Notas iniciais
Espero que gostem do cap pessoal :)

Melody imediatamente começou a chorar e saiu correndo em direção ao quarto de seu pai enquanto eu encarava minha tia. Como ela pode estar tão calma quando seu irmão acabou de morrer?

–Tia como pode estar assim tão fria com tudo isso?

–Não devemos ser sentimentais Helena. Chorar não vai trazer John de volta dos mortos. Agora o que podemos fazer é dar-lhe um enterro digno de seu posto.

Ela saiu me deixando sozinha. Eu não podia acreditar que meu tio não estava mais vivo. Desde pequena sempre fomos próximos. Lembro-me de quando ele me levou junto com Melody, Arthur e Ágata ao Lago Nixy e ficamos pescando a tarde inteira. Tia Morgana teve um ataque quando nos achou e ficou reclamando com tio John que ele não devia fazer atividades de plebeus, ainda mais em nossa companhia.

Também lembro quando ele fez as pazes com Mel quando ela aceitou se casar com Alexander. Ele também tinha ficado bem deprimido enquanto ela estava brava com ele. Uma coisa que todo mundo podia ver era o amor que ele tinha pela filha, acho que por Melody ser bem parecida com minha tia Anne antes dela morrer.

Não sei como minha prima vai aguentar mais esse baque. Já foi difícil perder a mãe, agora ela está sozinha. Não, ela não está sozinha. Ela ainda tem a mim e toda a nossa família.

Levantei e segui para o quarto de meu tio. Um guarda estava na porta, mas permitiu que eu entrasse. Tio John estava deplorável. Em seu rosto havia marcas de garras e ele estava sem uma das mãos. Melody chorava abraçada a ele, e desviei os olhos da cena, não queria chorar também.

Arthur estava abraçado a Ágata, que chorava baixo para que sua mãe não ouvisse. Meu irmão não chorava, mas estava com o rosto bem triste. Minha mãe conversava com minha tia em um canto mais afastado do quarto. As duas pareciam discutir, e em um determinado momento minha mãe fez seus olhos ficarem vermelhos.

Às vezes nós lobisomens transformamos apenas nossos olhos para demonstrar irritação. Minha mãe não era disso, então me surpreendi. O guarda se aproximou delas e mamãe voltou ao normal.

–Majestade – ele disse em voz alta – O sacerdote disse seria melhor que o enterro ocorresse amanha de manhã. Ele deseja preparar o corpo do príncipe.

Minha mãe assentiu e ele saiu do quarto. Logo em seguida dois médicos apareceram com uma maca para levarem o corpo de meu tio, mas Melody não o soltava.

–Não, ele não pode estar morto! Isso não pode estar acontecendo! – ela gritou se agarrando ao corpo de seu pai.

–Melody – chamei me aproximando – Vem aqui, deixe eles fazerem seu trabalho.

Minha prima aos poucos largou o pai e se abraçou a mim. Pude ver o quanto ela estava triste, pois não parou de chorar mesmo passados dez minutos que o corpo foi levado.

–Mel venha, vou te levar para seu quarto.

Meio que arrastei Mel pelo corredor. Ela não tinha mais forças para nada, então eu a ajudei a por sua camisola e deitei ao seu lado em sua antiga cama. Depois de alguns minutos Arthur e Ágata apareceram e pedi que ficassem com Mel para eu por meu pijama.

Feito isso voltei para o quarto de minha prima e ficamos nós quatro abraçados, e acabamos adormecendo lá mesmo.

No dia seguinte o príncipe Alexander veio nos visitar para ficar ao lado de Melody. Ela pareceu se animar um pouco com sua chegada, por isso fique feliz por ele ter vindo.

Vários reis vieram para o enterro também, e no meio do cemitério encontrei Cameron. Não queria falar com ele, mas me senti na obrigação de ir cumprimenta-lo, já tinha falado com seus pais.

–Sinto muito por seu tio – ele me disse quando me aproximei.

–Ele vai fazer muita falta – respondi olhando para as pessoas que se aproximavam de seu corpo – Meu pai também está muito ruim.

–O príncipe vai ficar bem, mas por que foram atacados?

–Os vampiros vem tentado tirar o poder de minha mãe. Queriam mata-la e a mim, mas acabaram atacando eles. Em Tíron não existem ataques?

–Não, nós vivemos em paz com os vampiros. Minha mãe tem um pouco de sangue vampiresco.

–Eu quero vingança, não posso deixar que fiquem vivos depois desta afronta.

–Helena me escuta – ele disse sério e eu o encarei – Não quero que ponha sua vida em risco. A rainha sabe o que deve fazer e acredito que a paz entre vocês possa melhorar as coisas.

Quis retrucar, mas o enterro começou então fui me juntar com minha família. Foi bem triste, mas eu não prestei muita atenção. Estava ocupada pensando em como acabar com toda aquela raça de malditos.

Já era tarde quando nos despedimos de todos os convidados. Cameron me olhou feio na despedida, como um aviso para eu ficar na minha. Bem, se ele pensa que pode me controlar está enganado. Melody voltou para Promatéria com Alexander, então decididamente o castelo ficou meio vazio.

Depois do jantar fui para a biblioteca procurar algo que pudesse ser muito eficiente contra os vampiros. Descobri em um livro que o veneno de lobisomens era fatal a eles, mas como eu poderia morder uma nação?

De repente escutei a porta da biblioteca se abrindo e minha mãe entrou discutindo com tia Morgana. Me escondi atrás de um sofá e prestei atenção na conversa das duas.

–Não posso fazer isso com César! Ele acabou de acordar!

–Ele não vai durar muito tempo Clara, tem certeza que quer que o pobre homem morra acreditando em uma mentira?

–Não posso contar a verdade para ele Morgana, César me odiaria...

–E sua filha, acha que ela não merece saber...

–Não posso contar...

–... que não é filha de César?

Fiquei em choque. Como assim eu não era filha do meu pai? Minha mãe nunca falou nada, elas só podem estar brincando.

–Morgana sabe que não foi culpa minha engravidar de Helena. Tive que dizer que a filha era de César e nasceu prematura senão ela estaria em perigo.

–Deve contar para sua filha quem é seu verdadeiro pai...

–Chega! – minha mãe gritou e percebi que sua voz saiu mais grossa que o normal. Arrisquei dar uma espiada e vi minha mãe transformada segurando o pescoço de minha tia com as garras. Seus dentes estavam à mostra, e ela tinha um olhar ameaçador que nunca tinha visto. – Helena é filha de César, é uma princesa e um dia se tornará rainha de Tíron, é só isso que ela precisa saber, estamos claras Morgana?

–Eu não estou clara mãe – eu disse sainha do meu esconderijo e cruzando os braços. Minha mãe soltou minha tia e voltou ao normal, parecia bem assustada – Pode me explicar essa história de eu ser uma bastarda, porque eu não entendi muito bem a parte de EU NÃO SER FILHA DO MEU PAI! – gritei a última parte.

–Bem, acho que eu não tenho nada a ver com isso – disse tia Morgana massageando a garganta e se dirigindo a saída – Tente não mentir muito para minha sobrinha, querida irmã.

Notas finais
Até a próxima gente Bja da CorujaMor