Earth and Griffen: Two interconnected worlds
18 Capítulo 17 - Vitória
Notas iniciais
Acordei sentindo dores por todo o corpo, em especial na barriga e cabeça. Com grande dificuldade abri os olhos, mas só consegui enxergar com um deles. Levantei um pouco a cabeça e percebi que estava no meu antigo quarto no palácio.
–Finalmente acordou. – alguém disse ao meu lado, me virei na direção da voz e vi que era Melody – Como se sente?
–Eu estou bem. – eu disse tentando sentar na cama, mas senti uma enorme dor na barriga.
–Não se esforce. – disse minha prima colocando mais uma almofada atrás de minhas costas – Você quebrou uma costela, teve o fígado perfurado, sem contar que você perdeu o olho.
–Eu ainda tenho meus olhos, só não enxergo totalmente por que tem um curativo no direito. – ela me olhou triste e balançou a cabeça.
–Sinto muito Lena, os médicos conseguiram reconstruir o globo ocular, mas você não enxergará mais.
–Há quanto tempo estou desacordada? – mudei um pouco o rumo da conversa por não querer acreditar que eu tinha ficado cega de um olho.
–Encontraram você quase morta ontem quando a guerra terminou.
–Conseguiram vencer Erik?
–Na verdade Arthur conseguiu vencer Erik. Despois que Jenna e Alex entraram no castelo e o libertaram junto com tio César, seu irmão saiu correndo até a sala do trono e enfrentou Erik, vampiro contra lobo. O tirano foi trancafiado a sete chaves na cela mais protegida da prisão. Mas aconteceu algo estranho, Ágata conseguiu fugir com Ryan, por que ela faria isso?
Com um pouco de dificuldade contei a Melody tudo que tinha acontecido desde que saí de Promatéria. Ela ficou muito surpresa pelo que contei sobre nossa tia, e ficou mais preocupada com Ágata do que já estava.
–Ela irá voltar, logo nossa prima perceberá que você não teve culpa de nada, e que foi uma vítima desde o começo.
–Não acredito que eu seja uma vítima, afinal se eu não tivesse caído no plano de Morgana seu pai e minha mãe estariam aqui.
–Você foi usada Helena, a culpa é de nossa tia e de Erik. Sem contar que se você não tivesse feito o que eles queriam é claro que inventariam outro plano. Vou contar o que você perdeu.
Tentei prestar atenção no que Melody dizia, mas minha cabeça estava em Ágata. Ela devia estar se sentindo como eu quando perdi minha mãe, mas em vez de ter encontrado uma avó e um amigo, ela estava com o braço direito do pai, que era uma péssima companhia.
–... e seu noivo vai ser coroado rei semana que vem, seu pai está quase 100% curado...
–Cameron vai ser coroado rei?
–É, esqueceu que o pai dele morreu?
–Verdade, ele deve estar muito mal...
–Vou deixar você descansar, logo Griffen voltará a ser um reino poderoso e nossas vidas voltarão a ser normais.
Ela saiu do quarto me deixando sozinha. Griffen poderia voltar a ser o reino mais poderoso do mundo, mas nada seria como antes.
Uma semana depois
Hoje completaria uma semana desde nossa vitória contra Erik. Meu pai ordenou que os vampiros que ficaram do lado de Erik fossem presos, mas os que nos ajudaram seriam restabelecidos na sociedade, lobos e vampiros seriam irmãos agora.
Arthur estava com a perna quebrada, mas já estava quase bom graças aos medicamentos que tomava. Contei a ele sobre a história de Poseidon e nossa mãe, pois não tive tempo de explicar antes de acabar indo para a Terra. Meu irmão não ficou nada feliz ao saber do acontecido, mas disse que não teria raiva de ninguém e que eu ainda continuaria sua irmã não importa o que acontecesse.
Já eu estava praticamente bem fisicamente, tirando que meu olho direito agora era totalmente branco e eu tinha uma cicatriz em forma de garra sobre ele. O problema era minha mente. Desde a batalha final eu venho tendo pesadelos incompreensivos e acordo com Wolly lambendo minha bochecha. Por falar nele, agora ele já é quase um bulldog adulto, mas ainda continua fofo.
Hoje seria o primeiro dia que eu sairia de casa. Estava um pouco nervosa, afinal eu nunca tinha ido em uma coroação. O enterro do rei Mark foi há cinco dias, mas eu não pude ir por nem conseguir ficar em pé muito bem. Pelo que Melody me contou a rainha está muito mal, mas Cameron continua firme. Acho que ele quer se manter firme para a mãe.
–É estranho usar vestido. – comentei com Flora enquanto admirava meu mais novo modelo vermelho.
–A senhorita sempre usou vestidos – ela disse penteando meus cabelos – Não gostou do modelo?
–Não é isso, é que depois de quatro meses morando na floresta você não se importa tanto com a aparência.
Coloquei um casaco por cima do vestido, afinal era final de Dezembro e fazia frio. Não tinha pensado em Lupa e Taylor desde que voltei, prometi que voltaria, mas eu faria a viagem apenas quando estivesse totalmente bem.
Eu, meu pai e Arthur fomos para Tíron bem mais cedo, pois como eu era noiva do novo rei deveria chegar antes de todos. O ruim foi que, mesmo discretamente, percebia o olhar de todos em meu rosto.
–Não ligue – sussurrou Arthur enquanto nosso pai falava com alguns ministros no salão principal do castelo. É de admirar que tenham reformado o castelo em tão pouco tempo. – Você continua a garota mais linda do mundo.
–Sabe Arthur, se continuar assim será um homem romântico. – comentei sorrindo e ele rolou os olhos.
–Não enche.
Com o tempo os convidados foram chegando e o salão foi enchendo. Fiquei conversando com Melody e Natalie (que se mostrou uma boa pessoa), até que a rainha veio falar comigo.
–Está tudo bem Majestade? – perguntei enquanto ela me levava para o andar de cima.
–Estou tentado me manter firme, mas não é fácil.
–Eu sei...
–Queria agradecer pelo que fez a mim e meu filho, se não fosse você nenhum de nós estaria vivo.
–Não precisa agradecer, logo seremos uma família e eu aprendi que família é o bem mais precioso que temos.
A rainha sorriu e me deu um abraço. Fiquei um pouco sem reação, mas retribui. Ela era uma boa pessoa, e não deveria ter passado por tanta coisa.
–Cameron quer falar com você – ela disse quando nos soltamos – O quarto dele é o último do corredor.
Ela deu meia volta em direção ao salão, enquanto eu andava nervosamente até o último quarto. Insegura, bati duas vezes na porta.
–Entre.
Abri a porta devagar e entrei. O quarto dele devia ter sido redecorado de forma mais formal, afinal hoje ele seria rei. Cameron ajeitava o terno e colocava a capa, mas parou para me observar.
–Que bom que veio. – ele deixou a capa em cima de uma poltrona e se aproximou.
–Não ia perder sua coroação né? – respondi nervosa enquanto ele beijava minha mão.
–Sério, não quero que se esforce. Você passou por muita coisa.
–Você também.
–Queria conversar com a senhorita antes de sair. Admito que estou muito nervoso. – ele pegou novamente a capa e a colocou.
–Não precisa se preocupar. Você entra na sala do trono, se senta e o ministro principal coloca a coroa em sua cabeça. Em seguida você vai até o terraço e recebe a saudação do povo.
–Não é com isso que estou preocupado. – ele se voltou outra vez para mim – É com a responsabilidade que terei. Helena, eu nem fiz dezesseis anos e já vou ser rei. Tenho medo de fracassar.
–Você não vai fracassar. Cameron você é corajoso, justo, bondoso. Será um rei muito bom.
Ele se aproximou me encarando de forma estranha. Claro, meu rosto deve estar horrível. Abaixei a cabeça para que ele não pudesse me ver, mas Cameron colocou a mão em meu queixo e o ergueu.
–Por que esta com vergonha? Continua tão linda como na primeira vez que a vi.
Senti meu rosto esquentar enquanto me perdia naqueles olhos azuis. Ficamos um longo tempo apenas nos olhando, a mão dele no meu queixo, até eu recobrar a razão.
–Ah... Bem... Acho melhor eu ir... Tenho que ficar lá na frente... Ah... Boa sorte. – beijei rapidamente sua bochecha e sai apressada do quarto.
Cameron não poderia ter se saído melhor. Quando deu a hora ele entrou na sala do trono confiante e de cabeça erguida. Quando passou por mim, que estava bem perto do trono, piscou.
O ministro principal colocou a coroa real em sua cabeça e todos nós nos curvamos. Percebi que com a coroa ele pareia mais velho. Em seguida ele foi para o terraço, nós atrás, e se apresentou perante o povo. Não poderia ter recebido mais aplausos.
Depois de uma hora o baile começou. O salão de festas estava muito bem decorado e tocava uma valsa tradicional. Observei Alexander dividir o tempo dançando com as duas esposas e me lembrei quando eu não gostava dele. Devo dizer que ele se mostrou digno de ser meu cunhado.
–Do que está rindo? – Cameron perguntou no meu ouvido e dei um pulinho surpreendida.
–Só lembrando de coisas que aconteceram antes da guerra.
–É, a vida era boa. Me daria a honra de uma dança?
–E o que eu ganharia com isso? – brinquei e ele sorriu.
–Ganharia a companhia do ilustre rei de Tíron, sem contar que me deixaria muito feliz.
Cameron me puxou para o meio do salão e começamos a dançar. Nesse momento esqueci de todos ao redor e me concentrei no príncipe, ou melhor, rei que estava em minha frente.
–Posso dizer uma coisa? – Cameron disse com o rosto bem próximo ao meu.
–Já está dizendo.
–Engraçadinha... Saiba que eu adorei esse vestido, vermelho é a minha cor favorita.
Dei uma risadinha enquanto ele me virava e o encarei.
–Saiba que eu gostei que você tem deixado a barba rala, fica mais bonito.
–Está dizendo que eu não era bonito sem minha barba? – ele perguntou arqueando as sobrancelhas.
–Eu não disse isso.
Pisquei e o soltei para ir até meu irmão. Percebi o olhar dele em mim, e pensei que apesar de tudo que passamos, as coisas poderiam sim ficar melhores.
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