Ebony Cross

7 Sexto Capítulo - De Volta à Busca


Notas iniciais
Capítulo especial do feriadão! :DD
Espero que vocês aproveitem esse capítulo extra!

De manhã, quando acordei, estava extremamente silencioso, sem contar que não parecia manhã, estava tudo muito escuro. Deve ser essa cidade, não deve ter muito movimento pela manhã. Levantei-me e vi o caixão, tão perto de mim, fechado. Lembrei do que Jullyan dissera no dia anterior. “Tente não me acordar. Não tenho um bom humor de madrugada, que seria de tarde para você.” Desviei do caixão e troquei de roupa. Abrindo uma frestinha da porta, saí.

Andei pelo pequeno corredor até o elevador. Subi um andar e cheguei ao quarto 535. Como eu não sabia se eles estavam no quarto ainda ou não, bati. Demorou uns minutinhos até abrirem.

“Luce! Você está viva!” Raffy, que percebi estava só de cueca, me deu um abraço de urso.

“Erm, Raffy, você está sem roupa...” murmurei.

Percebendo que estava me abraçando de cueca, entrou correndo no banheiro, para se trocar. Tobi estava em sua cama rindo do outro. Ele sorriu para mim e fez menção para eu ir até ele. Deitei-me ao seu lado na cama e ele me cobriu com o lençol. Vi que o moço aqui também se encontrava de cueca. Por que eles sempre gostam de dormir sem roupa?

“Como foi sua noite, linda?”

“Bom, não foi tão ruim assim.” Expliquei. “Assim que chegamos lá, já fui me acomodando pra dormir. Ele saiu, disse que dorme de dia. Então quando fui dormir, ele tava lá no meio dos outros góticos, dançando e bebendo. E agora, quando acordei, estava com o caixão fechado, só podia estar dormindo.”

“Vai com calma Luce!” Rafael saiu do banheiro com uma expressão confusa. “Caixão? Dorme de dia? Que história é essa?” O loiro ao meu lado também estava confuso.

“Bem, ele dorme num caixão e de dia. Sem contar que não usa espelhos e tem uma tarântula. Mas ele disse que aqui essas coisas de imitar vampiros são normais...” Pausei. “Será que é mesmo, ou será que ele realmente é um?”

Fiquei esperando uma resposta, mas, ao invés disso, os dois homens começaram a rir que nem duas crianças idiotas. O Tobias até chegou a se afogar, tive que ajudá-lo a se desafogar. Foi uma cena meio deprimente, devo admitir. “Nossa, tinha esquecido que estamos no meio de um bando de doidos aqui.” Raffy gargalhou mais ainda com o que o loiro falou.

“Dá pra alguém me responder aqui?!”

“Ah, desculpe Luce, mas como Tobias falou, aqui as pessoas são diferentes, elas acham ‘maneiro’ imitar as pestes. Então eu não me preocuparia com esse Jullyan, ele só faz parte desse teatro que nem os outros.”

Tobi concordou. “Aposto que se você perguntar para as pessoas se elas dormem em caixões elas vão dizer que sim. Se elas trocam o dia pela noite vão afirmar. Se perguntar que animais de estimação que têm você vai ouvir um monte de aranhas e cobras serem mencionadas.” Ele afagou meu braço. “Não fique assim. Eu já não gosto da ideia de você dividir um quarto com ele, você realmente acredita que deixaria você dividir um quarto com um vampiro? Pfft, Luce, você me conhece melhor que isso.”

“Muito melhor...” Raffy murmurou, mas ouvimos.

“Cala a boca!” Taquei o travesseiro do loiro nele enquanto ríamos.

“Eu queria esse travesseiro, Luce!” Reclamou Tobias.

Fomos pro piso principal do clube, que, obviamente, estava deserto. Saímos pra rua, sem rumo.

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“Tá, e agora?” Perguntou Raffy, relaxado. “Não temos pistas, não temos como saber quem é esse Sebastian, pois as pestes não podem ser fotografadas nem filmadas e nessa porra dessa cidade ninguém sai de dia...”

“Boa pergunta...” Murmurei.

“Acho que devemos dar uma volta aqui ao redor, só para nos familiarizarmos com a cidade. Vamos ver se achamos algum lugar grande...”

“O que? Pra quê?”

Tobias me encarou com uma cara de incrédulo. Eu estava me esquecendo de alguma coisa...

“Luce, querida, lembra que o Sebastian gosta de torturar as vítimas e fazê-las sofrerem ao máximo? Ele as faz até assistir essa peça de teatro nojenta dele. Então, ele só pode usar um ambiente fechado, mas muito grande, aonde ninguém quase vai ou usa.”

“Ah é...” Comecei a segui-los, mas logo os passei.

“Epa, Luciane! Que pressa é essa garota?” Zombou Raffy.

Sem graça, respondi: “Bem, eu não gosto muito daqui... Não pensei que fosse dizer isso, mas quero voltar pra Ebony Cross. Isso aqui, deserto assim, me lembra Silent Hill...” Teve um breve silêncio. “Ah, lembra aquele filme que nós vimos há alguns meses? Aquele de terror onde de noite aparecem as criaturas das trevas que querem vingar a menininha...?” Ouvi os dois murmurarem ‘Ah’, se lembrando. “Eu sei que eu não deveria me sentir assim, considerando o que eu faço há onze anos, mas... ah sei lá.”

Tobi passou um braço pela minha cintura e me apertou contra ele. Segurando uma gargalhada falou: “Não precisa sentir medo Luce, estou aqui.” O Rafael, por outro lado, não era tão bom em segurar a risada. Ah, onde estava o travesseiro quando eu precisava dele? Ou a pinha? É claro que eu podia jogar o Tobias nele, mas eu não ia gostar disso, nem ia conseguir, claro.

Mas, na verdade, toda esta história de Silent Hill era a pior mentira que já contei na vida. Nem sei como eles acreditaram nisso! Deve ser essa imagem de menininha indefesa que eu passo aos outros, sei lá. Na verdade, eu queria ir embora logo porque estava morrendo de medo. Morrendo de medo do que estava sentindo.

Abaixei minha cabeça. Eu me sentia tão suja, tinha acabado de provar para Tobias que o amava, havia me entregado a ele e, no entanto, não conseguia controlar minha mente, pensando em como seria com outra pessoa. Com aquela droga daquele cara.

Felizmente, havíamos chegado ao Land Rover, e então tivemos que começar nossa pequena ‘patrulha’, então não tive tempo de pensar mais nisso. Iríamos passear pela cidade inteira, aproveitando o movimento de 0,001% da cidade de dia. E, assim que víamos algum lugar suspeito, íamos investigar. Se tivéssemos que arrombar, arrombaríamos. Não tinha como pararmos presos, pois a Ebony Cross mexia os pauzinhos. Se encontrássemos alguém perigoso ou se fossemos atacados, estávamos todos armados. Não com armas de fogo, infelizmente não faziam efeito, a menos que fosse um lança chamas.

Eu estava com a adaga/lança que Tobi fizera especialmente para mim quando descobri o que sentia por ele. Agora, eu tinha vontade de pegá-la e me perfurar com ela. Os pensamentos sujos não iam embora, e só de ter um objeto tão lindo, feito com tanto carinho da pessoa a qual eu deveria ser fiel em mãos me deixava doente.

Notas finais
E aí pessoal, o que acharam? Não esqueçam de comentar com suas opiniões!
E não esqueçam que tem mais um capítulo sábado! c: