ENTRE SOMBRAS E CÓDIGOS

3 Capítulo 3 – O Segundo


O som dos passos rápidos na escada anunciou uma nova presença na unidade. Alex estava no corredor, observando a movimentação, quando a porta se abriu com força e entrou um homem alto, de sorriso fácil e olhar provocador.

— E aí, Alex! — exclamou ele, jogando a mochila sobre a mesa — Sou eu, Nate. Melhor amigo desde os tempos do exército e, claro, novo parceiro de combate.

Alex deu um aceno curto, a expressão fechada, mas algo no olhar dizia que Nate era uma das poucas pessoas que realmente entendiam seu silêncio.

Nate já tinha ouvido falar da tal hacker com olhos azuis que estava balançando o time todo.

E claro, não perdeu tempo.

Ele cruzou o olhar com Clary, que estava concentrada revisando arquivos em seu computador.

— Então essa é a famosa Clary? — ele disse, se aproximando com aquele sorriso maroto — Dizem por aí que você é o cérebro dessa operação toda.

Clary levantou o olhar, surpresa, mas manteve a postura firme.

— E você deve ser o galanteador da equipe — retrucou, arqueando uma sobrancelha.

Nate deu uma risada e estendeu a mão.

— Galanteador? Só se for pra ganhar a irmãzinha do meu melhor amigo.

Antes que ele pudesse avançar, Alex surgiu ao lado dela, firme e direto:

— Nate, brincadeiras à parte, respeita o espaço dela.

Nate levantou as mãos em sinal de rendição, sorrindo de orelha a orelha.

— Beleza, Alex. Puxo o freio. Mas já aviso: essa vai ser minha irmãzinha de guerra. Vai ser divertido.

Clary soltou um sorriso curto, meio desconfiada.

Alex olhou para Nate e murmurou, quase para si mesmo:

— É melhor mesmo.

Poucas horas depois da chegada de Nate, Alex, Clary e Nate se preparavam para a primeira missão juntos.

Era uma operação de infiltração rápida: localizar um ponto de encontro de traficantes e interceptar um carregamento de armas.

— Vocês dois vão precisar seguir meu ritmo — Clary avisou, ajeitando os fones de ouvido e abrindo o mapa digital no tablet.

— Confia na pequena, que ela sabe o caminho. — Nate sorriu para Alex, piscando.

Alex permaneceu sério, mas sabia que tinha feito a escolha certa ao trazer Clary para o time.

—

No terreno, Clary guiava o percurso com uma precisão impressionante. Conhecia as ruas, rotas alternativas, pontos cegos — nada escapava ao seu radar.

Nate e Alex seguiam seus comandos, confiando em cada passo.

Em menos de dez minutos, estavam dentro do armazém onde o carregamento deveria chegar.

— Tempo recorde — Nate comentou, impressionado.

— Se não fosse pela nossa hacker, estaríamos andando em círculos — Alex completou, lançando um olhar discreto para Clary.

A missão foi um sucesso. Sem disparos, sem alarde.

—

Mais tarde, Nate decidiu recompensar a parceira de equipe.

— Vamos tomar um sorvete? — perguntou, com um sorriso maroto.

Clary piscou, surpresa.

— Sorvete?

— Claro! — Nate respondeu. — Não me engana: todo mundo gosta de um pouco de doçura depois de um dia tenso.

Ela hesitou, mas acabou concordando.

—

Na sorveteria, Nate escolheu um copo com três bolas: chocolate, morango e pistache — o favorito de Clary.

Ela sorriu de verdade, aquela expressão rara que poucos viam.

— Eu adoro sorvete. Desde criança.

Nate deu uma risada.

— Isso explica muita coisa. Agora entendo por que você é tão rápida: é energia de criança!

Clary riu, um som leve que parecia quebrar a armadura que ela carregava.

— E sabe o que é melhor? — Nate continuou, com olhar sincero — Você tem agora um irmão. Eu tô aqui pra isso.

Clary olhou para ele, emocionada.

—

De longe, Alex observava a cena, escondido atrás da porta da sorveteria.

Ela tentava manter a pose, mas Nate já tinha visto o que ele via há tempos:

Por trás daquela fachada forte e competente, Clary era só uma menina que queria ser cuidada.

Alex sorriu.

— E eu serei o guardião dela.