Eclipse Radiante
10 Insanidade/ Sanidade
Notas iniciais
Mais uma vez, obrigada pelas reviews e principalmente obrigada por lerem a minha primeira fic.
Boa Leitura :)
Por que diabos mesmo eu tinha curiosidade de morar em uma cidade tão fria? Já estava achando que o sangue não estava passando nem perto da ponta dos meus dedos apesar de que eu nem tinha certeza se era por causa mesmo da porra do frio que eu estava tremendo. Já fazia quase uma hora que eu estava andando impaciente de um lado para o outro.
- Sarah, é melhor você se sentar
- SENTAR? Sentar o caralho, Greg! Como você quer que eu me sente numa hora dessa?
- Eu sei mas...
- Mas eu estou grávida? É isso que você vai dizer?
Eu estava em pânico. Eu não devia ter subido a porra daquela pedra com o Jimmy. Merda, mas por que será que quando eu estou perto dele não consigo agir direito? Tento ser firme, mas é só ouvir aquela gargalhada dele, sentir aquele corpo esguio e aquele piercing encostando no meu rosto que eu fico perdida. Jimmy seu idiota, tinha mesmo que me trair com a vaca da Leana? Frio do cacete.
- Sarah, o que você vai fazer com o Jimmy?
Boa pergunta. Nem eu sabia, a única coisa de que eu tinha certeza é que eu estava enfurecida e magoada demais pra falar qualquer coisa com ele.
- Não sei Greg, mas eu nem quero ouvir o nome desse desgraçado. Eu ainda não acredito que depois de tudo que nós passamos juntos ele teve coragem de comer aquela vadia.
Esmurrei enfurecida a porta do consultório que eu acabara de sair.
- Calma Sarah, de cabeça quente você não vai resolver nada.
- QUEM É QUE ESTÁ COM A CABEÇA QUENTE AQUI?
Chutei a porta que ainda a pouco acabara de esmurrar.
- Ninguém Sarah, ninguém, mas tenta ficar calma, por favor.
- Frio do cacete.
Escorei as costas na parede e enquanto escorregava até o chão senti as lágrimas escorrerem quase que simultaneamente pelo meu rosto. Greg sentou ao meu lado no chão e pousou a mão sobre o meu ombro.
- Se você não quiser contar pra ele tudo bem, eu vou estar aqui pra dar todo o apoio que você precisar.
- O Jimmy não vai saber de nada, pelo menos não agora. Deixa ele se divertir com a vagaba dele. Por enquanto essa criança é só minha
- Você não precisa encarar isso tudo sozinha
Ele deslizou a mão por todo o meu braço até encontrar a minha mão e apertá-la. E eu só queria ir para casa.
Os primeiros dias aqui em Montreal foram terríveis. Sei que eu reclamava muito do sol da Califórnia, e acho que agora to pagando por cada dia que eu desejei sair da porra daquele lugar. Estava me sentindo uma estranha no ninho, tanta gente loira e branca pra todo lado, frio de lascar, calça jeans e camiseta eram impossíveis de usar se não fosse com umas 500 outras roupas sobrepostas. Era bom porque era um lugar bonito e dava pra andar sempre com estilo, os casacos davam um ar bem elegante, mas apesar de tudo eu me sentia sozinha, queria pelo menos o calor do colo da minha mãe ou de alguém que me desse apoio nessa hora tão difícil. O Greg sempre gostava de me fazer companhia, mas pra mim tudo que ele dizia ou era com segundas intenções ou eram apenas palavras vazias.
Com três meses de gravidez a minha barriga já começava a salientar-se e em uma tarde em que eu a observava, chingando internamente o Jimmy por ter me deixado naquele situação, meu telefone tocou.
- Oi?
Ninguém respondeu
- Alô? Tem alguém na linha?
Ouvi um ruído, pareciam cochichos, ainda consegui ouvir claramente um “Me dá logo essa porra aqui, cabeção” antes que enfim alguém respondesse ao telefone
- Thompson?
- Sim
- É o Brian. Que bom que você atendeu Sarah, já estava achando que a terra tinha te engolido. Está tudo bem?
- Está sim Brian, e por aí, como vão as coisas?
- Ta tudo ok também, mas er... Escuta onde você está? Quer dizer, a gente ta aqui na porta do seu prédio, mas não tem ninguém na sua casa, pensei que não trabalhasse nos domingos.
- Brian eu... Eu não estou mais morando em Manhattan
- Não? Resolveu voltar pra Califórnia? Ou ta em Nova Jersey com seus pais?
- Não Brian é que... Eu fui transferida pra Montreal há alguns meses, agora eu estou morando no Canadá.
- O QUE?? Canadá Sarah? Por que você não contou nada pra gente?
- Pra quê Brian?Pro idiota do Jimmy vir atrás de mim e me encher os ouvidos com falsos arrependimentos e palavras vazias de amor? Ele não precisa vir atrás de mim, eu já saí da vida dele, agora ele e a Leana podem viver felizes durante a toda a maldita vida deles.
- Mas Sarah, você nem quis nem conversar com ele, deixar ele ao menos se explicar. Pedir desculpas é um dever dele e você esta se recusando até a isso.
- Desculpa Haner, mas eu cansei de teatro.
- Porra Thompson, você não tem nada na porcaria dessa sua cabeça não? Está ai nesse mundo de gelo sozinha?
- É, eu sempre morei sozinha Haner, não é agora que uma companhia vai me fazer falta
Eu estava mentindo descaradamente, eu sentia muita falta das pessoas que eu amava, sentia falta até dos trogloditas dos Estados Unidos, o povo do Canadá é muito contido, muito educado, é bonitinho no começo, mas depois enche o saco. Prossegui:
- E também vez ou outra meu colegas de trabalho ou até mesmo o Greg me fazem uma visita
- O tal do Greg também esta ai?
- Ele é canadense, nós acabamos nos encontrando por aqui
- Sei, mas você e ele não...
- Não Brian, somos apenas amigos.
Conversando com ele pude ouvir ao lado alguns palavrões e a voz inconfundível do Jimmy pronunciando-os. Meus batimentos cardíacos aceleraram ao ouvir a voz dele, mas apesar disso eu não queria que ele tivesse notícias de mim, mas agora já era tarde.
- Olha Brian, foi muito bom falar com você. Eu sinto muitas saudades de encontrar você caído e machucado no meio de uma rua escura.
- HAHAHA nossa, ótimas recordações
Começamos a rir, mas eu não queria estender aquela conversa mais.
- Brian foi muito bom falar com você, mas eu tenho que desligar
- Sabe Sarah, os caras da banda também estão com muitas saudades de você, principalmente o grandão cabeçudo. Se nós formos visitar você aí no Canadá, será que você nos recebe?
- É claro que recebo Brian, mas para ser sincera, não tenho pressa por esse reencontro. Por enquanto acho melhor não virem, eu preciso de um tempo comigo mesma.
- Se você prefere assim, tudo bem.
Saber que o Jimmy estava com saudades de mim acabou deixando um sorriso idiota na minha cara, e que eu logo tratei de me livrar quando me lembrei do que ele fez. Eu já tinha deixado o caminho livre para ele e Leana ficarem juntos, não precisava vir atrás de mim.
Me joguei em uma poltrona de frente pra lareira, e enquanto aquecia meus pés e tomava um chá bem quente, lembrei daquela tarde na praia com ele. Aquele sorriso. O mesmo sorriso do garoto imbecil e loiro que morava do lado da minha casa. Comecei a pensar no bebê na minha barriga e então, só por um segundo, pensei se Leana seria capaz de fazer alguma coisa se soubesse que eu estava esperando um filho dele. Não, ela não podia ser tão má.
Dois meses se passaram, e já carregava os cinco meses (que mais pareciam 5 toneladas) de vida daquela criancinha. Nem preciso dizer que me sentia a rainha dos elefantes, sempre que me olhava no espelho soltava uma praga para o Jimmy. Mas tenho que confessar que toda vez que o bebê mexia no meu corpo eu ficava toda besta e começava a imaginar se ele teria traços do Jimmy, os olhos azuis ou o cabelo loiro, com muita sorte até o nariz simetricamente perfeito. Já que o pai dele não podia ser meu, ao menos eu teria nos braços daqui há uns meses aquela criança que era uma partezinha dele.
Voltando do trabalho, em uma tarde, já meio inchada e meio aborrecida por causa do peso, encontrei algo na rua que quase me fez pôr aquela criança pra fora.
- PUTA QUE PARIU!
Eu gritei e chutei uma lata de lixo ali perto. No fundo eu sabia que mais cedo ou mais tarde eles fariam isso, não iam descansar até fazer.
- A senhora está se sentindo bem?
"Senhora é a sua vó, seu imbecil", quase falei, mas me segurei. Um rapaz loiro de cerca de uns 17 anos que passava na rua estranhou ao ver minha exaltação repentina e quis ajudar.
- Estou sim, obrigada.
Antes de seguir de volta para casa, arranquei um dos tantos banners espalhados por toda a extensão daquela parede e saí rumo a minha casa resmungando. Maldito Avenged Sevenfold! Só serve pra tirar o meu sossego.
“AVENGED SEVENFOLD. SHOW DIA: 17/07/2006. INGRESSOS ANTECIPADOS A VENDA NO SHOPPING GALERIE D’ANJOU. MONTREAL SENTIRÁ O QUE É SER UMA ‘CITY OF EVIL’ NÃO PERCA”
- Bom, e agora? Você vai falar pra ele?
- Não sei, se eu for ele vai me encher de conversa fiada. Não sei se quero isso.
Greg se aproximou de mim, segurou minhas mãos e aproximou o rosto do meu. Cheguei a sentir a respiração dele próxima ao meu ouvido.
- Sarah, você sabe que eu estou disposto a fazer qualquer coisa por você, eu te amo lembra? Se você precisar de um pai para o seu filho, pode ter certeza que seria a maior honra para mim assumir o seu bebê.
- Greg me desculpa, mas não dá, nós somos só amigos. O pai do bebê é o Jimmy, se ele quiser ou não assumir ai é outra coisa. Eu já te perdoei pelo que você me fez Greg, mas eu não sinto nada além de amizade por você.
Ele soltou meu corpo e se afastou, parecia meio aborrecido.
- Entendo, um cara comum como eu nunca vai chegar aos pés de um baterista famoso como o The Reverend, não é?
- Não se trata disso Greg, além do mais eu ainda tenho um pouco de medo da reação dele ao saber disso.
- Quer saber, você é quem sabe. Pelo menos você não sente mais nada por ele.
Eu realmente não sentia mais nada pelo Jimmy? É claro que Greg estava totalmente errado, eu o amava com todas as minhas forças e apesar de existir uma grande mágoa no meu peito eu ainda estremecia só de ouvir o nome dele.
- Sarah?
- O que?
- Sei lá, você de repente desligou.
- Ah, me desculpa, sobre o que mesmo você estava falando?
- Sobre você ter desistido do Jimmy
- Desistido?
- É Sarah, você não está fugindo dele? E além do mais, você mesma disse que agora o caminho estava livre pra Leana.
Foi estranho o ouvir falar assim. Eu agi feito uma covarde, deixei ela me atormentar sem revidar, até ela ter ele de volta. Eu deixei o meu grande amor me escapar por entre os dedos.
- Quando é mesmo esse show?
- O quê?
- O show Greg, o do cartaz
- Daqui a três dias, por quê?
- Porque faz um bom tempo que eu não ouço um bom metalcore.
- Sarah eu não sei se você deve. Pensa bem, você agora carrega mais do que só a sua vida.
- Ah não se preocupe, é bom que meu filho já vá se acostumando com o que é bom desde a gestação
- Se você quiser, eu vou com você então
- Pode ser
O telefone dele tocou, ele me lançou um olhar meio apreensivo, e saiu em direção à cozinha. Aquilo era estranho, ele não costumava sair de perto de mim para atender telefonemas, ainda mais com aquela cara. Não resisti à curiosidade e afinei os meus ouvidos para ver se eu conseguia ouvir algo.
- Tenho certeza sim, ela acabou de me dizer que vai... Eu sei, mas, não acho que vai dar certo... Pode parar, dessa vez você não me enrola... Ok, mas sem gracinhas... Tenho que ir, to na casa dela... É... Tchau.
PÊÊÊÊMMMM! Lanterninha da desconfiança ligada. Tinha quase certeza de que ele falava sobre mim no telefone, e eu não acho que era coisa boa. Melhor ficar de olho nele, eu sei que disse que o tinha perdoado, mas eu ainda tinha as minhas dúvidas. Principalmente por que depois de ouvir isso acabei me lembrando da Leana.
Agora eu estava disposta a pôr as minhas manguinhas de fora e correr atrás do meu Jimmy, se ele e Leana estiverem juntos foda-se, eu cheguei primeiro e ele é meu. De jeito nenhum que eu vou deixar aquela piranha siliconada ficar com ele assim, de mão beijada. Como eu fui burra deixando a armação dela com o Greg nos separar.
Dei uma de mulherzinha boba e fugi. Não tinha ideia do que aquela louca da Leana era capaz, mas agora eu já sabia que ela não era digna nem de pena. Nem que eu tenha que arrancar cada dente da boca daquela vadia com as próprias mãos o Jimmy vai ser meu.
Claro que ele tinha sido um grande imbecil por ter traçado aquela puta enquanto ainda estava comigo, mas isso talvez tenha sido até incompetência minha, dei uma de mulher fraca com um homem que estava acostumado a lidar apenas com as fortes. Eu tinha que ter tido fibra e eu não tive.
O show era daqui a três dias. 3 dias para pensar em como reconquistar meu baterista e trazer ele de volta para os meus braços, e dessa vez, sem nenhum carrapato siliconado grudado nele.
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