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7 6 – Another McCalton


Notas iniciais
Oiiiii! Me desculpem pelos 4 meses de atraso. Eu queria agradecer à Kep pela recomendação linda dela, muuuuuuito obrigada, você merece ser muito feliz ♥ Enfim, boa leitura e novamente me desculpem por ter demorado tanto.

— Mas eu ainda nem fiz nada – ele reclamou, fingindo estar ofendido. Mas ele logo deu uma risada.

— Argh, você entendeu. Não me incomode hoje, por favor – ela falou, revirando os olhos.

— Uh, alguém acordou com o pé direito hoje – ele retrucou, descendo da moto e prendendo o capacete nela.

— É difícil acordar com o pé esquerdo quando você sonha com a morte da sua mãe. – ela replicou, fuzilando-o com os olhos. Ele ficou sério por alguns instantes e as palavras dela pareceram surtir algum efeito sobre ele. Entretanto, não muito depois o habitual “sorriso debochado de canto” dele reapareceu.

— Ouch – zombou ele – e de TPM também, pelo jeito...

America estava prestes a dar um soco no rosto dele por suas palavras, e teria o feito se Stacy não tivesse aparecido e se jogado nos braços de Trevor, gritando com sua voz esganiçada de Barbie:

— Trev! Eu estava procurando por você!

Antes que ele pudesse sequer responder, ela o beijou com fervor, ignorando completamente todos ao redor e principalmente a presença de America. Esta revirou os olhos com raiva e saiu andando a passos duros dali. Com o canto do olho, Trevor a acompanhou.

Ela entrou no banheiro feminino e saiu do alcance da visão dele. Ele se separou bruscamente de Stacy e disse a ela:

— Continuamos mais tarde. – ele piscou e ela sorriu maliciosamente, mesmo querendo saber o motivo de ele ter se afastado dela, e saiu dali com suas fiéis seguidoras atrás.

Ele foi atrás de America e ela abriu a porta do banheiro no exato momento em que ele se escorava na parede.

— Já terminou de se comer com sua namorada? – ela indagou, claramente brava, escondendo o breve susto que tomara ao dar de cara com ele ao sair do banheiro.

— Eu já falei que ela não é minha namorada – ele reclamou, porém deu uma risadinha – e o que eu fiz para você ficar tão brava assim?

— Só o fato de ter zombado de mim já foi o suficiente para me irritar! – ela retrucou, elevando o tom de voz. Ela respirou fundo. – E então diga isso para ela, pois parece que ela não sabe.

— Então... Me desculpa? – pediu ele, mas dava para ver no olhar dele que ele estava louco para dar risada. Ela ergueu uma sobrancelha – Por ter zombado de você e tal? – completou. – E acredite, ela sabe. Pode ter certeza.

Ela o fuzilou com os olhos e ele viu o quanto ela realmente estava brava. Os dois ficaram em um completo silêncio por alguns minutos, enquanto ela não respondia-o.

— Tchau, Trevor. – ela replicou e saiu andando para longe dele, indo na direção da aula de sociologia.

Ele sorriu de canto observando-a se afastar. Conseguira tirá-la do sério. Ótimo, pois era exatamente isso que ele queria.

Uma garota de cabelos castanhos passou ao seu lado e sorriu para ele.

— Oi, Trevor. – ela falou.

— Oi... Lucy – ele respondeu, sorrindo do jeito mais galanteador que ele conseguiu. Conseguira lembrar do nome dela no último minuto pois se lembrou de seus olhos. Ele dormira com ela no último Halloween.

Ela logo desapareceu e ele ficou ali, divagando. De repente uma voz ao seu lado perguntou:

— Você não tem aula não?

Ele se virou e viu Dan.

— E aí, cara – eles fizeram seu toque de mão. – Na verdade eu tenho, mas tenho certeza de que a professora não sentiu a minha falta. Ela nunca faz chamada. – os dois riram, e ele meio que tinha razão. A professora sempre o ignorara completamente; parecia não gostar dele. — Você não tem?

— Sim, mas estatísticas não é a minha matéria favorita – eles riram novamente.

— Nem a minha.

— E aí, quem era aquela falando com você agora à pouco? – Dan perguntou.

— Aquela que recém saiu daqui? A Lucy, do terceiro ano de medicina. – ele respondeu, dando de ombros.

— Não, a outra.

Antes que Trevor pudesse responder, um funcionário da universidade apareceu e os mandou aos berros para a aula. Eles gargalharam e começaram a caminhar na direção da sala de Estatísticas.

— Ah... aquela é America. Uma francesa que entrou agora, cursa jornalismo. – ele respondeu enquanto os dois subiam um lance de escadas.

— Humm... já conquistou a novata, então? Vou ter que dizer, ela é gostosa. Não tirei o olho dela desde o dia em que a vi. – Dan respondeu, dando um sorrisinho sacana, e os dois deram risada.

— Longe disso. Ela meio que me odeia. O máximo que consigo fazer é tirá-la do sério. – dobraram o corredor e a porta da sala já era visível – Mas vou ter que concordar.

Eles entraram na sala e exatamente como Trevor falara, a professora não se dera nem ao trabalho de levantar os olhos para os dois. Quase ninguém os notou entrando; Trevor sentou-se ao lado de Madison Algueratti, que estava meio que se tornando melhor amiga de America – depois de Andy, claro, pois ele e a francesa eram inseparáveis.

— America estava procurando você antes – ele disse a ela e ela revirou os olhos quando constatou que era ela.

— Cheguei atrasada. – ela explicou. – E grande novidade se você não houvesse ido atrás dela.

— Ah, não posso agora? Eu não fiz nada! – ele falou em um tom falsamente ofendido. — Se bem que ela se irrita comigo...

— Só imagino o que você fez – ela devolveu, e foi a vez dele de revirar os olhos.

— Eu já disse que não fiz nada. Tá, só beijei a Stacy, mas isso não vem ao caso. – ele falou e ela olhou feio para ele. Trevor ignorou o olhar malévolo de Madison.

— E qual é o problema em eu querer ser apenas amigo dela?

— E a palavra “amigo” sequer existe no seu dicionário, por acaso? – ela lhe perguntou com ironia. – Creio que não. Tenho certeza que você tem segundas intenções. Você sempre tem.

— E o que a faz pensar isso?

— Talvez as 200 garotas da faculdade com quem você já dormiu? – sarcasmo respingava de sua voz, como se fosse ácido. – Eu conheço você, Trevor. Conheço sua reputação, e America é bonita, francesa, gentil e amigável. Estou errada? – Madison arqueou uma sobrancelha desafiando-o. – É um tanto “estranho” você simplesmente decidir ser amigo dela. Só se for amizade colorida, porque por você... – deixou a frase vagando no ar sem fim, mas ele entendera.

— Eu não tenho segundas intenções. – ele disse baixinho.

— Está tentando me convencer ou convencer a si mesmo? Pois parece muito com a segunda opção. – ela falou.

Ele ficou quieto por algum tempo, pensando nas palavras dela, sem resposta para sua pergunta, pois ele sabia que ela estava certa. Madison suspirou e então seu rosto assumiu uma expressão séria. Ela proferiu:

— O que eu realmente estou querendo dizer, McCalton, é que eu conheço você. Sei que você é o Coração de Gelo aqui da Columbia, o Destruidor de Corações, mas... apenas não faça isso com ela, ok? Posso conhecer ela há pouco tempo, mas ela é uma pessoa boa demais para merecer um coração quebrado por sua causa. Você não vale a pena todo o sofrimento pelo qual ela passaria. Tudo bem vocês serem amigos. Não há problema nisso, desde que não passe de amizade. Tudo o que eu não quero é ela chorando por aí por causa do mauricinho idiota que você é, exatamente como fez com a Anna, Ceci e Lorane. Então, não faça isso.

Ela praticamente cuspiu as palavras em cima dele e por um milésimo de segundo ele ficou estupefato. Porém logo retomou a expressão de “Coração de Gelo” como ela mesma falara alguns segundos atrás.

— Isso não vai acontecer. – espero que não, ele completou mentalmente. – Já disse que não tenho segundas intenções.

— Ok. Vamos ver por quanto tempo vou acreditar nisso. – ela replicou e o assunto morreu ali. Madison não olhou mais para ele e ficou concentrada na aula, ou pelo menos parecia estar.

***

O dia fora cansativo para America. Ela não tivera nenhuma aula com Trevor, portanto ele não a incomodara. Mas isso não o impediu de puxá-la para sua mesa no almoço novamente, e como no dia anterior, todo mundo ficara encarando os dois.

Uma maldita dor de cabeça persistente a perseguia desde a terceira aula da manhã. Além das cenas do acidente, que não saíram de sua cabeça um minuto sequer. Não conseguira se concentrar na aula um minuto sequer por causa disso.

— America, você está bem? – Madison perguntou. Faltavam poucos minutos para o sinal tocar e elas estariam liberadas, finalmente.

— Eu não sei – a francesa disse, suspirando. Quando fechava os olhos, sentia a cabeça girando, como se sua mente não estivesse no lugar aonde seu corpo se encontrava. Precisava urgentemente de uma ou duas aspirinas. Ou talvez três. A dor era insuportável.

O sinal tocou e as duas saíram da sala por último para evitar todo o frenesi que os alunos faziam. Elas andavam devagar até que o celular de Madison tocou. Ela atendeu e uma expressão de aflição tomou conta de seu rosto. Ela desligou e disse para a francesa:

— Meri, eu tenho que ir. Até mais. – e logo desapareceu junto com os outros alunos, sem dar tempo da francesa se despedir.

Esta suspirou e continuou seu caminho. Tudo o que ela mais queria nesse momento era um remédio, um banho quente e uma cama confortável. Mas não era tão fácil assim.

— Você não está com uma cara tão boa assim. – observou certa voz ao seu lado.

— Ah, sério? Imagina, estou perfeitamente bem. — devolveu ela, mau humorada.

— Calma aí. – Trevor disse. – O que aconteceu para você estar tão... estressada?

— O professor de sociologia brigou comigo porque errei uma questão, estou com uma dor de cabeça terrível desde as dez horas da manhã e estou me sentindo como se fosse desmaiar a qualquer momento. – ela falou tudo de uma vez e respirou fundo, suspirando. Eles chegaram ao estacionamento. – Desculpe descontar em você. Foi realmente um dia estressant...

America não terminou a frase pois um Audi R8 preto se aproximou dos dois em alta velocidade. O motorista era um jovem de olhos azuis escuros e cabelos loiros. Ele saltou do carro e Trevor revirou os olhos.

— O que você quer? – ele perguntou.

— Uau, nem me cumprimenta mais? Não esquece que você está morando na minha casa, irmãozinho – ele zombou e o outro revirou os olhos novamente.

— O que você quer? – repetiu. Estava começando a perder a paciência com ele, como sempre acontecia. — Lembre-se que a casa é do papai. Não sua.

— Espera aí – America se manifestou, fazendo Trevor e o outro desconhecido olharem para ela –, vocês dois são irmãos?

Ela olhava para eles, incrédula. Não havia semelhança alguma, exceto, talvez, os belos olhos azuis. Porém os de Trevor eram mais claros.

— Somos. – o rapaz que ela não sabia o nome respondeu, rindo. – Eu sou Thomas, o irmão mais velho desse chato aqui. – ele cutucou o outro com o cotovelo, que não falou nada. Sua expressão era dura.

Thomas sorriu para ela e nesse momento a luz incidiu em seus olhos, fazendo-os brilharem.

— E você? – perguntou.

— America Hill – ela também sorriu, timidamente, e pelo canto do olho podia ver Trevor fuzilando o irmão com os olhos.

— Ok, Thomas, você já se apresentou e já flertou com a Mare. Agora pode fazer o fazer de me dizer o que veio fazer aqui?

A francesa corou e o irmão de Trevor percebeu, dando uma risada baixa logo em seguida. Ela desviou o olhar e ele respondeu ao irmão:

— Vim te entregar a chave de casa. Vou viajar agora, se não houver nenhum atraso, por toda a semana. Papai está viajando também e creio que você não tem chave de casa. Creio que não ia gostar de ficar uma semana para fora.

Trevor pegou a chave prateada e disse, ríspido:

— Pronto, já pode ir embora. Tchau.

O irmão riu – America percebeu que ele adorava rir – e Trevor voltou a falar com ela:

— Mare, onde você mora? Se quiser posso te d...

— Quer uma carona? – Thomas se intrometeu entre os dois, fazendo-os dar um pulo. Achavam até que ele já tinha ido embora. – Meu voo é às sete. Não vou me atrasar.

Eles sorriram um para o outro e Trevor observava em silêncio.

— Eu moro no Brooklyn. Se não for nenhum incômodo, eu aceito. – ela respondeu a Thomas, que sorriu.

— É claro que não. Tenho que passar por lá mesmo, antes de ir ao aeroporto, então... entre.

America não tinha nada a perder. Sua cabeça ainda estava latejando e girando; sentia que era capaz de desmaiar a realmente qualquer momento. Portanto, sorriu novamente e entrou no carro. E esqueceu completamente de Trevor.

Notas finais
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