Efêmero

4 Capítulo III: Natal


Notas iniciais
Dessa vez demorei um pouquinho mais, no entanto, espero que vocês apreciem este capítulo tanto quanto o anterior ♡

Capítulo III: Natal

Escrito por: Wenky (Andréia)

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O Natal estava às vésperas naquele ano, contudo, Hermione não poderia dizer o mesmo acerca do espírito natalino. Que as coisas nunca mais seriam como um dia foram em Hogwarts não havia dúvidas, mas parte dela ainda cultivava a esperança de que fosse possível comemorar a ocasião com os poucos amigos que restaram.

No entanto, na manhã da véspera de Natal, Ginny havia retornado ao Chalé das Conchas, residência de Bill e Fleur onde ela e Harry estavam hospedados, e embora sua aparência demonstrasse que ela estava um pouco mais feliz do que quando saíra no Domingo anterior, Hermione ainda não tinha certeza se ocorrera uma melhora legítima no humor da amiga.

Harry, por sua vez, pareceu um pouco mais feliz com o retorno da namorada, porém os dois ainda se falavam de forma fria, beirando a impessoalidade.

— E então? Finalmente decidiram o que fazer com o Malfoy? — Ginny perguntou, se aproximando de Hermione para iniciar uma conversa.

— Vamos aceitar o acordo, ele é nosso espião agora — respondeu dando de ombros enquanto bebericava o líquido da pequena xícara em suas mãos.

— Bom, sendo assim, eu acho que tem algo divertido que você talvez queira saber sobre ele — Ginny começou, tinha um sorriso malicioso no rosto, Hermione a olhava com curiosidade, de maneira que ela continuou — Ele assumiu o antigo cargo do papai no Ministério, agora está trabalhando no Controle do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas — completou dando um risinho.

Hermione riu de volta, e então, como numa epifania se lembrou da conversa que os dois tiveram na noite anterior acerca da bebida que ela o oferecera e tudo fez sentido. Ela finalmente pôde entender como Draco teve contato com coisas relacionadas a trouxas e concluiu, enfim, que ele era um péssimo mentiroso no fim das contas.

— Imagino que deva ser um trabalho bastante tedioso para ele — começou — Ele provavelmente deve achar que a posição não está à altura da sua família — desdenhou.

Ginny deu outra risada.

— Você se lembra como ele costumava implicar com a gente quando estávamos em Hogwarts, sobre o cargo do papai ser um dos menos, anh... valorizados no Ministério. Agora eu me pergunto onde está Lucius Malfoy, Percy não tem o mencionado, diz que ninguém sabe o paradeiro dele.

Hermione parou pensativa em função da insinuação da amiga, havia passado tanto tempo se escondendo junto de Harry que tinha a terrível impressão de que se desconectara do resto mundo.

— Draco não mencionou o pai — disse — Não discutimos assuntos pessoais. Mas, Ginny, você hum... acha que ele decidiu nos procurar por que está insatisfeito com sua posição no Ministério?

— Ahn? Claro que não! Ou você por acaso esqueceu que ele é um completo covarde? — Ginny rebateu — Com certeza deve ter algo a mais e eu não sei quanto a você, mas eu estou bastante curiosa para descobrir.

Hermione assentiu em resposta, sentiu-se um pouco aliviada ao constatar que não era a única que sentia curiosidade pela mudança de atitude de Draco. Afinal, sua mente não parava de leva-la de volta para a conversa que os dois tiveram na cabana antes dele cair no sono, e a cada vez que se lembrava sentia como se um filme estivesse sendo repetido, agora em câmera lenta, e inconscientemente buscava em vão por detalhes que talvez tivessem passado despercebidos na primeira vez que o assistiu.

Era um pouco frustrante, deveria admitir, que não tivesse respostas para suas perguntas, assim como saber que provavelmente não as teria, de maneira que apenas lhe restasse algumas análises e suposições do que poderia estar acontecendo na vida de seu mais novo aliado.

— Provavelmente deve ser algo que afete o orgulho dele — desdenhou. Recentemente ela havia descoberto que poderia ser bastante divertido cutucar o que havia restado do orgulho do rapaz acerca de seu nome — Você sabe como ele é.

— Eu não teria tanta certeza — Ginny acrescentou, ainda em meio a risinhos.

Por alguns instantes Hermione sentiu que sua amiga estava aos poucos retomando o bom humor que ela sempre apreciara, mas o pequeno sorriso no rosto da garota se desfez quando Harry foi colocado em pauta na conversa.

— Vocês não vão passar o Natal juntos? — Hermione perguntou incrédula, a voz levemente alterada.

— Ah, Mione você sabe que o Natal não tem sido a mesma coisa lá em casa há anos – a garota se defendeu — Desde o que aconteceu com o Ron, e depois Fred, e até mesmo George já não faz mais piadas, está sempre sério... Mamãe simplesmente não tem mais ânimo para juntar a família porque ela acha que estamos incompletos. E eu não posso culpa-la por isso.

Hermione a encarou com uma carranca, os olhos se estreitaram de leve.

— Ron desapareceu há quase três anos, e Fred está morto há dois e nem por isso você e Harry deixaram de passar o Natal juntos até agora!

Ginny a olhou com culpa estampada nos olhos, como se estivesse se desculpando, mas não conseguisse transformar seus sentimentos em palavras.

— Ginny tem alguma coisa acontecendo que você queira me contar? — demandou.

— Não eu só... é que prefiro ficar sozinha algum tempo, Harry me disse que vai ficar bem por aqui, Fleur e Bill vão sair para algum lugar à noite e ele vai ficar com a casa — respondeu simplesmente.

Hermione a olhava com descrença, mas decidiu não confrontá-la por mais tempo, se Ginny não se sentia confortável para lhe contar a verdade e preferia mentir sobre as coisas que estavam acontecendo em sua vida, caso ela a forçasse mais do que já estava fazendo, era bem provável que as duas acabassem se afastando ainda mais. E isso era a última coisa que Hermione poderia querer no momento.

— Eu... é... espero que você não se importe — Ginny chamou sua atenção novamente no que parecia ser um pedido de desculpas.

— Eu estava pensando em passar o Natal com meus amigos mas aparentemente — deu um suspiro antes de continuar — o melhor a se fazer é fingir que não é Natal. Não há mesmo o que se comemorar no fim das contas — completou.

— Mione eu sinto muito, eu...

— Eu também, Ginny, eu também — disse lançando à amiga um último olhar antes de se virar e voltar para os seus aposentos.

*****

Draco Malfoy sem dúvidas estava tendo um dia terrível. E o que poderia ser pior: aquele era mais um dia terrível de uma semana que ele só poderia definir como tão ruim quanto.

Desde que tivera sua última conversa com Hermione na cabana onde passaram a noite acampados, estava se sentindo patético. Em partes porque sua mais nova missão estava se mostrando mais complexa do que ele havia julgado anteriormente e também porque ele havia sido extremamente descuidado na presença dela.

Quando propusera o acordo com a Ordem, era evidente que se fazia necessário que confiassem nele, mas o contrário não fazia exatamente parte dos seus planos, assim como parecer um completo idiota na presença dela com a mão parcialmente decepada após uma aparatação malfeita também não.

Além disso, aceitar bebida de trouxa e até mesmo adormecer quando deveria se manter atento a qualquer movimento da garota lhe pareceu completamente insensato. Mas ele havia feito tudo isso, e agora tentava dizer para si mesmo que tudo aquilo se devia ao acidente com sua mão, perdera mais sangue do que devia, não estava pensando direito. Porém, se antes ele planejara que Hermione o visse como alguém que era melhor não aborrecer, ele estava se saindo terrivelmente mal. Ela provavelmente se aproveitaria daquilo na primeira oportunidade.

Seus dias no Ministério haviam sido cheios, era inacreditável a quantidade de bruxos que conseguia fazer mau uso dos artefatos relacionados a trouxas. Muitos o faziam por curiosidade, enquanto outros simplesmente se divertiam em confundi-los através de feitiços de péssimo gosto. Num passado não muito distante, Draco teria achado aquilo extremamente divertido, mas agora que era responsável por desfazer os encantamentos, havia tomado um desgosto terrível da ideia.

Por que simplesmente não deixavam os trouxas em paz? Assim ele teria mais tempo de investigar e seguir com seu plano, embora ainda estivesse um pouco perdido sobre como exatamente iria fazê-lo.

A situação no Ministério continuava no seu ritmo habitual desde que Voldemort assumira o controle. Porém, após os inúmeros interrogatórios e julgamentos de bruxos sangue ruim que ocorreram ao longo dos anos, agora já era possível caminhar por corredores vazios e não ser incomodado por gemidos de pessoas implorando para não que terminassem em uma cela em Azkaban enquanto eram cercadas por dementadores evidentemente famintos e ansiosos para sugar-lhes toda felicidade.

Draco admitia que, embora ele mesmo nunca tivesse aprovado que sangue ruins usufruíssem dos mesmos privilégios dos bruxos de sangue puro, aquilo o incomodava. Ele nunca realmente fora uma pessoa cruel, apesar de desejar ter sido, soube disso quando se demonstrara incapaz de executar Dumbledore na Torre de Astronomia.

Ele deveria tê-lo matado, mas abaixou a varinha. Não teve coragem.

Você não é um assassino.

A voz do velho ecoou em sua mente por dias, que logo se transformaram em semanas, meses e anos. E até o presente momento, a voz ainda era vívida. Tal como a memória da noite que transformara sua vida para sempre.

Colocando os pensamentos de lado, junto da pequena xícara de chá que bebericava, decidiu tomar uma pequena iniciativa e se dirigiu até a conhecida sala de um de seus colegas comensais.

Yaxley era um homem desprezível, Draco concluíra assim que havia tomado a decisão de iniciarem uma conversa. Mas quando se tratava dele, quem não era, afinal? Ninguém mais tratava os Malfoy com respeito àquela altura.

— Você veio aqui para começar algum tipo de conversa fiada, Malfoy? — o homem indagou com uma expressão sarcástica, levantando os olhos para fita-lo — Por acaso não está tendo trabalho o suficiente com os artefatos dos trouxas?

Draco se esforçou para não presentear o homem com uma expressão carrancuda e se manter amigável, lembrando a si mesmo o que estava em jogo ali. Mas como não encontrou palavras para continuar o diálogo, agradeceu mentalmente que ele continuasse a falar. Felizmente para ele, Yaxley falava demais.

— Eu imagino que você deva estar curioso acerca dos planos do Lorde das Trevas, agora que seu pai tem muito pouca influência, para não dizer nenhuma, o que não é para menos. A situação dos Malfoy está no mínimo deplorável — desdenhou.

— Eu não sou meu pai — disse com a voz mais firme que pôde enquanto se recusava a pensar na situação de Lucius naquele momento.

— De fato não é — ele começou — Você é ainda mais covarde.

Diante do tom que Yaxley assumira, Draco sentiu um gosto amargo na boca enquanto a raiva o queimava por dentro, discretamente cerrou os punhos se esforçando para manter sua compostura intacta.

Respire.

— Eu posso provar que você está errado — retrucou.

— Não é a mim que você tem que provar alguma coisa, garoto — o outro comensal o encarou com uma expressão séria — O Lorde das Trevas está numa missão, como você deve ter percebido, ele não frequenta mais a mansão dos Malfoy como costumava fazer.

Concentrou-se nas palavras do homem, buscando absorver seu significado e, se possível, tentar interpretar algo a mais nas entrelinhas. Por alguns segundos, se amaldiçoou mentalmente por ter passado tanto tempo evitando sua própria casa. Se iria mesmo se tornar um espião, era essencial que começasse nos lugares mais acessíveis.

Porém, encontrar seus pais era a última coisa que ele poderia desejar. Principalmente seu pai.

— Digamos que ele está atrás de algo muito importante — Yaxley continuou.

— Você sabe o quê?

O homem riu antes de formular sua resposta.

— Eu não estou autorizado a te passar informações. Mas se você realmente quer saber, recupere seu espaço, se esforce para isso. Prove sua lealdade, prove que é capaz.

Draco o encarou com os olhos semicerrados, e já tinha virado as costas fazendo menção de deixar a sala até ouvir Yaxley pronunciar sua última frase, o que lhe provocou um calafrio na espinha.

— Antes que você termine igual ao seu pai.

No momento seguinte, fechou a porta atrás de si, sem se dar o trabalho de responder a provocação do outro. Deu um suspiro pesaroso numa tentativa de recuperar sua compostura e se encaminhou até sua própria sala, acomodando-se em uma das cadeiras. Remexeu os bolsos da calça em busca da moeda que carregava consigo desde que Hermione o entregara e ficou a encarando por alguns momentos antes de tomar a decisão final.

Por alguns instantes, se pôs novamente em questionamento. As palavras de Yaxley se repetiam em sua mente, soavam tentadoras. Ele poderia deixar a ideia de ser espião para trás, poderia simplesmente recuperar o prestígio de antes. Era uma chance. As coisas poderiam ficar melhores se ele seguisse o conselho.

Mas então, se lembrou da última vez que encontrou seu pai. Lucius tinha rosto descarnado, pálido, os cabelos descuidados e mais longos do que o habitual e a barba por fazer. A voz antes imponente agora saía arranhada, trêmula, e a expressão indicava alguém constantemente aterrorizado. Era apenas o resto do homem que um dia fora, um fantasma.

Com ambos os punhos cerrados e o corpo trêmulo, ele fechou os olhos, tentando ignorar a lembrança o perturbava, mas pareceu em vão. Seu sangue borbulhou. Quis vingança, mas também sentiu medo. Não queria se tornar igual ao pai.

Em seguida, porém, foram as palavras de Hermione que o trouxeram de volta à realidade.

Estou te dando uma chance, ela disse, não faça com que eu me arrependa disso.

E assim ele utilizou a pequena moeda dourada tal como havia sido instruído, e marcou um encontro com a garota dali a dois dias, às nove da noite no Largo Grimmauld, número doze.

*****

Hermione se sentiu levemente irritada quando desaparatou próxima a casa dos Black e antiga sede da Ordem. Havia alguns anos desde a última vez que estivera ali junto com Harry e Rony. Naquela época, voltar ao local era fora de possibilidade uma vez que eles haviam sido descobertos durante a fuga do Ministério.

Agora, no entanto, o local pareceu seguro novamente. Embora ela tivesse certa desconfiança sobre ter sido notada no último encontro com Draco, havia se convencido de que fora bem-sucedida em sua tarefa de despistar quem quer que estivesse atrás deles. E, até então, nada mais havia acontecido.

Enquanto a maior parte da comunidade bruxa havia dado Harry como morto há dois anos atrás, ela e Rony foram tomados como fugitivos. Não havia sido fácil manter a fraude até então, mas de alguma forma estava satisfeita por eles terem conseguido evitar chamar atenção. Exceto por Rony, cujo nem mesmo ela e Harry sabiam do paradeiro, de maneira que depois de muito o procurarem, também o deram como morto.

Era difícil estar no Largo Grimmauld novamente, quase doloroso. O local inabitado há praticamente três anos estava imundo, repleto de poeira e mofo, mas o que realmente incomodava ali era que ele estava igualmente repleto de memórias.

Quando se juntou à Ordem o futuro lhe parecera mais promissor. Havia vários bruxos talentosos lutando pela causa de maneira que ela não imaginara um dia ter que tomar a dianteira da situação, pareceu que em breve eles conseguiriam deter Voldemort e salvar o mundo bruxo.

Agora, grande parte deles havia morrido, dentre eles Fred e Rony, e a ideia fazia a antiga casa dos Black parecer um local ainda pior para ser frequentado, porque também não havia mais motivos para sorrir ali.

— Você ajudou a Umbridge a capturar os membros da Armada Dumbledore quando estávamos no quinto ano em Hogwarts — ela acusou com os olhos semicerrados o rapaz loiro parado a sua frente. Manteve a porta semiaberta, impedindo-o de entrar no local ao passo que esperava pela resposta.

— Era assim que vocês se chamavam? — um sorriso de deboche se fez no rosto dele — Bons tempos, Granger.

Hermione revirou os olhos e abriu a porta por completo ao constatar que era Draco Malfoy mesmo, afinal de contas.

— Pode entrar — disse abrindo caminho para que ele passasse com a capa coberta por alguns flocos de neve e os cabelos mais arrumados do que da última vez.

— Esse lugar parece que não é habitado há anos — comentou torcendo o nariz — Potter deveria valorizar mais a herança, não é qualquer um que pode herdar a residência dos Black assim — se virou para Hermione que se encaminhava para a cozinha do local, puxando uma antiga cadeira para se sentar.

— Por que você me chamou aqui? — a garota indagou — É Natal hoje.

— E eu atrapalhei alguma coisa? — Draco zombou.

— Na verdade, não — disse com frieza — Não é como se eu fosse passar o Natal com alguém que eu realmente goste neste ano. Eu só pensei que você teria alguém para comemorar — ela completou — Sua família, talvez — sugeriu.

Draco a encarou de volta por alguns segundos antes de lhe conceder uma resposta que soasse o mais indiferente possível.

— Digamos que não restou muita coisa para mim também — deu de ombros — E eu te chamei aqui porque precisamos de um plano — explicou desviando o assunto para o que realmente interessava.

Hermione levantou uma das sobrancelhas, sem entender onde ele queria chegar.

— Um plano? Eu achei que você já tivesse um plano quando me propôs assumir a posição de Snape!

— E você acha que é fácil assim? Acha que Snape conseguia as informações de uma hora para a outra? — ele rebateu rapidamente, se defendendo.

Ela o encarou em silêncio por um momento, como se estivesse o analisando, e então disse numa conclusão imediata, ligando todos os pontos das informações que havia recolhido até então:

— Eles não confiam em você.

— O quê?

— É por isso que você procurou a Ordem — disse num tom de retaliação.

— Do que você está faland...

— Te deram o antigo cargo de Arthur Weasley no Ministério, seu pai praticamente não é mais mencionado e agora você está aqui. Você está com problemas, não está?

— Como você sabe disso? Do meu cargo no Ministério? Eu achei que você ocupasse seu tempo se escondendo — ele agora assumia um tom relativamente alterado ao se dar conta que ela estava adentrando seu espaço pessoal. Não aceitaria Hermione pisando no seu orgulho mais uma vez. Assim, inconscientemente, se aproximou da garota, que por sua vez, se levantou da cadeira rapidamente o presentando com um olhar desafiador, se aproximando também.

— Como eu sei não faz diferença — disse simplesmente — Além disso, no nosso último encontro você parecia conhecer os artefatos dos trouxas relativamente bem para alguém que não os suporta. Você é um péssimo mentiroso, Malfoy.

— Sua...

— Eu não vim aqui para discutir com você — ela ponderou assumindo um tom mais brando e dando um passo para trás, afastando-se dele tão rapidamente quanto havia feito sua aproximação.

— E eu não vim aqui falar dos meus problemas — retorquiu — Não somos amigos, Granger, se lembra?

— Seus problemas não me interessam porque somos amigos. Mas eu acho precisamos ser mais claros um com o outro daqui para frente se vamos trabalhar juntos, especialmente se vamos nos ajudar mutuamente — disse num tom firme.

— Como se você pudesse fazer algo para mim — ele zombou.

E, afastando-se também, tratou de recuperar a compostura. Ter aquele tipo de conversa com Hermione estava mexendo com seu bom senso, especialmente porque ela o olhava como se soubesse de tudo, como se bastasse qualquer deslize da parte dele e ela o desvendaria.

— Aquele-que-não-deve-ser-nomeado está atrás de alguma coisa, foi o que eu consegui descobrir hoje — disse por fim, retomando o assunto inicial — E Yaxley provavelmente sabe o que é, mas não quer me falar.

Hermione o ouviu atentamente, que ele não seria dos melhores espiões ela tinha certeza, mas diante daquela conversa, teve a leve impressão de que ele não estava sendo espião nenhum. E ela que esperava que quando chegasse ali ele apareceria com uma informação valiosa já em mãos, quando na verdade tudo que Draco tinha a oferecer eram informações vagas e incompletas.

— E o que você sugere?

— Vamos fazê-lo falar — disse com um ar de determinação.

— Como?

— É aqui que começa o nosso plano, Granger.

Notas finais
Oi, gente!!! Antes de tudo eu gostaria de dar as boas vindas aos novos leitores que favoritaram, comentaram e também aos que marcaram a fanfic nos acompanhamentos!! Fico muito feliz que aumente o número de interessados na história, é muito importante para mim :') Agora sobre o capítulo, aqui vão as considerações: eu escrevendo sobre Natal em Fevereiro, estou certinha. Mas a ideia foi, mais uma vez, explorar a mudança na vida dos personagens. Durante os livros eu sempre notei que a JK gosta de dar certo destaque para a data então decidi fazer aqui um contraste para ressaltar mais uma vez a forma como a Guerra afetou aos personagens e seus respectivos modos de vida. Também dei mais uma pincelada na forma com o Draco está levando a vida dele, em breve eu conto mais sobre o que vem acontecendo com o Lucius, mas acho que já ficou explícito que não é coisa boa. Falei do Rony aqui por altos também, mas ele será mencionado mais vezes nos capítulos futuros e eu explicarei melhor o que aconteceu com ele e como isso aconteceu. Por fim, peço perdão pelo "cliffhanger", vou tentar postar mais rápido o capítulo cinco e a gente continua com a pequena reunião Dramione. Aguardo suas opiniões nos reviews. Um beijo ♡