Ebony Cross
10 Nono Capítulo - Revelação
Notas iniciais
Espero que aproveitem esse novo capítulo!
Corri o mais rápido que pude, mas o corredor parecia não acabar nunca. Eu conseguia ouvir os passos da pessoa me seguindo, mas não apressados, calmos. Estava apenas andando.
Igual àquela noite onze anos atrás.
Mas eu não ia deixar que aquilo se repetisse. Eu perdi Joshua porque era pequena e não tinha como salvá-lo, mal conseguia me defender. Mas dessa vez ia ser diferente. Ele não iria me matar, e eu não iria fugir.
Aos poucos fui diminuindo o passo, continuava andando, mas devagar o suficiente para a peste me alcançar de uma vez. Eu não ia temê-lo. Eu iria cuspir na cara dele, e fazê-lo pagar pelo que o “irmão” dele fizera com meu Joshua.
Ouvi a peste rir baixinho enquanto se aproximava. Isso me irritou.
“O que você acha tão engraçado, seu miserável?” Perguntei, ainda de costas.
Ele riu mais um pouco antes de me responder. “Te ver tão assustada.”
Opa.
Agora eu havia prestado mais atenção em sua voz. Era familiar. Muito familiar por sinal. Eu provavelmente não tinha percebido isso antes por causa do meu desespero em fugir.
Ele parou e senti seu corpo a centímetros do meu.
“Espero que tenha tido uma noite agradável em meu quarto.”
Finalmente virei. Encarei espantada aqueles olhos díspares. “Jullyan!”
“Luciane.”
“O que – O que você está fazendo aqui?”
“Eu moro aqui!” Ele respondeu rindo.
“Sim, mas você não deveria estar dormindo?”
“Insônia.”
Insônia. Ah tá. Um pouco suspeito, devo dizer. Mas, também, todos têm o direito de ter problemas para dormir.
“Agora me responda você.” Me encarava com um sorriso que me incomodava. “O que você está fazendo aqui?”
Engoli em seco. O que eu falaria para ele? Que eu estava vasculhando os quartos dos hóspedes do clube noturno dele a procura de um vampiro assassino? Isso me renderia não só uma expulsão do Dungeon, como provavelmente uma ida ao hospício local.
“Erm, eu estava, é, procurando um copo d’agua.”
Ele segurou o riso, obviamente não acreditando em minha desculpa. “Venha, eu te levo até o bar.”
Fomos até a pista principal do clube e sentei em uma das altas cadeiras do balcão do bar. Ele entrou por trás, onde o barman ficava, e pegou um copo e encheu de água para mim.
“Sua água, senhorita.”
Agradeci. Ele ficou me olhando bebê-la e isso me fez corar. De novo aquela sensação de nojo passou por mim. Eu estava gostando que ele estivesse me observando tão atentamente. Eu estava gostando que ele demonstrasse interesse em mim. E ao mesmo tempo eu me dizia fiel ao Tobias.
Terminei o copo e o coloquei em cima do balcão, onde Jullyan o pegou e o lavou rapidamente.
Continuei sentada e ele continuou a me olhar. Eu não estava nem pensando mais no Raffy e no Tobi que, até onde eu sabia, poderiam estar sendo assassinados enquanto eu flertava com um dono de um clube noturno.
Pra você ver como eu sou uma pessoa cheia de virtudes.
“Então,” Ele quebrou o silêncio finalmente. Não que o silêncio fosse incômodo, de jeito nenhum. Era um silêncio confortável, sem necessidade de palavras. “vai me contar agora o que você realmente estava fazendo?”
Olhei envergonhada para ele, mas continuei calada.
“Por que estava tentando destrancar a minha biblioteca com grampinhos de cabelo?”
“Era sua biblioteca?” Perguntei surpresa. Não esperava achar uma biblioteca em um clube noturno... Mas tinha que levar em consideração que ele morava aqui. Ele poderia muito bem ter uma biblioteca se quisesse.
Ele concordou com a cabeça. “Ouvi alguém gritar um palavrão, o que é bem incomum nessas horas da madrugada, e fui lá ver. Quando abri a porta vi uma moça tentando arrombar minha porta. Mas ela ficou desesperada e tentou fugir.” Ele riu e eu mesma não pude deixar de rir. Deveria ter parecido bem engraçado mesmo para ele. “Você estava procurando alguma coisa.”
Não era uma pergunta.
“Sim.”
“Posso saber o que era? Acho que tem a ver comigo já que obviamente o que procura está em minha propriedade. Tenho o direito de saber.”
Realmente, ele tinha razão. Sei que parece loucura, mas decidi que podia confiar nele, e talvez ele pudesse até ajudar. Ele era dono do clube noturno da cidade, ele conhecia muita gente. Por algum motivo ele me dava essa sensação, de conforto, de confiança.
“Estou procurando alguém, na verdade, não alguma coisa.” Ele me olhava intrigado. “Um vampiro.” Esperei para ver sua reação. Ainda achava que iria receber aquela ida ao hospício. Mas a expressão dele não mudou. Nem para espanto, nem para deboche. Decidi continuar. “O nome dele é Sebastian, e ele é um psicopata. Estou atrás dele para matá-lo.”
“Por que você ia querer matar um psicopata? Desculpa Luciane, mas as pessoas não saem por aí fazendo a justiça com as próprias mãos.”
Suspirei. Eu não queria contar para ele sobre a Ebony Cross, mas agora teria que contar. De novo não pude conter minha língua. Eu estava, de algum modo, enfeitiçada.
“Jullyan, existe uma instituição secreta chamada Ebony Cross.” Ele franziu o cenho. “Ela treina pessoas normais para serem agentes assassinos de vampiros. E eu, bem, eu sou um deles.”
Ele não falou mais nada. Ficou uns dez minutos em total silêncio, me estudando. Tudo bem ele ficar espantado no começo, ou surpreso. Mas ele não ficou surpreso com a parte dos vampiros e sim com a parte dos caçadores. Achei muito estranho.
“Jullyan, tem alguma coisa errada?” Perguntei, agora quem o estudava era eu.
“Tem sim Luciane. Pelo menos para você, eu acho.”
“Para mim?” Perguntei confusa.
“Eu sou um vampiro, senhorita Luciane – caçadora de vampiros.”
Notas finais
A propósito, terminei minhas provas, então vou retomar minha leitura nas fics dos meus leitores! Uhul! Estou de férias pessoal, com tempo sobrando agora! :D
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