Notas iniciais
VOCÊS NÃO SABEM HÁ QUANTO TEMPO EU QUERIA VIR ABRIR ESSA TEMPORADA e nem eu acredito que cá estamos. emoções, MUITAS emoções como esse primeiro capítulo como todo primeiro capítulo que vem BABADEIRO, no estilo, remexendo estruturas PREPARADOS? BOA LEITURA!

Pelo jeito, não fui só eu que amanheci em ritmo de recomeços. Durante o almoço, Murilo me contou algumas das ideias de Djane para começar a mexer no sistema interno do centro meteorológico – mais precisamente, em relação às equipes e novos manejos dentro do local de trabalho. Hoje já houve uma reunião preliminar com o RH, para alinhar estratégias, e posso dizer que meu mano chegou renovado em casa.

Inclusive, o livro que ele pegou ainda ontem com Djane já foi lido pela metade, do tamanho da gana dele de consertar as coisas, o que é uma reviravolta e tanto depois de todo um sentimento meio morto que o acompanhou durante o fim de semana.

Sobre a Aline, pelo que entendi, ele preferiu não a encontrar, não ainda. Até mesmo para ir ao RH e falar com a chefe de lá, Murilo desviou da sala dela e foi direto na chefia. Eles até podem articular algo juntos num futuro breve, mas, no momento, meu irmão prefere agir nessas outras instâncias, concentrar-se no que tem pra fazer e manter o tempo dela e o dele de reflexão. Até porque foi isso que ela pediu, não foi? Pra ele repensar no que seria o daqui pra frente.

Vê-lo na ativa assim me acalma mais o coração. Aquela ligação com mamãe e nosso colinho conjunto também deu um resultado interessante. E, claro, o ensaio com os Oliveiras. Se não fosse a terapia agendada dele, até o convidaria para o encontro de hoje. Dia de rematrícula e o dia oficial da matrícula da Iara, para as primeiras disciplinas dela na faculdade. Vamos fazer o maior fuzuê sim ou com certeza?

Termino de escovar os dentes e vou atrás da minha bolsa antes que o Murilo apareça na minha porta para me apressar. Tá relativamente cedo, mas já conheço todo o papo dessa criatura. Ainda mais que ele disse que já nesse mês seus horários vão ficar mais estáveis e não vai poder mais vir em casa almoçar, nem mesmo me deixar no trabalho. Tem sempre o ônibus como opção reserva, porém, a Iara me fez uma proposta tentadora no outro dia. Se bem que fico em dúvida do que escolher, se fico esmagada e derretida dentro de um busão ou se tento fazer o meu almoço permanecer na barriga enquanto ela costura as avenidas de motocicleta. Apenas algo que tenho para pensar.

Tô já na calçada quando o Murilo surge com uma expressão meio preocupada, não sei. Ele fecha a porta de casa pensativo e já imagino que seja algo do trabalho dele. Assim que destrava o carro e eu abro a porta, meu mano a segura antes que eu sente.

— Lena... A gente pode ir em um lugar primeiro? É coisa rápida.

Sem muita referência do que possa ser, só confirmo e tento não ficar observando-o demais enquanto anda para seu lugar e liga o carro. Mas quando suspira de modo intenso, ajustando o ar-condicionado, ele mesmo fala do que se trata essa parada.

— O Alfonso me pediu uma coisa. Na verdade, ele já tinha me falado sobre isso.

— Isso o quê?

— Um surto de rubéola que tá tendo na cidade.

Acho que fica uma tamanha interrogação na minha cara.

— Acho que chegou... minha hora... de ir me vacinar. No posto. Tem um aqui perto.

Fico uns segundinhos de boca aberta, surpresa com essa. Com o pedido e o aceite dele.

— Tem certeza? Tipo, de ir hoje?

— É que só vou poder ver a Lia depois de vacinado. E com um espaço de uns três dias.

Ele sai com o carro devagar, vagueando por esse plano.

— Era pra eu ter ido na semana passada, a Aline ia comigo, mas aí teve aquele desastre... O Alfonso foi até generoso de me deixar entrar no sábado, quando nem devia. Enfim, pra eu poder ir ver ela no próximo fim de semana, é melhor ir hoje. Ele me enviou uma mensagem ainda pouco me lembrando disso.

— Tudo bem, dá pra ir com folga. Tá cedo.

O postinho de saúde é de fato relativamente perto, de modo que em menos de cinco minutos, mesmo com meu irmão dirigindo meio lento, estamos estacionando na portaria. Porém, não descemos do carro de imediato. Abro a porta apenas pra entrar ar, já que o motor foi desligado e o ar-condicionado junto.

— Quer companhia pra respirar?

Meu mano apenas assente e eu destravo nossos cintos de segurança pra nos mover melhor. Nisso, num movimento rápido, Murilo até mexe no celular e coloca algo pra tocar baixinho. Não conheço a música, só sei que é algo leve, o que mantém um ritmo bom para nós dois.

Kyo — Révolutions

Ao passo que ele deita a cabeça no encosto da sua poltrona e fica de olhos fechados, ajusto seus braços às coxas e depois levo uma de suas mãos à barriga e Murilo mesmo vai seguindo os passos, inspirando e expirando, pra dentro e pra fora, suavemente. Como segue bem com a tal música e a seguinte era mais agitada, pego o celular dele e retorno à anterior, deixo no modo repeat. Mas antes que toque uma terceira vez, ele abre os olhos e assente pra mim que está pronto para o próximo passo.

Com a calma que consegue ao momento, ele desce do carro e o acompanho até a portaria, de braços e mãos dadas à sua. Por ser o intervalo de horário de almoço, tem poucas pessoas por ali, o que é bom também, para ele não se sentir constrangido.

Porém, conforme nos aproximamos do local, passando o jardim de entrada, a mão dele sua e Murilo trava um tantinho.

— Tu tá indo bem, mano. E tô aqui. Se precisar voltar outra hora ou amanhã, também tem essa possibilidade.

— Não, eu tenho que fazer isso. O quanto antes eu tomar, melhor.

— Digo isso para tu não se pressionar tanto. Vem, senta aqui primeiro.

Consigo levá-lo para um banquinho de pedra ao jardim, num ponto de sombra.

Mal ele senta, faz a tal da concha, juntando as mãos ao rosto. Assim segue respirando e reequilibrando as sensações dentro de si.

— A música.

— Que música?

— Que tava tocando no meu celular. Pode colocar de novo pra mim?

Atendo prontamente seu pedido enquanto ele segue no exercício de relaxamento. Não parece agitado ou agoniado, só um pouco receoso. Quem passasse por nós poderia pensar que ele tá “esquentando” as mãos, como as pessoas fazem nos filmes de lugares onde neva. No nosso contexto não faria tanto sentido porque está um dia bem quente. Nublado, mas quente.

— A Katiana às vezes também me pergunta... se eu posso adicionar uma trilha sonora. Pra eu me permitir me concentrar em outra coisa e poder viver o momento de outra maneira.

— Tô com o mp4 aqui se tu precisar.

— Essa até que tá dando certo.

Conforme ele fala, confiro de esguelha quem é o artista. Pelo que lembro, é uma banda que o Pedro, o cunhado da Flávia, havia me passado uns tempos atrás. Das influências francesas deles. Suspiro aliviada que isso não me afeta de modo negativo, mas pode ser também porque estou focada no Murilo. E isso me faz lembrar de algo que a Cris me falou no outro dia.

— Sabe, Mu, a Lia não precisa ser um “agravante”. Aliás, tu não precisa ser um super-herói pra ela. Ou pra mim. Eu sei que às vezes a gente usa o outro pra vencer algo, como que fazendo pelo outro, mas tem coisas... tem coisas que a gente tem que fazer por si mesmo, em respeito de si. A Cris me disse que isso de usar um “agravante” pode nos motivar até certo ponto. E que talvez fosse melhor usar a ideia de “atenuante”, algo pra aliviar a pressão e se respeitar no processo.

Quando vejo que ele tá me encarando, atento, eu de pé a sua frente, prossigo.

— Então se tu tiver pensando em fazer isso pela Lia, poderia pensar em fazer isso por ti mesmo. A Lia ainda vai ser beneficiada, mas a vitória com certeza vai ser tua.

Murilo assente, absorvendo essa observação.

— Tem razão.

— É claro que eu tenho razão.

Digo nada vaidosa, apenas graciosa para amainar mais os ânimos dele. Mas aí tenho uma resposta inesperada. Meu irmão abaixa as mãos ao banquinho e nelas se concentra.

— Na verdade, tem algo a mais me preocupando. Pode fazer uma coisa pra mim?

— Só dizer.

— Pode... P-pode me proteger?

Acho que só levanto as sobrancelhas, sem saber bem o que isso quer dizer.

— É que... As atendentes geralmente querem conversar... ou perguntam demais... ou ficam dizendo... c-coisas. Eu assisti a Line se vacinar umas vezes e...

Murilo se remexe, inquieto e incomodado, de olhar baixo.

— Enfim, pode distrair elas? Ou dispersas elas? Aí eu me concentro na música.

Sento ao seu lado e coloco minha mão sobre as suas. Para lhe transbordar mais amor, incluo um beijinho na sua bochecha.

— Pode deixar comigo, maninho.

— Tu pode me dizer coisas legais também. Mas, principalmente, fazer essa barreira.

— Tudo bem. Bora lá?

Firmo nossas mãos outra vez e nos levantamos, ele com seu celular próximo da orelha, meio disperso. Pergunto sobre o atendimento a uma moça ali na entrada e seguimos por um breve corredor, que dá na última porta do local, a da recepção. Deixo meu mano num banquinho acolchoado dali perto e entro para verificar como funciona. Fazia um bom tempo que não vinha me vacinar nem de gripe, então nem dos protocolos lembro.

Como era um horário bem vago, não havia fila e logo uma atendente me recebe. Para registrar no sistema, ela pega nossos documentos (isso mesmo, vou aproveitar a viagem e me vacinar também) e me entrega dois cartõezinhos de papel, que é para a enfermeira preencher, já que nem eu e nem o Murilo tínhamos os nossos mais. Depois a senhorinha me aponta a porta do meio do corredor, que é o ambulatório de vacinação, e eu torno a sentar com o Murilo, que tá balançando a cabeça de leve, seguindo o ritmo da música em repetição. Em um minutinho, a enfermeira abre a porta e chama o nome do meu irmão.

Vez que ele tá disperso, levanto primeiro e faço sinal para seguirmos. Ele dá uma última respirada e me segue. Vou na frente inclusive para manter o contato com a enfermeira. Ela indica uma cadeira de plástico enquanto recebe os cartõezinhos e novamente os RGs. A música continua tocando e Murilo aumenta um pouquinho o volume ao se sentar. Até eu começo a balançar a cabeça em algum tempo.

Logo a enfermeira passa por trás do meu mano e prepara a injeção. Pelo que ela me diz, reforçando a informação da atendente anterior, para essa vacina em específico seria preciso duas visitas ao posto, com um intervalo de um mês. Mas é algo que sai em conta, tratando-se da tríplice viral.

Acabo puxando assunto sobre ser uma única vacina para três doenças (rubéola, caxumba e sarampo) e de longa validade (10 anos!), o que facilita muito. Ela me pergunta sobre a minha última aplicação e respondo acanhada que já fazia uns bons anos. A dificuldade com injeção me atrapalhava, mas acrescento que também lembrava que era bem rápido.

— É o tempo de uma câimbra, só que sem a dor muscular aguda. Algo como uns dez segundos que duram duas respiradas.

Atenciosa, a moça se posiciona quando pergunta em que braço é e eu ajusto a manga da camisa do Murilo, que tomba o rosto pro outro lado, a perna batendo intensamente no chão. Faço um carinho nos cabelos dele, abraçando-o pelas costas e repito o que a enfermeira disse sobre a duração. Mal termino de falar, ela já coloca o algodãozinho pra ele segurar. É quando meu irmão respira que sua perna para, porém, não sai da cadeira.

— Viu só? Não deu nem o refrão todo, só o necessário pra tu poder brincar com a Lia.

Vou falando isso enquanto puxo eu o pano da minha blusa e fecho os olhos, concentrada na música que toca e no Murilo quieto, comigo ainda abraçando-o.

— Que, aliás, tem um d-diiiiiiiiiiindo... muito... do... corajoso.

Alongo o que digo quando recebo a minha aplicação, me firmando na explicação da moça, na leveza da canção e apertando de leve o braço do meu irmão. Em poucos segundos também recebo meu algodãozinho da vitória.

No que respiro e largo do meu mano, acrescento sem pensar muito:

— Sim ou com certeza vai rolar sorvete depois do jantar?

Digo pra mim e pra ele, isso sim.

Quando Murilo se mexe devagar pro meu lado, já de olhos abertos, ele me encontra ainda segurando o meu algodão ao braço. Fica surpreso, de sobrancelhas em pé.

— Tu também?

— Uhum. A música me conduziu junto.

Dessa vez bagunço o cabelo do meu irmão, como que dizendo que o pior já passou. Só que ele continua pálido, assim torno a passar os braços por seus ombros, abraçando-o de leve.

Fechando um armário ao fundo da saleta, a enfermeira comenta:

— Vocês são muito lindinhos, sabiam? Daria um pirulito pra cada se a gente ainda tivesse. Mas se voltarem semana que vem, pra vacinar da gripe, acho que já vamos ter no estoque.

Ela arrisca esse convite e eu agradeço, já descartando meu algodão na lixeirinha e pegando meu mano pela mão (sem aquele suor todo, apesar de ainda meio trêmulo). Murilo joga o dele logo depois, sem olhar muito pro material ou pro braço, ajeitando o pano da própria camisa.

Antes que eu possa abrir a porta para sair, a enfermeira abre pra mim.

— Mais tarde, se quiserem, podem colocar um gelinho no local. Se tiverem moleza, é só tomar um antitérmico e deitar um pouco. Espero ver vocês em breve. Ah! Tem um picolé na padaria aqui do lado que é bem gostoso. Recomendo o de coco!

Agradeço novamente e me despeço. Pelo corredor, enquanto andamos devagar, aponto para o banquinho de espera pra saber se queria sentar de novo e ele dispensa. Mas noto ele soltando o ar aos poucos, piscando lentamente. Puxo conversa e não é para disfarçar, é pra saber como ele está de verdade.

— Ela foi bem gentil, não foi?

— Muito.

Pausamos perto da portaria, para deixar um grupo de pessoas passarem. Murilo continua meio perdido, apesar de já não demonstrar mal-estar. Tenho mais uma questão, porém não sei se devo perguntar diretamente. No caso, se foi ou não muito angustiante. No último segundo, mudo a ideia para uma perspectiva mais suave.

— Quer falar algo sobre a experiência? Ou deixa pro jantar?

Sem me olhar, ele coça a cabeça, meio sem jeito, porém é sincero.

— Foi na medida, eu acho. Meio estranho e interminável, mesmo que rápido.

— Prefere quando eu te seguro pela mão ou pelos ombros?

Meu mano titubeia por uns segundos, mexendo a boca comprimida. Daí um moço que eu não tinha visto na hora da entrada aparece e abre mais o portão pra a gente, assim o Murilo passa primeiro e me puxa pela mão, que seguem juntas. Andando, ele parece estar voltando a si e até se abre melhor.

— Acho que os dois? Sei lá, me faz sentir mais firme, em contato. Tendo algo ou alguém pra segurar. E contigo?

— Acho que prefiro só segurar algo ou alguém mesmo. Apertar, na verdade. Naquela vez na emergência, eu me segurei em ti e no Sávio, lembra?

— Não lembrava que tinha sido nele junto. Muito provável porque eu também tava de olho fechado.

— É, fechar o olho ajuda. Apertar alguém e manter a respiração, até passar. Aliás, adorei a descrição dela, a parte sobre a rapidez. E a discrição também.

Murilo fica outra vez sem jeito, mas termina dando de ombros.

— Acho que dei sorte.

Terminando de atravessar o jardim do postinho de saúde, que ele procura as chaves do carro no bolso, quero me certificar mais uma vez de que meu mano tá bem.

— Acha que pode dirigir?

— Dá, tranquilo.

— E acha que dá pra trocar a música?

Poisé, ainda tocava e eu tenho certeza de que ela vai perdurar o dia todinho na minha cabeça. Com isso, a criatura dá um leve sorriso, mais ameno.

— Dá sim.

Ao chegarmos na calçada do posto, Murilo para, observando o local e eu apenas espero. Ainda tô na cola dele e se precisar, atraso minha chegada ao trabalho.

Por fim, ele se mostra bem. Mesmo.

— Quer um picolé, Lena?

— Achei que não fosse oferecer.

~;~

Chego no trabalho na hora e assim que ponho os pés no pátio dos caminhões, o Hugo me grita. Como por ali é comum ter muito barulho dos motores, de geral as pessoas falam umas com as outras gritando.

— Milena, que bom que já chegou. O Jackson e o Álvaro vão levar uma entrega agora e eu preciso que você os acompanhe. Vou ficar preso aqui por mais uns minutos, então tu leva o formulário pra ir adiantando. Faz de lápis mesmo, só pra rascunhar as principais anotações. Ah, a Hortênsia vai monitorar o caminho, pra conferir o novo sistema de rastreamento, então se precisar, pode falar com ela pelo rádio.

Hugo vai falando tudo bem rápido e me conduzindo pro caminhão, onde me ajuda a subir e me entrega a prancheta com as folhas do formulário. Se o dia começou meio lento, ele definitivamente acelera duma vez só. Mas aí o Hugo some e o Jackson, de motor ligado, não sai do lugar. Acho que meu estranhamento fica bem na cara, assim o Álvaro, que fica bem no nosso entremeio, explica:

— Falaram que vão mandar um representante comercial pra ir junto.

— Ele não vai de carro?

— Pelo que entendi, ele vai com a gente.

Assim que o Álvaro acaba de falar, alguém abre a porta do carona do caminhão, dá um impulso pra subir e se senta, meio atrapalhado por conta da mochila. Eu e o Álvaro nos ajeitamos também, pra ceder mais espaço ao outro. Só quando esse tal cidadão se ajusta que eu vejo quem é.

Eu chego a olhar pro céu e perguntar mentalmente: É sério isso, universo? Porque eu fiz uma grande ação hoje. Não é porque ganhei um picolé de coco que já tá tudo quite pra me mandar essa!

Aguinaldo só me percebe do lado dele quando nos cumprimenta com educação e eu respondo em igual cortesia junto aos entregadores, enquanto o Jackson já manobra pra ir ao posto do repositório, nossa primeira parada dali uns minutinhos.

— Boa tarde.

— Boa.

Sinto que ele vira pra mim de imediato, mas eu finjo que tô vendo os itens do formulário ao meu colo. Acabo vendo mesmo, porque, se o Hugo me enviou na frente, é pra eu ir conferindo os detalhes de antemão. Não tem escapatória.

O jeito é ser profissional – o que o Álvaro é ao se apresentar a ele e ofertar a mão para apertar. Eu fico literalmente entre eles, só escutando, sem me manifestar.

— Prazer, meu nome é Álvaro. Esse aqui no volante é o Jackson.

— Eu sou o Aguinaldo. Desculpem o atraso, o Franco me avisou de última.

Como eu não falo nada, o Álvaro me cutuca de leve e faz a apresentação por mim.

— E essa é a Milena, da Logística.

— Ah, eu sei, a gente estuda junto.

— E é? Bom, quem sabe não ficam amigos?!

Dou um sorrisinho amarelo por essa, não exatamente constrangida, apenas presa numa situação onde não se tem muito o que falar.

Logo o Jackson estaciona no repositório e, pra não atrapalhar eu ou o Aguinaldo, o Álvaro desce pela porta do motorista para auxiliar na carga. Assim, divido minha atenção, ora no cronômetro do meu celular, ora na luzinha do rádio, pro caso da Hortênsia falar alguma coisa, e também no movimento da avenida. Agradeço internamente que o Aguinaldo cumpre a promessa dele de ficar “distante” e quieto. Pelo que observo enquanto faço anotações, ele tá com o braço apoiado na janela, virado para a avenida.

Em vinte e cinco minutos contados, os entregadores sobem de novo e seguimos caminho para o primeiro supermercado. Como esses dois estavam agitados, eles puxam papo de novo e eu fico na minha, às vezes trabalhando de fato, às vezes só fingindo estar checando algo na prancheta enquanto o veículo se sacodia todo.

Quando paramos no quarto semáforo consecutivo, volto-me novamente para as nuvens brancas e cinzas desse dia. Eu preferiria tomar vinte vacinas.

Seria, com certeza, um desafio menor.

~;~

Minha esperança de voltar com o Hugo se esvai quando recebo uma mensagem sua dizendo que não vai poder nos encontrar no último supermercado, onde estamos descendo. Ele foi apenas no primeiro e no segundo e ficou de dar notícias.

Não era nem que o Aguinaldo estava me incomodando, porque, mesmo quase colados no assento do caminhão, tínhamos uma distância emocional grande. Estávamos ali no físico, porém, não em espírito, por assim dizer. E eu realmente tava concentrada no meu trabalho. Às vezes o Álvaro falava demais, o que era bom e ruim ao mesmo tempo, pois minha atenção se dispersava um pouco. No entanto, o clima ficava ameno e fluído, com alguém preenchendo o silêncio. Mesmo quando a Hortênsia checava alguma coisa sobre a rota e o movimento das avenidas alternativas que pegávamos, logo ele voltava à conversa anterior junto com o Jackson.

Mas se eu tivesse a chance de voltar com o Hugo, eu voltaria. Então, enquanto isso não acaba, eu penso nas coisas boas que me esperam para depois do expediente. A galera, o dia da Iara e uma zoeira gostosa com os Oliveiras.

O bom é que enquanto acompanho a entrega com os rapazes, o Aguinaldo sai com o gerente do supermercado pra outro lado. Apesar do encontro que demos hoje, temos funções diferentes que só vez e outra que se convergem. E somos profissionais, certo?

Fico na dúvida quanto a isso quando passa o tempo de entrega feita e o Aguinaldo não reaparece no ponto de encontro. Quando começa a ficar estranho, o Álvaro vai atrás dele. Não demora muito para vir nos esclarecer sobre isso.

— O gerente e o diretor tão meio enrolados lá com um cliente que tá dando chilique.

Jackson faz a pergunta que eu não faço.

— Não é melhor a gente voltar assim mesmo?

— Pelo que eu entendi, precisamos da assinatura de alguém responsável. Mas peraí que vou falar com a Hortênsia.

Com a paciência que me cabe, recostada do lado de fora do caminhão, espero por qualquer notícia. Torço, na verdade, para isso logo acabar.

— Ela disse que como foi um imprevisto e é um primeiro experimento com um representante comercial junto, tudo bem esperar. Até porque é bom pra ver como vai ficar a via da volta nesse horário da tarde.

Não nos resta outra opção senão aceitar essa ordem, mas com os minutos passando, todos vamos ficando impacientes. Já sem muito o que fazer, decido ir lá eu mesma averiguar a confusão. Deixo minha pasta e a prancheta no caminhão e pego as orientações com o Álvaro para adentrar o supermercado, porque por ali havia muitos corredores e entradas.

Quando chego ao saguão dos fundos que me dou conta que o ritmo da música do Murilo seguia me guiando com certa pacificidade. O refrão se repetia na minha cabeça e me fazia manter a respiração calma diante desse desafio infindável.

Já passando pelas seções, vejo que há um movimento perto da entrada, porém encontro Aguinaldo pelo meio do caminho, parado, de costas pra mim, também impaciente. Batia sua prancheta nas pernas.

Chego de maneira a me fazer presente bem ao seu lado para ele não se assustar. Sigo cautelosa, bem profissional, vagando o olhar pelo ambiente.

— Conseguiu a assinatura?

— Ele foi buscar o carimbo. Disse pra esperar aqui.

— Faz muito tempo?

— Um minuto acho.

Acho que suspiro alto, pois, quieto, ele diz:

— Desculpa.

E depois complementa:

— Pelo atraso.

Para não ficar muito próximo dele, perambulo por ali. Estávamos no entremeio das seções, então vagueio um pouco mais e adentro a seção dos biscoitos. Isso porque avisto um de laranja que virou um dos preferidos do Murilo, que a gente não via faz tempos, e alcanço os três últimos pacotes num cantinho da prateleira, que tava misturado com um de embalagem semelhante. Parecia sorte demais, mas aí vejo a validade e já havia expirado faz três meses. Ou seja, não foi nem nesse ano que venceu o produto.

Volto-me para o redor e vejo um repositor na seção da frente, ajeitando umas caixas de leite. Faço um sinal quando por acaso ele se move pro meu lado e chamo-o rapidamente. Assim que demonstro o problema, o cara quase me abraça. Eu sei que ele poderia ser chamado atenção por isso ou mesmo até levar uma bela duma bronca, então preferi só ser prestativa de avisar, para que não tivesse problema.

— A gente até fez mais pedido desse, mas parece que foi edição limitada.

— Poxa, o meu irmão adorava esse. Uma pen...

Falava eu de boa com o funcionário quando de repente sinto alguém bater em mim, costa a costa, numa trombada tão doida que quase caio por cima do moço, que até me segura pelos braços. E mesmo quando olho pra trás pra averiguar o que era aquilo, ainda não entendo direito.

Quer dizer, quem topou comigo assim foi o Aguinaldo.

— Tu... tá maluco?

Aí entrevejo que ele tá segurando alguma coisa, mas como me virei pouco, com o funcionário ainda me segurando, não sei do que se trata. Daí uma moça aparece para brigar com duas crianças que estavam próximas, atônitas com a situação.

— Eu nÃO ACREDITO... que vocês abriram esse refrigerante! E EM CIMA DO RAPAZ! Meu Deus, eu só virei por um segund... Andem, peçam desculpas. Bora, Vicente, bora, Gabriel.

— Desculpa, seu moço.

Os dois guris dizem juntos, meio chorosos. Ainda mais que a mãe puxa eles pela camisetinha, pra se afastar do refri que pingava. Era disso que se tratava.

— Como eu faço pra pagar isso?

O repositor que estava ali pega a garrafa espumante das mãos do Aguinaldo e pede para ser acompanhado. Diz que vai chamar alguém da limpeza e que era pro outro esperar ali também. Só quando me vejo sozinha com ele que entendo (finalmente, ou realmente) o que aconteceu ali: ele se meteu na frente quando o refrigerante estourou ao ser aberto, para não me sujar, porque iria me pegar em cheio.

Ao meio da grande poça de refri que me dou conta disso e não sei o que dizer. Só assisto o Aguinaldo se debater, pingando, e torcer a frente de sua camisa. De maneira inevitável, lembro que no ano passado levei um banho de suco de goiaba no último evento acadêmico de Administração e fiquei numa situação triste de mendigar camiseta de qualquer um. Foi aí que o Juliano Pompeu me ofereceu a dele e tudo mais aconteceu naquele prédio. Como o assalto do Aguinaldo que não foi assalto e... Balanço a cabeça pra sair desse pensamento. Também dou um pulo pra sair da grande poça de refri.

— Santo Deus, o que aconteceu aqui?

Imagino que seja o gerente. Aguinaldo termina de torcer a camisa e passa a mão pela calça, também molhada.

— Um pequeno acidente com umas crianças.

— E o documento que tava contigo?

— Deu tempo de deixar ali na prateleira.

O tal homem pega a prancheta dependurada atrás de si e assina logo a papelada, dando a esperada carimbada. Mas mantém a prancheta consigo e segura o Aguinaldo pelo ombro.

— Me acompanhe para eu pegar uma roupa pra você.

— Não precisa.

— Mas você está pingando e... Caramba, que desastre. Hoje pelo jeito não é nosso dia.

O moço sorri sem lá muito jeito, mas atencioso.

— Eu insisto. Por favor.

Nessa hora o Aguinaldo me olha de esguelha e sem muito o que dizer, assente para o gerente, que o conduz pelo corredor e eu sigo os dois. É pelo meio do caminho que o tal coordenador nota que estou indo junto e diminui o passo.

— Precisa de algo, mocinha?

Antes que eu possa responder, o Aguinaldo se manifesta.

— Ela é da minha equipe. Veio ver por que eu demorava.

O homem fica mais constrangido e cruza as mãos em prece para mim.

— Mil perdões, senhorita, mil perdões mesmo. Hoje já me aconteceu de um tudo.

— Tudo bem. Eu vou esperar no caminhão, tá?

Saio dali antes mesmo de ouvir a resposta, só saio andando, sem ter o que dizer, completamente muda para esse incidente e o anterior, da longa espera. Mas sim, tô consciente de que o Aguinaldo me protegeu e foi rápido de se colocar na frente da pequena tragédia. Tô consciente também de que eu sequer o agradeci. Porque continuo sem palavras. E continuo querendo sair daqui. Parece que quanto mais quero que termine, mais a gente se prolonga nesse supermercado.

Enquanto atravesso o depósito que Hugo me liga, preocupado.

— Milena, aconteceu alguma coisa? Vocês estão demorando.

— Tivemos uns probleminhas aqui no último supermercado. Só contratempos.

— Que tipo de contratempo?

— O gerente não pôde atender o representante comercial por conta de uma confusão na portaria com um cliente e depois... depois o nosso representante levou um banho de refri por conta de outro cliente. Mas já vamos voltar. Já tô indo pro caminhão. Pode deixar que entrego as anotações assim que chegar aí. Nessa parte tá bem assegurado, não se preocupe.

— Eu me preocupo é com vocês!

Paro na divisa do depósito, já próximo de onde estão os entregadores. Aceno para eles um “ok” e depois levo o dedão para trás, dando entender que já está finalizado e que o outro já vem.

— Estamos bem, Hugo. Foi só um dia meio doido.

— Tudo bem, espero vocês no pátio.

~;~


Salto devagar do caminhão, tão silenciosa quanto estava na viagem de volta e sou recebida tanto pelo Hugo quanto pela Iara como se estivesse vindo de um atentado. Os dois muito alarmados, desassossegados mesmo. O Hugo então, parece que suava frio.

Daí que estranho mais ainda o clima pelo anexo. Imaginava eu que seria meu salto de liberdade sair da situação desconfortável do dia, mas pisar ao pátio se revela outra coisa quando vejo como a história tava repercutindo. De repente vários funcionários se aproximam. Até avisto o Thiago ao fundo. Eu fui pra guerra e não tava sabendo?

Iara me abraça forte após soltar o Aguinaldo, ali do lado, também estranhando a movimentação das pessoas.

— Tá bem, Mi?

— Foi só um pequeno incidente, nada demais.

Ela me solta, atarantada, pra me dar um tapa no braço. Uma tapa forte no braço.

— Como nada demais? Um tiroteio é coisa séria, sua coisa!

— Que tiroteio?!

— Meu Deus, não brinca com meu coração assim. Ele... faltou sair pela boca!

Só aí que vejo o quão trêmula ela de fato tava. Como tô total perdidaça nessa, pergunto de novo e pergunto serinha.

— Gente, que tiroteio?

Hugo expira longamente antes nos explicar essa, ambas as mãos na cintura como se estivesse cansado.

— Ouviram na rádio que teve um tiroteio no supermercado em que vocês estavam, algo entre os clientes. Ligamos e ninguém atendia e a Hortênsia também não conseguiu conexão pela rádio. Então passamos um aperto aqui.

— Meu Deus, gente!

Exclamo, espantada pela história. Iara volta a me abraçar e deixo que se acalme comigo ali, quieta. O Álvaro, que permanecia no assento do caminhão e ouvia a conversa, comenta:

— No meu celular não tem chamada nenhuma. E no de vocês?

Aguinaldo, apesar de um pouco mais distanciado de mim, também verifica.

— No meu também não. Mas pode ser porque eu troquei de número recentemente.

Iara me solta assim que Thiago nos alcança, também nervoso. Seu alívio é tão visível que ele só solta o ar ao nos conferir por todo. Hugo o cumprimenta também, dividindo esse sentimento e logo aponta para o bebedouro ali perto.

— É melhor todos tomarmos uma água, né?

Meu ex-chefe mostra que vai conversar com os entregadores e sigo com o meu chefe atual, ainda junto da Iara, até o point da água. Quando me sento num dos banquinhos de pedra de lá e Hugo nos serve, Sávio de repente desponta ao pátio. Ele primeiro se certifica do Aguinaldo, que ficou para trás, conversando com seu supervisor, e depois nos alcança.

Com minha cara de quem pergunta como ele soube, Sávio se une à namorada.

— A I me avisou por mensagem e vim o mais rápido que pude. Que bom que tá todo mundo bem.

Abraçada a ele, minha amiga continuava abalada, recuperando-se do susto. Parece que nem tinha conseguido chorar direito de tão “tão” que foi essa confusão. Eu até agora mal processo. Acabo é lembrando da viagem no ano passado, depois que eu e o Sávio conseguimos vagas num ônibus e chegamos ao ponto de encontro e havia uma grande movimentação com polícia, população e nossos colegas. Dei muita, muita, muita sorte de sair ilesa de duas situações trágicas como essas.

Me compadeço da Iara, que só então entendia que não havia acontecido nada.

— Desculpa, I.

Ela passa a mão aos olhos, soltando-se do Sávio.

— Não é sua culpa.

— Foi um susto terrível e eu não entendi de primeira. Deixa que eu converso com o Murilo e o Vini mais tarde, tá? Também é melhor não envolver ninguém da “gangue do bem”, não por enquanto.

Solto essa pérola tão ao natural que agradeço que o Hugo se afastou para atender uma ligação e só meu amigo que levanta as sobrancelhas, dando a entender que pergunta de quem se trata.

— Falo de Djane e do seu Júlio. É melhor não assustar nenhum deles sem necessidade. Pode deixar que uma hora conto. Enfim, a gente vai fazer a matrícula, né?

Iara se volta pra mim, meio irada e estarrecida.

— Como que tu ainda pode pensar em matrícula, criatura?

— Pensando, ué. É o teu dia.

Minha amiga balança a cabeça e zanza ali entre eu e o namorado dela como que para dispersar sua indignação por minha “ousadia”. Sávio que apazigua mais, segurando-a pelos ombros para ficar de frente pra mim.

— Acho que o que a Iara quer dizer é que podemos deixar isso pra qualquer outro dia. Temos essa semana toda pra ir fazer a matrícula. Não tem pressa, Lena.

— Eu sei que não tem pressa, mas prefiro só ir lá e fazer, sabe? Até mesmo pra seguir em frente e mostrar que eu tô bem mesmo. Eu tô, I! Foi um susto e passou. Estive no local e saí de lá a tempo. Todo mundo da equipe saiu inteiro e a salvo. Mas se tu precisar se certificar disso pelo resto do dia, eu deixo tu ficar grudadinha em mim. O quanto tu quiser.

Iara mexe a boca, pensando sobre minha proposta. Por ela se demorar um pouco nisso, peço o suporte do Sávio pelo olhar. Ele a segura pelo dorso e pergunta:

— Acha que pode dirigir a moto?

A I apenas balança a cabeça, em negação.

— Então eu levo as duas. E tu fica atrás com a Lena.

Me ponho de pé e bato na prancheta.

— Só tenho que entregar minhas anotações pro Hugo, explicar umas coisas rapidinho.

Vou até meu chefe, que conversava com outro motorista ali pelo pátio. Faço sinal e ele vem até mim. Entrego a prancheta e aponto para umas coisas que escrevi, mas o Hugo abaixa o formulário, me dispensando.

— Aqui meu rascunho. Tem umas anotações atrás também. Essa parte aqui é de...

— Amanhã você me explica, Milena. Até porque já deu o teu horário. Eu só tô agradecido que acabou tudo bem.

— Tem certeza? Porque eu posso ao menos te mostrar o principal.

— Sério, pode ir. Eu nem conseguiria processar muito mesmo. Amanhã vemos isso ponto a ponto, tá certo?

— Tudo bem.

Fico mais incerta ao vê-lo tão inquieto e disperso. Acho que preciso dar o tempo de cada um de se recuperar mesmo. Aceno acatando sua ordem e me viro para voltar para onde estão os outros. Vez que não os encontro na área do bebedouro, busco-os pelo pátio e encontro-os mais próximos do caminhão conversando com o Aguinaldo. A Iara também parece não querer largá-lo. Não a julgo por isso.

À distância, vendo como o Sávio e a Iara interagem com ele, preocupados, penso por um minuto que ele teria me protegido disso também, se a gente se visse no meio de uma situação com tiros. Aguinaldo não pensaria duas vezes, assim como eu não pensaria. Seria totalmente instintivo, como ele fez quando percebeu que o refrigerante iria estourar em mim. Não diria que ele se meteria pra pegar uma bala por mim, mas com certeza ele me puxaria da mira dela.

Naturalmente, ao sair de uma situação dessas, a gente esquece qualquer tipo de problema passado. Perdoa-se tudo na hora, sem nada mais importar. O susto é o bastante para tomar essa decisão. Mas eu não quero depender de uma tragédia para tudo ficar bem entre a gente. Não sei se sou eu quem não quer esquecer ou se quero tomar mais tempo para processar nosso rompimento. Tempo, espaço, distância. Respeito. Autorrespeito.

Enquanto não sei a resposta, prefiro dar um momento a eles e passar no banheiro primeiro. Até mesmo para jogar uma água no rosto antes de seguir neste dia.

Espero que em algum ponto isso esteja melhor resolvido dentro de mim.

Notas finais
PRIMEIRAMENTE: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA segundamente: nem eu sei o que dizer sobre esse capítulo terceiramente: trechinhos do próximo? "- E agora já? Daniela solta essa assim que abro a porta do carro. Vislumbro minha amiga e sua pressão psicológica e tento driblar. - Já não basta a chantagem emocional do Bruno? - Não. Mas agora já? Ela insiste, com graça, bem palhaça. Desço do carro e replico no mesmo estilo. - E eu lá tenho cara de Shrek? Bruno, mais atrás, provoca junto. - Talvez de Fiona." e "- Ain, amor, é pra ajudar a igreja. Assim Deus me ajuda nesse semestre. Recebo meu pacote de pipoca e cutuco o juízo da minha amiga. - Acho que não é assim que funciona, Dani." e "- Eu tô com menos bilhetes, mas posso reservar um pra cada. Menos pra Lena, que eu ainda tô chateada com ela. Só não jogo pipoca nessa pimentinha porque seria desperdício e porque não queria sujar praça pública. - Olha só, Brasil. É assim que a pessoa se revela." JÁ LOUCA LOUQUÍSSIMA PARA POSTAR!