saber por que estou dizendo que confio nele? — Continuou, num tom visivelmente alterado — Naquele dia no Largo Grimmauld eu pensei que ele estivesse mentindo pra gente, que ele estivesse planejando trair a Ordem. Eu questionei ele, fiz ameaças. Eu estava tentando proteger você e a Ordem. Eu teria o matado se fosse preciso! E ainda assim você age como se eu não me importasse! — Gritou — E quer saber mais? Eu estava errada. Draco nunca quis nos trair. E então, na noite passada ele... ele me salvou. Ele matou Yaxley, por mim — completou. E agora que falava em voz alta, sentiu como se tivesse uma epifania.
Por mim, as palavras ecoaram em sua mente levando-a à uma conclusão completamente nova que de súbito a deixou atônita enquanto uma onda de arrependimento a invadia novamente. Harry, por sua vez, agora a encarava surpreso, não somente pela revelação mas porque ele havia acabado de receber uma confirmação um tanto quanto estranha sobre a relação entre Draco e Hermione. A diferença era que, naquele momento, ele já não sabia mais o que pensar.
— Hermione... eu não sabia, eu...
— Harry, eu estou cansada. Preciso colocar a cabeça no lugar. Será que você pode me deixar sozinha por um tempo e depois falamos sobre Malfoy? – Indagou, interrompendo a fala do amigo que a respondeu com um olhar de ressentimento antes de deixar o cômodo.
*****
Durante os dois dias que se seguiram Hermione se dedicou a traçar um plano. Agora, mais do que nunca, sabia que precisava correr contra o tempo. Precisava achar uma forma de destruir a Horcrux que a Ordem tinha em seu poder antes que fosse tarde demais. Yaxley estava morto, mas isso não significava que ela poderia respirar aliviada. Outros Comensais viriam atrás deles e seria apenas uma questão de tempo.
Passou a maior parte dos dias que se seguiram tendo Bichento como sua única companhia e rodeada de livros a fim de encontrar informações que lhe pudessem ser úteis. Desde a última discussão que tiveram, ela e Harry estavam se falando apenas o essencial. Embora aquilo a machucasse, Hermione sabia tudo que no momento tudo que ela mais precisava era ficar sozinha para que pudesse pensar com maior clareza. Além disso, Harry e Ginny finalmente haviam se reconciliado e não era como se a sua presença fosse tão necessária.
Os demais membros da Ordem, que contava principalmente os membros remanescentes da família Weasley, estavam alarmados, mas talvez não tanto quanto ela. Agora que a gravidez de Ginny havia deixado de ser um segredo e que sua barriga começava a finalmente dar sinais mais visíveis, a chegada da criança havia se tornado a nova atração.
Hermione estava feliz pelos amigos, especialmente por Harry, ainda que não tivesse tido a oportunidade de parabeniza-lo. Ela sabia que quando tudo aquilo acabasse ele teria um motivo para seguir em frente, algo ao que se agarrar. Nesse ponto, sentia como se estivesse parada no tempo. Já fazia alguns anos desde que tivera contato com seus pais, mais especificamente desde que obliviara eles de forma que eles já não mais se lembrassem de que tinha uma filha. Havia sido tudo pela segurança deles, lembrou a si mesma, mas isso também não mudava o fato de que agora era praticamente como se ela tivesse os perdido e estivesse cada vez mais longe de recupera-los.
Além disso, havia Rony. Que o tempo passara deveras de pressa era certo, e também era verdade que ela havia se agarrado na ideia de que eventualmente as coisas e ajeitariam e que ela seria capaz de seguir em frente. Mas não foi exatamente o que aconteceu. Pensar na ideia de que a última vez que havia falado com Rony e a última vez que o vira foi durante uma briga era uma ferida aberta que dificilmente se cicatrizaria.
Durante os meses que se seguiram desde o ocorrido ela se mantivera firme acreditando que conseguiria revê-lo e que as coisas entre os dois se ajeitariam, como sempre acontecia sempre que brigavam. Quando toda esperança se acabou ela se via na condição de aceitar a terrível verdade de que Rony Weasley estava morto, e que ele morrera a odiando.
Desde então, sentia-se vazia e olhando para Harry e Ginny, era como se mesmo depois que todo aquele pesadelo acabasse, ainda não haveria um futuro certo para ela. E não era como se pudesse almejar ter. Estava emocionalmente quebrada.
Frustrada com a falta de saídas satisfatórias e de um plano realmente eficaz, Hermione foi tomada pela ociosidade e acabou deixando que as palavras de Harry martelassem na sua cabeça novamente, a levando de volta para Draco, a despeito da sua decisão de que não pensaria mais no assunto tendo em vista que havia sido escolha dele deixar a Ordem para trás.
Quando falou com Harry havia total convicção dentro dela de que estava certa quanto a Draco. Não era como se sua convicção tivesse se esvaído, mas ela se pegou secretamente desejando que ele retornasse. Que mudasse de ideia. Não era justo que ele decidisse partir logo no momento onde os dois estavam finalmente conseguindo se conciliar e trabalhar juntos. Hermione precisava da ajuda dele, mais do que nunca e mais do que achou que jamais precisaria.
Ainda com esses pensamentos circundando sua mente e com um resquício de esperança que a fazia ignorar o fato de que estava fadada a se frustrar, Hermione decidiu realizar uma aparatação até o pequeno apartamento de Draco onde estivera há poucos dias atrás. Assim como o esperado, o local estava vazio e ela ainda era muito provavelmente a última pessoa que esteve ali.
Diante daquele cenário, Hermione disse a si mesma que ele não voltaria mais. No entanto, ela descobriu que os resquícios de esperança que guardava dentro de si eram mais do que o suficiente para fazê-la retornar ao local mais de uma vez. Além disso, o apartamento de Draco, se ele nunca mais retornasse de fato, acabou se tornando um lugar bastante confortável para passar suas horas em silêncio. Algumas vezes, ela até mesmo ficava imaginando como explicaria para ele sua presença ali caso o rapaz de fato retornasse. Mas de todo modo, não foi o que aconteceu. E uma semana inteira se passou desde que ela o vira para a última vez.
Quando já durante a noite retornou à casa de Fleur e Bill, Hermione foi recebida por olhares atônitos e pela presença nada convencional de Neville Longbottom. Mesmo que Neville fosse um dos poucos membros remanescentes da Ordem e um dos poucos bruxos que ainda estavam dispostos a apoia-los, já fazia algum tempo desde a última vez que ela havia visto o amigo. O contato que mantinham era através de magia e cartas quando possível e fazendo o máximo para não evitar suspeitas.
Nesse sentido, a presença do bruxo ali a dizia que algo muito ruim provavelmente acontecera, ou estava acontecendo, a ponto de motiva-lo se arriscar tanto e ir pessoalmente encontra-los. Antes que pudesse falar alguma coisa, Hermione foi até o amigo e o cumprimentou com um abraço apertado. Reencontrar aqueles que foram próximos em Hogwarts fazia crescer nela uma necessidade quase que imediata de se ver livre daquele inferno e voltar a ter uma vida normal.
Neville a olhou com um ar de constrangimento e quando a garota olhou ao seu redor percebeu que praticamente todos no local a olhavam como se tivessem algo muito importante para conta-la e que, no entanto, ninguém parecia ter estômago para fazê-lo.
— Hermione — Harry decidiu começar a falar, pigarreando — Neville veio aqui hoje para nos dar uma notícia sobre a Professora Minerva — disse.
Os olhos de Hermione se arregalaram em sinal de surpresa, mas também por apreensão pelo o que viria a seguir. Porém, ela se manteve em silêncio, incapaz de se expressar com palavras, e se limitou a apenas escutar os amigos.
— Eu recebi algumas notícias de Azkaban — Neville continuou por Harry, explicando — Ela... se foi. A Professora Minerva foi dada como morta — completou com a voz entrecortada, resultado de seu esforço para impedir que suas emoções se excedessem.
Ao terminar de escutar, Hermione sentiu o estômago se embrulhar quase que de imediato. Ainda sem saber ao certo como expressar alguma reação, ela apenas fitou os olhares entristecidos de seus amigos e últimos aliados remanescentes da Ordem. Uma das pessoas mais importantes na batalha contra Voldemort, essencial para vencer aquela guerra, se fora para sempre.
No dia da Batalha de Hogwarts, quando ela, junto de Harry, teve que sair foragida na intenção de ganhar mais tempo para destruir as Horcruxes e conseguir de uma vez derrotar Voldemort, Minerva permaneceu lutando bravamente. Hermione se lembrava com clareza da voz da mulher mais velha a dizendo em tom de urgência para que fugisse e se escondesse, a assegurando que lhe daria cobertura para isso. E até o presente momento, ela vinha seguindo as ordens de sua mentora, de forma que a perspectiva que ela havia partido para sempre, deixava um vazio dentro de si impossível de ser preenchido.
Ao contrário de outros membros da Ordem, como Tonks, Lupin e Fred Weasley, Minerva conseguira sobreviver, junto com Hagrid, só que os dois acabaram sendo levados para Azkaban. Ainda que os anos tivessem passado mais rápido do que o esperado e tivessem sido mais cruéis do que deveriam, todos os membros remanescentes da organização tinham esperanças de recuperar os aliados de alguma forma.
Embora saber que ainda restava Hagrid servisse de consolo, Hermione sentiu o ar fugir de seus pulmões ao pensar na ideia de que Minerva vivera os restos de seus dias em uma prisão para bruxos sem, contudo, ter feito nada de errado em sua vida. Pelo contrário, até, a mulher havia lutado bravamente até o fim por aquilo que julgava ser o certo.
Sentiu-se culpada por não ter feito algo. Afinal, poderia realmente ter feito algo? De todo modo, pouco importava àquela altura. Ela apenas desejou ter feito. Desejou um desfecho diferente, como vinha desejando todos os dias de sua vida desde que Voldemort alcançara o poder no mundo bruxo. Mas tudo parecia tão, tão distante.
Pensou que deveriam se organizar, achar um meio de recuperar o outro amigo antes que fosse tarde demais e ele tivesse o mesmo desfecho que Minerva. Mas eles estavam engessados, e cercados por todo o lado, cada passo novo requeria uma enorme cautela e qualquer erro poderia custar a vida de alguém precioso. E, como se não bastasse, cada vez que pareciam estar avançando em algum aspecto, era como se regredissem em outro.
Ginny se aproximou cautelosa da amiga e, sem dizer nada, a abraçou. Os outros permaneceram olhando a cena, incapazes de se expressar. Todos ali presentes sabiam o quanto Hermione admirava, e até mesmo se inspirava em Minerva de maneira que era evidente o quanto aquela perda provavelmente era ainda mais dura para ela.
Ao se desvencilhar do abraço de Ginny, uma Hermione inexpressiva, indagou num tom distante:
— Será que podemos pelo menos realizar um funeral adequado?
Neville a encarou com uma expressão de dor no rosto que foi incapaz de esconder e balançou a cabeça em negação antes de responde-la.
— Não, Hermione. Acho que não — disse, consternado — A Professora Mcgonagall morreu como uma inimiga, uma traidora de sangue. Eu não acho que eu conseguiria o corpo, além disso, seria arriscado. Têm desconfiado muito de mim ultimamente, eu até mesmo recebi a visita de dois Comensais alguns dias atrás — acrescentou, engolindo em seco.
Hermione levantou o rosto, ainda com as feições imóveis. Era certo que ela estava prestes a desmoronar, poderia sentir suas emoções prestes a colapsarem dentro de si. Mas os olhares que recebia, cheios de expectativas de que isso eventualmente acontecesse, pareciam a impedir.
— Eu entendo — disse simplesmente — Vamos encontrar uma forma de honra-la. Ela não morreu em vão — declarou, deixando os demais membros apreensivos pelo o que viria a seguir.
Neville apenas assentiu e quando retornou a falar se certificou de escolher suas próximas palavras com bastante cautela.
— Eu... devo partir em breve. Está ficando tarde e não posso levantar suspeitas. Farei o possível para mantê-los informados de qualquer novidade que apareça — anunciou. Logo em seguida despediu dos amigos fazendo votos para que se reencontrassem mais breve do que da última vez e que todos se mantivessem são em salvos, depois, desaparatou.
Hermione tinha todos os olhares voltados para si quando anunciou em voz alta que precisava se retirar. Ninguém a questionou, nem mesmo Harry, todos pareciam ter feito um acordo silencioso que o mais adequado era deixa-la sozinha no momento. E, de todo modo, ela vinha se isolando durante toda a semana que ninguém pareceu achar o comportamento muito estranho. E se achassem, provavelmente preferiram não se manifestar, receosos de que poderiam piorar as coisas.
Como havia feito nos dias anteriores, mais uma vez ela encontrou conforto na companhia de Bichento e no pequeno apartamento de Draco. Durante a noite, o local ficava ainda mais sereno. Recusando-se a utilizar qualquer tipo de iluminação, até mesmo o feitiço Lumus, a garota se permitiu ficar na penumbra, aproveitando o conforto que a escuridão do local a proporcionava. Ali, sem os olhos ansiosos de seus amigos, ela se permitiu chorar silenciosamente.
Sentia que seus ombros pesados pelos fardos que carregava, tanto pelos deveres quanto pelas perdas, estavam ficando fracos demais para suportar. Mas de alguma forma, as lágrimas pareciam ser capazes de aliviar um pouco a sensação de impotência. Rapidamente o cansaço e o estresse a fizeram sucumbir ao sono e, enquanto adormecia, os pensamentos de Hermione se direcionaram tanto para Minerva quanto para o fato de como o cheiro de Draco parecia estar por todo o local e de alguma forma aquilo parecia ser o suficiente para lhe garantir um sono mais tranquilo do que o esperado.
Naquela noite em questão, Draco decidiu adentrar seu apartamento de forma convencional, a fim de não criar suspeita para a vizinhança. Assim que desaparatou próximo ao prédio, ele foi caminhando até a residência e quando destrancou a porta de entrada, acendendo a luz do hall de entrada, seus olhos analisaram o local com cautela. Parecia exatamente como ele havia deixado.
Havia se passado apenas uma semana, ele disse a si mesmo. Não foi tanto tempo assim. Todavia, tempo suficiente para que ele colocasse a cabeça no lugar e para que descobrisse o quanto sua vida estava, literalmente, por um triz caso não agisse depressa. De todo modo, não estava tudo perdido, ele deveria reconhecer. Ainda havia algumas vantagens e uma delas era a espada de Gryffindor que carregava consigo.
Analisando o local a sua volta, para garantir que tudo estava na mais perfeita ordem e com a varinha em punho para o caso de alguma emergência, Draco avançou pelos cômodos. Porém, quando chegou até a sala principal, ele sentiu seu corpo inteiro enrijecer com a presença inusitada da garota que adormecia em seu sofá.
— Granger? — Ele a chamou, quase em um sussurro, ao qual ela não respondeu de imediato, como numa tentativa de conferir se aquilo era mesmo real.
Evidentemente ele havia pensado sobre qual seria a forma mais apropriada para encara-la assim que retornasse e, em partes, esse havia sido o principal motivo que o fizera demorar mais do que o necessário. Ele ainda estava incerto sobre qual seria a reação da garota ao revê-lo, ansioso e temeroso, até. Para ser honesto, estava uma pilha de nervos e, definitivamente, Draco não esperava que esse reencontro acontecesse tão rápido. Mas percebeu que seu tempo tinha se esgotado quando, ainda sonolenta, Hermione abriu os olhos e se virou em sua direção.
Fale com o autor