Ebony Cross
14 Décimo Terceiro Capítulo - O Acidente
Notas iniciais
Queria agradecer de coração à Isabella Carvalho, minha nova leitora que foi a primeira a recomendar essa história! Você não sabe o quão feliz que fiquei ao ler a sua recomendação querida, muito obrigada! Não é só a primeira recomendação que eu recebo nessa história, mas também a primeira que eu recebo na vida! Então, sinceramente, obrigada! *-*
“Você não é o cara que dormiu com a Luce?” Perguntou o Raffy, surpreso.
“Não fale desse jeito Rafael! Dá para entender várias coisas com essa frase!” Protestou o loiro.
“Sou sim.” Ele disse com um pequeno sorriso, seus olhos cravados em mim. “E eu posso ajudar vocês com sua ‘missão’.”
Tobi e Raffy se entreolharam, suspeitos. Eles provavelmente estariam pensando como esse cara sabia de algo que nós não sabíamos. Mesmo tendo escutado nossa conversa dentro do carro não teria como ele saber do que estávamos falando e procurando. A não ser, é claro, que uma traidora suja tenha aberto a boca.
Eles imediatamente viraram seus olhares para mim. Como eu fiquei quieta e não mostrava sinais de quem iria confessar nada, Tobi falou com Jullyan.
“E como exatamente você pode nos ajudar, se você nem sabe o que queremos?”
O vampiro deu uma leve risada e eu engoli em seco. “Ah, mas eu sei. Sei bastante até, Tobias. Claro que não sou vidente...” Ele me lançou um olhar desafiador. “Luciane me informou.”
“O quê?!” Os dois outros homens disseram em uníssono e viraram suas cabeças para mim tão rápido que eu nem vi.
“Não é verdade, Luce?” Provocou Jullyan.
Suspirei. “É. É eu fiz isso mesmo. Quebrei dois dos códigos de honra da Ebony Cross. Mereço um prêmio.”
“Luce isso não é brincadeira!” Raffy disse, indignado por eu estar brincando com uma coisa dessas. Justo ele, que brincava em toda e qualquer situação.
“Espera um pouco.” O olhar de Tobias pesava sobre mim enquanto ele falava. “Você disse que quebrou dois códigos de honra? Se um é você revelar nossa missão a outra pessoa que não seja da equipe... Então qual foi o outro que você quebrou?”
Não precisei responder, Jullyan o fez por mim.
“Ela virou amiga de um vampiro. Eu.”
Imediatamente Tobias chutou a porta do Land Rover que se abriu e sacou seu precioso lança-chamas, não a arma preferida dele, mas a que estava a seu alcance. Pulou para fora e chutou Jullyan no estômago, pegando-o de surpresa e fazendo-o cair no áspero asfalto. Raffy estava com suas duas adagas em mãos e já fora do veículo, pronto para matar Jullyan na primeira oportunidade.
“Parem!” Gritei enquanto pulava por cima do freio de mão e saía pela porta de Tobias, conseguindo assim abraçá-lo por trás, segurando seus braços e a arma.
“Luciane me solte! Não vê que ele é nosso inimigo?!” O loiro esbravejou.
“Raffy, por favor, abaixe as adagas.” Pedi, ignorando o outro.
Jullyan ainda estava no chão, mas estava sem nenhuma arma. Ele tinha seus poderes de vampiro, mas ele obviamente não queria usá-los, se não já o teria feito muito antes.
“Luce... Escute o Tobias. É errado isso que você está fazendo!”
“Não é errado Raffy!” Disse a ele, me esforçando ao máximo para manter os braços de Tobias presos. “Ele é meu amigo!”
“AMIGO É O INFERNO!” O loiro berrou e se soltou abruptamente. Seus largos ombros acabaram me atingindo no queixo, fazendo-me morder a língua muito forte e cortando-a. Minha boca encheu de sangue. Gritei em agonia e caí para trás no asfalto, ralando minhas costas e pernas no processo.
“LUCIANE!” Agora era a vez de Jullyan berrar. Ele se levantou e iria correr para me socorrer, mas Tobias o chutou novamente e ele caiu.
“Oh não... Luce!” Raffy correu para meu lado.
“Não se atreva a se aproximar dela! Seu verme!” Ameaçou Tobias, ainda firme em seu lugar, apontando o lança-chamas para o rosto do vampiro. “Mais um movimento e sua cabeça vira churrasco!”
“Raffy...” Consegui dizer. O gosto de meu próprio sangue invadindo minha boca, a dor e o corte em minha língua dificultavam minha fala. “Faça... Tobi... parar...”
“Luce... Eu não posso. Ele está certo...”
Engatinhei até onde o loiro estava em pé e puxei sua calça para ele me perceber. Ele virou e, ao ver meu rosto e minha boca ensopados de sangue, largou a arma e se ajoelhou ao meu lado. Seus olhos estavam muito tristes, o mais tristes que eu já os vira. Ele me deixara naquele estado, e isso o estava ferindo profundamente.
“Luce... Luce...! Olhe o que eu fiz com você...” Ele pegou meu rosto em suas mãos como se eu fosse feita de porcelana, tomando o máximo de cuidado para não me causar mais dor. “Perdoe-me... Por tudo que é mais sagrado Luciane, perdoe-me, por favor.”
Comecei a chorar, por dor e por ver ele daquele jeito. Seus lindos olhos azuis também se encheram de lágrimas. “Pare Tobi... Pare...”
“Mas Luce – ” Posicionei meu dedo indicador em seus lábios, interrompendo-o.
“Jullyan é bom... Amigo... Não mate...”
“Não mata o vampiro cara...” Raffy agora estava junto de nós. “Faz o que ela tá pedindo Tobias. Olha como ela está. Por favor.”
O loiro olhou para Jullyan que ainda estava em seu lugar. Sua expressão de tristeza. Pude ver que ele estava se controlando muito para não sair correndo novamente para meu lado, mas ele sabia que não tinha chances contra Tobias e o lança-chamas que, mesmo caído, estava ao alcance dele.
“Luce... Você tem mesmo certeza que ele é confiável... Que ele é um homem bom apesar de ser vampiro? Sua decisão pode custar nossas vidas, você sabe disso.”
Concordei com a cabeça. Jullyan me mostrou ser fiel, corajoso e justo nesses últimos dois dias. E eu já confiava nele muito mais do que deveria.
Tobias suspirou e caminhou até o vampiro, seu lança-chamas ainda em mãos. Pegou Jullyan pelo colarinho e o levantou. “Vou deixá-lo viver. Contrariado, mas vou. A Luce jamais imploraria tanto pela sua vida se não tivesse certeza de que você é confiável.” Soltou Jullyan, mas ainda apontava sua arma para ele.
“Você teve que dar uma porrada na Luciane pra se convencer de que eu era confiável é? Heh, bom saber o tipo de homem que você realmente é.” Jullyan disse, vindo em minha direção para ver como eu estava, mas foi impedido por Tobi que o puxou pela camisa e o prensou contra o carro.
“Escuta aqui, ô Senhor Galã,” O rosto do loiro estava intimidadoramente próximo do de Jullyan. Estava tão próximo que, em outra situação, pessoas achariam que se tratava de um casal de homossexuais prestes a terem uma longa noite de sexo selvagem. Mas obviamente esse não era o caso. A mão do loiro chegou ao seu pescoço e ali se manteve, pressionando-o, quase o estrangulando. “agora nós três quebramos um código de honra da Ebony Cross por sua causa. Você não vai ficar com esse seu traseiro de verme vivo por muito tempo se não se comportar, entendeu, desgraçado?!”
“Tobias, dá um tempo pro cara, solta ele. Ele entendeu.” Raffy disse e, com um suspiro, o loiro assim fez.
“Jullyan...” Eu disse quando ele veio e se ajoelhou ao meu lado.
“Luce... Tadinha de você...” Sua mão prendeu uma mexa de meu cabelo manchado de sangue atrás da minha orelha.
“Rafael, fique de olho para ver se ele está controlado. A Luce perdeu muito sangue.” O moreno concordou com a cabeça e estudava atentamente o outro homem.
“Se acalmem. Eu já aprendi a controlar os impulsos. E eu jamais machucaria a Luciane.” Ele falou essa última frase propositalmente para ferir Tobias, e conseguiu. O loiro deu um soco no Land Rover, deixando uma marca grande na lataria, e foi andando até entrar no clube.
“Não foi... tão...” Tossi, e mais um pouco de sangue saiu de minha boca grotescamente. “ruim...” Consegui terminar.
“Ah Luce, não precisa se fazer de forte pra nós. Dá pra ver de longe, pela quantidade de sangue que está perdendo, que o corte em sua língua foi feio.”
“É verdade.” Rafael concordou. “Isso e a pancada que o ombro do Tobias deu no seu queixo, deve estar doendo até agora. Sorte sua que você não quebrou nenhum dente, pelo visto.”
Eles me ajudaram a levantar e caminharam comigo até dentro do clube.
“Fique aqui com o Rafael, eu vou ligar para um médico vir te atender, querida. Aguente firme aí.”
Sentamos em um dos sofazinhos do clube. Vários dos hóspedes ficaram me olhando. Alguns por horror e espanto e outros pelo forte cheiro de sengue. Raffy manteve suas adagas bem à vista para os vampiros do clube não ousarem se aproximar de nós. Esperamos até Jullyan voltar e dizer que o médico já estava a caminho.
Não havia nenhum sinal de Tobias.
Notas finais
Ah, e se mais alguém quiser recomendar, sinta se à vontade tá? Rsrsrsrs. Deixem comentários por favor! Até o próximo!
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