Earth and Griffen: Two interconnected worlds
17 Capítulo 16 - Batalha Final
Notas iniciais
–Sinto muito pelas algemas – disse a dona da voz se aproximando, e acabei tropeçando com a surpresa de saber quem era. – Mas você já fez muitos estragos desde que voltou.
–Tia Morgana...?! – exclamei – O que a senhora está fazendo aqui? Achei que estivesse nas masmorras com os outros.
–Eu estaria se não fosse muito inteligente. Eu sou a rainha agora Helena, acho que mereço ficar no conforto. – sorri aliviada. Minha tia estava enganando Erik, ela poderia me ajudar.
–Entendi tia, a senhora está enganado Erik. Você tem as chaves das algemas? Temos que nos apressar para derrotar aquele monstro que ousa se sentar no trono de minha mãe.
–Por que eu iria tirar Erik do trono que sempre pertenceu a ele, e não a sua mãe?
–Quê?
–O pai de Erik era o verdadeiro rei, e não o meu pai. Claro que ele deveria ter sido coroado...
–Tia meu avô matou Vladmir, isso lhe da direito a coroa! – respondi indignada com o fato dela estar protegendo aquela criatura maligna.
–Você é como sua mãe, não se atenta aos detalhes. Não é verdade que, de acordo com a lei, se alguém mata o soberano de Griffen deve também acabar com todos os seus descendentes para ser coroado rei?
–Que importa a lei? A única coisa que importa é que Erik matou seus irmãos e a senhora está protegendo ele!
–Olha como fala comigo Helena Black! – ela disse irritada – Você não entende meus motivos para...
–Então me explica!
–Sabe como é se sentir menor que alguém por toda a sua vida? Depois que minha mãe foi embora meu pai só deu atenção para Clara. Na verdade todos só amavam minha irmã, ela seria rainha então merecia mais que eu e John. Meu irmão era um tolo, também a protegia de tudo e eu não podia reclamar afinal sua mãe era a criatura mais bondosa e justa de Griffen!
Ele suspirou profundamente e continuou:
–Quando meu pai morreu eu tinha apenas 14 anos. Sabe o que ficar na sombra de sua irmã a vida toda e ela ainda receber a coroa com toda a glória que alguém pode receber? Bem, eu aguentei firme. Fiquei na minha, ajudava aquela imunda da mãe de Melody a cuidar dela. Até que um dia eu estava indo falar com Clara quando a ouvi chorar e ela me contou o que seu pai tinha feito. Não sabe a felicidade que tive ao vê-la sofrendo e desesperada...
–Como ousa falar assim? Ela era sua irmã! – gritei horrorizada com as revelações de minha tia, mas ela apenas fez um olhar de tédio.
–Você queria saber os meus motivos, então fique quieta. Continuando, ela se casou com César para esconder uma gravidez que poderia acontecer, e foi o que aconteceu. Achei que a vida melhoraria com ela tendo essa experiência, mas piorou em todos os sentidos. Tudo agora girava em torno do primogênito da rainha, e eu continuava esquecida. Até que um dia eu cansei e fui embora. O problema foi que eu não sabia muito bem como andar pelo reino e fui parar dentro das Terras do Norte por meio de uma passagem secreta. Lá eu conheci Erik. Ele se importava comigo, me dava atenção. Eu ia quase todo dia visita-lo, e as cosas ficaram mais fáceis para mim. Você nasceu e admito que até achei-a fofinha. Comecei a me dar um pouco melhor com meus irmãos. Estava tudo bem até Clara começar a desconfiar de onde eu ia. Um dia ela me seguiu e descobriu que eu estava com Erik, e me proibiu de sair do castelo, sem contar que aumentou a segurança da fronteira.
–Minha mãe estava certa, você estava se relacionando com um bastardo!
–Olha quem fala, pelo menos ele tem sangue puro nas veias, já você... As coisas complicaram, fiquei enfurecida e não sai do meu quarto durante um mês. Minhas criadas levavam minhas refeições e toda vez que sua mãe tentava falar comigo eu não deixava. Isso foi se repetindo até eu descobrir que estava grávida.
–Grávida? Então quer dizer que...
–Sim, Ágata é filha de Erik e a verdadeira herdeira do trono.
Surpresa era apenas um dos sentimentos que eu sentia. Tia Morgana tinha escondido todo esse rancor durante toda a vida, sem contar que tinha dormido com um vampiro... Isso é muito nojento.
–Que seja tia, você ama aquele demônio e tem uma filha com ele. Eu posso deixa-lo vivo, mas tenho que tirá-lo do poder. Por favor, me ajude, ele ficará apenas...
–Depois de tudo que fiz para deixar Clara fora do trono quer que eu ajude-a a derrubar meu amado?
–Do que está falando?
–Fiquei afastada de Erik durante anos até conseguir falar com ele dois anos atrás. Ele ficou muito feliz em saber que tinha uma filha e contou que estava querendo se rebelar. Pedi calma e comecei a ajudá-lo. Contava planos de guerra, o que cada um fazia. Até o dia que você e sua mãe foram na fronteira e eu disse para atacarem perto de onde estavam, para atrair John e César. Com John fora do caminho, criei a vingança dentro de você.
–Espere um minuto, a senhora armou a morte do tio John? – gritei enfurecida e senti meus olhos ficarem vermelhos, mas tia Morgana não deu atenção.
–Claro que armei, ele era um idiota que se casou com uma plebeia imunda. Não iria fazer falta, e você o amava muito, claro que iria querer se vingar. Fiquei sabendo do seu plano e quando foi até a fronteira alertei Clara para que ela te seguisse. Infelizmente Erik estava um pouco fraco e estava perdendo a luta com minha irmã, então tive que lhe ar uma mãozinha.
–O que quer dizer? – perguntei sentindo minhas presas crescendo.
–Que eu atirei a flecha que fez Erik matar sua mãe.
A raiva e o ódio cresceram em mim. Ela planejou a morte dos irmãos, da minha mãe, e tinha me usado nesse plano sujo. Com muito esforço arrebentei as algemas e minha tia pareceu ficar um pouco nervosa. Senti meu corpo se transformar em lobisomem, e de repente ouvi sons de lutas no térreo. Olhei pela janela e vi que Jenna e Alexander tinham chegado.
–Não vou perder mais tempo, devo ajudar Erik...
–NÃO OUSE SE MOVER! – rosnei quando ela abriu a porta – VOCÊ TRAIU A MINHA MÃE! ELA ESTÁ MORTA POR SUA CAUSA!
–Tem razão Helena – ela respondeu se transformando também – Eu matei a sua mãe!
O que se passou a seguir foi uma enorme luta. Avancei contra minha tia com toda a raiva que sentia e lhe dei um soco no rosto, mas ela era muito mais experiente que eu. Se recuperou rapidamente e chutou minhas costelas. Caí no chão e ela se transformou em uma loba marrom e estava pronta para morder minha cabeça, mas rolei para o lado no último segundo e me transformei em loba também.
Saímos rolando pelo quarto em meio a mordidas e patadas e fomos parar na sacada. Minha tia saltou em minhas costas e deu uma dentada em meu pescoço. Mesmo estando muito machucada consegui derruba-la no chão, mas ela caiu com tanta força que quebrou a grade de proteção, e acabou ficando pendurada. Ela voltou a ser humana para poder se segurar melhor, e eu também por já estar quase desmaiando.
–Helena, por favor, me ajude! – ela disse tentando subir, mas estava fraca demais.
–Por que eu deveria?
–Eu sou sua tia! Sei que deve me odiar, mas você seria responsável pela morte da própria tia? – eu estava dividida. Uma parte queria deixa-la cair e morrer, mas eu não queria ser culpada pela sua morte. – Pense em Ágata, ela precisa da mãe!
–Escute bem – eu disse me abaixando e pegando sua mão – Arthur será o rei e a senhora passará o resto de seus dias nas masmorras, entendeu?
Puxei-a para cima, mas eu devia ter imaginado que ela não estava arrependida. Mal estava segura na sacada e já tentou me empurrar. Consegui me livrar de suas mãos e rolei para o lado, mas infelizmente ela tropeçou e caiu.
–Tia! – gritei desesperada observando-a cair e se espatifar no chão.
–O que você fez? – alguém perguntou. Me virei na direção da voz e vi Ágata na porta do quarto, com uma expressão de dor e ódio – Você matou a minha mãe!
–Ágata foi um acidente...! – ela se aproximou rapidamente e me deu um tapa do rosto. Mas antes disso se transformou em algo assustadoramente estranho, não era loba nem vampira, e sim os dois. Suas garras rasgaram meu rosto, e senti o sangue escorrer por minhas bochechas, sem contar que eu não conseguia abrir o olho direito de dor.
–ACIDENTE? – ela gritou me dando vários socos. Eu não conseguia reagir, ela era muito forte – VOCÊ ATIROU A MINHA MÃE DO TOPO DO CASTELO!
A última coisa que me lembro antes de desmaiar é dela tirando uma adaga de prata do cinto e a enfiando em minha barriga.
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