Ecos de Sangue e Estrelas
15 Entre Silêncios e Segredos
O hospital militar estava mergulhado num silêncio pesado, quebrado apenas pelo som constante dos monitores que marcavam os sinais vitais de Leaf Shepard. Garrus Vakarian permaneceu junto à cama, observando cada pequeno movimento, cada respiração controlada. Leaf tinha sido salva por Thane Krios, mas ainda estava inconsciente, e cada minuto de espera parecia arrastar-se, carregado de tensão e ansiedade.
— Ela vai ficar bem, não vai? — perguntou Garrus, mais para si do que para qualquer outra pessoa. A preocupação nos seus olhos era evidente, misturada com a frustração de não compreender completamente as ações de Thane.
A figura silenciosa de Thane Krios permanecia perto da porta do quarto, os braços cruzados, observando. O drell não se aproximava, mas a sua presença era impossível de ignorar. Cada movimento de Garrus parecia ser medido por ele, cada respiração analisada. Havia algo de estranho naquela calma absoluta; Thane não era apenas um observador, mas alguém que parecia saber exatamente como manipular a tensão silenciosa que pairava no ar.
— Ela está estável. — disse Thane finalmente, com a voz baixa e controlada, mas sem olhar diretamente para Garrus. — Sem risco de vida imediato. Mas ainda precisa de descanso.
Garrus franziu a testa, a mistura de desconfiança e gratidão a lutar dentro dele.
— Qual foi o verdadeiro motivo, por detrás disto? — perguntou, tentando manter o tom firme. — Para a salvares?
Thane não respondeu de imediato. Apenas manteve a postura imóvel, olhando para o chão por um instante, antes de erguer os olhos frios e calcular cada palavra.
— Não é meu interesse magoa-la. — O tom era frio, mas havia algo subentendido, uma lógica silenciosa que Garrus não conseguia decifrar completamente. — Cada ação minha tem um propósito.
Garrus respirou fundo, tentando processar as palavras, mas a tensão entre eles não diminuiu. Leaf permanecia inconsciente, vulnerável, e o drell assassino que tantas vezes tinham enfrentado agora estava parado pacientemente, aguardando o despertar dela como se fosse uma sentinela silenciosa.
— Preciso de saber mais sobre ti, Thane, — continuou Garrus, os olhos fixos no drell. — Necessito de saber as tuas intenções, para conseguir proteger ela.
Thane permaneceu em silêncio por um longo momento, cada segundo amplificava a ansiedade de Garrus. Finalmente, com uma calma quase desconcertante, respondeu.
— Haverá tempo para isso. Por agora, a prioridade é ela. Qualquer outra questão é secundária.
O ambiente parecia congelar. Garrus compreendeu, embora a relutância permanecesse, que Thane estava a impor limites. Cada gesto dele transmitia controle absoluto, e qualquer tentativa de desafiar a sua autoridade poderia ser arriscada. Leaf, ainda inconsciente, era o centro de um delicado equilíbrio de poder e tensão.
Enquanto os minutos passavam, Garrus manteve-se vigilante, observando tanto Leaf como Thane. Cada respiração, cada olhar, cada gesto silencioso carregava significado. Ele sabia que, quando Leaf despertasse, as respostas que buscavam sobre Thane e as suas intenções poderiam finalmente começar a surgir. Mas até lá, a paciência e a tensão dominavam o quarto, e Garrus sentia-se preso entre a gratidão pela salvação de Leaf e a necessidade urgente de compreender o enigma que era Thane Krios.
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