Eclipse Radiante
9 Traída
Era até um pouco engraçado, olhar pra aquele maluco tatuado deitado na cama daquele hospital com um soro enfiado no braço e olhando pra mim esperando uma resposta
- Tem certeza que você não está delirando Jimmy?
- Claro que não. O Warped Tour já acabou há alguns dias e a banda só ficou mesmo por aqui essa última semana por causa de uns negócios aí, mas tudo já está resolvido e hoje à noite a gente segue de volta pra Califórnia.
- Mas e o meu trabalho Jimmy?
- Relaxa, você pode ir com a gente hoje e segunda bem cedo você já está aqui de volta pra trabalhar, vamos Sarah, há quanto tempo você não vê a cor do mar de Huntington Beach?
- Ah aquele bendito mar que eu taaaaaaaaaaaanto amo
Disse em um tom sarcástico.
- Você não precisa entrar dentro dele, só pegar um pouco de ar puro, ainda mais depois de tudo que você passou.
- Então tudo bem, mas eu tenho que estar aqui na segunda, ok?
- Ok, mas acho melhor você ir arrumar suas coisas, daqui a duas horas o nosso ônibus sai pra lá.
- Ah e eu vou com vocês no ônibus da banda?
- É
- Estou me sentindo super importante agora.
Certifiquei-me de que os rapazes iam levá-lo em segurança para onde eles estavam hospedados e corri pra casa. Peguei uma mochila e coloquei algumas roupas e acessórios dentro dela e fui ao encontro deles.
Jimmy ainda estava um pouco cansado, mas bem melhor do que mais cedo.
- Olha só rapaziada, a minha garota vai viajar aqui no ônibus com a gente, olha o respeito. Johnny, nada de soltar pum, Zacky e Syn, sem viadagem e Matt nada de batizar o brownies.
Os rapazes se entreolharam, riram e depois vieram me cumprimentar, bem melhor do que no dia da briga lá no Warped Tour. Dessa vez todos estavam bem humorados, até o Zacky estava com um humor impecável.
- Thompson garota! Você ficou um mulherão olha só, mas que corte feio é esse no seu rosto?
- Nada de mais não Zacky, você também ficou um pãozinho.
- Pãozinho?
Os garotos começaram a rir. A viagem foi ótima, Johnny, como a minha própria memória tinha mesmo me dado indícios, ele entrara depois na Banda. Jimmy era amigo do irmão mais valho dele, e ele entrou pra salvar a banda, porque segundo ele, o antigo baixista era horrível, ele era um baixinho bem simpático.
Chegamos pela manhã. Voltar a aquele lugar era estranho, meio nostálgico, estar ali onde tudo começou, onde eu nasci e vivi por quase duas décadas, depois de tantos anos longe. Bom era domingo, e de acordo com os próprios rapazes, domingo era dia de ir para a praia.
- Praia? Sem chance
- Deixa de frescura Thompson, você vai adorar ir para a praia com a gente.
Disse o Brian.
- Quero só ver.
Enquanto estávamos a caminho da praia, chamei Brian.
- E aí Haner, o que eu falei sobre a Michelle serviu de alguma coisa?
- Serviu sim. Ontem eu conversei com ela e ela acabou confessando tudo.
- Tudo?
Será que ela entregou a Leana também?
- Sim, ela contou que eu estava muito distante e que ela não queria me perder.
- Ah
- Por quê? Você sabe de mais alguma coisa?
- Amn, não Brian, só estava curiosa, mas vocês terminaram?
- Na verdade não, ela meio que caiu no chão, se agarrou nos meus pés e implorou pra eu não abandonar ela, deu pena sei lá, e eu também gosto dela, pode não ser a paixão mais avassaladora, mas eu gosto.
- É, isso ai é com vocês, não vou me meter mais do que eu já me meti nessa história.
- Mas eu ainda estou meio intrigado, como você descobriu isso mesmo hein Sarah?
- Ah sei lá, acho que eu sou médium, sei lá
- Médium? Aham sei, e quanto você ta cobrando pra ler a sorte?
Começamos a rir. O dia na praia com os meninos foi muito agradável, bem melhor do que das vezes que eu saia com a minha mãe, era traumatizante. Zacky levou o violão e eles tocaram e cantaram, ficamos numa parte meio isolada, sem sombra de fãs. Foi ótimo. Jimmy então me chamou, já estava quase anoitecendo. Fomos para o topo de umas pedras e ficamos lá sentadinhos juntos vendo o resto do por do sol.
Naquele dia Jimmy e eu nos entregamos um ao outro, não só de coração, mas também de corpo. As mãos dele escorregavam pelas minhas costas nuas, o corpo tatuado dele grudou meu e nos fizemos sexo ali. Era meio estranho, ali ao ar livre, mas Jimmy era muito carinhoso e eu o amava, então não importava se estávamos sobre umas pedras, ou numa cama king size, o importante era estar com ele.
De madrugada voltei de avião para Manhattan e cerca de 7h da manha já estava em casa me arrumando para ir ao trabalho.
Quando cheguei lá me avisaram que Bernard estava a minha espera.
- Jones? Queria falar comigo?
- Thompson! Que bom te ver, nossa que corte feio é esse no seu rosto
Ótimo, a obra da Leana estava me obrigando a me explicar pra todo mundo que me via. Contei a ele a história do seqüestro relâmpago, omitindo a parte da Leana mais uma vez, contei também do acontecido com Jimmy e ele ficou meio perplexo com tudo.
- Meu deus Thompson! Quantas emoções nessa sua vida hein?
- Até demais Bernard.
- Mas Sarah, não foi só por explicações que eu te chamei aqui
- Não? Foi pelo o que então?
- Você lembra que há uns meses atrás eu mandei uma equipe minha para o Canadá pra realizar uns projetos lá e você quis ir, mas como a equipe já estava completa não teve como?
- Lembro sim, Bernard, eu sempre tive curiosidade pra saber como é o Canadá
- Bom Sarah, e se eu disser que você vai para o Canadá?
- O quê?
- Um rapaz que estava na equipe pediu demissão, parece que não conseguiu se adaptar ao frio de lá. E como você é uma das minhas melhores profissionais e estava louca para ir, sugeri seu nome para a companhia e eles aceitaram você Sarah
- Eu não acredito! Nossa isso é muito bom Bernard! Eu consegui!
Comecei a gritar feito uma louca, corri e a abracei Bernard.
- Parabéns Thompson
- Mas, pra quando é isso?
- Pra daqui a duas semanas, como você não tem muita família por aqui, acho que vai ser fácil pra você se desapegar.
De repente o sorriso saiu dos meus lábios e um nome veio na minha cabeça “JIMMY”
- Está tudo bem Sarah? De repente você ficou séria.
- Ta tudo bem sim Jones, eu só estou um pouco apreensiva e, tenho umas coisas pra resolver antes de ir.
- Então acho bom você andar logo, a viagem não está muito distante.
Eu o abracei mais uma vez e sai de seu escritório. Peguei meu celular e liguei para o Jimmy.
- Sarah? Chegou bem?
- Cheguei sim Jimmy, eu preciso falar com você, é algo importante.
- Pode falar
- Você não entendeu Jimmy, é muito importante, tem que ser pessoalmente.
- Bom você quer que eu vá até aí?
- Não precisa, no fim de semana eu vou até aí, vocês ainda vão estar aí em Huntington Beach né?
- Acho que sim, mas aconteceu algo grave Sarah?
- Quando eu chegar aí eu te explico.
A semana passou tão rápida quanto uma lesma com preguiça. Eu estava apreensiva, como as coisas entre Jimmy e eu ficariam? Estava com medo de que ele desistisse de tudo. O Canadá não era tão longe assim, mas eu duvidava que as coisas continuassem do mesmo jeito comigo morando longe.
Cheguei antes do previsto, tinha dito a ele que chegaria a noite, mas acabei chegando no meio da tarde, tinha conseguido dispensa do trabalho e aproveitei para sair antes de Manhattan.
Quando estava chegando à casa dele reconheci um carro que não era o dele, mas eu não conseguia me lembrar de quem exatamente era, talvez fosse do Matt, não tinha certeza. O porteiro me reconheceu e me deixou entrar no condomínio, a porta da casa dele estava aberta e eu entrei. O que eu vi a seguir doeu quase quanto uma facada no meu peito.
- Jimmy?
Ele se assustou, enrolou rápido as cobertas na cintura, o que deixou bem a vista o corpo da mulher ali ao lado dele. Leana ostentava um sorriso enorme de vitória
— Sarah
Saí correndo dali, ele não podia ter feito aquilo comigo. As lágrimas rolaram fortes pelo meu rosto. Então senti algo me puxar pelo braço. Ele estava semi-nu o cabelo todo bagunçado
- Sarah, me desculpa eu...
- Me solta Jimmy. Você disse tantas vezes que me amava, mas agora eu tenho certeza que você nunca me amou, você ama ela!
- Não Sarah, eu não amo ela, foi só um momento de fraqueza
- Não Jimmy, EU é que fui o seu momento de fraqueza, não ela.
Soltei meu braço e fui embora dali. Não avisei nada a ele sobre o Canadá. Minha vida agora não era mais da conta dele. Ele me ligou várias vezes, não atendi nenhuma. Uma vez o Brian me ligou, para saber como estavam as coisas, mas não dei brechas para ele chegar no assunto ‘Jimmy’, também não comentei sobre a minha transferência para o Canadá. Só deus sabe o quanto a traição dele doeu em mim, ainda mais porque foi com ela. E em pensar que em nenhum momento ele chegou a duvidar dela, mesmo eu dizendo o que ela fez. Não contei sobre o seqüestro e depois disso eu duvido que ele deixasse de gostar dela mesmo sabendo de tudo que ela fez comigo.
Chegou o dia da viagem. Entrei no avião sem olhar para trás, tive medo de olhar e sofrer mais uma vez com o tudo o que eu tinha passado nas duas semanas. Até meu corpo estava estranhando aquela situação toda. Meu estômago doía e eu pensava no que o futuro naquele país me reservaria.
Sentada na poltrona antes do embarque fiquei olhando para fora da janela, pude ver as malas sendo postas no avião, então senti que a pessoa do lado acabara de sentar.
- Sarah?
Me virei rápido
- Greg?
- Você também está indo para o Canadá?
- Sim, eu fui transferida para lá.
- Que grande coincidência!
Depois do seqüestro, nunca mais tinha visto ele. Estava diferente, parecia um pouco abatido.
- É uma grande coincidência mesmo
- Eu ainda estou me sentindo um canalha por tudo o que eu fiz com você Sarah. Estava voltando para o Canadá, meu pai achou que fosse melhor eu voltar pra lá, pra ver se eu saia do estado em que eu estava. Fiquei me sentindo muito culpado por tudo e quase cometi suicídio.
- Suicídio Greg?
- É, eu cortei os pulsos. Mas por sorte meu pai me encontrou e me levou pro hospital antes que eu perdesse muito sangue.
Olhei para os pulsos dele, realmente estavam enfaixados.
- Greg, eu já perdoei você.
- Eu sei, mas você disse que não queria mais ser minha amiga, nem me ver nunca mais.
Eu o abracei, eu queria muito chorar.
- Greg, me desculpa eu fui uma péssima amiga com você
- Aconteceu alguma coisa Sarah? E o Jimmy?
- Greg, só deus sabe como eu estou precisando de você.
Durante a viagem eu contei tudo para ele. Ele me abraçou e disse que estaria do meu lado para o que quer que eu precise. Era tudo o que eu precisava ouvir. Eu sabia que ele tinha errado, mas ele era o único amigo que eu tinha, pelo menos o único de verdade.
Logo que desembarcamos no aeroporto de Montreal eu senti um mal-estar. Minha visão escureceu e fui sentindo meu corpo cair, só consegui ouvir Greg gritar por ajuda e então apaguei.
Acordei na enfermaria do aeroporto o médico me encarava sorridente
- Olha só, até que enfim a nossa garota acordou.
Greg estava todo descabelado ali do meu lado, parecia que tinha entrado em um furacão
- O que aconteceu comigo?
O médico ainda sorrindo falou
- Fique tranqüila, costuma ser assim mesmo nos primeiros meses
- Nos primeiros meses aqui no Canadá as pessoas desmaiam?
Ele soltou uma gargalhada sonora
- Não garota.
- Então o que era?
- Eu quis dizer, senhorita Thompson, que você está grávida.
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