Notas iniciais
OIIIII POVO LINDO DO MEU ♡ Tudo bem com vocês? Vamos lá, eu sei que demorei. Podem falar, me xingar, sei lá. Maaaaaas, eu tive meus motivos e acho desnecessário ficar falando deles aqui, por quê eu acho que vocês querem o capítulo, certo? meu teclado estragou,e até minha mãe comprar um novo,demorou.Hj também vou postar um cap. novo no descendesntes

Nico

— Ei, Bela Adormecida. Acorda. — Rose, irmã mais nova de Nico, cutucou a lateral da cama com o joelho. — A mamãe disse que você vai perder o avião.

— Que bom — murmurou ele no travesseiro.

Virou de bruços, ignorando a irmã e fingindo voltar a dormir. Não se importaria de acordar dali a um mês, deixando toda a viagem para trás. Mas não teria a sorte de perder o voo. O avião para Paris só partiria às 20h e — ele entreabriu um olho para o relógio na mesa

de cabeceira — ainda nem era meio-dia.

— O que você vai fazer na França por um mês inteirinho? — perguntou Rose. — Vai me

mandar postais? O tio Howard sempre manda postais do exterior. — Nas duas últimas palavras, Rose engrossou a voz, tentando imitar o tio empresário arrogante que estava sempre em uma viagem de luxo a algum lugar.

Rose tinha 11 anos, cinco a menos do que Nico, cabelo negro, olhos da mesma cor,e feições delicadas e pequenas. Ao lado da cama de Nico, com a camisola cor-de-rosa de babados, parecia a versão de uma princesa de conto de fadas para criancinhas, tão pura que ele nem queria lhe dizer que estava convencido de que a excursão da escola à França seria um porre completo.

Diziam haver uma semelhança entre Rose e Nico, mas o garoto não a via. Ele era desajeitado, de repente com 1,80m de altura depois de um surto de crescimento naquela primavera, que o fez pensar ter trocado de corpo com alguém muito mais confiante. Seu cabelo negro crescia para todos os lados, de forma que ele nunca conseguia deixá-lo direito, nem quando usava o gel da mãe. Seu queixo tinha uma espinha, e ele sempre achou as orelhas meio grandes demais. Mas os olhos eram do mesmo negro dos da irmã, bem como

da mãe. Era o que as pessoas sempre notavam primeiro em Nico di Angelo.

Marcantes, como Amber chamava.

Pelo menos costumava chamar.

— Ou vai ficar ocupado demais namorando a Amber para escrever pra casa? — Rose se

jogou na cama do irmão, mas ele a empurrou, irritado.

— Cala a boca, Rose. — A última coisa que ele queria era a irmã mais nova sabendo do patético término do seu namoro.

— Ai! — Ela gemeu, esfregando o cotovelo enquanto se levantava do chão. — Mãe! —berrou a plenos pulmões. — O Nico me chutou...

— Nico. — A mãe deles estava à porta, de braços cruzados. Vestia-se como uma advogada, mesmo aos sábados, com a calça branca do terninho imaculadamente passada. O cabelo louro estava bem puxado para trás, e ela não havia terminado de aplicar o corretivo sob os olhos.Nico via pontos de maquiagem bege perto da ponte do nariz dela.

— Ela invadiu meu quarto, mãe. —Nico cobriu a cabeça com o cobertor, desejando uma privacidade impossível. — Diz a ela para não...

— Eu pedi a ela que acordasse você. O ônibus virá buscá-lo às 17h.

Então Nico afastou a coberta e olhou exasperado para a mãe.

— Faltam cinco horas inteiras.

— Bom, já fez sua mala?

Ele olhou a mala cinza que a mãe tirara do sótão havia uma semana. Ele a usara como cabideiro, jogando o uniforme de futebol por cima da mala todos os dias depois que voltava do treino, tentando cobri-la. Sempre odiou fazer malas, e naquele dia a tarefa parecia um pesadelo ainda maior. Os criminosos condenados não precisavam fazer as malas antes de ir para prisão.Nico sentia tanto medo por causa da viagem quanto um inocente ao andar para o corredor da morte. Nem acreditava que antigamente existia um universo em que a viagem teria parecido a melhor coisa que podia lhe acontecer.

Paris era para os amantes — e Nico tinha acabado de ser trocado por um guitarrista de uma banda de jam chamado Adam.

Nico e Amber haviam se conhecido no verão anterior quando ela era salva-vidas na

piscina pública de Baltimore. Era macia e cheia de curvas, com a pele morena e o cabelo com

luzes que brilhavam ao sol. Nico a observara o verão todo — por dois meses, na aula de

francês, quando ela se sentava na frente dele, trançando e destrançando o cabelo — antes de

se levantar e criar coragem para convidá-la ao baile da escola. Depois que ela aceitou,Nico nem acreditou em como foi fácil. Uma dança levou a outra, que levou a uma festa, depois ao

cinema, em seguida eles estavam se beijando no sofá do porão da Amber sob a lua cheia.

Depois eles simplesmente ficaram, digamos, juntos.

Ele adorava ter namorada. Sempre havia alguém para procurar nos corredores, o armário

de alguém para deixar um bilhete na escola, alguém em quem pensar quando se deitava para

dormir à noite. Eles nunca tinham sido um daqueles casais que ficavam acordados até o sol

nascer conversando ao telefone nem nada, e às vezes ela ficava irritada com ele sem motivo

nenhum, então Nico em geral pedia desculpas por algo que nem entendia direito. Mas

Amber tinha sido seu primeiro beijo, seu primeiro tudo — e embora não tivesse muito com o

que comparar, Nico sabia que ela era incrível.

Assim, quando ela o deixou de uma hora para outra porque tinha ido a um festival de música com a prima, Alice, e voltara com o número de telefone de um hippie de Albuquerque escrito na mão, parecia que o mundo inteiro de Nico se desintegrara.

Era para os dois irem a Paris juntos. Eles foram os primeiros alunos na turma de francês a se inscreverem para a excursão de um mês liderada pela professora, madame Virgily. Amber

o convenceu de que seria a coisa mais românica que aconteceria aos dois.

Mas agora ela estava tirando uns dias de folga no trabalho para fazer uma viagem de

carro com a prima e ver a banda do novo namorado tocar em algum show idiota.

— Você vai se divertir — ela teve a coragem de dizer a Nico no último dia de aulas. —

Estou com inveja por você ver a torre Eiffel de perto.

Ele ainda iria à excursão; porque a mãe tinha pagado o depósito não reembolsável de 500

dólares em abril, porque ele havia trabalhado como manobrista cinco dias por semana para

pagar o restante, porque o tio Howard tivera a generosidade de usar suas milhas aéreas para

comprar as passagens de avião de Nico como um presente de Natal antecipado. O pai de

Amber era rico. Então o garoto concluiu que não se importava de perder o depósito porque a

filha na última hora não quis mais fazer a viagem.

Nico agora se arrependia de se envolver tanto com Amber a ponto de não prestar

atenção em quem mais de sua turma iria à França. Nenhum dos outros alunos do time de

futebol fazia francês, então ele não teria amigo algum lá. Seriam Nico e um bando de

esquisitões que ele nem conhecia e que provavelmente já debochavam do seu novo status de

solteiro.

Então, não, mãe, ele não tinha feito as malas.

— Rose, meu bem, vá colocar a mesa do almoço — disse a mãe de Nico do closet,

vasculhando o cesto que transbordava de roupa suja.

Ela abriu a cortina, deixando entrar a luz do sol a que os olhos de Nico se recusavam a se

adaptar. Desde o término, ele tinha evitado ao máximo a luz do dia, dormindo até o último

minuto possível antes de seu turno de manobrista ou treino de futebol, rezando por dias

cinzentos e chuvosos nos quais o sol não o alcançasse, não o fizesse se sentir em conflito com

o universo.

Quando ficaram a sós, a mãe se sentou na beira da cama. Afagou seu cabelo como

costumava fazer quando ele era criança, e por algum motivo Nico não se retraiu.

— Sabia que eu só saí do país quando fiz 21 anos?

Nico sabia. Ele sabia “a sorte que tinha” por embarcar em um avião para a Europa

naquela noite. Sabia que Rose gritaria como se estivesse em um show do One Direction se

ele simplesmente deixasse um postal na caixa de correio com um “Queria que você estivesse

aqui” rabiscado às pressas no verso. Mas não conseguia se forçar a sentir nada além de pena

de si mesmo por ter que passar um mês sem a namorada, igual a um mané, na cidade mais

romântica do mundo.

— O que é isso? — perguntou Mallory Staple, uma menina de cabelo ruivo e cacheado

que estudava com Nico desde o jardim de infância, enquanto o avião para Paris decolava.

Nico acabara no assento do meio, preso entre Mallory e seu irmão magrelo, Paul, que já

dormia com a cabeça batendo na bandeja do jantar semidevorado.

No início, ele pensou que Mallory falava do seu iPod, perguntando que música ele ouvia

aos berros nos fones — “The World Is Full of Crashing Bores”. Ele tirou um fone para ouvila

melhor.

— Gosta do Morrissey?

— Adoro — disse ela, pegando o fone como se ele tivesse oferecido e colocando no

ouvido. — Mas eu estava falando disso. — Ela apontou para um pequeno button dourado no

bolso da mochila camuflada de Nico, algo que ele nunca teria prendido ali. Ele pegou a

mochila e viu que o button era um querubim mínimo, com braços estendidos para o céu.

— Não é meu — falou rapidamente, sem graça. — A minha irmã deve ter colocado aí. —

Rose com certeza tinha feito isso, provavelmente naquela manhã, depois que ele a tinha

expulsado do quarto, fato do qual Nico ainda se arrependia. — Ela adora anjos da guarda e

essas coisas.

— Eu também. — Mallory se curvou para ver melhor o button. — Acho que é Rafael, o

anjo das viagens. Quem sabe — ela sorriu, devolvendo o fone —, talvez ele dê sorte.

Nico fez uma careta. Nada daria sorte naquela viagem. Viu pela janela a lua imensa e

branca, que parecia estar no mesmo nível do avião. Tentou não pensar em Amber, mas saber

que a mesma lua estava acima dela no seu Camaro vermelho indo na direção contrária ao

avião de Nico, em uma estrada escura rumo a Albuquerque... Aquilo fez Nico apertar o

button de anjo da guarda até machucar e deixar uma impressão de suas asinhas na palma da

mão.

Notas finais
bom gente,é isso,vamo ver de posto mais uma hj