Ecos de Sangue e Estrelas
16 Regresso e Surpresas
Leaf Shepard abriu os olhos lentamente, a luz do hospital a queimar-lhe a retina e a sensação de peso no corpo lembrando-lhe do que havia passado. O turbilhão de emoções ainda se agitava dentro dela: alívio por estar viva, nervoso por ter sido salva e uma estranha confusão sobre Thane Krios. Apesar de ter sobrevivido, a memória do seu toque firme e da precisão com que a tinha protegido permanecia vívida.
— Leaf? — a voz de Garrus chamou-a suavemente. Ele estava ao seu lado, vigilante, os olhos percorrendo cada expressão dela, preocupado. — Estás a sentir-te melhor?
Leaf piscou os olhos, ajustando-se à luz, e assentiu. — Sim… acho que sim. — A voz saiu um pouco rouca, mas firme. — Obrigada, Garrus… por estares aqui.
Garrus sorriu ligeiramente, aliviado.
— Sempre. Mas… temos de falar sobre ele. — O turiano referia-se a Thane, que permanecia na sala, silencioso e imperturbável, observando-os à distância.
Leaf sentiu uma pontada de ansiedade ao perceber que Thane não se movia. O drell continuava ali, imóvel, como se cada gesto e olhar fossem calculados para avaliar cada reacção dela. Leaf respirou fundo, consciente de que a sua presença não era apenas um sinal de alerta, mas também um enigma que precisava de decifrar.
— Thane… — começou Leaf, a voz baixa, cautelosa. O drell ergueu ligeiramente o olhar, fixando-a com intensidade, os olhos penetrantes transmitindo uma calma quase hipnotizante. — Obrigada. — Não acrescentou mais, mas a sinceridade do tom era clara.
Thane permaneceu em silêncio, o corpo rígido, mas os olhos não deixaram de a observar. Leaf sentiu que qualquer palavra desnecessária poderia romper o delicado equilíbrio entre eles. A tensão era palpável, e o nervoso miudinho percorreu-lhe o corpo mais uma vez.
Garrus respirou fundo, tentando quebrar o silêncio.
— Precisamos de juntar a equipa. — Leaf olhou para ele, percebendo a súbita determinação no seu tom. — Há coisas que temos de esclarecer, e Thane precisa de estar presente.
Thane inclinou levemente a cabeça, como que a reconhecer a decisão de Garrus, mas permaneceu silencioso. Leaf percebeu que, por trás do comportamento calmo do drell, havia uma estratégia, um cálculo meticuloso do que cada movimento implicaria.
Quando Leaf e Garrus se levantaram para deixar a sala, Thane seguiu-os sem dizer uma palavra. Cada passo dele era calculado, cada gesto controlado. Leaf sentiu uma estranha mistura de nervosismo e curiosidade: a presença de Thane era tanto uma proteção como um lembrete silencioso de que nada na sua relação com ele seria simples.
À medida que se dirigiam para o elevador, Leaf trocou um olhar com Garrus, ambos cientes de que o reencontro com a equipa traria não apenas respostas, mas também novos desafios. Thane Krios permanecia ao seu lado, silencioso, uma sombra constante que prometia alterar a dinâmica da equipa de forma imprevisível.
Leaf respirou fundo, sentindo que, apesar da tensão, a presença dele também lhe transmitia algo inesperado: segurança. Mas a dúvida, a curiosidade e o mistério permaneciam, indicando que o próximo capítulo da sua relação com Thane e Garrus estava apenas a começar.
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