ENTRE SOMBRAS E CÓDIGOS
12 Capítulo 12 – A Folga
Era a primeira folga real que Alex e Clary tiravam em meses. A base estava sob o comando temporário de Nate e Billy, que, com sorrisos cúmplices, praticamente empurraram os dois para fora dali.
Clary escolheu um chalé isolado nas montanhas. Simples, mas com privacidade total. A única regra ali era: sem armas, sem comunicação, sem interrupções.
Quando Alex entrou pela porta, o ambiente o envolveu como uma armadilha perfeita — e ela era o centro disso.
Clary estava descalça, vestindo apenas uma camisa preta dele, longa o suficiente para ser provocante e curta o suficiente para enlouquecê-lo.
— Isso é tortura planejada? — ele perguntou, rouco.
Ela caminhou devagar até ele, a ponta dos dedos deslizando pelo peito dele.
— Eu chamei de justiça divina. Você me provocou por semanas.
— Clary…
— Shhh — ela sussurrou, puxando-o pela gola da camiseta — Hoje não tem chefe. Não tem ordens. Só você. E eu.
O beijo veio quente, urgente. Os corpos colidiram como tempestades antigas, finalmente livres.
Ele a ergueu com facilidade, levando-a até o sofá e a deitando com cuidado. As mãos deslizaram por suas pernas, sua cintura, sua pele quente.
— Você não faz ideia do que tem feito comigo — ele sussurrou entre beijos, puxando lentamente a camisa do corpo dela.
Ela arqueou o corpo ao toque dele.
— Então mostra.
E ele mostrou.
Com as mãos, a boca, os olhos, a devoção. Cada parte de Clary foi explorada como território sagrado e proibido. O desejo se acumulando até se transformar em explosão — uma vez, depois outra, e ainda assim ele não se cansava.
Horas depois, o segundo momento veio como uma repetição perfeita: no chão, frente à lareira. Clary estava deitada sobre ele, cabelos espalhados pelo peito suado, os dois ofegantes, mas sorrindo.
— Isso é sua forma de desabafar, sr. Assassino? — ela provocou, a voz baixa, arrastada.
— É minha forma de te adorar — ele disse, puxando-a de volta pra si — Mas aviso... minha fome não passou.
E ali, com o fogo da lareira refletindo nos olhos dela e o suor unindo suas peles, Alex percebeu:
Nenhuma missão era mais vital do que proteger aquilo.
A mulher. O amor. O lar que ele encontrara no corpo — e na alma — de Clary.
A manhã chegou devagar, banhando o chalé com uma luz dourada suave. Clary abriu os olhos antes de Alex, o corpo ainda dolorido — mas daquele jeito bom, o tipo que vem depois de ser completamente devorada.
Ela o observou por um instante. Ele dormia de lado, o braço firme ao redor da cintura dela, o peito nu subindo e descendo em ritmo calmo. Pela primeira vez em meses, ele parecia... em paz.
Clary deslizou devagar para fora da cama, vestiu novamente a camisa dele e foi até a cozinha preparar café.
Minutos depois, Alex apareceu, com os cabelos bagunçados e o olhar ainda carregado de sono — e desejo.
— Roubar minha camisa virou hábito?
— Só até você parar de deixar o cheiro nela — ela respondeu, entregando a ele uma caneca.
Ele deu um gole, depois puxou a cintura dela para perto e a beijou na testa.
— Dormiu bem?
— Melhor que nos últimos anos.
— Eu também.
Eles passaram a manhã rindo, provocando um ao outro com lembranças da noite anterior, e dividindo um café da manhã caseiro feito entre beijos e toques que quase os levaram de volta para o quarto.
Mas então... o rádio que Alex havia deixado desligado tocou uma frequência privada e criptografada.
Ele se virou devagar, atendendo.
— Aqui é Hunter.
Uma voz grave e distorcida respondeu do outro lado.
— Reconheço o sangue quando vejo. E você deixou uma trilha, Assassino. Vamos ver se consegue proteger o que ama... quando for ela o alvo outra vez.
Alex ficou imóvel. Frio.
Clary se aproximou.
— O que foi?
Ele desligou o rádio lentamente, os olhos escurecendo.
— Alguém do passado reapareceu. E ele está observando a gente.
Ela franziu o cenho.
— Outra caçada?
— Não. — ele respondeu com a voz baixa, determinada — Agora é guerra.
E dessa vez, ele não lutaria só com armas.
Ele lutaria com o coração exposto.
O rádio em silêncio agora parecia mais barulhento que qualquer alarme. Clary encarava Alex, que permanecia imóvel, os olhos fixos em nada, mas a mandíbula trincada revelava o turbilhão interno.
Ela se aproximou devagar, encostando a mão boa no peito dele.
— Você conhece essa voz? — perguntou, a voz suave, como se soubesse que ele estava lutando com fantasmas antigos.
Alex demorou um momento para responder.
— Sim... e não.
Ela esperou, sem pressionar.
— Quando eu era parte da Divisão Sombria, executamos operações contra uma célula chamada “Ira Nova”. Um deles escapou. Inteligente. Vingativo. Obcecado por rastrear fraquezas. — Ele a encarou. — E agora… ele sabe que você é a minha.
Clary não se afastou. Não chorou. Apenas respirou fundo e disse:
— Então a gente enfrenta isso juntos. Como sempre foi.
Alex passou a mão no rosto, frustrado.
— Clary… você não entende. Você é minha paz. E se ele tentar destruir isso... não vou conseguir me segurar. Posso fazer coisas que nem você entenderia.
Ela se aproximou mais, segurando o rosto dele entre as mãos.
— Você acha que te amo apesar do seu lado sombrio, mas não é isso. Eu te amo com ele. Porque foi esse lado que me salvou. E vai me salvar de novo, se precisar.
Alex a puxou para perto, a testa colada na dela.
— Se ele tocar em você… eu não vou ser o Assassino. Vou ser algo pior. E nem o inferno vai poder me parar.
— Eu sei. — ela sussurrou — E é por isso que ele não vai ganhar.
Eles ficaram assim por longos segundos, corações acelerados, mãos entrelaçadas, silêncios compreendidos. Não havia mais espaço para dúvidas. O amor deles não era uma coisa suave. Era brutal. Instintivo. Inquebrável.
— Quando voltarmos — disse Clary com um sorriso discreto —, vamos mostrar pra ele que mexeu com a pessoa errada.
Alex sorriu de volta, um sorriso sombrio e cheio de promessa.
— Ele vai se arrepender de ter nascido.
Fale com o autor