Ecos do Passado

1 O Chamado e a Sombras do Ontem


A velha mansão erguia-se à sua frente, silenciosa e fria. As tábuas rangiam sob os seus passos hesitantes.

Tinha prometido nunca voltar, mas algo a chamava. O pó cobria os móveis como um manto do passado. Pegou na câmara, as mãos trémulas. Cada canto daquele lugar guardava memórias que tentara esquecer. De repente, um sussurro. O seu nome.

Virou-se, mas estava sozinha. Ou não? O visor da câmara brilhou, captando algo atrás dela. O coração acelerou. Inspirou fundo. Se o passado queria ser lembrado, ela estava pronta para enfrentá-lo. Ou, pelo menos, assim pensava.

O clique da câmara quebrou o silêncio. No ecrã, uma figura difusa. O frio percorreu-lhe a espinha. Era impossível.

Aproximou-se do corredor onde outrora correra com a sua melhor amiga. Recordava-se das risadas infantis, dos segredos sussurrados no escuro. Mas a casa estava vazia há anos… não estava? O vento balançou as cortinas, e um arrepio percorreu-lhe a pele.

As lembranças misturavam-se com o presente. Tinha vindo procurar respostas, mas agora temia encontrá-las. O passado nunca se foi. Apenas esperou pelo momento certo para regressar. E agora, no meio da escuridão, parecia querer contar-lhe algo.