Earth and Griffen: Two interconnected worlds
4 Capítulo 3 - O Ataque
Notas iniciais
Fiquei encarando meu pai com os olhos arregalados. Como assim eu estava prometida? Eu sei que eles estavam procurando algo para eu fazer no futuro, mas não pensei que eu me transformaria em um acordo político.
–Pai eu me recuso. – eu disse firme
–Infelizmente Helena não há nada que você possa fazer. Como ainda não tem quinze anos está apenas prometida. Essa aliança vai ser muito importante, mesmo eu não gostando muito da ideia de você se casar.
–Mas pai, eu não quero me casar! Deve haver outra maneira de resolver isso...
–Helena – meu pai me cortou – Eu tentei tudo que pude, agora se acostume com essa ideia. Sabe que é nosso dever fazer o melhor pelo povo, e o melhor é que a aliança com Tíron aconteça. Vamos voltar para a festa, tente se divertir com seu irmão e Ágata.
Ele voltou para dentro do palácio me deixando sozinha nos jardins. Eu não podia acreditar que em apenas alguns minutos minha vida tinha virado de cabeça para baixo.
Eu nem conhecia Cameron direito, só tinha falado com ele pela primeira vez hoje, antes só o via em celebrações. Como eu poderia me casar com ele assim? Não quero deixar Griffen para morar em Tíron, meu lugar é em casa, não posso fazer isso.
Estava tão centrada em pensamentos revoltados que não percebi quando Cameron apareceu.
–A senhorita está bem? – me virei com uma cara de tanta fúria que ele até recuou – Saiba que eu não sabia disso até agora.
–Posso saber o interesse de seu pai em me ter como nora? Ele podia ter pedido qualquer coisa que minha mãe daria, mas por que eu?
–Meu pai diz que será bom ter uma descendente de Paul Black em nossa família, afinal ele foi um herói para todos nós lobisomens.
–Ele acabou de destruir minha vida! — exclamei enfurecida. O rosto de Cameron tomou uma face mais irritada e seus olhos se tornaram vermelhos por alguns instantes.
–Não é só você que tinha planos e agora tem que se casar. Não se comporte feito à única vitima, tente lembrar que minha vida também está em jogo.
Ele voltou para festa, me deixando com muita raiva por não ter dito a última palavra e por mais que odiasse admitir, ele estava certo. Suspirei vencida e decidi voltar para o palácio, não ia ficar sozinha aqui.
Passei a festa inteira sentada em uma mesa. Não queria dançar com ninguém, pois poderia mostrar que eu estava traindo meu “querido” futuro marido. Observava de longe os olhares tristes de minha mãe e meu pai, mas não queria falar com eles também. Estragaram minha vida, agora me deixem no meu canto.
Até que em um momento meu irmão apareceu e se sentou ao meu lado. Arthur tinha o sexto sentido de saber quando eu estava triste, e sempre me ajudava.
–Está tudo bem Helena?
–Tirando o fato que mamãe decidiu me casar e que tomei três taças de vinho, sim estou muito bem.
–Não permitirei que se case obrigada. Já não gostei de ver Mel assim, mas você é minha irmã!
–Não tem jeito, é o único meio de nos aliarmos à Tíron. – meu irmão se aproximou e me abraçou.
–Sinto muito Helena. Gostaria de poder deixar você, nossas primas e mamãe sempre felizes, afinal são as mulheres da minha vida.
–Não se preocupe Arthur, eu vou aguentar. Quem sabe eu consiga fazer o rei Mark me expulsar. Mas obrigada por se preocupar, te amo irmãozinho.
–Também de amo mana.
Ficamos conversando por mais algumas horas até o fim da festa. Nesse momento esqueci de todos os meus problemas e me lembrei que Melody não voltaria conosco, Promatéria agora era sua casa. Odeio admitir, mas quando fui me despedir dela, uma lágrima escorreu por minha bochecha.
–Está chorando? – Mel perguntou quando me aproximei para abraça-la.
–Não, entrou um cisco no meu olho – abracei Melody e senti outra lágrima caindo – É claro que estou chorando, minha prima-irmã acabou de se casar e me abandonar.
–Não me faça chorar também – no fim nós duas ficamos que nem loucas chorando abraçadas – Eu prometo que irei escrever sempre, e irei visitá-la. E quanto ao seu casamento – ela sussurrou – Seja forte, pode parecer ruim, mas não é um monstro de sete cabeças.
Assenti meio incerta sobre isso, e fomos embora. Acho que por conta do vinho dormi a viagem toda no avião, e só acordei quando Ágata me chamou. Percebi minha mãe se aproximando, mas segui pisando fundo até meu quarto. Eu não iria falar com ela nem com papai, se eles querem fazer isso comigo tenho o direito de ficar brava.
Com esse pensamento cai na cama e acabei dormindo com a mesma roupa da festa.
Acordei com uma enorme dor de cabeça e mandei que minhas criadas trouxessem um remédio. Elas deviam estar confusas por eu estar do mesmo jeito de ontem, mas prepararam meu banho em silêncio e logo eu já estava preparada para outro dia como princesa de Griffen.
Fui uma das primeiras a chegar à sala de jantar, só meus pais estavam lá. Ótimo, agora não daria para evitar conversar com eles.
–Bom dia. – meu pai disse um tanto receoso
–Bom dia – resmunguei indo me sentar até meu lugar
–Já chega. – minha mãe largou um documento que estava lendo e se virou para mim – Helena você sabe que esse casamento vai fazer um grande bem ao nosso reino, e se você tem de se sacrificar vai ter que ser assim. Casamentos arranjados podem acabar virando amor, não vê eu e seu pai? – papai deu um sorriso tímido.
Ergui os ombros e fiquei em silêncio até servirem a comida. Como estava sem fome tomei apenas uma xícara de café, e já estava me retirando para minha aula de música quando minha mãe pediu que eu esperasse. Depois que todos saíram, ela se pronunciou:
–Filha vou te levar em um lugar.
–Mãe sério, só quero ficar sozinha.
–Essa decisão não está em discussão.
Rolei os olhos enquanto ela falava com o general para preparar os cavalos, odiava quando ela me dava ordens feito rainha. Assim que acertou os detalhes fomos até os estábulos.
Mais ou menos dez soldados estavam se preparando para nos acompanhar. Minha mãe foi em direção à sua égua preferida enquanto eu fui até meu corcel totalmente preto.
–Olá Aron. – eu disse enquanto montava em suas costas.
Fomos em direção ao norte de Griffen. Eu nunca tinha ido para aquelas terras, pois eram fronteira com as terras dos vampiros. Avançamos até uma enorme cerca, onde haviam várias torres de vigia. Subimos em uma e pude ver uma coisa totalmente terrível.
De longe eu podia ver algumas pessoas magricelas andando. Pareciam procurar alguma coisa e pareceram sentir nosso cheiro, pois se viraram para nós e seus rostos tornaram-se brancos, presas afiadíssimas cresceram de suas bocas e suas unhas agora eram garras. Fiz uma nota mental de agradecer a cerca algum dia.
–Está vendo isso – ela apontou com a mão toda a terra do outro lado – Aquilo é o resultado de uma quebra de alianças. Meu tio Vladmir traiu meu pai, e todo seu povo foi aprisionado nessa prisão. Praticamente uma vez por mês soltamos os piores prisioneiros aí, pois falta sangue e eles sentem muita fome. Acho que deu pra notar que não gostam de nós.
–Mas mãe, por que se preocupa com eles?
–Não é bem uma preocupação Helena. Meu primo Erik foi preso aí quando era criança para que futuramente eu pudesse reinar em Griffen. Sinto que tenho uma dívida com ele, e também pelo menos nossa celas ficam um pouco mais vazias.
Percebi o que ela quis me mostrar. Se eu não me casasse com Cameron algo parecido poderia nos acontecer, e em vez de estarmos no topo iríamos para o chão da ordem.
–Entendeu o que eu quis dizer? – ela perguntou após um longo silêncio.
–Sim mãe. – eu disse e ela me abraçou. Percebi que ela estava bem triste e que minhas atitudes não estavam ajudando – Sinto muito por ter agido feito uma pirralha mimada.
–Tudo bem minha filha – ela disse me soltando – Só saiba que eu te amo muito.
Sorri e decidimos voltar para o palácio. No caminho descobri que teria de ir até o palácio de Tíron para bater algumas fotos com Cameron. Mesmo não gostando da ideia agradeci por podermos ir de carro.
Quando chegamos ao palácio senti que algo não ia bem, pois os guardas estavam inquietos. Minha mãe também deve ter percebido, pois estava ao ponto de perguntar a um deles o que estava acontecendo quando minha tia apareceu correndo.
–O que aconteceu Morgana? – minha mãe perguntou com um que de preocupação na voz.
–A notícia de que iam à fronteira vazou. Houve um ataque a poucos quilômetros de onde estavam, e John e César foram junto com os guardas batalhar. Parece que hoje vai ser bem mais grave que os outros ataques.
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