Eclipse Radiante

16 Enquanto o tempo passa


Notas iniciais
Bom, esse capitulo não é muito romântico, a Sarah precisa acertar contas com alguém, talvez vocês achem ele meio chato, mas esse capitulo é necessário pra que o próximo seja mais emocionante.
Espero que gostem, Boa leitura

Princeton, pequeno distrito de Nova Jersey, casa dos meus pais. Era como estar em uma fortaleza, longe de qualquer coisa capaz de me ferir ou me magoar. Apesar de tudo eu sentia uma falta tão grande dele, o modo como ele me fazia rir com suas idiotices, aquele jeito rápido que ele tocava a bateria e que quase sempre fazia meu coração bater naquele mesmo ritmo, os olhos azuis dele espantados quando acordava e me encontrava sentada olhando pra ele como uma maluca, a pintinha embaixo do mamilo, as tatuagens, tudo ainda doía fundo no meu peito. Eu o amava e temia que ele pudesse fazer qualquer besteira sem eu ali perto dele pra mandá-lo tomar os remédios, ou fazer massagem em seu peito toda vez que começava a doer, sem falar naquela história idiota dele de não passar dos 30 anos. Aquilo tudo me deixava louca.

Depois de ficar embaixo da asa da minha mãe por quase duas semanas sem nem por a cara pra fora de casa, me perdendo em meus pensamentos e me perguntando em que pequenos detalhes eu escorreguei pra deixar tudo aquilo acontecer, decidi dar uma volta a pé pelo quarteirão. Caminhar sempre relaxava a minha mente, fazia todos os meus pensamentos fluírem.

Uma rua abaixo da casa da minha mãe cheguei a ver um garoto com cerca de uns 16 anos na porta de casa discutindo sobre música com os amigos, isso me fez voltar dez anos no passado e me lembrar de quando eu fazia exatamente a mesma coisa com o Jimmy, lembrei do cabelo de Goku dele, daqueles kimonos e daquelas meias quase nos joelhos, não resisti e soltei uma leve risada, que logo se transformou em pequenas lágrimas escorrendo quentes pelo meu rosto, aquilo tudo era quase uma projeção do meu passado. Sentei em um banco de uma parada de ônibus ali perto, fiquei por alguns minutos lá, abraçada em meus joelhos e perdida em minhas memórias, foi então que um rapaz, um pouco mais velho, com cabelos castanhos quase nos ombros, magro, com ar de ironia e que usava uma camiseta do Iron Maiden sentou ao meu lado no banco. Ele tirou um dos fones do ouvido e se virou para mim.

- Moça, você está se sentindo bem?

Ao me virar na direção do rapaz eu quase entrei em colapso.

- Greg?

- Não moça, acho que você deve estar me confundindo, está tudo bem?

Eu estava em choque, ele era muito parecido com o Greg. Grande merda que foi ir para Nova Jersey, cada esquina que eu virava achava algo pra me lembrar de tudo que eu mais queria esquecer. O garoto ainda me olhava como se eu fosse uma maluca, e talvez eu realmente fosse, mas enquanto ele olhava para mim notei que havia um detalhe nele que era o suficiente para que eu soubesse que aquele não era o meu amigo.

- Seus olhos são muito bonitos

O garoto olhou ainda mais espantado, ele devia estar achando que eu era uma pedófila, ou outra coisa do tipo.

- Ahm... Valeu

Depois que ele disse aquilo eu saí, e deixei aquele sósia do Greg, porém com olhos tão azuis quanto os de James Sullivan, a vontade para esperar seu ônibus em paz.

Cheguei em casa quase na hora do jantar e decidida a fazer uma pequena viajem no dia seguinte.

- Você quer o mau carro pra quê?

- Eu preciso fazer uma viagem rápida pai, não é longe, é logo aqui na divisa.

- Pensilvânia?

- É

- Vai fazer o que lá?

- Eu preciso visitar um amigo

- Mas tem que ser logo de carro, Sarah? É melhor ir de avião, você não anda muito bem pra dirigir.

- Eu estou bem pai, e prometo que não vai acontecer nada com seu xodó.

Quando falo em xodó, me refiro ao carro e não a mim. Depois de muita relutância ele acabou deixando e ás 8h do dia seguinte eu estava pegando a rodovia em rumo a Lancaster, Pensilvânia. Mas ainda tinha um pequeno problema, eu não sabia o endereço da clínica, só o Jimmy sabia e ele não quis me dizer, no fundo ele sabia o que eu faria se soubesse ao menos o nome da clínica.

Peguei o telefone e liguei pro Gates, mas pro meu azar não foi ele quem atendeu.

- Haner?

- Quem é que quer falar com ele?

- Ahm... Michelle? Aqui é a Sarah, tudo bom?

- O que você quer com o MEU marido hein, Thompson?

- Eu só preciso de uma pequena informação Michelle, será que eu posso falar com ele?

- Você pensa que eu não sei o que você quer Sarah?

Ai droga, eu tinha esquecido que quem estava ali no outro lado da linha era a pessoa mais ciumenta do universo.

- Michelle eu estou com pressa, não estou com tempo pros seus chiliques, me deixa falar com o Brian, ou com o Matt, tanto faz, eu só preciso de uma informação

- Hum... Deixa eu ver aqui

Ouvi ela chamando a Valary, mas logo uma voz masculina chegou próxima ao telefone brigando com ela “Você atendeu o telefone do Gates de novo, Michelle? Sabe que ele fica uma arara quando você faz isso, me dá a porra desse telefone aqui”, ainda consegui ouvir ela soltar um ‘não’ pra pessoa, mas era tarde demais

- Alô? Olha o Gates deu uma saída e esqueceu o celular no backstage, aqui é o Rev, se eu puder te ajudar?

- Na verdade... Pode sim

Ele engoliu seco.

- Sarah?

- Oi Jimmy, como vão as coisas?

- Ahm... bem e com você

- É, vão indo

- O que você queria com o Gates?

- Na verdade, o que eu preciso saber, você vai conseguir responder melhor do que ele

- O que é?

- Eu preciso do endereço da clinica psiquiátrica que o Greg está internado

- O QUÊ? Você vai atrás daquele filho da puta?

- Não só vou, como já estou num carro a caminho de Lancaster

- Sarah pra que você ta fazendo isso?

- Eu preciso falar com ele Jimmy, ele era meu amigo. E já se passaram tantos anos, eu preciso saber como ele está.

- Nem fudendo que eu vou te dar o endereço.

- Problema seu, nem que eu tenha que rodar toda a Pensilvânia batendo de porta em porta eu vou achar ele, você falar ou não o endereço só vai alterar o numero de diárias que eu vou ter que pagar no hotel.

Ele suspirou.

- Você quer que eu vá com você?

- Não Jimmy, eu não quero atrapalhar mais do que eu já atrapalhei a sua vida.

- Tudo bem, eu vou procurar o endereço, te ligo daqui a alguns minutos.

- Okay

Desliguei o telefone, minha respiração estava rápida e eu estava dirigindo lentamente, só consegui sair do estado de transe quando um carro atrás de mim buzinou pedindo pra eu andar mais rápido, uma vez que ali não era permitido ultrapassar. Comecei a andar mais depressa enquanto respirava fundo. O telefone tocou novamente.

- Hey

- Vou te passar o endereço

- Okay

Ele falou o endereço e o nome da clínica, “Brompton rest home”, agora era só correr para lá.

- Valeu Jimmy, agora eu tenho que desligar, to no transito

- Espera Sarah

- O que?

- Eu só... Só queria dizer que você nunca atrapalhou a minha vida

Fiquei sem palavras.

- Eu...

- Não precisa dizer nada, eu só quero que você fique bem. Pelo menos agora não tem nenhum idiota pra magoar você, não é?

- Pelo menos agora eu não tenho que fazer massagem indiana em ninguém

Ele riu

- Heeeeey! Aquela massagem me faz uma puta falta

- É, a vida cheia de emoções também faz

Ficamos em silêncio por alguns segundos

- Ahm.. bom Jimmy, agora eu realmente tenho que desligar

- Tudo bem, só me liga depois de falar com ele, eu quero saber como foi, se você não se importar, é claro

- Tudo bem, eu ligo sim. Tchau Jimmy

- Tchau Sarah.

Aquela conversa serviu pra deixar todos os músculos do meu corpo tensos, ouvir a voz dele e ainda tão simpático. "Esquece isso Sarah, esquece" fiquei repetindo isso inúmeras vezes na minha cabeça até chegar em meu destino.

Lancaster era uma cidade provinciana, com ares meio interioranos, mas deveras bem movimentada, muitas plantações em seus arredores e clima um pouco frio. Era um belo lugar, mas assim que cheguei lá segui logo em direção a clinica, precisava acabar um capitulo da minha vida que tinha sido deixado para trás, não tinha tempo para turismo.

A clinica era razoavelmente grande, com um pátio e uma área verde bem extensa, no fundo do lote tinha um prédio, onde provavelmente ficavam os internos. Assim que cheguei a recepcionista, que parecia um tanto cansada, perguntou o que eu queria.

- Ahm.. eu queria ver um interno, Gregory Johnson

- Você é da família dele?

- Não... ahm... na verdade eu sou uma velha amiga.

- Não sei se tem autorização para vê-lo, senhorita...

- Sarah Thompson

- Hum... eu tenho que ver isso com o médico responsável por ele.

- Tudo bem, mas por favor, é muito importante, eu realmente preciso muito vê-lo

- Aguarde um estante, por favor.

- Tudo bem

Ela fez umas ligações e cerca de 30 minutos depois um médico alto, loiro de aparência bem simpática e cerca de uns 40 anos, chegou todo sorridente.

- Você que é Sarah Thompson?

- Sou eu sim

- Ah, muito prazer Sarah, eu sou Noah Carter, médico encarregado de cuidar do Gregory desde que ele chegou aqui. Confesso que fiquei muito curioso para conhecê-la

- Me conhecer?

- Sim, desde que chegou aqui Greg fala muito em você, venha, me acompanhe.

- Ah, nós éramos grandes amigos.

- Sarah, Greg é um cara muito triste, e muito enigmático, fala bem pouco da própria vida e do que fez ele chegar aqui, apenas alguns médicos realmente sabem o que se passa na cabeça dele, mas a única coisa que ele sempre fez questão de falar pra qualquer um que perguntasse era o quanto ele amou uma certa mulher, que aliás eu achei que já estava morta, até que você apareceu aqui.

Eu fiquei um pouco cabisbaixa, eu havia magoado muito o Greg, mas não justificou as feridas que ele abriu na minha vida. Chegamos a um corredor extenso, com vários quartos, ele me acompanhou até um deles e falou:

- Eu vou observar vocês o tempo todo, não tenha medo

Ele apontou para um vidro escuro que dava total visão para quem estava do lado de fora dos quartos ver quem estava do lado de dentro

- Tudo bem

- Qualquer coisa é só gritar.

Respirei fundo, era a hora de finalizar aquele capítulo da minha vida.

Notas finais
No proximo capitulo não só o Greg, mas uma outra personagem linda e fofa vai voltar ~Leana YAY (ironia mode on)
Jimmy e Sarah também prometem um pouco mais, sei que nesse capitulo teve bem pouquinho, mas eles ainda vão ter sua hora.
~Me desculpem qualquer coisa
Espero que tenham gostado e até o próximo capitulo
PS: Obrigada por lerem gente, eu fico muito feliz com as reviews, ainda mais depois de um surto de baixa estima que eu tive, mas tô melhorando e escrever tá até mais fácil.
Mais uma vez muito obrigada. Beijos