Eduardo Ravelo No. 70
8 Nem hoje, nem nunca.
Notas iniciais
Reddington precisava pensar rápido em como resgatar Lizzie. Ele precisaria chegar até o outro lado do galpão e passar por uma sala que mais parecia um corredor gigante, e com janelas de vidros.
– Navabi! Gritou ele, gesticulando para que ela pudesse dar-lhe apoio. A agente assentiu e começou uma contagem nos dedos
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Nesse momento, Red correu; e juntamente com a mulher, disparou contra um dos homens de Ravelo que tentou pará-lo. Ele conseguiu entrar na sala e avançou para tentar chegar ao outro lado. Um dos capangas, que estava em um pavimento superior e com uma visão panorâmica, observou a cena e metralhou conta a sala. Red que já estava na metade do caminho, ouviu o barulho ensurdecedor de vidraças quebrando logo atrás dele. Imediatamente, ele se jogou no chão e saiu do campo de visão do atirador. Ele sentiu uma dor aguda em seu braço esquerdo. Um dos estilhaços de vidro havia lhe perfurado
Ele segurou o vidro e puxou de uma única vez. A dor foi forte, mas ele não podia parar. Arrancou a manga da blusa e amarrou no braço, como forma parar o sangramento. Ele seguiu por uma sala, e arrombou a porta que levava até o caminho por onde Ravelo havia empreendido fuga com Elizabeth. O local era uma espécie de corredor que ligava até um compartimento cheio armários velhos. Provavelmente, seria o local onde os funcionários guardavam suas coisas, quando a fábrica ainda estava em funcionamento. Red foi minucioso, pois temia que Ravelo estivesse por lá, mas ao chegar ao fim da sala, viu que havia outra porta, e esta se encontrava entreaberta. Ele seguiu por ela.
Um desespero começou a consumi-lo. Se Ravelo saísse dali com Elizabeth, era certo que ele a mataria. Obviamente a idéia do FBI invadir o local não havia sido dele. Mas isso não era um assunto a ser questionado agora. Se teria sido um erro da corporação, esse mesmo erro não seria discutido, mas sim consertado. Ele continuava a correr por um corredor que havia além da porta. Era iluminado, mas a maioria das luzes piscavam. No fim dele, havia uma entrada à esquerda. Ao dobrar, Red avistou Ravelo e Elizabeth a cerca de 10 metros. O criminoso ouviu que alguém se aproximava e imediatamente virou, com a agente servindo-lhe de escudo e com a cabeça sob a mira de uma arma.
– Solte Elizabeth Keen agora!
– Red, eu falei que você não deveria bancar o esperto comigo.
– Você acha que se a idéia tivesse sido minha, eu teria feito algo tão desastroso? Questionou Red. – A essa altura você já estaria com os miolos espalhados pelo chão. Você já tem as informações. Solte-a!
Eduardo deu chute na panturrilha de Elizabeth, cuja desabou no chão, de joelhos. A arma agora estava diretamente apontada para a fontanela da agente. Os olhos dela se encheram de lágrimas, mas ela mantinha a cabeça erguida e forte.
–Largue a arma, Red! Ordenou Ravelo.
Reddington hesitou por alguns instantes, mas obedeceu. Colocou a arma no chão e a chutou para o canto da parede.
– Eduardo, eu dou o que você quiser. Milhões, informações... mas deixe-a em paz.
– Cara, você não consegue aceitar que falhou na sua missão? Você jurou protegê-la, soldadinho de chumbo, e olha onde ela está agora! Um simples movimento, e tudo morre aqui. Toda a sua dedicação valeria à pena se isso acontecesse?
Red e Elizabeth se encararam. Ele faria qualquer coisa para tirá-la daquela situação, mas nunca havia se sentido tão impotente.
– Tudo que eu fiz, a ela, valeu à pena. Eu daria a minha vida, porque sei que valeria a pena.
Red permanecia fitando os olhos de Lizzie. As lágrimas, que antes pareciam fortemente retidas nos olhos da agente, agora rolavam pelo seu rosto suado. Ela estava com muito medo, mas naquele momento desejou abraçar fortemente Red. De repente, ela sentiu um forte impacto em suas costas. Ravelo acabara de dar-lhe um chute, e o corpo de Elizabeth esbarrou de frente ao chão. O criminoso apontou a arma na direção de Red e disparou.
– Não! Gritou Elizabeth a plenos pulmões.
A bala atingiu a parte central do peito de Red, mas pendendo para a direita. Ele arriou no chão, com a forte dor que lhe consumiu. Ravelo sorriu e seguiu em fuga.
– Vejo você no inferno, Raymond! Gritou.
Lizzie correu até Red e se ajoelhou diante dele. Rasgou-lhe o colete e fez pressão sobre o ferimento. Ela apoiou a cabeça do homem em seus braços.
– Fique comigo, Red! Disse ela, dando leves tapas no rosto do ferido.
Naquele instante, Lizzie ouviu passos que se aproximavam e pegou a pistola que havia sido jogado por Red. Apontou na direção que vinha o barulho, mas se acalmou quando percebeu que era Dembe. Ele correu desesperadamente quando viu que Raymond estava ferido.
–Precisamos levá-lo agora... Disse. No entanto, Red segurou-lhe pelo braço e apertou. Eles se encararam.
– Vá...agora! Disse Red com dificuldade.
– Não, Raymond. Retrucou Dembe
– Agora, Dembe!
Elizabeth não estava entendendo para onde Red estava mandando Dembe ir, mas depois de relutar, o homem se levantou e saiu correndo na direção que Ravelo havia ido.
– Dembe, o que diabos você está fazendo? Berrou Elizabeth.
Ela apressou-se em pegar o celular no bolso de Red e ligou para Navabi.
– Navabi, eu preciso de uma ambulância urgente... Red está gravemente ferido. Disse Elizabeth aos prantos.
– Onde você está, Keen?
– Ainda no prédio. Respondeu, encerrando a ligação.
Red parecia sonolento. A agente deu-lhe algumas tapas, para mantê-lo acordado.
– Red, fica comigo! Por favor... por favor!
As lágrimas agora caiam copiosamente.
– Reddington... eu não consigo sozinha. Por Deus, nem pense em me deixar.
...
Dembe seguiu pelo caminho em busca de capturar Ravelo. Sentia-se arrasado por não ter ficado para ajudar no resgate de Red, mas ele havia recebido uma ordem. Se o criminoso conseguisse escapar, seria questão de tempo até vir novamente atrás de Elizabeth, e isso não poderia acontecer. Red sempre colocou a segurança da agente em primeiro lugar, nem que isso lhe custasse à vida. Por isso, ele ignorou a ajuda de Dembe e o mando ir atrás de Eduardo, para por fim nessa história; já que ele estava impossibilitado de fazer isso.
Ravelo havia entrado na mata depois de perceber que o FBI cercara todo o prédio. Estava se sentindo glorioso com o que havia feito com Red, e ainda por cima estava levando as informações sobre os vendedores alemães e irlandeses de armas.
Perfeito! Pensou
Só precisava sair dali e tudo ficaria divinamente bem. Ofegante, ele parou por alguns instantes, se encostando ao caule de uma árvore. Quando ele se ergueu novamente para continuar o caminho, foi surpreendido por uma força monstruosa se jogando sobre seu corpo. Era Dembe, que havia conseguido alcançá-lo e agora travava uma intensa luta corporal com o criminoso. Os dois chegaram a rolar em uma parte mais íngreme da floresta, e a pistola que Ravelo carregava, acabou ficando pelo meio do caminho. Ao término da queda, os dois pararam em um terreno plano. Dembe aproveitou para se levantar rapidamente e aplicar um golpe “mata leão” em Ravelo, que tentava de todas as formas se desvencilhar. O criminoso pegou um pedaço de galho resistente e conseguiu cravar na lateral da coxa de Dembe, que por impulso da dor, acabou soltando-o. No entanto, com um único movimento, ele arrancou o corpo estranho de sua perna. Ravelo havia desabado no chão totalmente sem fôlego.
Essa era a oportunidade de Dembe, que segurou o criminoso pela blusa e o esmurrou. Uma sequência de golpes foi disparada em Ravelo, que teve o rosto banhado de sangue após um dos socos lhe quebrar o nariz. O tranquilo Dembe estava com uma raiva incontrolável e não deixaria barato o que havia sido feito com Red. Ele pegou um canivete e cravou no estômago do criminoso. Depois disso, começou a fazer um movimento subindo e aumentando o corte. Ele aproveitou e deu uma cabeçada em Ravelo, que caiu para trás. Por fim, enfiou o objeto no pescoço do homem, que se contorceu de dor até ficar inerte e sem vida. Por alguns instantes, ele se encostou a uma árvore e respirou. Logo depois, pegou o pen drive que estava no bolso do morto e com a raiva que ainda não passara, ele quebrou o dispositivo e jogou sobre o corpo de Ravelo.
Hora de aproveitar sua reserva no inferno. Pensou
...
O resgate havia chegado, e Red agora estava sendo colocado em uma maca, da qual seria levada até a ambulância, para que os primeiros procedimentos fossem feitos. Lizzie foi afastada pelos paramédicos e amparada por Navabi.
Red sentia um frio percorrendo todo o seu corpo e estava totalmente sem força. Seus olhos entreabertos observavam os vultos que se apressavam na esperança de salvá-lo. Ele já estivera em uma situação parecida anteriormente. Até gostava de comentar que: “ninguém acreditaria no que ele viu do outro lado”. Não havia breu, mas sim como se um refletor gigante estivesse sobre seus olhos. Uma espécie de cor branca estourada preenchia todo o seu campo de visão. Não havia sequer vozes longes. Era como se ele tivesse ficado surdo. Aos poucos as forças foram deixando seu corpo e ele não conseguia mais hesitar. Foi nesse momento, que seus olhos se fecharam contra o branco que o cegava.
...
Eu abri meus olhos e senti a luz forte do sol. Eu não fazia idéia de onde estava. Meu corpo afundava sobre algo levemente movediço. Olhei para o lado e vi que estava deitado sobre uma areia branca. Parecia até uma espécie de praia caribenha. Sentei-me e observei confuso, as ondas que quebravam sobre a bonança do local. Se eu havia morrido, aquilo era diferente de todo o maniqueísmo pregado por algumas religiões. Céu e Inferno? Era quase certeza eu ir para o segundo citado. No entanto, aquela paisagem era exatamente o tipo de local que eu gostaria de estar com Elizabeth.
Fiquei de pé e olhei ao redor. Senti a presença de alguém atrás de mim, e imediatamente me virei para ver quem era. Tomei um susto ao perceber de quem se tratava.
– Lizzie!
Com os cabelos esvoaçantes, Elizabeth me observava com os olhos cheios de ternura e calma. Nada parecida com aquele jeito cansado e desgastado dos últimos tempos. Ela transpirava paz e o sorriso que preenchia seus lábios, era sincero e calmo. Elizabeth foi se aproximando de mim e suas mãos tocaram meu rosto. O toque dela me fez suspirar e ela foi chegando ainda mais perto, até quase tocar meus lábios. Eu senti sua respiração, mas por algum motivo, ela não concluiu o ósculo. Foi se afastando lentamente e manteve-se cabisbaixa. Deu-me as costas e saiu caminhando. Eu a acompanhei sem entender o porquê de tal reação.
– Elizabeth! Chamei por ela, mas não fui atendido.
Segurei-a pelo braço direito, e ela se virou para mim novamente. A calma e a ternura de antes, haviam sumido. Ela agora me olhava cheia de tristeza. Lágrimas banhavam vorazmente seu rosto.
– Por que, Red? Questionou ela.
– Lizzie, eu... Desculpe-me. Eu fiz o que pude.
Uma das mãos dela deslizava pelo meu peito e parou em um ponto central, pendendo para a direita. Eu olhei para Lizzie e vi que ela voltara a me encarar, até descer novamente a visão para onde estava repousando a mão. Senti uma dor forte no local e uma cor vermelha- sangue começou a manchar minha blusa. Eu a encarei confuso, mas Lizzie me estapeou com um movimento brusco e repentino. Fechei os olhos por impulso, e com a dor no meu peito, eu caí de joelhos.
Por Deus, o que era tudo aquilo? Pensei
Abri novamente os olhos e vi que a paisagem ao meu redor havia sumido. Agora havia uma casa às escuras. Eu conheci aquele cenário de imediato, porque foi naquela casa onde tudo acontecera. Onde eu havia salvado Elizabeth, onde Katarina havia sido morta e onde eu também quase morri na tentativa de cumprir a promessa que fiz a ela. Mais a frente eu avistei uma pessoa sentada. Estava de casaco preto, chapéu, com a cabeça baixa, pernas cruzadas e tinha um livro em uma de suas mãos. Achei o modo de se vestir muito parecido com o meu. Seria um tanto cômico conhecer alguém de tamanho bom gosto, logo depois da morte.
– Não venha me dizer que algum cronista por aí estava certo, ao afirmar, que no fim é só você contra você mesmo.
Zombei da situação. Se aquilo era o meu destino, navegar sobre as lembranças da vida terrena, então vamos dançar conforme a música.
– Pode ser que sim, eu não sei. Respondeu o homem.
Aquela voz não me era estranha.
– Não dá para ter tanta certeza, Red. Isso porque seu fim ainda não chegou.
O homem ergueu a cabeça e me encarou.
Tom Keen! Pensei
Sim, as coisas poderiam piorar. Aquilo era um maldito pesadelo ou uma experiência sobrenatural, mas eu sabia que quanto mais a dor pudesse mexer com o meu emocional, mais ela faria. Tudo que eu temia, como as lembranças ruins do passado; ou odiava, como aquele sujeito chamado Tom Keen; seria colocado diante de mim. Naquele momento, o individuo tirou o chapéu, colocou no braço da cadeira e se inclinou para frente.
– Red, o que realmente aconteceu naquela noite? Você ainda não deu uma resposta para Elizabeth.
Eu olhei ao redor e tudo estava intacto. Não havia labaredas, nem destruição. Tudo permanecia em seus devidos lugares. Muitos porta-retratos sobre a casa, mas um me chamou atenção. Uma foto Katarina com a pequena Lizzie nos braços. Senti um nó na garganta, mas me controlei.
– Vamos lá, Red. Converse comigo. Insistia Tom. – Desse jeito parece até que você já se entregou a morte.
Ele me seguia com o olhar e eu permanecia a observar as fotografias.
– Tudo bem, Reddington. Você quem sabe.
Naquele momento, eu vi a sombra de uma garotinha indo pelo corredor e no mesmo instante, uma das cortinas da sala começou a pegar fogo. Aquilo não era real, mas um turbilhão de pensamentos veio a minha cabeça. As chamas se espalharam pela casa e Tom continuava sentado a me observar. Minhas costas começaram a arder, exatamente como naquela noite, quando eu tentava salvar Lizzie. As chamas não haviam me atingido, mas eu sentia a dor e meu dorso ardia feito brasa. Desabei no chão e me contorci. Era maior do que eu. Se aquela loucura não havia conseguido me derrotar pelo emocional, agora seria pelo físico.
...
Os paramédicos haviam levado Red até a ambulância e UTI móvel. Elizabeth acompanhava o resgate e não o deixaria por um segundo sequer. Um dos homens tentou tirar Lizzie de perto, mas ela hesitou. Navabi e Dembe, que havia retornado; tiveram de intervir para conseguir conter a agente, que estava desnorteada e visivelmente abalada.
– Ele está entrando em choque. Alertou um dos paramédicos, que aplicou uma droga intravenosa para tentar conter a reação do organismo de Red.
...
– Red, sabe o que é esse livro? Tom me questionou. Eu estava debruçado sobre o chão e ele me olhava à espera de uma resposta. – Esse livro é a sua vida. Achei menor do que o esperado. Afinal, com as coisas que você já passou, e com tantas histórias que você sempre conta, cheguei a crer que teríamos quase uma enciclopédia.
– Gosto das minhas coisas bem práticas. Retruquei.
Minha voz saiu com muito esforço, porque tive que competir com a dor que dominava meu corpo.
– É, eu percebi. Eu estava, inclusive, lendo para saber qual seria o seu final. Só que antes eu preciso comentar algo e saber da sua opinião.
Tom havia se levantado e estava de cócoras diante de mim.
– Sério, eu quero entender uma coisa. Por amor, você está prestes a morrer por Elizabeth Keen. Você já a salvou, isso é um fato. Mas em qual parte desse maldito livro, que alguém vem e te salva? Tipo, também por amor?
Ao ouvir aquilo, eu o encarei.
– Dá uma boa olhada para o Red de alguns anos atrás. Quando você somente seguia sua maldita promessa, de apenas proteger Elizabeth Keen. O envolvimento emocional te enfraqueceu. Você a ama? Eu também a amo. Só que o amor nos torna frágil. Agora imagina, o quanto ela vai chorar. Pior do que isso vai ser quando todos os seus inimigos descobrirem, que ela está sem a proteção do grande Raymond Reddington. Alguns almejavam conseguir sua morte com as próprias mãos. Como não conseguiram, irão atrás do bem mais valioso que você tem: Elizabeth Keen. A cabeça dela vai ser algo muito valioso. E não haverá uma única autoridade competente capaz de protegê-la.
Tom sorria e agora estava de pé.
– Ela nunca mais terá paz novamente, Red. Você só fez mal a ela.
Ele voltou à cadeira, e abriu o livro na última página.
– O desfecho será esse, Red.
Naquele momento, ele começou a arrancar a página lentamente. A casa se derretia em fogo e a imagem de Lizzie veio a minha cabeça.
...
Os sinais vitais de Red foram parando. Restaram aos paramédicos usar de uma sequencia de correntes elétricas, por meio do desfibrilador, na tentativa de ressuscitá-lo. Elizabeth tentava de todas as maneiras se livrar dos braços de Dembe.
Uma, duas, três, quatro tentativas, e uma linha reta era a única coisa que aparecia no visor dos batimentos cardíacos. Os paramédicos se entreolharam por um segundo e perceberam que nada mais poderia ser feito. Elizabeth desabou de joelhos no chão, em choque. Dembe também não acreditava na cena que via a alguns metros. Levou as mãos à cabeça, incrédulo. Um filme passou diante dos olhos da agente. Lembrou-se da primeira vez que encontrara Red, naquele primeiro dia no QG da força-tarefa. Da forma como ele havia olhado para ela, e das palavras ditas por ele. Do quanto ela havia sido rude por todo aquele tempo, e mesmo assim, ele nunca sequer havia olhado de outra forma, que não fosse amando-a com os olhos.
– Hoje não, Red! Sussurrou ela, correndo rumo ao corpo do homem que permanecia na ambulância. Ela entrou na unidade, pegou o desfibrilador e aplicou a corrente no peito nu de Red.
...
– Hoje não, Tom... Hoje não! Eu falei e me pus, com muita dificuldade, de pé. Ele me olhava assustado, e eu o encarava com seriedade. — Alguém como você jamais entenderia. E acho que você deveria refletir no quanto você é desprezível, pois até alguém como eu, tido por muitos como um “abutre”, consegue ser uma pessoa melhor.
Eu agora sorria e balançava a cabeça como forma de reprovação.
– Você jamais saberá o que é enfrentar a todos, em prol da única pessoa que ama. De passar por uma experiência pós-vida ou pré-morte, como preferir; e ter que enfrentar seus maiores medos, engolindo seus pecados e os de quem você ama. Não vai ser a dor que vai me impedir de olhar novamente, para os únicos olhos que me preenchem. Todo mundo vai morrer um dia, Tom, essa é a única certeza da vida. Quem sabe, quando isso acontecer comigo, muitos por aí comemorem. No entanto... esse dia não será hoje.
Eu avistei uma porta. A mesma porta que há mais de vinte anos, eu havia conseguido fugir das chamas daquela casa e salvado Elizabeth. Corri em direção a ela. Ouvi uma única voz que berrava atrás de mim.
– Red! Gritava Tom a plenos pulmões.
Abri a porta e corri contra uma luz forte. Sem medo... foi apenas isso que eu fiz.
...
Lizzie continuava na tentativa desesperada de reanimar Reddington. Ela foi retirada por um dos paramédicos, que precisou da ajuda de Dembe.
– Não, acorda seu filho da mãe! Gritava
Ela desabou aos prantos nos braços do homem. A cena era forte, mas atenção de todos foi chamada quando um barulho muito característico, veio do marcador de batimentos cardíacos. O profissional se virou e pareceu não acreditar no que estava vendo. Um segundo homem entrou na ambulância, e retornou ao procedimento de reanimação de Reddington. Dembe e Elizabeth olhavam estupefatos para o que havia acabado de acontecer. Aos poucos, os batimentos de Raymond foram voltando. Um tubo de respiração foi colocado na boca dele. O homem estava vivo, mas ainda permanecia desacordado.
Dembe abraçou Elizabeth. Agora era a vez de ele cair no choro.
– Por Deus, Elizabeth. Nem hoje, nem nunca.
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