Eden - O Reinado
1 O bar no topo da colina
Notas iniciais
Era uma manhã tranquila e ensolarada, a leve brisa soprava pelas arvores trazendo o frescor suave da natureza. O céu azul e límpido, com apenas algumas nuvens brancas e suaves que se encontravam presentes combinavam com o clima terreno, uma grande floresta repleta de verde e animais silvestres, afastada da cidade e de mãos humanas, e um pouco distante dessa floresta, uma colina repleta de grama crescia ao longe, no topo desta colina uma simpática taverna com uma placa com clima nevado dizendo “Freezing’s”.
Dentro do estabelecimento, o clima era festivo, vários viajantes comiam e bebiam como se não houvesse amanhã, relaxando os corpos cansados de uma viajem longa, a cabana era feita de madeira ornamentada o que dava um ar aconchegante ao estabelecimento. Todos eram servidos de forma bem atenciosa por uma jovem de longos cabelos castanho escuro e olhos azuis, ela vestia um uniforme de empregada e sempre com um belo sorriso no rosto caminhava de forma ágil em cada mesa que era solicitada, anotando e trazendo os pedidos rapidamente, sua estatura era um tanto baixa e seu físico delicada, provavelmente não deveria ter mais que dezessete anos.
Enquanto isso, no balcão de atendimento, estava um jovem, o mesmo vestia um traje de barman, com direito a gravata e terno incluídos, suas mangas estavam cuidadosamente dobradas enquanto limpava alguns copos, atrás de si havia uma enorme prateleira cheia das mais variadas bebidas. O rapaz possuía cabelos negros curtos e levemente bagunçados, a parte direita de seu rosto estava enfaixada, deixando a mesma impossível de ser vista, enquanto na parte esquerda podia-se notar que um dos olhos do rapaz eram de um vermelho carmesim, sua pele era clara, seu físico magro e sua estatura baixa, apenas um pouco mais alto que a jovem com quem trabalhava.
O dia estava sendo produtivo, muitos clientes na taverna, isso significava mais dinheiro entrando, o que era bom, até o momento não haviam tido nenhum problema grande, apenas uma ou outra cantada que a garçonete recebia dos forasteiros que ali se encontravam, mas nada que merecesse uma atenção extra. Alguns clientes se sentavam nos bancos em frente ao balcão e puxavam conversa com o barman ao mesmo tempo que apreciavam bebidas mais fortes.
— Hey, garoto! Me diga, onde está o dono desse estabelecimento? – Um dos homens que estava sentado em frente ao balcão perguntava, enquanto apreciava uma caneca de cerveja.
— Você está olhando para ele. – O rapaz respondeu sem olhar o homem enquanto limpava o balcão com um pano.
— Hãn? Não conte piadas assim! – O homem riu de forma incrédula, o rosto já avermelhado devido ao nível de embriaguez. – Não têm como um garoto como você ser dono de um estabelecimento assim! Quantos anos têm? – Com uma face confusa, o homem encarava o jovem dono do bar.
— Tenho vinte e dois, senhor, peço que por favor não se altere dentro do estabelecimento e evite escândalos, não quero incomodar os outros clientes. – O moreno respondeu com sua voz calma, agora olhando para o homem com seu único olho.
— Certo, Certo. Não irei mais incomoda-lo. – O homem deu de ombros e voltou a degustar sua bebida.
Olhando melhor pelo estabelecimento, o rapaz notou que sua ajudante estava começando a ter dificuldades a atender tantas pessoas, ele pegou o que parecia ser um guarda-chuva e o usou como se fosse uma bengala, caminhando a passos mancos pelo estabelecimento, agora era possível notar, ele não possuía a perna esquerda, no lugar da mesma, uma “perna de pau”, igual a de um pirata. Mesmo com sua locomoção limitada, o rapaz ajudava a atender os clientes da forma como podia, sempre sendo respeitoso e educado com cada um deles.
Ao final do dia, todos os clientes já haviam se retirado, rumo a continuar suas viagens, deixando somente os dois funcionários naquele local. Ambos estavam finalizando a limpeza do lugar, o mesmo já estava dado como fechado.
— Chefe, já terminei de limpar as mesas, estou me retirando, tudo bem? – Pediu a jovem atendente com um sorriso pequeno.
— Ah, sem problemas, pode ir. Eu tranco tudo antes de dormir. – Ele sorriu em resposta.
A atendente se despediu de seu chefe e se retirou para seus aposentos no segundo andar, a verdade era que ambos viviam naquele lugar. O rapaz se sentou em uma cadeira enquanto segurava uma xícara com café, ele sorveu um gole da bebida quente, o clima lá fora estava frio, então aquela bebida era perfeita para a ocasião, o moreno pegou o jornal do dia e se permitiu ler algumas das noticias sobre o que ocorria no mundo, aparentemente a academia de cavaleiros e magos do reinado que se localizava na capital havia formado seu primeiro esquadrão oficial de cadetes, apesar de jovens, a notícia relatava que os cadetes já possuíam um nível de poder equivalente a soldados de segundo divisão do pelotão de proteção ao reinado.
“Ao todo foram dez jovens, cada um com sua especialidade em combate tanto físico quanto mágico, eles foram escalados como os melhores dentre os melhores de toda a academia”. Era o que relatava a notícia.
— As coisas estão ficando movimentadas na capital, espero que isso não atrapalhe os negócios. – Comentou o jovem enquanto foleava uma página do jornal.
Porem, a calmaria da noite logo fora interrompida pelo abrir brusco da porta da frente do estabelecimento. Junto do ser, a brisa fria da noite adentrou o local, uma grande sombra se fez atrás do jovem dono do bar, ele fechou seu jornal e se virou para encarar o “invasor”. Era alto, trajando uma armadura de aço e portando uma enorme espada em suas costas, o elmo cobrindo seu rosto não permitiu identificar se era homem ou mulher, mas ao julgar por seu tamanho e físico, provavelmente era um homem.
— Desculpe senhor, já estamos fechados, mas se desejar posso servir alguma coisa para comer e lhe oferecer um quarto para passar a noite. – O jovem disse enquanto se levantava e caminhava até o ser de armadura.
O ser blindado de armadura parecia encara o menor, sua mão foi de encontro até o cabo de sua espada que descansava na bainha em suas costas, em um movimento rápido a lâmina foi desembainhada e desenhou um arco no ar, atingindo de forma potente o desavisado rapaz que fora arremessado com brutalidade até o outro lado do estabelecimento.
Derrubando mesas, quebrando cadeiras e atingindo uma prateleira onde havia algumas louças que por sua vez caiu e transformou os utensílios em estilhaços, o rapaz fora de encontro a parede do estabelecimento, quebrando uma parte da parede do mesmo e por fim, seu corpo atingiu o chão, aparentemente atordoado, o moreno ergueu sua cabeça, sangue escorria de sua testa, manchando as ataduras que cobriam a parte direita de seu rosto, ao mesmo tempo que um pequeno filete escorria pela lateral esquerda de sua boca.
— Isso foi um não? – O rapaz riu, um riso fraco e debochado enquanto limpava o sangue de sua boca com a mão direita. – Bom, se veio aqui atrás de confus- — Ele fora cortado quando o ser de armadura surgiu a sua frente novamente aplicando um golpe contra o mesmo na altura do estômago e o arremessando, dessa vez o golpe fez o moreno quebrar a parede do bar e ser jogado para fora do estabelecimento.
— A que ponto chegou nossa sociedade, onde as pessoas tentam matar um humilde, caolho e manco dono de bar... – O rapaz se sentou na grama do local, parecia levemente atordoado, ele encarou o céu noturno, repleto de estrelas e pela lua. – Ah, que bela noite estamos tendo, a lua está tão clara e brilhante. – O rapaz sorria enquanto notava o homem de armadura sair pelo buraco que o corpo dele havia feito segundos atrás.
O cavaleiro avançou, surgindo acima do rapaz e pronto para descer sua espada contra o corpo do mesmo, porem tudo que conseguiu atingir foi o solo, o moreno por sua vez, agora se encontrava logo atrás de seu algoz, como se estivesse planando, ele atingiu as costas do oponente com o que seria um chute, pois foi realizado com sua perna de madeira, o golpe fez o cavaleiro ir de encontrou ao chão, fazendo com que um baque surdo fosse realizado.
Demorou alguns segundos, mas logo o homem começou a se erguer, apoiando-se em sua espada, ele logo se encontrava de pé, pronto para continuar o combate.
— Você é mesmo durão né? Vou perguntar apenas uma vez, quem é você e o que veio fazer aqui? – Não houve resposta, apenas silêncio. – Entendo., então será da maneira difícil.
Enquanto o menor se posicionava para uma postura mais firme, uma corrente de ar começava a envolver o homem e em um movimento de sua espada, aquela corrente de ar tomou a forma de várias lâminas de vento que foram rapidamente em direção ao barman. O moreno conseguiu desviar dos golpes com maestria, utilizando de uma série de mortais e giros contínuos para trás, velozmente ele correu para dentro do estabelecimento, enquanto o cavaleiro continuava parado apenas reunindo mais daquele vento e realizando mais cortes na direção da taverna, porem dessa vez os golpes foram interceptados. O mesmo guarda-chuva de antes se encontrava nas mãos do rapaz.
— Artefato do caos, a escuridão cegam-te. – O moreno disse com uma voz sombria enquanto o guarda-chuva lentamente começava a se desfazer em uma massa escura formando então uma esfera que logo tomou a forma de uma espada, uma katana para ser mais preciso, sua lâmina era negra e seu punhal e cabo eram vermelhos, havia também desenhos de olhos por toda a extensão da lâmina.
— Então eu estava certo. – Pela primeira vez, foi possível ouvir a voz do cavaleiro, era uma voz grossa e séria. – Você é-- — Dessa vez foi o homem que fora cortado.
Um golpe preciso da lâmina do mais novo, isso fora o suficiente para cortar o elmo do homem como se fosse papel, revelando seu rosto finalmente, cabelos loiros, olhos azuis, aparência de por volta de trinta anos, em seu pescoço um emblema muito conhecido no reinado, o emblema da guilda de assassinos.
— Isso é bem maldoso, encomendar a morte de um simples dono de bar que está apenas tentando ganhar sua vida honestamente. – O menor falava enquanto as bandagens do lado direito de seu rosto caiam no chão, revelando lentamente seu rosto, haviam uma enorme cicatriz passando pelo seu olho, o mesmo se encontrava fechado, mas o que mais impressionava era a tatuagem, havia uma tatuagem negra do rosto de uma raposa logo acima do mesmo, cobrindo praticamente todo a parte ao redor do olho do barman.
— Eu estava certo, procurado por todo o reinado, aquele que liderou a fuga de mais de vinte criminosos que foram encarcerados em uma prisão de segurança máxima. O pecado da inveja da raposa, Red! – Um sorriso largo se formou no rosto do homem. – Levei muito tempo para encontra-lo, mas finalmente, eu achei! Com o preço que estão pagando pela sua cabeça vou poder me aposentar com estilo!
A energia mágica do caçador logo começou a fluir gerando um enorme tornado ao redor de seu corpo e em um único movimento, múltiplas lâminas de ar foram em direção a Red, prontas para fatia-lo.
— Então é isso...He, parece que me descobriram... – O rapaz então abriu seu olho, um dos símbolos que havia em sua espada desapareceu e o mesmo símbolo surgiu em seu olho antes cego, as lâminas de vento logo começaram a desaparecer conforme se aproximavam do rapaz.
— O que?! Como você- — Antes que pudesse continuar a frase, o homem foi perfurado pela lâmina de Red, fazendo o mesmo cuspir sangue.
— Desapareça...- Encarando seu caçador com seu estranho olho antes oculto, o simples barman proferiu aquela única palavra.
Após aquela palavra, sombras que vinham da pura escuridão da noite envolveram o assassino, o engolindo por completo até que nada sobrasse, era como se o homem nunca tivesse estado ali.
— Senhor Red! – A voz vinha da taverna, a jovem atendente vinha correndo ao auxilio do chefe, em sua face, preocupação pela segurança do mesmo.
— He, ainda bem que chegou Yume. – Red sentiu seu corpo pesar, acabando por cair sentado no chão, estava ofegante. – Estou meio fora de forma. – Ele riu, brincando da condição em que se encontrava.
— O senhor está bem? Sabe que ainda não está em seus cem por cento, não pode usar energia demais. – A atendente sempre gentil o alertava com preocupação. – Eu devia ter chegado antes, me desculpe. – Yume abaixou a cabeça, sua voz era de frustração.
— He, não precisa se culpar, eu estou bem. Só preciso descansar um pouco. – O rapaz sorriu tentando conforta-la. — Mas mais importante que isso. Precisamos partir em viagem o quanto antes, parece que o reinado começou a se mover. Os outros podem estar em perigo também. – Agora o ar do moreno era de seriedade enquanto falava.
— Isso quer dizer que...- Yume começava a falar, olhando de forma um pouco animada para Red.
— É hora de reunir o velho time mais uma vez. – Afirmou Red com um sorriso de canto.
Notas finais
Até o próximo capitulo.
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