Notas iniciais
Olá pessoal. :)
Este é o início de tudo. A princípio a história vai parecer bem confusa, mas logo logo vocês vão começar a entender.
Espero que gostem!

“Josh. Joshua. JOSHUA!” Dei um passo para trás. Dei outro. Dei outro. Meu olhar, perplexo, encarando o rosto sem vida de meu pai, onde pingavam gotas de um líquido rubro, mostravam puro horror.

De repente, vi o corpo de meu pai ser jogado de lado. Virei-me e corri. Tropecei e derrubei móveis várias vezes, mas isso não importava.

“JOSHUA!” Alguém tinha que me salvar, não é? Alguém viria. Sempre vinham. Não era a primeira vez que isso acontecia. As pestes já nos atacaram antes. Vários já haviam sobrevivido. Eu só esperava ser uma dessas.

Chutei a porta com a maior força que tinha, e, surpreendentemente, ela se abriu pra mim. Estava descendo a escura alameda que dava em minha casa. A chuva machucava minhas pequenas bochechas. Eu ouvia os passos da peste: não estavam apressados, ele deveria estar se divertindo às custas de uma pequena cria humana.

Ouvi mais passos, esses vindo de frente, mas em minha direção também. Ele não podia estar acompanhado. Era muito raro isso acontecer. Porém, esses passos eram apressados, desesperados.

“Josh!” Eu o reconheci. Como não reconheceria a pessoa que queria ver esse tempo todo? Meu melhor amigo. Mais que isso. Um dos únicos que havia passado por isso que eu estava passando. “Josh! Ele... Minha mãe... Meu pai...” Ele me abraçou. Seus braços continham o máximo de força e bravura que alguém de sua idade poderia ter. Sim, eu me sentia segura com ele.

“Luce, venha comigo. Odeio admitir isso, mas não sou páreo para essa peste. Não sou forte o suficiente para te proteger. Não ainda.” Meus olhos não negavam o que eu sentia. Medo, horror, pavor. Mas também orgulho e gratidão, por ser prometida para um rapaz tão bom, tão corajoso como o que estava em minha frente.

Enquanto ele me guiava para longe, não soltei sua mão. Acho até que a segurava forte demais. Mas ele não reclamava. Jamais reclamaria.

“Josh, meus pais... Nunca mais vou vê-los...” O mesmo havia acontecido com ele, poucos anos antes, coincidentemente quando ele tinha minha idade.

“Eu sei, Luce, vai ser duro pra você, não vou mentir. Não consigo mentir para você. Mas prometo que estarei contigo pra tentar fazer a dor ser mais suportável. Nossos pais iam querer isso.” Foi sua vez de apertar minha mão. Não ousei reclamar. Não tinha do que reclamar. Era até reconfortante, saber que alguém se importava tanto comigo a ponto de jamais querer soltar. Talvez fosse assim que o próprio se sentia.

Estávamos sozinhos, tentando achar os outros que nos ajudariam. A peste vinha cada vez mais rápido provavelmente irritada pela interferência em seu “joguinho”. Por que eles só vinham atrás de nós? O resto do mundo nem sabia da existência deles. Era porque nós não chamávamos a atenção de ninguém lá fora? Porque éramos uma cidade pequena? Nunca fizemos nada. Não merecíamos isso. Muitos, quase todos aqui já sofreram por causa destas pestes.

Senti a mão dele afrouxar na minha e, quando virei para encará-lo, ele despencara. Uma adaga perfurava suas costas. “JOSHUA!” Berrei, enquanto retirava a arma o mais rápido que podia.

“Luciane...” Seus olhos foram ficando foscos e sem vida, até eu sentir que não havia mais nada dentro daquele corpo.

Um riso horrível perfurou o silencio de apenas alguns minutos que pude dar à Joshua. “Mais ninguém vai nos interromper agora, não é, menininha?” A voz malévola fazia meu corpo inteiro tremer. A voz do vampiro atrás de mim. Ainda com a adaga em mãos, não pensei, finquei-a em seu pé esquerdo. Enquanto ele, irritado e surpreso, se recuperava do inesperado golpe, me levantei e me virei. Cortei seu abdômen com um giro e não olhei mais para trás. Sumi na escuridão da alameda.

Notas finais
Está aí! O início de Ebony Cross!
O que acharam? Muito suspense, muito mistério?
Deixem reviews e obrigada por ler!