Ebony Cross

6 Quinto Capítulo - Jullyan


Notas iniciais
Oi pessoal! Sei que deveria ter postado esse capítulo ontem, mas acabei atrasando... Desculpe. ^-^
Espero que gostem desse daqui! Foi muito divertido de escrever e criar tudo nesse capítulo!

“Onde que a Luce vai ficar então?” Perguntou Raffy, calmo, mas preocupado.


“Acho que só resta ela ficar no meu apartamento. Moro aqui também, mas moro um andar ainda mais abaixo desse. É um enorme apartamento.” Com certeza minha cara mostrava surpresa porque ele disse em seguida: “Não se preocupe querida, não será incômodo algum.”

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“Incômodo! O incômodo é nosso!” O loiro estava à beira de explodir bem ali. “Vamos embora, Rafael, Luce. Não ficaremos aqui.”

Eu, quieta até agora, tive que interferir. “Espera Tobi! Já está extremamente tarde, jamais vamos encontrar outro lugar para ficarmos. E mesmo assim, dê uma olhada nos quartos, são bem luxuosos, não vamos achar lugar melhor.” Eram mesmo muito luxuosos.

“E você espera que eu simplesmente deixe esse cara dormir com você?! Luciane, você bebeu Bloody Mary’s demais hoje é?!”

“Tobias! Não vou dormir com ele! Vou dividir um apartamento, como... como... colegas de quarto! É! E ele mesmo disse que o apartamento é bem grande. Aposto que nem vou encontrá-lo lá dentro!” Respirei fundo. “Dá pra confiar um pouco mais em mim? Sou sua, você sabe, não vou andar por ai com outros caras. E é só até nós acabarmos com o que viemos fazer aqui. Aposto que não vai dar nem duas semanas.”

O loiro suspirou. “Eu confio em você Luce, e sei que não fará nada indigno.” Olhou fixamente para o rapaz de longos cabelos negros atrás de mim. “Ele já é outro caso.”

Jullyan fez uma falsa expressão de ter sido ofendido. “Eu jamais encostaria um dedo numa mulher já comprometida! E mesmo se ela fosse solteira, estou ajudando-a, não me aproveitaria da situação.” Olhou para nós três. “Venho de uma família muito conservadora senhores. Pode não parecer, até pelo tipo de negócio que gerencio, mas meus pais educaram a mim e aos meus irmãos impecavelmente. Garanto.”

Houve um silêncio desconfortável depois disso, porém, logo foi quebrado por um bocejo vindo adivinha de quem? Não, não foi o Raffy. Fui eu mesma.

“Parece que a donzela aqui quer dar uma descansada. Venha querida, te levo até o apartamento.”

Estava mesmo cansada, mesmo dormindo no avião e na Land Rover. Deve ser o fuso horário. Dei boa noite ao Raffy e o beijei na bochecha. Dei boa noite ao Tobias e o beijei, apaixonadamente. Ele retribuiu é claro, mas o mantivemos controlado, estávamos com companhia afinal de contas.

Comecei a seguir Jullyan assim que ele foi se dirigindo ao elevador. Virei para trás e vi Tobi me olhando preocupado. Lancei-lhe um olhar tranqüilizador. Logo entrei no elevador junto com o homem de olhos dispares.

No andar de seu apartamento, havia apenas um pequeno corredor de uns 8 metros e logo se via uma porta. Jullyan a abriu e pude ver a imensidão de seu lar.

Havia pôsteres para todo o lado. Eu não conseguia ver a cor original das paredes de tantos pôsteres. E não estou exagerando. Do lado esquerdo tinha um par de sofás de couro enormes, pretos. Cabiam umas vinte pessoas naqueles sofás. Eles estavam virados para uma televisão LCD de umas cinqüenta e cinco polegadas, com um set inteiro de home theater acompanhando-a. No mesmo lado do apartamento havia um armário bem grande também. Ele deveria ter muita roupa, ou ele poderia dividir ele com alguém... com uma mulher talvez. Por algum motivo, duvidei disso.

Do lado direito do apartamento havia cinco pufes pretos e uma televisão um pouco menor que a primeira. Nela estavam conectados um Xbox, Play Station 3 e um Nintendo Wii. Que mordomia. Mais para trás dessa área de lazer, havia uma escrivaninha, com escova de cabelos e algumas maquiagens masculinas, mas não achei espelho. Deve ter quebrado e ele mandara comprar outro que não chegou ainda. É, deve ser isso. Mas o que realmente me chamou a atenção na casa de Jullyan foram duas coisas. A primeira, um aquário bem no fundo do quarto. Não estava cheio d’água. Muito pelo contrário, estava seco, mas havia algumas pedras e folhas nele. A segunda, é que não vi nenhuma cama no quarto, mas sim, em cima de um alto pedestal, um caixão.

O rapaz percebeu meu olhar curioso ao caixão. “Legal não é? Mandei fazer a anos. Aqui em Clifton é comum os góticos mais fanáticos seguirem rotinas parecidas com as de vampiros. Eu sou considerado um desses. Sem luz aqui, só uma pequena lâmpada quando preciso, tenho meu caixão, não tenho espelhos, gosto da minha carne crua e sangrando, e, mais importante, não durmo a noite, sim de dia. Então, já sabe né, tente não me acordar. Não tenho um bom humor de madrugada, que seria de tarde para você.” Ele deu uma pequena gargalhada. “Você acredita em vampiros, Luciane?” Perguntou, vindo mais perto, querendo aproximando seu rosto do meu.

Desviei meio sem jeito dele e fui em direção ao seu caixão, dar uma olhada melhor. “Não, mas devo admitir que acho a história deles interessante. Porém, também os acho criaturas nojentas, miseráveis e infelizes. Se eles realmente existissem, eu queria ser alguém que os caçasse.” Passei a mão pela tampa do caixão, esta também estava forrada de figurinhas de bandas e marcas de carros e motos. Com o pedestal a ‘cama’ de Jullyan ficava muito alta. Chegava a minha cintura.

“Caçá-los, Luce? Se você não acha vampiros criaturas bonitas, elegantes, espertas e magníficas, você é realmente uma forasteira nessa cidade.”

“Eu já sabia que era quando pus os pés aqui.” Virei-me para encará-lo. “Vampiros para mim não passam de bárbaros sugadores de vida. Pestes.” Passei por ele e fui até o aquário vazio. “Onde dormirei? Num dos sofás?” Examinei o tanque de pedras e folhas.

“Claro que não. Romeu a essa hora já deve estar a caminho com um colchão para você.” Me seguiu. “Conheceu a Pandora?”

Confusa, perguntei: “Que Pandora?”

Rindo, Jullyan colocou a mão dentro de seu aquário. Alguns segundos depois, uma coisa grande e peluda começou a escalar seu braço. “Pandora, essa é Luce, nossa nova colega de quarto. Luce conheça Pandora, minha fiel amiga.” Era uma tarântula. Ele tinha uma tarântula de estimação. Bem a cara dele.

Pouco tempo depois chegou meu colchão. O tal do Romeu era o barman de antes. Ele arrumou o colchão com lençol e tudo para mim. Agradeci e peguei meu pijama em minha mochila. Encarei o rapaz de um olho azul, um verde.

“Ah sim, desculpe Luciane. Estou indo, pois, afinal, ainda é cedo para mim querida. Belos sonhos.” Antes de ele se ir completamente pela porta, vi um pequeno sorriso torto surgindo em seus lábios. Consegui enxergar dois caninos demasiados afiados. E assim, fechou a porta, me deixando numa escuridão ainda mais escura de como o quarto era de costume.

Andei até sua escrivaninha e tateei até achar a pequena lâmpada. A acendi e me troquei. Romeu havia colocado meu colchão a apenas alguns metros do caixão de Jullyan, isso me assustou um pouco, mas nem dei bola. O que realmente havia mexido comigo foram os dois caninos que vi. E foi com a imagem desses dois caninos, dessas presas, juntamente com o rosto atraente do dono delas, que adormeci.

Notas finais
E aí, o que acharam? Alguém aí teria uma Pandora de estimação? Eu não... rsrsrs
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