Eagle

6 Capítulo VI: Viagem


EAGLE

Cap. VI

Uma pequena frota de carros seguia para o cais fora da cidade Central. Eram quatro Mercedes negras intercaladas entre outros quatro carros também negros.

A jovem capitã Hawkeye olhava pelas janelas escuras a chuva cair sem a menor animação. Não queria se afastar daquela maneira e muito menos deixar os amigos desprotegidos.

A equipe era o seu maior elo pessoal, passava muito mais tempo com Fuery, Breda, Fallman, Havoc e Roy do que com sua própria família.

- Senhorita Elizabeth.

- Sim.

- Não se preocupe, seus amigos vão ser protegidos, Richard-sama deu ordens há mais de uma semana.

- Certo. Para onde estamos indo?

- Para a sede.

Riza não disse mais nada durante todo o percurso. Mas estava mais tranqüila, não gostava de penar que aquela fora a última vez que viu os rapazes.

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Os carros pararam enfileirados sobre o cais de madeira que dava para um enorme rio negro. O rio Eurates, esse que cortava toda Ametris e em sua maior extensão chegava a ter quarenta quilômetros de distancia entre uma margem e outra.

A viagem até o cais fora longa, tanto que o crepúsculo já estava em seu fim e suas cores já morriam no horizonte. As portas das Mercedes foram abertas e ao redor, homens armados estavam a postos.

- As Balsas chegarão em alguns instantes. – declarou o chefe da segurança – Não se afastem, por gentileza.

Riza caminhou até a beirada do cais e se escorou no parapeito de mogno escuro.

- Você não gosta mesmo disso, não é Riz?

O ruivo de sobrenome Stradivários se colocou ao lado dela também se escorando.

- Não gosto de me sentir engaiolada. Tanto que não fiquei atrás dos meus pais.

- Oh minha menina, você fala como se fizessem isso só por esporte. Mas não é isso, é para o nosso bem, seu bem!

- Eles poderiam nos manter muito bem em segurança na Central.

Ela era tinhosa. E isso a tornava ainda mais interessante.

- Mas querem nos mandar para sede! – pausa – Desse jeito vou achar que não gosta de ficar comigo.

Aqueles olhos verdes eram tão penetrantes, Gregório era um homem praticamente perfeito.

- Você sabe que não é isso... – ela esboça um meio sorriso –

Um pouco mais distante, estava Lyon, escorado de braços cruzados na Mercedes que lhe trouxera até ali. E pela expressão, não parecia estar gostando do que via.

- Maldito.

O ruivo caminha até o casal e se posta do lado esquerdo dela, já que Gregg estava do lado direto.

- Mais calma, linda?

Ele toca levemente a testa dela com os lábios.

- Tenho que me conformar, não é mesmo?

- Não se preocupe, vou te fazer companhia.

Ele sorriu. Oh... Por que tinha que ter olhos tão penetrantes?

Se tinha uma coisa que prendia atenção da mulher de cabelos de ouro e olhos de mogno era um olhar penetrante que a fizesse se perder.

- Pelo menos vou descansar um pouco. – ela deu um sorriso chocho –

- Oh... Aquele seu chefe? Você não precisa trabalhar para um cara que nem faz o próprio serviço!

- Tenho que concordar com o Yukimura.

Se tinha uma coisa com que concordavam ambos os ruivos era que Riza não tinha nada que estar trabalhando para Roy.

- Dá para parar vocês dois! – ela desencosta do parapeito – Eu sou maior de idade e decido para quem trabalho ou deixo de trabalhar! E dá para parar com essa coisa de se chamarem pelos sobrenomes! Nos conhecemos desde o berço e até onde me lembro eram amigos!

- Oh Riz... É uma brincadeirinha entre mim e o Gregg! Não é Gregg?

- Com certeza! – eles dão um meio abraço – Uma brincadeirinha entre nós dois.

Olivie que olhava a cena a uma certa distancia segurava o riso. Parecia que só Riza não via ou não queria ver o porquê daqueles dois se estranharem tanto.

- O que foi, Olivie-sama? – Milles observou o meio sorriso que se formou nos lábios dela –

- A Hawkeye... – pausa – Vamos lá antes que um daqueles dois jogue o outro no rio.

O homem não entendeu muito bem a situação, na verdade, não entendia bem nada do que estava acontecendo, mas também não deixaria a superior sozinha.

Era obvio que corria perigo e daria a vida por ela se necessário.

- Então, como conseguiu esses cortes... Mascote? – um sorriso maldoso se formou nos lábios da mulher –

Riza teve que respirar fundo para não mandar a amiga para um lugar muito feio, mas o que fazer? Essa era Olivie. Adorava ser irritante.

- A maluca que me atacou quis um combate de katanas.

- E me diga que você acabou com ela, por favor, Riza! Você aprendeu comigo, não tem como ter perdido.

- Bem... Eu ia dar o golpe final, mas o comparsa dela foi para atacar o general... Larguei a katana e atirei nele!

Naquele momento a loura sentiu todos os olhares repressores sobre si. Sabia que tinha sido negligente, mas era isso ou deixar Roy ser atacado.

- Qual é o seu problema, Hawkeye? – Lyon começou – Aquele cara sabe se defender sozinho! O que estava em jogo ali, era a SUA vida! E não só ela!

- O Lyon tem razão!Se você morre ali, não seria só você que sofreria, você não pensou nas pessoas inocentes que poderiam sofrer, caso o que você carrega viesse a cair em mãos erradas?

- Estúpida! – Foi tudo o que Olivie disse –

- Eu... – não tinha defesa, o que ela havia feito era egoísta – Não vai mais acontecer!

- Não vai mesmo, vou falar com o Richard assim que chegarmos a sede, você não volta a trabalhar para aquele paspalho do Mustang até tudo isso terminar!

Rapidamente Riza levantou os olhos para Olivie. Poderia levar anos para que achassem eles. Não queria deixar Roy sozinho, ele não sabia se defender quando de cabeça quente. Precisava dela.

Mas talvez fosse melhor, longe dele, não representaria risco e os rapazes poderiam cuidar da segurança dele.

- Você está certa, Olie. Não é bom que eu trabalhe para o general,por enquanto.

- Pelo menos parece que não perdeu toda a lucidez!

- Voltem aos carros, assim que as balsas terminarem de ser inspecionadas iremos para a sede.

Declarou o chefe da segurança.

E cada um foi para seu devido carro.

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Estava lá, sentado em sua cadeira de couro negra, a olhar a vista que tinha através de sua grande veneziana. As palavras do major não entravam em sua cabeça.

Aquelas quatro pessoas estavam em perigo. Riza estava em perigo.

Mas por que ela não viera lhe pedir ajuda? Eram amigos, não eram? Se conheciam há pelo menos vinte e um anos...

- General.

Roy virou a cadeira para o lado da voz que o chamava.

- Sim.

- Telefone para o senhor. Linha dois.

Dito isso, Breda saiu da sala e deixou Roy a sós.

- Roy.

- Sensei?

- Acho que te devo algumas respostas.

- Algumas.

- Mas não lhes darei agora. Apenas não tente investigar e não fique por ai dando sopa.

- O que está acontecendo? Cadê a Riza?

- Não se preocupe com Elizabeth, ela está bem e segura.

- Mas...

- Não seja teimoso, pupilo!- o homem do outro lado da linha estava perdendo a paciência –Você pode ser general, mas eu ainda sou seu mestre, então faça o que te mandei!- pausa — Não se meta nisso, Roy, pessoas estão morrendo e você não precisa ser uma delas.

- O senhor ainda vai me contar?

- Vou. Mas não agora e nem por telefone. Agora vá até seus subordinados e lhes diga que não devem ficar por ai dando sopa e nem se envolvendo com desconhecidos. Se fizerem isso, poderemos assegurar a segurança de vocês.

- Poderemos? Quem?

- Perguntas demais, meu jovem. Manterei contato e qualquer movimentação estranha me ligue imediatamente e se não conseguir falar comigo, fale com o Jonh Armstrong.

- Sensei...

Mas o homem não estava mais na linha e Roy continuava sem respostas.

O que restou ao moreno foi ir à sala dos subordinados transmitir a mensagem do mestre.

- General?

Eles esconderam o baralho.

- Tirem essas cartas de debaixo da mesa!

Eles tiram as cartas e as jogam debaixo sobre a mesa.

- Sabe chefia...

- Nada de festinhas. Da casa para o trabalho, do trabalho para casa.

O tom do moreno era sério.

- O QUE??

- QUE BRINCADEIRA É ESSA CHEFIA?

- Ordens superiores. Alguma coisa está acontecendo e não devemos ficar por ai dando sopa.

- Mas nós temos uma vida social!! – replicou Havoc –

- Vida social, Havoc? – Roy solta uma risada – Você não pega nem resfriado! Agora não falem com estranhos, o que incluem mulheres até segunda ordem.

- Ui! Essa foi pior que um chute nos países baixos!

- Com coisa que ele mesmo vai seguir essas instruções! – Havoc estava resmungando –

- Não siga as instruções se não quiser, Havoc. Mas não me culpe quando estiver sendo assassinado! Estão avisados!

Roy sai da sala deixando um clima pesado. A coisa devia ser muito séria mesmo. As imagens do combate entre Riza e aquela mulher vieram à mente deles...

Talvez não fosse tão ruim ficar em casa por alguns tempos.

Continua...