Ebony Cross
12 Décimo Primeiro Capítulo - Pedido
Notas iniciais
“Agora você pode fazer o que você quiser.”
Eu poderia fazer o que eu quisesse. Mas o que é que eu queria mesmo?
Jullyan estava deitado em seu sofá, me olhando e me esperando com um olhar maroto. A atração por mim visível em seus olhos. Eu ainda sentia a atração por ele que me levou até onde eu estava, mas a voz insistente de minha consciência estava começando a ganhar.
Eu não amava Jullyan, eu amava a sensação que tivera ao tocar nele, ao sentir suas mãos em meu corpo e ao imaginar o que mais poderíamos fazer. Mas eu iria amar apenas o momento, e com Tobias sei que iria amar tudo. Eu realmente amava o loiro. Amava não só a sensação que ele me dava, como era com Jullyan, mas amava a pessoa que ele era. Ele era um homem bom, corajoso, que já sofreu tanto quanto eu e eu o conhecia há anos. Não era paixão que eu sentia por ele, era amor verdadeiro, um amor que sei que duraria por muito tempo desde que eu não fizesse bobagem, como estava fazendo agora.
“O que foi Luce? Por que continua parada em pé aí e não vem aqui comigo?” Disse convidativo, atiçando a parte da minha mente que queria ele mais que tudo.
“Jullyan...”
“Shh...” Ele se levantou a caminhou até mim, pegando meu rosto em suas mãos como já fizera várias vezes nesses dois dias. “Vamos Luce, sei que você quer, estou pronto para você querida...” Começou a beijar meu pescoço de leve, e eu gostava muito disso, o que era um perigo.
Soltei-me dele antes que eu voltasse para o estado de desejo que me encontrava alguns minutos atrás.
“Pare Jullyan!” Dei um tapa em suas mãos quando ele tentou me segurar de novo. “Eu achei que queria isso. Não quero mais.”
“Seu corpo está me dizendo o contrário Luciane. Seus olhos também.”
Corei. Sabia que era verdade. “Jullyan, estou falando sério. Me escuta. Eu não quero terminar o que supostamente começamos. Foi um erro desde o começo.”
“Você realmente quer me convencer disso sendo que você nem se convenceu completamente ainda?” Ele deu uma risada baixinha. “Sinceramente Luciane, eu quero isso desde a primeira vez que a vi, e sei que aconteceu a mesma coisa com você.” Ele pegou minhas mãos nas suas e as apertou de leve. “Você não sabe muito sobre vampiros não é?”
“Claro que sei! Sei tudo. Sei todo mínimo detalhe sobre vocês!” Respondi um pouco irritada. “Eu os estudo e caço desde meus oito anos Jullyan! Francamente...”
“Luce!” Chamou minha atenção rindo. “Luce, você sabe o que humanos sabem. Táticas de batalha, esconderijos, fraquezas... Mas você não sabe nada sobre nossa cultura, nossas vidas, nossas sociedades. Ora, para saber sobre isso só sendo um, ou conhecendo um, como é o seu caso.”
Fiquei quieta. Não queria admitir que, na verdade, eu sabia apenas uma pequena parcela sobre o que eu tecnicamente deveria saber absolutamente tudo. Mas estava muito curiosa, eu nunca tinha pensado nas pestes como um povo, com cultura e modo de vida antes, apenas como vermes e ameaças que deveriam ser eliminadas.
“Não vou te contar tudo porque, afinal, levariam dias, e você é uma caçadora, querendo ou não. Não é exatamente uma vantagem que você nos conheça tão bem assim.” Jullyan riu novamente. “Vou te contar apenas uma coisa.” Estava tão curiosa que poderia explodir. “Nós somos incrivelmente fiéis. Seja à amigos, à família, ou até à amantes.”
“Aonde você quer chegar com isso Jullyan?” Perguntei um pouco envergonhada.
“Não é apenas uma regra de nossa sociedade, mas é como um instinto, algo genético que nos é passado. Tanto é que, quando nos “casamos” temos um ritual chamado de Blood and Roses, onde, em solo sagrado, o vampiro morde a mulher, seja ela humana ou não. Depois eles bebem do sangue um do outro, que é servido em taças, e assim selam sua fidelidade eternamente.”
Fiquei encarando-o com cara de paisagem. Eu não estava acreditando no que ele estava dizendo. Pfft. Até parece que vampiros são assim tão cheios de frescuras.
“Tá bom Jullyan. O que mais? Vai me dizer que vocês saem de noite em forma de morcegos também, aterrorizando as donzelas das cidades? Corta essa, não teve graça.”
“Não estou de brincadeira Luciane!” Ele respondeu ofendido. “É mesmo assim que funciona a minha cultura!”
“Os morcegos também?” Ainda não acreditava nele.
“Os morcegos não né, Luce! Apesar de que foi uma invenção bem engraçada.” Ele não pôde segurar uma risadinha. Realmente, a invenção de que vampiros se transformavam em morcegos era ridícula, mas também muito engraçada. Só de pensar que existem pessoas que até acreditavam nisso... “Luce, esse é o modo como as coisas funcionam para nós. Sei que parece estranho e irreal, mas é sim a realidade.”
“Tá. E qual é a do solo sagrado?”
“Solo sagrado? Bem, qualquer tipo de cemitério, não importa de qual religião seja. Para alguns humanos, a igreja seria o solo sagrado. Para nós é o contrário.”
“Então você casam em cemitérios?”
“Sim.”
“Não me diga, a noiva vai de vestido preto também né? E com um buquê de rosas negras?”
“Sim.”
“Ah Jullyan!”
“O que? É assim que é Luce!”
“Okay, e qual é a finalidade mesmo deste assunto. Acho que você não me respondeu da primeira vez que lhe perguntei.” Falei, decidindo parar de dar corda para as mentiras dele.
“Bem...” Ele hesitou, o que achei bem estranho. Jullyan era do tipo confiante, do tipo que acha que nada o derruba, e de repente estava todo envergonhado e estudando bem suas palavras.
“Está tudo bem Jullyan?” Perguntei.
“Luce... Você sabe que eu lhe acho incrível, não é?” Corei, mas não respondi. “Eu conheço você há apenas alguns dias, e nem sei explicar como consegui tomar essa decisão nesse pouco tempo. É uma decisão que vai mudar minha vida para toda a eternidade.” Ele deu uma pausa, dava para ver que ele estava muito inseguro, provavelmente com a minha reação. “Acho que deve ser por causa do que eu acabei de experimentar a pouco tempo atrás, seu toque, seu carinho, seu beijo. Ou talvez seja o fato de que você foi feita para me matar, talvez eu tenha mais desejo por você por causa disso.”
“Jullyan...”
“Não Luce, agora me deixe terminar.” Suspirei, mas fiquei quieta. “Agora que lhe conheci tenho certeza que a minha decisão não está errada.”
O vampiro foi até sua penteadeira e tirou da gaveta uma caixinha pequena de veludo preto. Voltou para onde eu estava.
“Vou tentar imitar como vocês fazem, só para não ficar tão estranho assim pra você.” Sem tirar os lindos olhos díspares dos meus ele se abaixou e se ajoelhou em um joelho só, assim como os homens humanos fazem quando vão pedir a mão de alguém em casamento. “Luciane, eu queria que você fosse a minha noiva.” Ele abriu a caixinha e dentro pude ver um lindo anel de ouro branco com um diamante negro no centro, pequenos diamantes normais faziam a volta no anel. Parecia um modelo antigo, mas mesmo assim era muito mais bonito do que qualquer anel que eu já vira.
Fiquei completamente sem fala. Eu nunca vira um anel tão lindo como aquele. Eu achava que deveria ser da avó dele ou algo assim, parecia aqueles anéis que são passados pela família, o que o torna ainda mais especial. Mas eu não estava tão em choque só por causa disso. Eu cresci com a ideia de que deveria matar vampiros e odiá-los, não amá-los e muito menos casar com um!
“Sei que talvez seja pedir demais... Você é uma caçadora e, no Blood and Roses, eu vou acabar transformando você em vampira. Mas você fez algo inédito, você me deixou apaixonado por você em apenas dois dias Luciane. Desculpe, mas eu não acho que seja apenas momentâneo, e acho que você sente o mesmo.”
“Jullyan...”
“Case-se comigo, Luciane. Seja minha parceira eternamente.”
Notas finais
Ah, e eu gostaria de pedir que você dessem uma olhada na fanfic de minha amiga, ela agradeceria muito se vocês lessem!
http://fanfiction.com.br/historia/300718/Medieval_History
Beijos.
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