Eclipse Radiante

11 Bring me closer to heaven with you pt. 1


Notas iniciais
Fui obrigada a colocar o titulo do capitulo em inglês,uma pena, mas ele em português não teria a mesma magia.
No meu manuscrito esse capitulo tinha muitas outras coisas, mas quando passei pro computador e fui dando uma ajeitada nos detalhes, acabou ficando muito grande, então amanha eu posto a segunda parte desse capitulo.
Obrigada por lerem
Beeijos

22h, apesar de ainda fazer um pouco de frio, o clima estava razoavelmente ameno. Estava lá no carro com o Greg e a caminho do show. Ele ainda tentava me convencer a desistir.

- Sarah, é melhor não. Isso vai acabar tarde e toda aquela gente se espremendo pode prejudicar o seu bebê

- Não vai prejudicar ninguém Greg. Além do mais, talvez tenha chegado a hora de falar com o Jimmy

- Eu sei, mas...

- Era tudo da boca pra fora não é?

- O que?

- Toda essa conversa de ‘aceito ser só seu amigo, mesmo amando você’. Você quer que eu desista do Jimmy

Greg hesitou um pouco, parecia meio irritado.

- Não Sarah, eu só tenho medo que você deixe ele te fazer de boba de novo.

- Me fazer de boba? Tá certo que ele me colocou um baita chifre, mas que eu me lembre, quem me fez mesmo de boba foi você, Greg.

Ele fechou a cara e desviou o olhar de mim

- Eu pensei que você tivesse dito que tinha me perdoado

- Eu perdoei Greg, mas não me peça pra esquecer aquele seqüestro, porque ele não vai sair da minha memória nunca, nem vai fazer com que eu recupere a minha confiança em você.

- Ah é claro, você nunca vai esquecer o fato de eu ter tentado evitar que você ficasse com o cara, que inclusive te engravidou e te abandonou.

Ele começou a gritar.

- Não se trata do que o Jimmy fez Gregory, se trata do que VOCÊ fez. E nem vem com essa de que foi por amor, porque quem ama não faz o que você fez.

Ele me olhou enfurecido. Eu quase nem o reconhecia mais, sempre fora tão tranqüilo, normalmente quando eu perdia a paciência ele só se calava, agora não só estava enraivecido, como também parecia que queria me engolir viva.

Dois quarteirões antes do local do show as ruas já estavam interditadas. Tivemos que seguir a pé e a fila pra entrar estava imensa, o olhar das pessoas se voltavam para mim enquanto eu seguia pela fila, afinal, uma grávida num show de rock não era uma coisa que se vê todo dia. Ainda tiveram alguns que reclamaram quando um segurança disse que eu tinha preferência e podia entrar sem ficar na fila, uma vantagem em estar grávida enfim.

O show começou. Porque será que Matt insistia em usar óculos escuros à noite? Um dia eu ainda ia perguntar isso pra ele. Sem duvida eles arrasavam naquele palco, o Brian, apesar de toda a falta de juízo, detonava na guitarra, Zacky causava um alvoroço imenso em boa parte feminina da multidão, chegando a ganhar dois sutiãs e um fio dental, Johnny também estava super maluco, cuspindo cerveja pra todo lado. Consegui ver o Jimmy só de relance, mas aquilo foi o suficiente pra me deixar maluca. Meu coração estava batendo na velocidade daquela bateria, tão rápido quanto aqueles pratos. Vez ou outra uma fã louca gritava no meu ouvido, levei vários pisões no pé, empurrões e uma cotovelada na cara. Definitivamente ali não era lugar pra uma mulher grávida. Quando faltavam cerca de 15 minutos pra acabar o show fui saindo em direção ao backstage. Chegando lá um segurança de 2m de altura me barrou, mas pra minha sorte Jason Berry chegou lá pra falar com ele e me reconheceu como a ‘amiga doida do Jimmy’, ele se lembrou do Warped Tour. Ele me ajudou a entrar e acabou que não conteve a curiosidade:

- Grávida Thompson?

- Claro que não Jason, uma mulher não pode mais engordar?

- Ah me desculpe

- Tô só zoando Jason. Estou grávida sim, já estou no quinto mês.

- Ah, então meus parabéns.

Ele riu. Mostrou-me onde eu podia me acomodar enquanto aguardava os rapazes e saiu. Fiquei lá sentada em um sofá até que o show acabou. Zacky foi o primeiro a me encontrar.

- Sarah?

- Pãozinho!

- Meu deus garota! Que surpresa boa! Vem cá, me dá um abraço e... Opa!

Ele notou a minha mega pança de elefante.

- Por favor, me diz que isso que você engoliu não foi o pequeno Johnny

Eu comecei a sorrir.

- Minha fome ainda não deu pra tanto

Logo em seguida Johnny chegou. Me deu um abraço apertado e assim como Zacky ficou muito curioso com a minha barriga.

- Uau garota! Sua barriga está maior que a do Zacky!

Zacky deu um soco no braço dele e saíram resmungando. Matt e Brian chegaram, aliás, o Haner quase se engasgou com a garrafa de cerveja quando me viu.

- Thompson?

Matt veio me cumprimentar, estava bastante suado e bem cansado, mas ainda conseguiu abrir um enorme sorriso ao me ver. Brian ficou estático no mesmo lugar, de vez em quando olhava para o corredor, acho que era pra ver se o amigo ‘cabeção de rato’ aparecia.

- Vai mesmo ficar aí parado Haner?

Ele se tocou que nem tinha me dado moral, e veio sorrindo me dar um abraço.

- Porra Sarah, não posso te largar por uns meses e olha só como você reaparece

Ele me abraçou de novo e dessa vez cochichou no meu ouvido

- Esse filho por acaso é do...

O barulho de vidro se partindo ecoou na sala. Era ele.

- Sarah?

Era inevitável, apenas a sensação de o ouvir pronunciar o meu nome fez até a minha alma se arrepiar. Ele estava todo suado, a camisa pendurada no ombro, o cabelo desgrenhado grudando na testa. A garrafa de Heineken que ele trazia nas mãos espatifara-se no chão, os cacos esverdeados se misturavam ao liquido levemente dourado que começava a escorrer para debaixo dos seus tênis. Expressava um sorriso quase que bobo no rosto, estava surpreso.

- James Sullivan, quanto tempo não é?

Ele se aproximou de mim incrédulo, olhou pra minha barriga com uma expressão curiosa, logo em seguida olhou para os meus olhos, abaixou os lábios para bem próximo dos meus ouvidos e sussurrou:

- Que bom que você não demorou seis anos para voltar

O cheiro suave da cerveja que ele bebera entrava pelas minhas narinas junto com a respiração quente dele. Era como se todo o frio daquele lugar tivesse desaparecido.

- Bem que eu tentei, mas dessa vez não me deixaram sumir, não é Brian?

- Yep!

Haner levantou a garrafa da cerveja lá de onde estava e me lançou um sorriso seguido de uma piscadela.

- Além de me ligar um milhão de vezes, ainda resolvem fazer um show no meu esconderijo, tsc tsc, assim fica difícil.

Todos eles sorriram, apenas Jimmy ainda me fitava nos olhos, parecia até que tinha se perdido neles. Vez ou outra apertava meus ombros, e soltava uma riso quase inaudível.

- Nem acredito que estou tocando em você de novo, sentindo sua pele, sua respiração. Eu achei que nunca mais fosse te ver.

- Foi por pouco que você quase não viu. Pensei muito antes de decidir vir até aqui. Quando vi o banner praguejei cada um de vocês, era o fim do meu sossego.

- Sarah eu... Eu nem sei o que dizer, da ultima vez que nos vimos foi...

- Foi horrível.

Afastei o meu corpo do dele, aquilo ainda doía só de lembrar.

- Será que nós dois podemos ter uma conversa?

- Claro Sarah

Ele me indicou uma pequena sala improvisada onde guardavam parte dos equipamentos. Sentamos um de frente para o outro e ficamos apenas nos observando em silêncio por alguns minutos. Ele resolveu, então, romper aquele clima meio tenso

- Então, como estão as coisas aqui no Canadá? Fiquei sabendo que o Monte Royal é um lugar bem bonito

- É bem bonito sim, aqui é um belíssimo lugar. O único problema é o frio, acaba me fazendo querer pelo menos um pouquinho do sol da Califórnia

- Eu sabia que um dia você ainda ia sentir falta de lá

Trivialidades. Nosso assunto ficou nisso por um curto tempo, afinal, Jimmy não era do tipo que fazia muitos rodeios, apesar de bancar o bobo ele sempre sabia a hora de ser sério.

- Você não podia ter fugido de mim.

- Eu não fugi Jimmy, naquele dia eu ia falar pra você sobre a minha transferência, mas quando eu cheguei na sua casa, você já estava ocupado com outra coisa.

Desviei o olhar. Relembrar aquela cena ainda era doloroso. Mas quem estava ali naquela sala comigo não era um homem qualquer, era o Jimmy, o mesmo loiro cabeçudo de Huntington Beach, o baterista maluco que fez eu me apaixonar perdidamente. Ele deslizou a ponta dos longos dedos pelas maçãs do meu rosto e me olhou cheio de ternura.

- Sarah, eu nunca amei a Leana, bom eu pensava que amava ela, mas só até reencontrar você. Tem ideia do quão bom foram os dias que eu passei com você? Todos os momentos que passamos juntos fazem valer a pena as dores que eu sinto em meu peito todos os dias. Eu te amo Thompson.

Eu quis chorar. Foi um misto de emoções muito grande, a mágoa que a traição dele tinha me causado doía muito, mas ouvir ele dizer que me amava praticamente apagou tudo da minha mente.

- Naquele dia Sarah, a Leana sabia que como a nossa relação era recente eu acabaria cedendo às investidas dela. Eu como o grande homem imbecil que eu sou acabei cedendo. Mas Sarah, nada tinha me machucado tanto quanto ver você partir, achei que tinha te perdido pra sempre.

- Eu queria poder apagar a imagem de você transando com a Leana da minha cabeça Jimmy, mas aquilo me deixou muito magoada. Eu te amo Jimmy, mas você me machucou do jeito mais baixo, com a Leana e ainda mais depois do se...

Calma Sarah, você já está falando demais.

- Depois do quê?

- Nada eu só me confundi

Ele olhou meio desconfiado, mas logo deixou pra lá.

- O fato é que, eu sou um cretino idiota que só se deu conta que te amava quanto te perdeu. Eu fui um imbecil Sarah.

- Você É um imbecil Jimmy

Nossa leve risada quebrou o clima tenso. Mas ainda tinha outro assunto a ser resolvido. Ele não conseguiu mais tirar os olhos da minha barriga.

- Você está grávida não é?

- Sim

- É meu?

Eu abaixei os olhos, estava com medo da reação dele. Ele era um baterista famoso, que gostava de aproveitar a liberdade, esse era o sonho dele, desde adolescente ele me dizia isso. Um filho poderia estragar todos esses planos. Educar uma criança exigia tempo e dedicação e tudo o que eu menos queria era atrapalhar a vida dele. Não consegui responder a pergunta e fiquei em silêncio. Ele levantou-se, me puxou para perto dele e perguntou mais uma vez com um pouco mais de convicção

- Esse filho é meu Sarah?

Respirei fundo.

- É sim Jimmy

Antes que eu pudesse desviar o olhar dele, ele aproximou ainda mais o rosto de mim e falou no meu ouvido:

- Tomara que ele não seja retardado como você

Logo em seguida os lábios dele pousaram nos meus. Foi como se o peso do mundo inteiro tivesse saído das minhas costas. As mãos dele encontraram as minhas enquanto nos beijávamos, enfim me senti segura.

Ele então afastou bruscamente meu corpo do dele. Estava acontecendo de novo. A maldita dor.

- Jimmy? Está se sentindo bem?

- Nada demais Sarah, só uma palpitação.

- Da última vez que você me disse isso acabou desabando no chão

- Não precisa se preocupar, eu tomei meus remédios dessa vez. O problema é que as palpitações ficaram um pouco mais freqüentes, mas nada demais. Esse meu coração velho é que ás vezes gosta de fazer com que eu me lembre que ele existe.

A expressão de dor aos poucos sumiu do seu rosto, mas por algum motivo eu temia muito os problemas cardíacos dele. Lembrei então de outra conversa que nós tivemos

“Bom, depois eu já vou poder ir

- Ir?

- É Sarah, eu não vou passar dos 30 anos

- O quê? Que besteira Jimmy, você vai se matar por acaso?”

Não, era paranóia minha. Cheguei mais perto dele e o abracei, por mais que ele fingisse que estava tudo bem, eu sabia que as dores que ele sentia não eram nada razoáveis.

- Eu vou estar sempre do seu lado Jimmy

- Que bom, eu não quero ter que ficar gritando seu nome pelado no meio da rua outra vez.

Sorrimos, eu amava a companhia dele, isso era um fato.