Ebony Cross

18 Décimo Sétimo Capítulo - Prisioneiras


Notas iniciais
Aí está mais um! Queria pedir desculpas pela demora, mas eu estava na casa da minha avó, e lá não tinha internet... Por isso a demora. :c
Mas, como prometido, lá vai mais um! Antes tarde do que nunca! :)

“Rola pro lado Luce!” Tobias pediu e eu o obedeci, relutante. A dor para me movimentar era muita, mas eu não queria servir de cama elástica para três marmanjos.

Cada um pulou de uma vez, todos com a leveza e o silêncio de um gato. Jullyan por ter habilidades vampirescas e os meus amigos por serem caçadores treinados.

Eu também era uma caçadora treinada, mas pelo visto parecia que eu gostava de dar um show. Nas melhores horas.

“Você está bem?” O homem de olhos azuis me perguntou, ajoelhando-se ao meu lado.

“Não muito.” Eu disse, tentando ignorar a dor. Eu estava com mais raiva de mim mesma do que eu estava amedrontada. Eu poderia ter quebrado a coluna, poderia ter ficara paralítica, mas também poderia ter servido meus amigos fatiadinhos e grelhados em uma bandeja para um vampiro faminto. “Dói quando eu tento me mexer, mas eu agüento. Pelo menos andar eu agüento.” Todos entenderam o que eu quis dizer. Lutar, para mim, estava fora de questão.

Eu não sei por que, mas eu estava me provando muito inútil nessa missão. Não era meu comum.

Tobias me ajudou a levantar, que era a coisa mais difícil, e, após me deixar apoiada na parede descansando, juntou-se aos seus companheiros. Eles olhavam maravilhados tudo. Era como se fosse um lugar completamente novo. Era feio e obviamente abandonado também, mas estava tudo limpo. Tinham também máquinas como nos outros andares, mas agora dava para enxergá-las direito. Eram máquinas de tecelagem.

“Nós estamos em um andar no subsolo.” Jullyan verbalizou o óbvio. “Mas como? Não há nenhuma escada, nenhum elevador, nada.”

“Aqui!” Rafael chamou os dois para uma pequena portinha de madeira no alto da parede. Era na mesma altura das janelas, mas, como o teto era baixo, dava para se engatinhar para fora, saindo na grama alta e mal cuidada da parte traseira da fábrica. “Não é apenas um andar abaixo do solo, Jullyan,” O moreno concluiu. “é um andar secreto.”

Jullyan andou até mim e beijou-me a testa. Tobi, que estava ao lado de Rafael perto da porta escondida, agarrou o ombro do moreno e apertou com toda sua força ao nos ver. “Cara! Porra, Tobias, qual é o seu problema cara? Pega leve, cacete.” Ele reclamou, socando o outro com um pouco mais de força do que o normal no braço, mas não o suficiente para machucá-lo de verdade.

“Obrigada Luce.” O vampiro sussurrou para mim. “Sinto muito pela sua queda e farei tudo para protegê-la caso lutemos, mas você nós entregou uma mina de ouro, querida.”

Não consegui não sorrir para ele. Ele sempre me fazia sentir bem, sentir-me querida, como ele mesmo dizia. Ele fazia até minhas trapalhadas virarem glória.

“Vamos, você consegue andar, certo? Temos que investigar esse andar também, Luce.” Assenti e ele me acompanhou. O andar subterrâneo era enorme, três vezes os andares normais da fábrica, que já eram imensos. Juntamo-nos com Tobi e Raffy e começamos a explorar, procurando por pistas ou qualquer outra coisa que nos ajudasse.

Chegamos a um canto onde havia várias coisas cobertas por mantos negros, provavelmente móveis ou outras máquinas mais especiais. Rafael foi o primeiro a arrancar um manto fora, revelando uma velha cadeira de balanço feita de madeira. Tobias imitou-o e revelou um toca discos incrivelmente velho. Eles foram tirando os mantos até que foram interrompidos pela voz de Jullyan.

“Erm, acho que temos um problema.” Ele falou. Sua expressão séria e preocupada ao mesmo tempo. Nós fomos até ele e ele se agachou no chão, apontando para marcas marrons no chão. “Sangue. Sangue velho, mas sangue do mesmo jeito. Já está aqui há alguns dias.”

“Isso quer dizer que estamos no lugar certo. Ou pelo menos estaríamos.” Raffy falou, contente por ter achado uma pista e irritado pelo fato de que nós provavelmente estávamos atrasados demais. “Aposto que ele não está mais aqui.”

“Não acho que nós devemos desistir assim. Vamos procurar pelo resto do andar antes de tirarmos conclusões.” Eu disse, indo em direção aos objetos cobertos a tirando dois mantos. Tinha alguma coisa ali que tinha a ver com o sangue, eu sabia disso.

Todos concordaram com suas cabeças e me imitaram. Não demorou muito enquanto nós revelávamos os objetos e começamos a ouvir uns barulhos estranhos, como gemidos de sofrimento. Trocamos olhares assustados, mas começamos a andar silenciosamente em direção ao som.

Eu ia alertá-los que isso talvez fosse uma armadilha, mas quando Tobi percebeu que eu ia falar ele imediatamente posicionou seu dedo indicador sobre seus lábios, em um claro sinal para eu nem abrir minha boca.

Andamos cautelosamente para o fundo da sala, onde havia apenas alguns objetos altos cobertos por mais mantos, encostados na parede. Trocamos olhares preocupados e, em seguida, Tobias tirou o manto do primeiro objeto.

Não acreditei no que meus olhos me mostravam.

Os homens correram para tirar os mantos dos outros objetos de mesmo tamanho, mas as outras jaulas estavam vazias. Estavam sujas de sangue, visto que provavelmente foram usadas anteriormente, mas a única jaula com três mulheres presas em seu interior era a que estava em minha frente.

As três moças deveriam ter em torno de seus vinte e cinco anos. Estavam completamente nuas e amontoadas na jaula pequena demais para as três. Dava para perceber que estavam magras demais por falta de alimentação, e estavam com problemas psicológicos, de tanto ficarem presas nesse lugar escuro desse jeito. Havia também feridas, arranhões e marcas de mordidas espalhados pelo corpo inteiro delas.

“Por favor...” Uma delas implorou para Rafael, puxando-o pela blusa. “Ajude-nos, por favor.” Essa parecia ser a mais sã de todas. As outras duas apenas murmuravam coisas sem nexo ou soltavam grunhidos frustrados.

Ajoelhei-me ao lado da jaula, com um pouco de dificuldade graças a minhas costas, sentindo uma pena enorme por essas mulheres.

“Está tudo bem agora.” Eu sussurrei para elas. Não tinha certeza se todas elas conseguiam me entender, mas sabia que a que havia falado conosco me entenderia. “Nós vamos salvá-las. Vamos tirar vocês daí, não se preocupem.”

Sinalizei com a cabeça para Tobi e Jullyan tentarem abrir a jaula. Eles não tinham a chave, mas Tobias sempre trazia presos ao cinto vários utensílios (eu às vezes até brincava que ele parecia o Batman com seu cinto) e tirou de lá um alicate enorme que eles usariam para entortar e arrebentar as barras de ferro. Raffy não pode ajudar pois a mulher ainda não o havia soltado e ele não fez esforço para se soltar pois a moça parecia se sentir mais segura com ele ali.

Mas parece que arrebentar a jaula não havia sido uma ideia tão boa assim.

Quando os homens se aproximavam com o alicate, todas as três começaram a berrar. E berravam incrivelmente alto. Nós nos olhamos assustados. Elas não podiam fazer tanto barulho assim... Era perigoso! Raffy e eu tentamos acalmá-las, mas nada as faziam para com a gritaria. Mas eles tinham que abrir a jaula, mesmo com elas berrando, então, para nossa infelicidade, o berreiro durou por um bom tempo.

Eu não fazia a mínima ideia do porque de elas estarem gritando loucamente desse jeito. Será que elas não queriam sair? Não, não era isso. Elas estavam obviamente desesperadas para serem libertadas. Será que era por causa de Tobias e Jullyan? Talvez elas tivessem medo deles. Mas não teria motivo para isso. Elas os viram conosco. Se uma delas havia gostado de Rafael, por que sentiriam medo dos outros?

A menos que elas tivessem medo só de um deles.

“Jullyan!” Chamei por cima da gritaria. “Jullyan saia daí, deixa que eu ajudo.”

Ele me deu um olhar confuso e irritado. “Por que diabos eu faria isso? Você está machucada, não pode fazer esforço nem força para cortar essas barras! Vai machucá-la ainda mais Luciane!”

“Elas têm medo de você! Se você não sair elas não vão calar a boca! E você sabe o quanto isso é perigoso!”

“Medo do Jullyan? Por quê?”

“Ele é um vampiro, Tobias. Elas devem ter visto as presas dele, ou a pele pálida, ou algum outro sinal. Elas acham que ele vai maltratá-las como Sebastian! Não fique muito perto delas, Jullyan!”

A compreensão espalhou-se pelo rosto de todos e eu tomei o lugar de Jullyan ao lado de Tobias, fazendo força para arrebentar a jaula com o alicate. Elas pararam de berrar, mas continuavam choramingando. Já era um avanço. Após várias tentativas, e muita dor nos ombros e nas costas, conseguimos arrebentar três barras, que dava o tamanho suficiente para tirar uma delas por vez. Esse trabalho sobrou para mim e para Raffy, pois elas tinham gostado mais da gente.

Quando a última delas havia saído, a que havia falando conosco, ela me empurrou violentamente contra a parede, seus olhos tomados pela loucura e pela fúria.

“SUMA DAQUI! VÁ PARA LONGE! SE NÃO... SE NÃO ELE...” Seu rosto estava tão próximo do meu que gotículas de sua saliva respingavam em minha face, e o mau cheiro que vinha de sua boca, por conta de dias trancada na cela, invadia meu nariz.

Porém, não tive muito tempo para me incomodar.

As duas outras mulheres saíram correndo para um canto escuro da sala, e a que tinha me empurrado se juntou a elas em um piscar de olhos.

“Mas o quê...?” Eu perguntei para ninguém em específico e Jullyan andou até mim para ver como eu estava. Os outros dois o imitaram.

Observamo-las sem nos mexermos, com medo de assustá-las ainda mais do que quer que seja que já as tinham assustado. Mas não tivemos que esperar muito para obter uma resposta.

Das sombras do canto mais escuro do andar saiu um sujeito alto e magro, usando um sobretudo preto, do qual por baixo dava para ver uma blusa branca manchada de sangue, e calças jeans pretas. Ele tinha piercings de argola em suas sobrancelhas e suas orelhas estavam repletas de metais de tudo quanto é cor e forma. Seus olhos azuis estranhamente claros estavam cobertos por uma maquiagem preta carregada demais para qualquer pessoa. Cabelos negros lisos cascateavam até sua cintura.

E ele olhava fixamente para mim.

Sua voz grossa me atingiu como um trovão, e involuntariamente eu tremi de medo.

“Olha só meninas. Temos visitas.”

Notas finais
E aí pessoal? Estou muito curiosa para ler os comentários de vocês sobre esse capítulo! Rsrsrs. O que acharam do tão esperado vilão?
Desculpem a demora, mais uma vez! ^-^