Me olharem significamente assim que eu abri o meu melhor sorriso. Algo em seus rostos me fez lembrar de algo, mas eu não sabia bem o que era. Os três sorriram para mim, ao mesmo tempo. Pisquei duas vezes.

- Anna! — A tal de Rose me abraçou, como se fossemos velhas amigas. —

Die pigarreou, e a mesma afastou-se de mim, um pouco envergonhada.

- Desculpe. — Eu disse, analisando os três, para ter certeza se eu não os conhecia de alguma boate. Nada. — Não estou lembrada de vocês.

Phillip sorriu debochado. Me olhou da cabeça aos pés, sorrindo de canto.

- É claro que ela não se lembra. — Ele disse, passando o dedo indicador de leve no meu ombro, posicionando-se atrás de mim. — Anjo...

Minha mente estava uma bagunça total. Lembrar de quê?

- Cala a boca, Phillip. — Marius disse, aproximando-se de mim. — Anna, somos velhos... amigos de Die. — Ele disse, olhando com um certo desprezo para Dougie, que sorriu.

- Exatamente.- Ele andou até Marius. — Amigos.

Ficaram se encarando por um tempo, até que Rose interferiu.

- Hey, vocês dois! — Ela disse, puxando Marius para trás. — Depois podem colocar... a conversa em dia. O assunto aqui é a Anna.

Os quatro me encararam, como se esperassem eu me pronunciar.

Encarei-os com um olhar de duvida. Eles eram tão... bonitos.

- Seus rostos... — Sussurrei, olhando pro chão e depois voltando a encará-los. — Lembram-me algo.

Vi os olhos de Rose brilharem, algo como admiração. Não, era mais que isso.

- Isso é bom, Anna! — Ela vibrou, pegando minha mãe e me fazendo sentar no sofá.

- Isso é estranho, isso sim. — Phillip sussurrou, seus olhos sob mim, analisando cada movimento. Lembrei-me de um radar.

- Não entendo. — Ri sem humor. — Parece que conheço vocês a minha vida toda. São tão familiares.

Marius me olhou, e seu olhar era um misto de raiva e pena.

- Não podemos explicar agora. — Ele se aproximou, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. — Mais tarde, você entenderá.

Olhei para os três, imaginando que tipo de doentes mentais eles eram.

- Vocês estão loucos. — Eu disse, rindo alto.

Die sorriu também, parecendo apreciar o momento. Rose fez uma cara triste, enquanto Marius e Phillip limitaram-se a olhar Die com ódio.

- Isso tudo é culpa sua, seu idiota! — Marius explodiu, indo para cima de Dougie.

- Culpa minha? — Die disse, indo de encontro com Marius. — Não fui eu quem me apaixonei por um humano! A cruz não é minha! — Ele gritava. Marius o olhou furioso.

- Se você não fosse um bastardo, nada disso teria acontecido! Qual era o problema de deixar Miguel comandar a Criação? Ele era o primogênito, era dever dele! — Marius cuspiu, ainda olhando Die com fúria.

- Miguel jamais mereceu tanto poder, você sabe disso! — Die gritou.

- Você sempre foi um invejoso, Lucifer! Sempre quis tudo para si! — Marius berrou, seus olhos ficando negros.

Ele disse Lucifer?

Foi então que eu vi uma coisa que jamais esperaria ver. Marius deu um salto e, rasgando o tecido de sua blusa, um par de enormes asas saíam de sua pele.

Tinha sangue, muito sangue. Um vento forte surgiu do nada, e eu podia sentir um cheiro engraçado.

Então eu senti minhas costas doerem. Era como se algo dentro de mim quisesse simplesmente sair. E era no exato ponto em que se localizavam minhas cicatrizes.

Passei meus dedos em minhas costas, por cima das cicatrizes, notando que elas sangravam. Olhei para minhas mãos, e estranhas e longas unhas se formavam no lugar das minhas curtas unhas pintadas de preto.

Gritei. Gritei o mais alto que eu podia. Ah, sim. A dor. Era insuportável.

Meu grito era estranho, parecia animal. De repente, tudo parou. Os 4 olharam para mim, todos assustados.

- Meu Deus. — Phillip disse, me encarando.

- Ironico, não? — Die disse, rindo alto.

Então, eu desmaiei.