Eat Me

11 Lembranças


Acordei no meu quarto, com os quatro rostos me obeservando com cautela.

- Querida, você está bem? — Rose perguntou, segurando minha mão. — Céus, está gelada! — Ela disse, espantada.

- É isso que a metamorfose faz. — Disse Phillip, passando a mão nos meus cabelos. — Sempre gostei dos cabelos dela.

- Cala a boca, Phillip. — Marius disse, tirando as mãos dele dos meus cabelos. — Você está bem, Anna?

Tente falar alguma coisa, mas minha boca estava seca. Rose trouxe um copo de água pra mim.

- O... o que aconteceu? — Perguntei, bebendo mais água.

Dougie me encarava e, pela primeira vez, fiquei com medo de seu olhar.

- Quem vai contar? — Phillip perguntou, colocando as mãos atrás de sua cabeça.

Rose deu um longo suspiro.

- An... — Ela começou. — Na verdade, sou Loren. — Loren... eu conhecia esse nome. — Esse, — Ela apontou para Marius. — É Gabriel. E este é Lucius. — Phillip acenou.

Dor de cabeça. Sim, minha cabeça começou a doer. Doía tanto, que eu tive que gritar, como se aquilo fosse fazer a dor parar. Meus olhos começaram a sangrar, eu podia sentir o sangue se espalhando.

- O que está acontecendo? O QUE ESTÁ ACONTECENDO? — Rose gritava.

- Ela está se lembrando. — Dougie disse, sorrindo.

De repente, tudo ficou escuro. Esfreguei meus olhos, mas eu continuava sem enxergar absolutamente nada. Mas eu escutava vozes.

- Você pecou, Hokegan. Não podia ter se apaixonada fisicamente pela Criação. — Uma voz masculina dizia. — Você não é humana.

- O que você queria que eu fizesse, Miguel? Você também se apaixonou por uma humana! — Uma voz muito parecida com a minha disse.

- Mas eu fugi! Fugi desse sentimento! Ao contrário de você, que se entregou! Ele nunca te perdoará. — O tal de Miguel disse.

Minha cabeça estava doendo muito, e várias imagens passavam em minha mente, como se eu as estivesse relembrando.

Asas, dor, sangue. Senti minhas cicatrizes pegarem fogo, de tanto que doíam. Vozes distantes gritavam um nome. Hokegan.

- Ela voltou? — Rose perguntou, sua voz aflita.

- Sim. — Die disse, andando até mim. — Do que se lembra, An?

Então eu consegui enxergar. Damon me encarava, surpreso. Eu sentia nojo, nojo por ele estar me tocando. Não era mais Damon ali.

- Tire suas mãos de mim, Lucifer. — Eu disse.