Ebony Cross

9 Oitavo Capítulo - Suspense


Notas iniciais
Olá meus queridos leitores! Então, chegamos ao capítulo oito! Estamos cada vez mais perto de desvendar esse curioso mistério, mas não se preocupem, ainda tem muito mais por vir!

Não sei quanto tempo fiquei jogada no chão naquele estado. Talvez cinco minutos, talvez uma hora. O negócio é que quando você chora você não tem noção de tempo.

Quando eu finalmente me conformei do que ia provavelmente me acontecer, eu levantei, mas caí quase em seguida. Tentei mais uma vez, mas estava tonta. Tive que andar me segurando nas paredes.

Foi aí que eu percebi o quanto eu era realmente inútil. Eu era fraca.

Toda a minha vida as pessoas ao meu redor pensavam o contrário, inclusive eu mesma. ‘Nossa como a Luciane é forte. ’ ‘Ela passou por tanta coisa e continua firme. ’ ‘A Luciane é a melhor caçadora que esta instituição já viu em anos. ’ Mas agora é que eu percebi que, no fundo, não sou tão forte assim, todos estavam enganados. Eu sou frágil a ponto de entrar em pânico e chorar, ato que poderia ter me levado a morte. Eu tive sorte que o assassino não me achou, pois eu seria um prêmio fácil e indefeso. Pelo menos naquele momento.

Percebi que a minha muralha, aquela que me mantinha longe do desespero e da insanidade, aquela que me dava forças e apoio, não era algo que eu mesma havia construído. Era algo que eu tinha ganhado. E o nome disso era família. O núcleo de todas as minhas proezas, todas as minhas vitórias, era meus dois fiéis aliados, Tobias e Rafael. E a ideia de perdê-los para sempre, seja eles morrendo, seja eu morrendo, havia me deixado num estado incrivelmente vulnerável e deprimente.

Sem eles, eu não era nada. Era uma ameaça tão grande quanto uma menininha de três anos.

Suspirei enquanto caminhava lentamente pelos corredores, ainda me segurando para poder avançar. Se eu continuasse com essa mentalidade já estaria com um pé na cova. Eu não tinha como garantir se os dois fossem sobreviver, mas tinha que fazer a minha parte. O que mais me arrasaria seria se eles conseguissem voltar para a Ebony Cross vivos e eu morresse no caminho por causa de uma crise emocional.

Eu nunca iria me perdoar. Eles nunca iriam me perdoar.

Parei por alguns minutos, pensei em como os amava e em como queria continuar a ter eles em minha vida. Aos poucos fui ganhando forças. Aos poucos percebi que nem tudo estava perdido. Tinha certeza de que eles pensavam assim também, que fariam tudo para voltar para casa, para nossa vidinha de rotinas, mas que nenhum de nós trocaria por nada. Quando nós achássemos e tivéssemos que lutar contra Sebastian, iríamos fazer de tudo para vencê-lo. E não iríamos aceitar uma derrota.

Nós íamos voltar para casa, custasse o que custasse.

Finalmente a tontura passou e eu continuei minha caminhada pelo corredor de cabeça erguida.

Demorou um pouco até portas começarem a aparecer. A princípio hesitei em abrir uma das portas. Não por medo, eu já havia me conformado do que tinha que fazer, mas pelos hóspedes. O que eles iriam pensar quando uma garota entrasse, no meio da madrugada para eles, em seu quarto, interrompendo seu sono ou talvez interrompendo outras coisas. Ia ser muito constrangedor e eu não fazia ideia de como iria me explicar, mas eu tinha que fazer isso.

Encostei o ouvido na porta para ver se escutava algum barulho vindo de dentro do quarto. Nada. Bem devagar e silenciosamente abri a porta. Surpreendi-me ao ver que não estava trancada.

Estava tudo muito escuro. O quarto estava totalmente apagado e as cortinas fechadas não ajudavam. Como o corredor também era escuro, não entrava luz alguma no cômodo. Tive que esperar meus olhos se acostumarem com as trevas para poder enxergar direito o que havia ali dentro.

Consegui distinguir duas camas de solteiro. Havia pessoas dormindo em ambas, mas não pude decifrar o gênero. Era um quarto parecido com o 535, as camas, uma cabeceira, lâmpadas, duas cadeiras, uma mesinha e o banheiro. Ok, nada de macabro aqui.

Fechei a porta e fui para a outra, alguns metros à frente.

Verifiquei de novo se havia sons vindos de dentro e abri a porta silenciosamente. De novo, estava destrancada. Todas deveriam estar pelo visto.

Nesse quarto havia uma cama apenas, mas era de casal. Agora, com a porta aberta pude ouvir o som de um leve ronco. Duas pessoas estavam na cama e o quarto era igual ao anterior praticamente.

Fui indo assim, de quarto em quarto, me esforçando ao máximo para não fazer o menor ruído. Acabou que eu cheguei ao final do meu corredor, onde havia uma porta grande. Com certeza não era um quarto. Até então não tive sucesso, mas esta porta com certeza escondia algo grande, algo importante.

Olhei em volta por costume antes de tentar abrir a porta. Trancada, ao contrário dos quartos. Eu já esperava por isso.

Normalmente eu pegaria uma arma e tentaria arrombar a porta, mas, nesse caso, com toda essa gente ao redor dormindo, eu não podia fazer muito barulho. Muitos desses hóspedes poderiam ser amigos de Sebastian, e se eles descobrissem que eu estava atrás da peste para matá-la eu estava ferrada. Afinal, precisávamos do efeito surpresa.

Tirei minha mochila das costas e despejei tudo no chão, sem fazer muito barulho. Eu estava procurando algo que eu pudesse usar para abrir a porta. Em meio à lanterna, papel de barrinha de cereal, mapas e outras tralhas, achei alguns grampos de cabelo. Teria que servir. Quando peguei a adaga/lança que Tobi me fizera senti uma dor no coração e tive que guardá-la rápido antes que eu perdesse o foco.

Olhei em volta de novo. Eu estava sentindo uma sensação estranha... Uma sensação de que eu estava sendo observada, mas eu não enxergava ninguém. Olhei pra cima, no teto, e não vi nada. Era um corredor, não tinha aonde se esconder e eu não ouvira nenhum barulho de abrir ou fechar de porta.

“Luce, você está ficando doida. Pare de pensar essas maluquices e vamos em frente com isso!” Cochichei para mim mesma.

Fechei a mochila e a coloquei nas costas novamente. Aproximei-me da porta e entortei um dos grampos. Coloquei o grampo na fechadura e comecei a mexer, mas estava difícil. Tirei, entortei um pouco mais a ponta e coloquei de novo. Quando parecia que ia dar certo o grampo quebrou. Um pedaço em minha mão e o outro pedaçinho caiu no chão.

Joguei o resto do grampo no chão. “Merda!” Deixei escapar e logo coloquei a mão na boca para tapá-la.

Fiz muito esforço para me virar e olhar pelo corredor de novo. Eu estava tão nervosa que estava segurando a respiração. Para meu alívio, não tinha ninguém e pelo visto ninguém tinha escutado ou acordado por causa do meu pequeno deslize.

Virei de novo à porta e entortei outro dos meus grampos do jeito que havia feito antes. Respirei fundo e tentei de novo. Mais uma vez sem sucesso, mas me segurei muito para não soltar mais um palavrão alto.

Peguei o último grampo que me restara. Se eu não conseguisse com esse, nunca mais iria conseguir descobrir o que havia atrás da grande porta.

Estava colocando o grampo entortado na fechadura uma última vez quando, para meu espanto, houve um ‘clack’ e a porta destrancou.

Dei um passo para trás e senti a cor sumir do meu rosto. Não tinha sido eu quem destrancou a porta. O grampo mal havia entrado, nem deu tempo para eu girá-lo.

‘Nhaaaaack’. Fez a porta ao abrir.

Não tive tempo de olhar para quem quer que fosse que havia aberto a porta. Virei rapidamente e corri, mas ouvi alguém me dizer ‘Boa noite’ tão perto que consegui sentir seu hálito gelado em minha nuca.

Notas finais
Tan tan taaan! Não esqueçam de me contar o que vocês acharam nos comentários!
E aqui vai um aviso para os leitores que possuem histórias que eu acompanho: Essa é minha última semana de provas, então basicamente todo meu tempo está nos livros. Assim que isso acabar eu me atualizo em suas histórias, pode deixar que eu não abandonei vocês! ;) Me desejem boa sorte!