Ebony Cross

11 Décimo Capítulo - Traição


Notas iniciais
Olá! Finalmente chegou sábado hein! Bem, acho que todos vocês vão ficar muuuuito surpresos com esse novo capítulo... ^-^ Não sei se isso é bom ou não mas... Rsrs. Aproveitem!

A falta de luz, o caixão, a bebida diferente, as presas, a troca do dia pela noite, tudo fazia sentido agora. Jullyan é um vampiro, e ele nem tentou esconder.

No começo eu bem que desconfiei, falei pro Tobi e pro Raffy, mas os dois me convenceram do contrário, que eu só estava nervosa, um pouco assustada e que ele era só um humano normal pagando de vampirinho.

Mas não. Eu acabara de confessar o segredo que era minha vida pra ele e ele me confessara o segredo que era sua vida.

O ar de repente ficou muito tenso.

Jullyan era um vampiro e eu uma caçadora. Isso era o que ele queria dizer com “problema”. Na Ebony Cross, a partir do momento que você passa nos testes e é aceito como agente da instituição, a primeira coisa que você faz é jurar em nome de sua vida e de todas as pessoas que morreram por causa das pestes a exterminar todos os vampiros do mundo, ou seja, se vires um, tem que matá-lo. E não há desculpa para não o fazer.

Eu teria que matar Jullyan. Eu jurei por isso. Se o deixasse viver, estaria perdendo toda a minha honra. Seria vista como traidora e nunca mais iria poder pôr os pés na Ebony Cross se alguém descobrisse.

Ele continuava a me olhar, mas não tinha expressão. Não sei se achava que eu iria matá-lo, se não conseguiria matá-lo ou se não queria matá-lo.

Desci da cadeira e dei alguns passos para trás. Lentamente abri minha mochila, minha mão apalpando os itens que estavam dentro. Ele acompanhava meus movimentos com os olhos, sem se mexer nem um centímetro. Achei a adaga e, sem tirar os olhos dele, tirei-a da mala.

“Entendi.” Jullyan disse, a voz monótona.

Apertei o botão e a adaga virou lança.

“Desculpe.” Falei com voz fraca.

“É sua obrigação. Na verdade não é você quem vai fazer isso, é a sua instituição.” Ele sorriu fracamente. “Eu não lhe culpo. Não vou ficar magoado com você nem nada do tipo.”

Suspirei. Eu sabia que eu não podia continuar essa conversinha por muito mais tempo. Forcei todos os meus pensamentos para fora da minha cabeça. Não era Jullyan, era uma peste. E eu ia matá-la. Ia ajudar a salvar a humanidade.

E assim, eu acreditei nessa mentira que eu inventei.

Gritei e corri, a lança apontada para a presa. O vampiro desviou. Ok, eu esperava por isso. Corri e ataquei-o pela lateral. Ele saiu da frente de novo, mas a lâmina rasgou sua blusa, infelizmente não atingindo sua pele. Corri em volta dele várias vezes, tentando atingi-lo, mas ele sempre desviava. Só fazia isso, não contra-atacava. Estava agora em sua frente. Eu estava irritada e sabia que ele poderia ver isso. Saltei por cima dele, pegando impulso em seu ombro para chegar ao outro lado. Assim que meus pés tocaram o chão, eu girei e o golpeei, achando que finalmente tinha vencido, mas ele segurou a lança antes de atingir suas costas.

“Eu não vou lutar contra você. Eu disse que não ficaria magoado se você tentasse me matar, mas não disse que iria te deixar me matar. Eu não vou simplesmente ficar parado e deixar você me perfurar com essa coisa, né Luciane?” Falou com um sorrisinho.

E foi com esse sorrisinho que meu feitiço se quebrou, minha mentira desmoronou. Agora eu via Jullyan como Jullyan de novo, e me senti horrível por ter tentado matá-lo.

Abaixei a lança e com um suspiro a transformei em adaga e a guardei.

“Não quero.” Falei e ele me abraçou.

Não sei por que ele me abraçou, mas abraçou, e isso fez toda a diferença para mim.

Enquanto estava nos braços do vampiro, percebi que eu era um fantoche. Nada mais que um fantoche. No fundo a Ebony Cross me controlava, eu não tinha nenhuma escolha lá dentro. Eu não tinha nem o direito de escolher meus amigos. Jullyan era meu amigo, mas a instituição me forçava a matá-lo. Minha vida toda eu pensava que era uma filha da Ebony Cross, mas na realidade eu era apenas um instrumento.

Eles não eram minha família, e eu não devia obediência a eles mais. Minha família era Tobias e Rafael, e os amigos que eu encontrava pelo caminho.

“Que se dane a minha honra, que se dane se eu for mesmo uma traidora.” Eu não iria trair Jullyan só porque tinha que servir a um bando de velhos idealistas que nunca faziam o trabalho sujo.

Senti os braços dele se apertarem ainda mais, e pude sentir o cheiro gostoso que vinha de sua pele. Funguei mais daquele aroma. Era muito bom, muito convidativo. Fechei meus olhos e encostei a cabeça em seu ombro. Eu sei que não deveria ficar assim tão próxima dele, principalmente não encostar a cabeça daquele jeito sugestivo nele, mas não pude me conter, e também não queria sair dali.

Ele pôs a mão em minha cabeça protetoramente e fez leves carinhos na minha nuca. Derreti mais ainda naquele abraço.

“Tudo bem Luce, você não precisa se sentir mal. Nem por ter tentado me matar, nem por não fazer o que você supostamente seria obrigada a fazer.” Ele sussurrou em meu ouvido. “Eu lhe respeito por ser forte o suficiente para contrariar algo que você cresceu achando que fosse verdade. Você abriu sua mente para mim, Luce. Você aceitou que nem todos os vampiros merecem morrer. Isso, pra mim, é muito mais valioso do que você obedecer a um dogma.”

Agora era minha vez de abraçá-lo. Antes eu estava encolhida e protegida em seus braços, e agora os meus passavam por sua forte figura, seu aroma me hipnotizando cada vez mais.

Não sei se foi o cheiro, o fato de ele estar me consolando, ou aquela sensação que eu vinha tendo desde o dia anterior. Algum desses fatores, ou todos juntos, me fizeram fazer o que fiz a seguir.

Levantei a cabeça para olhá-lo e, ao ver que estava de olhos fechados, me estiquei na ponta dos pés e dei um beijo rápido em sua bochecha.

Até aí tudo bem. Ou não tanto assim.

Ele abriu seus olhos díspares curiosos. Ele obviamente tinha gostado da sensação de meus lábios em seu rosto. Estava com uma expressão muito satisfeita, como se finalmente o que ele queria havia acontecido. Pegou meu rosto, como fez quando chegamos ao Dungeon, e foi aproximando mais ainda seu rosto do meu.

Eu não posso nem dizer que fui forçada a nada, pois nem tentei sair de seu alcance, só posso dizer que sou uma pessoa suja, infiel e que não merece o que tem.

Definitivamente não merece o que tem.

Fechei meus olhos ao sentir seus lábios nos meus. Foi doce, delicado, único. Diferente e parecido com o Tobias ao mesmo tempo. Mas eu não me satisfiz só com aquilo. Aprofundei o beijo, empurrando-o inconscientemente para o balcão do bar. Comecei a gemer baixinho enquanto sua língua acariciava a minha, e fiquei espantada com o quanto eu já estava excitada. Eu não tinha ficado assim tão rapidamente com o loiro. Isso não ajudou em nada aquele sentimentozinho de culpa que tentava me acordar, mas, é claro, não estava fazendo efeito no momento. Eu provavelmente iria me sentir um lixo por meses e iria me recusar a sair do quarto, de falar e comer com o Tobias. Mas a vozinha era apenas um sussurro em minha mente gritante. E minha mente gritava apenas uma palavra, ou melhor, um nome: Jullyan, Jullyan, Jullyan!

Nossos beijos foram ficando cada vez mais intensos e eu já estava com a mão por baixo de sua blusa, pedindo para ele tirá-la. Estava quase subindo em cima dele.

“Luce–“ Ele tentou dizer. “Luce, pare.”

“Eu não quero.” Eu disse entre beijos.

“Pelo menos vamos sair daqui, vamos para meu quarto, não podemos ficar aqui.”

Parei de assediá-lo e concordei com a cabeça, triste por termos parado, mesmo que fosse só por alguns minutos. Ele me olhava satisfeito, o sorrisinho confiante estampado em seu rosto.

Fomos até o elevador e continuamos a nos beijar loucamente enquanto ele ia para baixo. Assim que a porta se abriu, quase corri até a porta de seu quarto e esperei impacientemente ele destrancá-la.

“Agora sim Luciane.” Jullyan disse após trancar a porta e ir em direção ao sofá, me chamando com o dedo. “Agora você pode fazer o que você quiser.”

Notas finais
E aí pessoal? Estou muito curiosa para ler os comentários de vocês sobre esse capítulo! Rsrsrs.
Ah, mais um recadinho. Para os meus leitores que também gostam de ler histórias de Inuyasha (Não sei se algum de vocês gosta mas mesmo assim...) eu estou escrevendo uma nova fanfic sobre esse anime, com o casal Kagome x Kouga. Quem gostar, vai lá ler! *-* Eu a atualizo todas as quartas.
http://fanfiction.com.br/historia/300142/Cego_Coracao/