Eclipse Radiante
17 Two-faced liar pt. 1
Notas iniciais
- Eu vou entrar antes de você, só pra checar se está tudo bem, tem problema?
- Não, por mim tudo bem Dr. Carter
- Ah, esquece isso, pode me chamar de Noah
- Ahm... Tudo bem então Noah
O médico sorriu pra mim e entrou no quarto, me deixando esperando do lado de fora. Meu telefone então tocou, fez um barulho enorme, considerando que tudo ali estava no mais puro silêncio. Atendi quase sussurrando:
- Alô?
- Sarah, aqui é o Jimmy, já conseguiu falar com o cara?
- Ahm, não, estou no lado de fora do quarto dele esperando o médico dar o ‘OK’ pra que eu possa entrar, quando eu terminar eu ligo pra você e...
- Espera, não desliga
- Aconteceu alguma coisa?
- Não ahm... Em que hotel você se hospedou?
- Bom, ainda não me hospedei em nenhum, por quê?
- Ahm, por nada só curiosidade, mas já sabe mais ou menos onde vai ficar?
- Ah, sei lá, acho que tem uma pousada aqui perto da clínica
- Ahm, tudo bem então
- O quê? É só isso?
- É, quer dizer, ahm...
Noah colocou o rosto para o lado de fora da porta fazendo sinal para que eu entrasse, apesar de que aquilo que Jimmy estava falando fosse super estranho, eu tinha que desligar.
- Chegou a hora Jimmy, tenho que ir, depois eu falo com você.
- Ok.
O Dr. Noah deu um sorriso meio nervoso, acho que ele também estava um pouco ansioso por aquela conversa, apesar de que eu iria ficar a sós com Greg, era algo importante na evolução do paciente.
- Greg, ahm... tem visita pra você
- Meu pai de novo?
- Não, dessa vez é alguém diferente.
Aos pouco o médico foi abrindo a porta para que eu entrasse e então eu pude vê-lo. Os cabelos que costumavam ser compridos, quase na altura dos ombros, agora estava curtos, a pele parecia mais branca do que nunca, mas os olhos castanhos ainda eram tão profundos quanto antes. Esses mesmos olhos se abriram numa expressão de susto, e o rapaz levantou-se num sobressalto.
- Sarah?
Consegui abrir um leve sorriso enquanto ele permanecia estático e assustado no mesmo lugar.
- Bom, acho que vou deixá-los a sós
O médico saiu e nos deixou ali, sozinhos. Fui caminhando lentamente na direção dele, ele ainda estava boquiaberto
- Hey Greg, como vão as coisas?
Ele levou as mãos ao rosto e ficou murmurando bem baixinho para si mesmo “Não pode ser, não pode”
- Tudo bem Greg?
Ele tirou as mãos do rosto e olhou novamente para mim, mas dessa vez ele se aproximou e me abraçou bem forte. Ele chorava e soluçava quase como uma criança.
- Sarah, isso não é um sonho?
- Sonho?
- Eu pensei que você estivesse morta.
Ele se afastou de mim e ficou me encarando.
- Não Greg, eu não morri
Abri um sorriso um pouco triste, aquilo me fez lembrar que uma pequena metade de mim realmente tinha morrido.
- Meu deus Sarah, mas como... Eu preciso tanto saber... Oh meu deus
- Calma Greg, eu também quero saber sobre você, me contaram que você voltou a tentar se suicidar, duas vezes não foi?
- Oito
- O QUÊ?
- Eu tentei me suicidar oito vezes Sarah, e na última eu quase consegui. Eu achei que tinha matado você, não tinha mais motivo pra sobreviver
- Oito vezes Greg? Você pirou?
Ele olhou com uma cara de ‘O que você acha?’
- Aquele vidro ali do lado de fora não é pra admirarem a minha beleza não, Sarah. Mas não precisa se preocupar, já faz quase um ano que eu não tento mais nada.
Eu o abracei forte.
- Greg, como a gente foi deixar as coisas chegarem a esse ponto?
- Não fomos nós Sarah, foi ele.
- Ele?
- É tudo culpa dele, nós não fomos felizes juntos por causa dele, por causa do Sullivan
- Epa, pera lá Greg, o Jimmy não tem culpa disso. Você era meu melhor amigo, mas isso não quer dizer que eu um dia fosse me apaixonar por você.
Ele se afastou, parecia um pouco zangado.
- Você nunca me amaria não é? Quem sou eu perto do baterista do Avenged Sevenfold?
- Greg, você me conhece, sabe que isso nunca seria o suficiente pra eu me interessar por alguém, tem muito mais além de fama em torno disso.
Ele abaixou os olhos, era triste ver ele daquele jeito. O quarto não era muito grande e ele estava bem magro, e bem triste
- Tudo bem, eu já saí da sua vida mesmo
- Greg, eu... Eu vim aqui porque existe uma mágoa muito grande entre nós, eu sei que você tinha esperança de que algo além da nossa amizade existisse, mas não existe e nunca vai existir. Eu amo o Jimmy, apesar dele ser um retardado vacilão. Mas entenda, eu quero perdoar você, é por isso que eu estou aqui, quem sabe isso pode até ajudar você a se recuperar e...
Ele não estava mais olhando pra mim.
- Foi pra isso que você veio? Pra me humilhar e me mostrar o quanto o Jimmy e você são felizes?
- Não Greg, não é isso, além do mais, eu não estou mais com o Jimmy, as coisas acabaram não dando certo. Eu não quero que você fique com raiva de mim Greg, nem do Jimmy. Eu quero que você se cure. Além disso, eu sei que você se sente culpado e...
Aconteceu rápido, não pude nem desviar, a mão dele veio com força no meu rosto, tanta força que cambaleei um pouco pro lado. O olhar dele estava cheio de ódio
- É CLARO QUE NÃO FOI O JIMMY, FOI VOCÊ! Você acabou com a minha vida Sarah, eu só te amei e você zombou de mim, brincou com meus sentimentos, você é uma vadia, uma ordinária, eu te odeio Sarah, eu te odeio.
Ele agarrou minha garganta e antes que eu conseguisse gritar qualquer coisa vários enfermeiros entraram e o separaram de mim. Noah chegou e me levou para fora do quarto, ainda pude ver os enfermeiros imobilizando e sedando Greg, talvez realmente não tivesse mais como restaurar a nossa amizade, as coisas nem de longe eram como antes.
- Você está bem Thompson?
Levei as mãos ao rosto e comecei a chorar, já não bastava o que ele já tinha feito com o meu bebê, eu tentei perdoá-lo e ao invés de se redimir ele põe a culpa em mim. Aquilo tudo era horrível, era o fim, não dava mais pra reparar nada entre eu e ele. Como eu tinha sido idiota de ter ido até ali, eu quis resolver as coisas, mas eu não notei que elas já não tinham mais solução.
- Eu... Eu vou ficar bem
Falei entre soluços.
- Você quer me contar o que aconteceu?
- Desculpe doutor, mas eu preciso ir embora.
Não queria ficar mais ali, além do mais, esse Dr. Noah era curioso demais, não ia me abrir com um estranho.
Peguei o carro e fui para uma pensão que ficava cerca de uns quatro quarteirões da clínica, não era muito grande, nem muito luxuosa, mas era perfeita para que eu pudesse passar a noite e descansar depois do que havia acontecido. Eu estava triste e uma ferida foi reaberta no meu peito, o que eu tinha na minha cabeça quando resolvi ir atrás dele?
Logo que entrei no meu quarto me joguei na cama, meu corpo doía, tinha passado muitas horas dirigindo e estava tensa depois do que havia acontecido com o Greg. Ainda estava assustada, ele tinha me dado um tapa no rosto. Nunca eu ia imaginar que aquele garoto tão doce que eu conheci anos atrás seria capaz de fezer uma coisa dessas comigo, eu tinha sido idiota em acreditar que tudo ficaria bem. Ele matou o meu filho, não tinha como ficar bem.
Precisava relaxar, precisava dele, precisava do Jimmy. Ah, quase me esqueço de ligar pra ele, mas o telefone caiu direto na caixa postal.
- Ué? Será que aconteceu alguma coisa?
Pensei alto. Depois de ficar ali estirada na cama por alguns minutos, acabei tirando um cochilo, sem nem trocar de roupa nem nada. Acordei por volta das 21h, tinha pelo menos que tomar um banho antes de voltar a dormir. Entrei na banheira, a água morna serviu pra relaxar todos os meus músculos tensos, já estava quase dormindo quando o telefone do hotel tocou. Levantei às pressas, me enrolei na toalha e atendi.
- Ahm, alô?
- Senhorita Thompson?
- Sim
- Desculpe ligar esse horário para a senhora, mas tem um rapaz aqui na recepção lhe procurando, senhor ahm... Sullivan, devo deixá-lo entrar?
O que o Jimmy estava fazendo aqui? Aquilo me deixou bem surpresa, então era pra isso que ele queria saber onde eu estava hospedada.
- Ahm, pode sim
- Tudo bem então senhorita Thompson, me desculpe o incomodo
- Sem problemas.
Em menos de um minuto já tinha alguém batendo na minha porta. Fui abrir, era ele. Não consegui evitar, meu sorriso abriu-se de orelha a orelha.
- Jimmy
- Desculpa Sarah, eu precisava muito te ver.
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