Ecos do tempo

8 Capítulo 8


Enquanto eu lutava com o tumulto interno e a confusão sobre minhas memórias, Edward permaneceu ao meu lado, observando meu estado com uma preocupação silenciosa. Depois de alguns momentos, ele me olhou com uma expressão de determinação.

— Bella, talvez eu tenha uma ideia — disse ele, sua voz suave e firme. — Carlisle é médico. Talvez ele possa ajudar.

A menção de Carlisle me fez levantar um pouco a cabeça. Eu sabia que ele era um médico, mas não havia pensado em procurar a ajuda dele até então. A ideia parecia sensata, especialmente considerando a experiência e o conhecimento que ele poderia ter sobre questões mentais.

Eu sabia que não estava bem, não depois de tudo que passou.

— Você acha que ele pode ajudar? — perguntei, minha voz carregada de esperança.

Edward assentiu, o olhar dele transmitindo confiança.

— Sim, eu acredito. Ele pode oferecer uma perspectiva diferente e talvez até algumas estratégias para ajudar você a lidar com essa confusão e trauma.

A ideia de falar com Carlisle trouxe uma pequena faísca de esperança. Eu sabia que precisava de alguma forma de apoio para enfrentar o que estava passando, e a sugestão de Edward parecia ser um passo na direção certa.

— Está bem, vamos falar com ele — concordei, tentando me sentir um pouco mais confiante. — Se você acha que ele pode ajudar, eu estou disposta a tentar.

Edward sorriu, um sorriso que parecia aliviado e encorajador.

— Ótimo. Vamos encontrá-lo e ver o que ele pode oferecer.

Ele me guiou até Carlisle, que estava sentado em uma poltrona, com os olhos fechados. Quando nos aproximamos, seus olhos abriram e se voltou para mim com uma preocupação genuína, era como se ele já soubesse que havia algo de errado.

— Bella, Edward, o que posso fazer por vocês? — ele perguntou, sua voz gentil e calma.

Edward tomou a frente, explicando brevemente a situação e o impacto que o trauma estava tendo sobre mim. Carlisle ouviu atentamente, seu olhar fixo em mim com uma expressão de empatia e compreensão.

— Bella, entendo que você esteja passando por um momento difícil — disse Carlisle, sua voz tranquilizadora. — Prometo que vou fazer tudo ao meu alcance para te ajudar.

Eu senti um alívio imediato ao ouvir a promessa de Carlisle.

— Agradeço muito por isso, Carlisle — respondi, tentando expressar minha gratidão. — Estou disposta a tentar qualquer coisa que possa me ajudar a entender e lidar com tudo isso.

Carlisle assentiu com um sorriso gentil.

— Perfeito. Sente um pouco aqui para que eu possa dar uma olhada melhor em você.

Ele se levantou e ofereceu sua cadeira. Eu me acomodei na poltrona, tentando me acalmar enquanto ele se ajoelhava ao meu lado. Carlisle retirou uma pequena lanterna do bolso e começou a examinar meus olhos com um olhar meticuloso e profissional.

— Você parece cansada — observou ele, mantendo o olhar fixo em meus olhos. — Quando foi a última vez que dormiu?

Eu hesitei por um momento, tentando lembrar. A confusão me envolveu novamente, e eu me senti ainda mais sobrecarregada.

— Eu não tenho dormido desde que os loops começaram — eu disse, tentando explicar. — Não me sinto cansada porque, de certa forma, o loop reinicia tudo. O cansaço parece desaparecer quando o ciclo começa novamente.

Carlisle franziu a testa, refletindo sobre o que eu acabara de dizer. Então, ele me olhou com uma expressão que misturava compreensão e preocupação.

— O loop pode restaurar o seu físico, mas a mente humana precisa de descanso. Mesmo que você não sinta o impacto físico da fadiga, a mente pode estar sobrecarregada com o estresse e a confusão — explicou ele com calma. — A falta de sono pode afetar suas funções cognitivas e emocionais, tornando mais difícil lidar com o trauma e a confusão que você está enfrentando.

Eu balancei a cabeça, tentando processar suas palavras. A ideia de que meu corpo estivesse se recuperando, mas minha mente estivesse se deteriorando, parecia uma nova camada de complexidade na situação.

— Então, o que eu posso fazer? — perguntei, meu tom carregado de ansiedade. — Se o loop reinicia tudo e eu não posso realmente descansar, como posso encontrar algum alívio?

Carlisle desligou a lanterna e guardou-a no bolso, em seguida me observou com uma expressão serena.

— Existem várias abordagens que podemos tentar. Primeiro, é importante buscar formas de desacelerar sua mente, mesmo dentro do ciclo. Técnicas de relaxamento, meditação ou atividades que ajudem a acalmar seus pensamentos podem ser úteis. Além disso, é essencial discutir suas memórias e sentimentos com alguém em quem confie. Às vezes, falar sobre o que está acontecendo pode ajudar a processar o trauma e trazer clareza.

Ele se levantou e se afastou um pouco, seus olhos ainda fixos em mim com uma expressão de empatia e profissionalismo.

— Mas agora não vamos nos preocupar com isso. Quando o avião pousar, vamos te ajudar. Mas por enquanto... — disse ele, colocando uma mão reconfortante em meu ombro. — Você precisa dormir. — Seus olhos me encaravam com tristeza. — Os loops acabaram, Bella. Você precisa descansar.

Aquelas palavras foram como um balde de água fria em minha mente sobrecarregada. A ideia de finalmente poder descansar, de deixar o ciclo angustiante de repetição e confusão para trás, era quase um alívio.

Baixei a cabeça e assenti lentamente, minha voz falhando enquanto eu respondia:

— Eu... vou tentar.

Carlisle me ofereceu um sorriso encorajador, um gesto que parecia carregar uma promessa de alívio e cuidado.

— Se precisar de algo ou se houver algo mais que eu possa fazer, não hesite em me chamar — disse ele. — Agora, procure um lugar confortável e feche os olhos. Tentaremos garantir que você possa descansar o máximo possível até o pouso.

— Eu vou estar com você — Edward garantiu, me oferecendo um sorriso acolhedor. — Não se preocupe.

Eu segui suas instruções, me levantando da poltrona e procurando um lugar tranquilo para me acomodar. Edward sentou ao meu lado e ofereceu seu ombro como apoio para que eu pudesse me encostar. A sensação de ter alguém ao meu lado, disposto a me ajudar e me apoiar, trouxe um pouco de paz à minha mente cansada.

Repousei minha cabeça em seu ombro e, com um gesto carinhoso, ele passou o braço por trás da minha cabeça. Seus dedos frios e suaves se infiltraram no meu couro cabeludo, movendo-se com uma leveza reconfortante. A sensação do toque gelado e meticuloso começou a acalmar a tensão acumulada em meus músculos.

— Tente relaxar — sussurrou ele, sua voz baixa e tranquilizadora. — Eu estarei aqui.

O toque de Edward e a sua presença ao meu lado me deram um senso de segurança inesperado. Fechei os olhos, tentando me entregar à sensação de conforto que ele proporcionava, enquanto meu corpo lentamente começou a se soltar.

Enquanto me deixava levar pelo momento, o som do motor do avião e o ritmo constante do voo foram gradualmente se tornando uma melodia de fundo, ajudando a embalar meu descanso.

Com um último suspiro profundo, deixei-me afundar no sono, sentindo o peso dos eventos recentes se dissipar lentamente, enquanto a calma começava a envolver meu ser.

Eu acordei com um estrondo ensurdecedor que parecia rasgar o ar ao meu redor. A explosão foi tão violenta que o impacto reverberou através do meu corpo, fazendo meu coração bater descontroladamente. O som foi seguido por um grito coletivo de pânico dos passageiros, misturado com o ruído metálico dos compartimentos de bagagem se balançando. O avião tremeu violentamente, e a sensação de perda de controle foi imediata e avassaladora.

Meu corpo foi jogado para o lado, e eu me vi empurrada contra a poltrona. O caos tomou conta da cabine, as luzes piscavam intermitentemente, criando sombras assustadoras que se moviam freneticamente.

Lentamente, comecei a processar o que estava acontecendo. Meu coração estava acelerado, e eu estava ofegante, tentando entender a magnitude da situação. Os gritos e o tumulto ao meu redor eram uma cacofonia ensurdecedora. As máscaras de oxigênio caíram dos compartimentos superiores, balançando de um lado para o outro enquanto alguns passageiros lutavam para colocá-las.

Tentei me levantar, minhas pernas tremendo e vacilantes. Edward estava ao meu lado, sua expressão um misto de preocupação e desespero. Ele parecia tão confuso quanto eu, olhando ao redor com uma intensidade inquietante.

— O que aconteceu? — perguntei, minha voz quase um sussurro enquanto eu tentava me levantar da poltrona. Minhas palavras saíram tremendo, carregadas com o medo que estava crescendo dentro de mim.

Edward estava olhando ao redor, o rosto pálido e os olhos cheios de uma mistura de frustração e medo. Ele balançou a cabeça, claramente tão perplexo quanto eu.

— Eu não sei o que aconteceu — disse ele, sua voz tensa e carregada de urgência. — Precisamos tentar entender o que está acontecendo.

Olhei ao redor, tentando reunir as forças para processar a cena diante de mim. A cabine estava em caos, e o avião continuava a balançar descontroladamente, como se estivéssemos sendo sacudidos por uma força invisível. Os passageiros estavam gritando e se movendo freneticamente, e o pânico estava se espalhando como uma praga.

Então, meu olhar caiu sobre um dos visores digitais que mostravam a hora. Meu coração quase parou quando vi que eram 10:45, a mesma hora que o avião explodiu naquela única vez em que ele não explodiu na hora certa. Um frio gelado percorreu minha espinha, e a repetição frenética em minha mente ecoava: Isso não deveria estar acontecendo.

A sensação de pânico se intensificou. Eu pensei que tinha evitado a bomba. O terror me envolveu, e cada segundo parecia interminável enquanto o avião continuava a perder altitude e o caos ao redor se intensificava.

Eu tentei me concentrar, minha mente girando em uma confusão de pensamentos e medos.

Isso não pode estar acontecendo agora.

A ideia de que o pior estava prestes a acontecer parecia iminente, e eu sentia como se a realidade estivesse desmoronando ao meu redor. Com Edward ao meu lado, lutando para manter a calma e encontrar uma solução, eu sabia que precisava focar e tentar enfrentar o que quer que estivesse por vir.

O avião continuava a balançar e a perder altitude. A sensação de desorientação era avassaladora, e eu me sentia presa em um pesadelo.

Isso não deveria estar acontecendo.

Eu me obriguei a focar, tentando entender como tudo isso estava se desenrolando. Isso não pode estar acontecendo, pensei, a repetição se tornando uma mantra desesperada.

Eu pensei que tínhamos evitado a bomba. Por que está explodindo agora?

A sensação de desamparo era esmagadora. Eu tentava controlar minha respiração, mas a realidade do momento estava se tornando cada vez mais difícil de ignorar. Isso não deveria estar acontecendo. A repetição dessa ideia na minha mente estava me consumindo, enquanto o medo do que poderia vir a seguir me fazia sentir que o chão estava desaparecendo sob meus pés.

A sensação de queda foi abrupta e violenta. O avião mergulhou em uma espiral de desespero, e eu me senti como se estivesse sendo arrastada para um abismo. O barulho ensurdecedor da queda e o grito agudo dos passageiros se misturaram em um turbilhão caótico. A força foi tão intensa que meu corpo foi jogado para frente, e eu senti Edward segurar meu corpo com força antes que eu batesse na poltrona a nossa frente.

Mesmo que Edward mantivesse meu corpo preso a poltrona, o impacto da gravidade era forte demais, minha consciência começou a se desvanecer.

— Isso não acabou, Bella! — ele gritou para mim, mas eu não conseguia mais responder.

Quando tudo ficou escuro, a sensação de queda se dissolveu, e eu perdi a consciência. O pânico e a confusão desapareceram, dando lugar a um vazio silencioso.

Então, eu acordei com um pulo. O som suave do avião em voo e o ambiente familiar da cabine me cercaram. Eu estava de volta à minha poltrona, sentindo o leve balanço do avião. O medo e a ansiedade que haviam tomado conta de mim foram substituídos por uma confusão atordoante. Olhei ao redor, e tudo parecia normal, como se o pesadelo nunca tivesse acontecido.

O relógio digital na parede indicava que eram 09:45, uma hora antes da explosão que havia me aterrorizado. O tempo havia retrocedido, e eu estava de volta à mesma poltrona em que havia acordado anteriormente. O choque e a incredulidade se instalaram em mim enquanto eu tentava processar o que estava acontecendo.

— Não... — murmurei para mim mesma, a voz saindo em um fio de desesperança. — Isso não está acontecendo de novo.

A cada instante, o medo e o pânico ameaçavam me consumir. O fato de estar de volta ao mesmo ponto no tempo era um lembrete brutal de que eu ainda estava presa em um ciclo interminável. A repetição da hora, o retorno ao mesmo ponto, tudo isso parecia uma cruel ironia do destino.

Por quê?

Por que isso não acabava?